Lista de Poemas
Azul Menino
na campina
um menino
de azul-fino,
pés descalços,
braços nus,
do azul lado
da campina
de azulado
mais celeste
que os celestes
mais azuis,
onde os ares
azuleam
de árias de águas
de cachoeira
de cantar a-
zuis cantares,
onde as águas
burborejam
burburinho
de azuis círculos
e áreas se asam
de azuis asas,
uma infância
de azul leste
de azul lesto
de azul terno
no azul presto
cantoeterno.
Poema integrante da série Reamanhecer.
In: LEONARDOS, Stella. Amanhecência. Introd. Gilberto Mendonça Teles. Rio de Janeiro: J. Aguilar; Brasília: INL, 1974. (Biblioteca manancial, 9)
O Poeta e seus Livros
cantando seus quintanares,
sempre de poemas chegando,
de poesia novos ares.
Na "Rua dos Cataventos"
dá vento numa quintilha.
Ai "Canções", barcos e ventos!
Viram quadra em redondilha.
Num quintal de flor do mato
passa, poeta distraído.
Sem reparar que o sapato
se faz "Sapato florido".
— Quinta há circo. — Que é que eu faço?
(O poeta no picadeiro)
Tristelírico palhaço?
— "Aprendiz de feiticeiro".
Traz azuis, verdes, vermelhos,
tons de alegre, triste, trágico.
— Caleidoscópios e espelhos?
— Poesia de "Espelho mágico".
Poema integrante da série Reamanhecer.
In: LEONARDOS, Stella. Amanhecência. Introd. Gilberto Mendonça Teles. Rio de Janeiro: J. Aguilar; Brasília: INL, 1974. (Biblioteca manancial, 9)
Barinel
Meu coraçon valedor:
valha-mi Deus que amo ben.
"E assi morrerei por quen
non quer meu mal,
non quer meu ben".
Vagas van e vagas ven?
Meu coraçon: val amor,
todolo mar de amar ben.
"E assi morrerei por quen
non quer meu mal,
non quer meu ben".
Poema integrante da série Códice Ancestral.
In: LEONARDOS, Stella. Amanhecência. Introd. Gilberto Mendonça Teles. Rio de Janeiro: J. Aguilar; Brasília: INL, 1974. (Biblioteca manancial, 9).
NOTA: Barinel= antiga embarcação à vela. Val= vale. Todolo= todo
Amanhecência
Contudo a tudo pertenço
— às águas, árvores, astros
e acima de tudo às asas
das cantigas que amanheçam.
Vai, meu coração de pássaro,
sofrendo por lá num "tremolo".
Talvez tuas penas caiam
nas cordas manhãs de essência
e acordem pássaros trêmulos
no coração de outras penas.
Quem sabe se alando acordes
e cantos amanhecência
de pássaros cantos novos?
Poema integrante da série Reamanhecer.
In: LEONARDOS, Stella. Amanhecência. Introd. Gilberto Mendonça Teles. Rio de Janeiro: J. Aguilar; Brasília: INL, 1974. (Biblioteca manancial, 9)
La Fremosinha
ay deus, val!
Com'estou d'amor ferida,
ay deus, val!"
Caçador qu'ides aa caça
caçador d'afoito passo:
ay que moyro, caçador,
ca me teen presa no laço!
"Dizia la ben talhada:
ay deus, val!
Com'estou d'amor coytada,
ay deus, val!"
Caçador, meu caçador!
Caçador d'afoito passo:
ay que moyro, caçador,
aa mingua de voss'abraço.
Poema integrante da série Códice Ancestral.
In: LEONARDOS, Stella. Amanhecência. Introd. Gilberto Mendonça Teles. Rio de Janeiro: J. Aguilar; Brasília: INL, 1974. (Biblioteca manancial, 9).
NOTA: Val= vale-me! Coytada= angustiada. Moyro= morr
O Mulato
como o cônego o apelidara, em total respeito ao
talento explodido"...
João Felício dos Santos
Sol vermelho sutilíssimo
rompe sol nos lás de azul.
Alvora em mestre Ataíde
cântico vermelho-azul?
A paleta se ilumina
neovermelha, noviazul.
Vermelhos toques sublimes.
Tocante música azul.
E os Passos do Cristo brilham
nos laivos vermelhoazuis.
In: LEONARDOS, Stella. Romanceiro do Aleijadinho. Belo Horizonte: Itatiaia, 1984. (Poetas de sempre, 4)
Do Aprendiz de Escultor
Lá no alto daquela pedra
mora um colomi de pedra
chamado Itacolomi.
O colomi, lá da pedra
me fala: — Não queiras ouro.
Menino, teu ouro é outro.
Escuta, Antônio Francisco,
tuas mãos querem lavrar.
