Escritas

Lista de Poemas

Hino Constitucional Brasiliense

1o.

Já podeis filhos da Pátria
Ver contente a Mãe gentil;
Já raiou a Liberdade
No Horizonte do Brasil
Brava Gente Brasileira
Longe vá temor servil;
Ou ficar a Pátria livre,
Ou morrer pelo Brasil.

2o.

Os grilhões que nos forjava
Da perfídia astuto ardil,
Houve Mão mais poderosa,
Zombou deles o Brasil.
Brava Gente Brasileira."&".

3o.

O Real Herdeiro Augusto
Conhecendo o engano vil,
Em despeito dos Tiranos
Quis ficar no seu Brasil.
Brava Gente Brasileira."&".

4o.

Ressoavam sombras tristes
Da cruel Guerra Civil,
Mas fugirão apressadas
Vendo o Anjo do Brasil.
Brava Gente Brasileira."&".

5o.

Mal soou na serra ao longe
Nosso grito varonil;
Nos imensos ombros logo
A cabeça ergue o Brasil.
Brava Gente Brasileira."&".

6o.

Filhos clama, caros filhos,
E depois de afrontas mil,
Que a vingar a negra injúria
Vem chamar-vos o Brasil.
Brava Gente Brasileira
Longe vá temor servil;
Ou ficar a Pátria livre;
Ou morrer pelo Brasil.

7o.

Não temais ímpias falanges,
Que apresentam face hostil:
Vossos peitos, vossos braços
São muralhas do Brasil.
Brava Gente Brasileira."&".

8o.

Mostra Pedro a vossa fronte
Alma intrépida e viril:
Tende nele o Digno Chefe
Deste Império do Brasil.
Brava Gente Brasileira."&".

9o.

Parabéns oh Brasileiros,
Já com garbo juvenil
Do Universo entre as Nações
Resplandece a do Brasil.
Brava Gente Brasileira."&".

10o.

Parabéns; já somos livres;
Já brilhante, e senhoril
Vai juntar-se em nossos lares
A Assembléia do Brasil.
Brava Gente Brasileira."&".

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In: VEIGA, Evaristo da. Poesias de Evaristo Ferreira da Veiga. Rio de Janeiro: Officinas Graphicas da Biblioteca Nacional, 1915. p.105

NOTA: Música de D. Pedro
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Soneto ao Dia em que se Declarou a Independência

Com traidoras promessas de igualdade
Mascarando mil pérfidos enganos,
Tinham tentado bárbaros tiranos
Despojar o Brasil da Liberdade.

Mas Pedro, o Nosso Herói na tenra Idade
Soube prudente desfazer seus planos:
Seu Peito Forte os iminentes danos
Afastou da horrorosa Tempestade.

Que prêmio a tantos Feitos. Neste Dia,
Em que por nos salvar do cativeiro.
À terra o Céu benéfico te envia.

O Povo, oh Pedro, Imperador Primeiro
Entre vivas Te aclama de alegria
Neste nascente Império Brasileiro.

11 de outubro de 1822.


In: VEIGA, Evaristo da. Poesias de Evaristo Ferreira da Veiga. Rio de Janeiro: Officinas Graphicas da Biblioteca Nacional, 1915. p.11
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Soneto à Perfídia de Portugal

Brasil da Natureza encanto, amores
Do Despotismo o jugo mal sofrendo
Viu que lhe estava os braços estendendo
Lisia livre dos ferros opressores.

Eu quero unir-me com prisões de flores
Ao meu querido Irmão; eu só pretendo
Mútua ventura: Lisia assim dizendo,
Cai o Brasil nos braços seus traidores.

Então depondo a pérfida brandura
Ela lhe lança os ferros desumanos
E só de escravizá-lo trata, e cura

Mas; conhecendo os cônditos enganos
Do sono da letárgica doçura
O Brasil acordou: tremei Tiranos.

22 de fevereiro de 1822.


In: VEIGA, Evaristo da. Poesias de Evaristo Ferreira da Veiga. Rio de Janeiro: Officinas Graphicas da Biblioteca Nacional, 1915. p.9
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Soneto ao Brasil

Minha Pátria, oh Brasil! tua grandeza
Por léguas mil imensa se dilata
Do Amazonas caudoso ao rico Prata,
Os dois irmãos sem par na redondeza:

Das tuas serranias na aspereza,
Na fechada extensão da intensa mata,
No solo prenhe d'oiro se recata
Tosca sim, mas sublime a Natureza:

Da antiga Europa os dons em ti derrama
junto dos mares a civil cultura,
Que das artes, e Indústria os frutos ama:

De teus filhos o amor mil bens te augura,
E aos lares teus a Liberdade chama:
Não: não tens que invejar maior ventura.

17 de outubro de 1821.


In: VEIGA, Evaristo da. Poesias de Evaristo Ferreira da Veiga. Rio de Janeiro: Officinas Graphicas da Biblioteca Nacional, 1915. p.7
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Bilhete em Verso ao Thomaz

Bonjour Mr. Thomaz, comment se porte:
Je suis ravi de voir que o seu visage
Dá de bonne santé toda a apparencia:
Moi pour votre service; aqui lhe trago
Mon paquet poetique, que he composto,
D'un rang, ou rango de versinhos soltos,
E d'um Ode; oh que Ode! coisa boa!
Quatorze estrophes tem todas inteiras,
Sem que lhe falte ao menos um só verso:
As sílabas também (ou je me trompe)
Não tem falta nenhua, nem sobejo;
Contei-as duas vezes pelos dedos,
Duas vezes me deo a conta certa.
Não arrepare nesta Francezia,
Que e'est l'usage cá da nova escola,
Que se moquant do ranço dos antigos,
Já banirão das suas livrarias
Andrade, Coito, Barros, e Lucena,
Que serião peut être bons Authores,
Se soubessem Francez; se que dois dedos;
Mas assim fazem dó, Je vous demande
Pardon da secatura; e como finda
Aqui o meu papel, também eu findo.

6 de julho de 1821.


In: VEIGA, Evaristo da. Poesias de Evaristo Ferreira da Veiga. Rio de Janeiro: Officinas Graphicas da Biblioteca Nacional, 1915. p.6
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