Tábua de Marinheiro

O livro que é semeado
não me interessa.
Interessa-me o livro
que soca, desloca,
aumenta.

Interessa-me a cola,
a palha de arroz, a resina
que desgoverna
o pensamento.

Em um livro são margens
os braços que completam.
No livro,
todo estudante é citado.

Como réu.
Ou preso político.

Numa aula
o perigo não está
engaiolado. É livre.

Desde que livre, o perigo
monta as páginas do grego,
ou da eletrônica, com a mesma
montaria.

É perigo por ser
a distância entre a rua
e o que da rua veio.

É perigo assim mesmo.

Inútil o professor
exigir-lhe silêncio.
Um livro
nunca está em silêncio.

(...)


In: TREVISAN, Armindo. Funilaria no ar. Porto Alegre: Movimento; Brasília: INL, 1973. (Poesia Sul, 7)
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