Procura tornar mais que ouro
a pedra que te encontrar.
Existe voz na madeira?
Lá do alto daquela igreja
vive uma cruz de madeira,
a mais alta que já vi.
A cruz, lá do alto, me fala:
— Escuta, Antônio Francisco,
não te coube em Vila-Rica
muita lenha. Coube lenho
e mãos que querem talhar.
Procura tornar madeiro
a madeira que te achar.
In: LEONARDOS, Stella. Romanceiro do Aleijadinho. Belo Horizonte: Itatiaia, 1984. (Poetas de sempre, 4)
Romance do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos
e pela mesma razão: e pela grande devoção que
tem a Santíssima Imagem do Senhor de Matto-
sinhos"...
Petição de Feliciano Mendes
Por ali verdes congonhas
arvoravam ver de folhas
rumorejando no campo:
— Falta tanto, tanto ainda.
Por ali, verde "kõ gõi".!
Arvorando verdes folhas
que curam males do corpo,
verdes congonhas-do-campo.
Veio um dia um mineirante
por nome de Feliciano
e Mendes por sobrenome.
Sofria. Mal misterioso.
Quem sabe se o bom Jesus,
Ele mesmo, o curaria?
Veio o milagre. Curou-se
e saiu de romaria.
Ficaram verdes congonhas
arvorando ver de folhas
rumorejantes no campo:
— Falta tanto, tanto ainda.
— Pelo amor do bom Jesus!
Bom Jeus do Matosinhos.
Esmolas para o santuário
do Bom Jesus nestas Minas! —
e moedas pingocaindo
nos embornais do pedinte.
— Vinde! Vinde carapina
e pedreiro! Sois benvindos.
Vinde, vinde entalhadores!
Que o santuário fique lindo.
Por ali verdes congonhas
arvorando verdes folhas
rumorejaram no campo:
— Falta tanto, tanto. Ainda
Até que veio um mineiro
por nome Antônio Francisco,
Lisboa por sobrenome
Plantou-se nas cercanias.
E na certa o bom Jesus,
Ele mesmo, o inspiraria
Ainda hoje Congonhas
relembra arvorar de folhas
rumorejando no campo:
— Aleijadinho, benvindo!
In: LEONARDOS, Stella. Romanceiro do Aleijadinho. Belo Horizonte: Itatiaia, 1984. (Poetas de sempre, 4)
Serenata em Vila Rica
pisou/ marcando-as com sua força/ como se
essas ruas fossem/ lotes de pedra-sabão."
Henriqueta Lisboa
Pisar com carinho as ruas
que o Aleijadinho pisou
e onde serestas flutuam.
Pisar com carinho as ruas
que o Aleijadinho pisou
marcando-as com sua força
à força de frustração.
Como se as ruas não fossem
de pedra e as pedras não fossem
pedaços de coração.
In: LEONARDOS, Stella. Romanceiro do Aleijadinho. Belo Horizonte: Itatiaia, 1984. (Poetas de sempre, 4)
Balada da Chica da Silva
"Jambá tuca rirá ô quê!
Coro
Jambá catussira rossequê
Solo
Rio, Rio."
— Meu pai, me conta da Chica
— a das estrelas dos antes
das catas de Serro Frio,
Sinhá de José Fernandes
o branco de desvario.
— De quem aquele navio
a um lago absurdo indagando?
Da nega Chica da Silva
Sinhá de José Fernandes.
Não há mar em Serro Frio
mas há, de sobra, diamante.
A nega sentiu capricho
navegante.
Jambá jambi jombô.
Chica da Silva
sonhou
De quem esses atavios
de estrelas não vistas dantes?
Da nega Chica da Silva
Sinhá de José Fernandes.
Não há corte em Serro Frio
mas há, de sobra, diamante.
A nega veste capricho
cintilante.
Jambá jombô jambi.
Chica da Silva
sorri
De quem o olhar de cobiça
e essas garras se ocultando,
ô nega Chica da Silva
sinhá de José Fernandes?
Do hóspede de Serro Frio
onde há, de sobra, diamante.
Do Conde vilão, capricho
vigilante.
Jambi jombô jambá.
Chica da Silva
sinhá.
De quem esses olhos-rios
de saudade rebrilhando?
Da nega Chica da Silva.
Levaram José Fernandes.
(Adeus Chica, e Serro Frio,
e contrato de diamante!)
Ai Chica chorando dia
de amante!
Jambá jambi jombô.
Chica da Silva
chorou.
— E depois: que houve com Chica,
sinhá de José Fernandes,
a nega de Serro Frio?
Será que o que andou chorando
é hoje estrela de rio?
In: LEONARDOS, Stella. Romanceiro da Abolição: poesia. São Paulo: Melhoramentos, 1986
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