Lista de Poemas
Às vezes o corpo
como roupa na máquina de lavar
você fez tantas coisas hoje em casa
que mereciam enriquecer
seu lattes
Mas essa é só a única maneira
que a alma tem às vezes
de sair lavada
O sol na cama
quanto vale o dia de quem ama?,
quanto? passá-lo em sua faina de
amor lado a lado, moita, mão, e
o sol derramado?
Pote
três
ou quatro
posições
e executá-las?
Você quer
muito
muito mesmo
que eu goze?
Então vamos por partes –
não se vai com tanta sede ao pote –
Primeiro: fabricar a sede
Segundo: fabricar o pote
Terceiro: deixar que a água jorre
Quem sabe a morte
das contas, seja uma coisa muito
natural, quem sabe rejeitá-la
seja algo, quem sabe, bastante
estúpido, algo assim como, quem
sabe, fechar o livro predileto
uma página antes do final
Errou o homem
ardendo dentro do sapato
amanhã choverá. E também o cara
(ou aquilo dentro dele) que previu:
cem mil diminutos relâmpagos
se desatarão do corpo da garota
na minha direção
Não que não tenha relampejado
mas porque um só relâmpago
(fora daquele céu) foi necessário
para abatê-lo. E agora sabe
o quanto (ainda mais que nós
que sabemos do homem com seu calo
ardendo ainda dentro do sapato)
o nosso corpo é essa antiga máquina
falaciosa de premonições
Ela me disse
meu coração
quer sair pela boca, eu
segurava minha boca
para que não saísse
pelo coração
Os amigos
Os amigos se encontram tantos anos depois,
os amigos começam a acreditar que os anos
não passaram de certa forma não passaram
ou que o passado está ali tão fácil entrar no
seu círculo encantado os amigos estão maravilhados
com isso e querem marcar outro encontro
os amigos voltam para casa pensando nisso
2.
Um dos amigos tem três lojas de móveis
um dos amigos tem uma loja de roupas
um dos amigos tem dois filhos
um dos amigos também tem dois filhos
os filhos de um dos amigos ainda estão
meio perdidos com suas escolhas profissionais
os filhos de um dos amigos já estão se formando
em medicina no final deste ano
o amigo quer fechar as três lojas de móveis
quando os filhos se formarem
o amigo quer abrir uma loja de
relógios relógios são mercadorias
mais fáceis do que armários modulados
e têm também mais valor agregado
o amigo pai dos filhos que ainda não se
formaram acha que tem ainda muito que trabalhar
os amigos só compram carros com airbags
os amigos moram em casas muito confortáveis
têm muitas histórias do comércio para contar
3.
A amiga é professora de português para
sobreviver
a amiga tem sobrevivido
o que falta aos amigos
não falta à amiga
a amiga tem tempo de sobra
embora seu tempo não sobre nunca
a amiga sempre precisa de
mais tempo
a amiga falou vagamente
nisso
O melhor da noite
foi que ela adorou
as histórias
do comércio
4.
Os amigos prometeram que não demorariam
trinta anos para se encontrar ademais os amigos
sabem que não terão todo esse tempo
os amigos já começam a fazer os cálculos do tempo
razoável que lhes resta e talvez pensem vagamente
que esse desejo de rever esses amigos faça parte
de um desejo de dar passos atrás de arrastar
o tempo para trás ou é possível que pensem
sem muita clareza que há ilhas poças largos
um pequeno enclave ou algo como dobras do tempo
aonde a morte parece não chegar os amigos quando
se encontram de certo modo visitam algo que parece
viver sem a sua presença que parece não depender
mais deles como os filhos que não param de crescer
order in chaos
os compromissos caem
e ficam no chão
De tempos em tempos
olho para eles
e lhes dou esperança
no meu relógio meu dia
é metade noite
minha noite
metade dia
Queen Primer
as aulas de inglês tinham passado a ser
a única chance de ver você
foi você mesma que decidiu e se propôs a ser
a minha professora de inglês
eu fazia todas as lições
eu era muito dedicada
à língua inglesa
vocabulário entonação sintaxe
eu fazia de tudo para que em algum lugar
a perfeição de alguma prática revogasse
a imperfeição do amor
que tinha acabado
e doía pra valer
eu buscava ali alguma santidade
alguma paixão de mártir
e então do nada
você me escreveu uma carta
na qual cancelava todas as aulas
entre nós você disse
não pode haver nada nem amor
nem aulas de inglês
§
É hora de dormir
a testa pesa os olhos
ardem
O dia foi movimento
entre bairros
no seu carro
que se deteriorou tanto
desde
a última vez
que andei nele
como o seu coração
desde a última vez
Acho que em ambos
as peças estão bambas
E me inquieto
alguma vai
se soltar
e cair
irrecuperável
entre os galhos que depois da
ventania
vamos vendo tombados
pela estrada
Um acontecimento
não fica perdido para sempre, um dia ressurge,
como esses corpos afogados que, depois de algum tempo
no fundo, reaparecem à superfície, boiando.
E então já não há mais nada a fazer, senão enterrá-lo em poema
sem reza, sem pompa, sem flores,
e, cumprida a obrigação, com este ao menos,
dormir um pouco, enquanto ainda temos
algum tempo.
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É autora de três livros de poemas: Pastilhas brancas (1999), O caminho de Suam (2002) e Quase todas as noites (2016), que recebeu em 2017 o Prêmio Jabuti.
Publicou poemas em vários jornais e revistas e participou de várias antologias, como as recém-publicadas Simultâneos pulsando – uma antologia da poesia fescenina brasileira e O nervo do Poema.
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