Escritas

Natal

Marly de Oliveira
Natal. Nesta província não neva,
mas a chuva anda constante,
e anda tão longe, perdido,
o que a alma busca na treva.

Que me ficou do ano findo?
Que se pode aprender neste Natal?
A renascer, gritam os sinos,
embora todos saibam que é mortal
aprendizagem essa, sem sossego.

Nasce um deus de palha que o cerca
e nos convida a reviver sua paixão,
já não a cada ano, a cada instante
renovada. E o sangue se rebela
e tem vontade de dizer-lhe não.

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