Lista de Poemas
Rei em seu trono
Inspiração vem como sono
Sinto-me rei em seu trono
Ordenando as letras ao meu gosto
Decretando todo tipo de imposto,
Cada canto e recanto de papel
São como terra, tudo é meu
As vezes passeio por elas
Para espalhar letras belas,
Minha caneta é minha coroa
Pois ela me faz rei, poeta
Meus soldados são as palavras
Nada de corrupção, tudo às claras,
Monarquia correta e sincera
Farei o começo da nova era
Onde viver de prosa e poesia
Não passe de mera quimera
Os muros do reino serão versos
Com pedras de pesadas rimas
Nossos tesouros ricos e diversos
com métricas vívidas e caríssimas
farei meus discursos rítmicos
Rei trovador com coração lírico
Recitando leis com muito romance
Poesia chegará onde a voz alcance
O povo se alimenta de literatura
Sei que haverá prosperidade pura
Pode parecer apenas fantasia
Mas tudo existe, onde existe poesia.
Verdes olhos
Acordando, minha alvorada surge esverdeada
Quando de manha se encontram nossos olhares
Que alegria te rever minha amada
Sonolento, vejo esmeraldas em pares,
Nem preciso que o sol apareça
Pois todo brilho tenho do lado
Grato por como o dia começa
Incrível, outra vez apaixonado,
Somos imãs e o metal a cama
Os três, a melhor mistura
Que bela sois em seu pijama
Figura de intensa ternura,
Alarme toca, hora de levantar
Mas adiamos o despertar
Mais cinco minutos decretamos
Abraçados voltamos a sonhar,
O que mais poderia sonhar ao teu lado?
Teu olhar impregnado na minha mente
Sou ciente que ate no inconsciente
Que meu amor por você é demasiado,
Vejo-te como rainha, e não em sentido figurado
Por isso, estou juntando as pedras pro castelo
Queria ser arquiteto ,não sei nem o modelo
Mas é singelo querida, e com muito anelo.
Arrastando âncoras
Voltando pra casa, vigiado pela lua
Com peso nas costas, áspera rua
Levando o dia todo no bolso
Recaídas, flashbacks insólitos,
Meus problemas dispersos na sórdida terra
Arrastando âncoras por cima, no meio da guerra
“guerra interna” digo, dentro o verdadeiro conflito
Em criar devaneio e hesitação, sou um total perito,
Corto-me com o gume da própria espada
Todos os problemas viram pedras pesadas
Vejo-me moribundo e sujo
Morte lenta ouperecimento súbito,
Dançando pra não cair em cacos espectrais
Depositando felicidade em terceiros desleais
Ademais, ironias essenciais, farsas colossais
Mascaras dos falsos engrossam cada vez mais,
Queimarei tudo e todos, dentro de casa
Pois aqui os acumulo. Lembras das ancoras?
Mais que metáforas, matarei todos em massa
No final, não serão mais que míseras brasas.
Psico dispersão
O que escrever?, como te prender?
Qual idéia é necessária defender?
Procuramos nos distrair cada minuto
Divagação alienada, desvio absoluto,
Pessoas, objetos, músicas, dinheiro e drogas
Pensas que matas tédio?, apenas o negas
Consegues ficar sozinho, fazendo monólogo
Sem platéia, sei que teu circo vai pegar fogo,
Rodeado de ruído, para não se escutar
Voz da consciência, prefere não afrontar
Pois não se aguenta
Também, alma marrenta,
Fugindo da própria sombra
Mas como escapar de si?
Nossa vida, eterna penumbra
escondendo-se com frenesi,
Sois feliz na sua companhia?
"estar sozinho ou ser feliz?"
era a única decisão que você possuía?
Isso, Acabou sendo escolha de Sophia,
Gostas do que vês no espelho?
Sentes bem teu espírito velho?
Não sois completo, nem minimamente meio
Questionador tipo apanhador no campo de centeio,
Vida turbulenta, lidando com depressão e psicose
todo dia e noite, faz com que a confiança necrose
quer uma mão amiga?, esta perto do seu antebraço
se a encontrares, terás a resiliência forte como aço,
Tentas escapar como Alice
Tudo para evitar uma crise
Toca do coelho é seu refugio sagrado
Mas sem chapeleiro, rainhas ou gato,
Não escondas a sua sombra, para mais a noite
Porque infelizmente, é quando fica mais forte.
HENRIQUE SAUL LEIVA SALDIVAR
Cortejo pra madrugada
O que você procura na madrugada?
Acompanhando a sua fiel insônia
Atormentado por uma idéia frustrada
Alter ego maldito, duvida desgraçada,
O que queremos?, se nos drogamos de distrações
Cortando as verdadeiras emoções nas relações
Livrar-se de sentimentos, para evitar todos os possíveis lamentos
Decorremos fragmentos, de "autenticidade" tornamo-nos sedentos,
A verdade que deslembramos e enterramos com areia fútil
Matando-a com fuzil, carregada e que atira coisa inútil
Todo dia é primeiro de Abril, todos se mentem a mil
Também a si mesmos, um tipo de suicídio mental sutil,
Todos com amor, amizade e confiança sempre relativos
E ainda com educação, respeito e tolerância inativos
Em lugar de cuidar dos outros, resultastes esmeril
Podias ser contra dores, doril, mas chegastes a ser febril,
Sei que dizer verdades, nem sempre vem te ajudado
Mas se a pessoa que amas, descobrir que mentistes
Pensas que depois disso, continuaras sendo amado?
De todos os defeitos, mentiroso, o mais difícil de ser perdoado.
Cidadela onírica.
Uma cidade feita de vidro
Com rios de ouro fundido
Nas praças fontes de vinho tinto
As ruas serenas, sem nenhum ruído,
Espelhos nos céus refletindo a terra
A luz erradia de toda matéria, sem sóis nem estrelas
Não há escuridão, armas, nem guerras
Longe de qualquer possível miséria,
Aqui todos são seus reis
Linha hierárquica nivelada
Nem por baixo, nem por cima das leis
“o paraíso” pelos anjos chamada,
Os maiores tesouros são infinitos poemas
Versos preciosos como a mais fina jóia
Muita beleza pra mente, não temas
Somos a cura da divina paranóia,
A entrada das nossas terras
É o arco do espinheiro
Que cortam e deixam feridas abertas
A todas as almas perversas.
O canalha que todos querem do lado.
Boçal e impertinente canalha
Mas aquele que queres do lado
Bobo da corte que diverte quando fala
E poeta, especialmente quando cala,
Sou aquela piscina de futilidade
Quando o calor do tédio ataca
Maturidade é divergente a idade
O trovador de piadas da casa,
Aquele mal necessário da rotina
Quando a seriedade aparece
Riso inquebrável igual platina
Que de más energias carece,
Livro todos da monotonia diária
E tudo isso faço de graça
Deixando a vida mais hilária
Verdadeira alma milionária.
Nuvens
Sentindo a leveza das nuvens
E o suave vento que as levam
Apenas sentimentos bons surgem
Com a magia que elas possuem,
Amorfas e imaculadas
Deixam que a vida as levem
Lindo quando há demasiadas
No uso da beleza se atrevem,
Cubram-me por completo
Cansei da sujeira do mundo
Quero sentir paz, estar pleno
Livrar-me deste meio inquieto,
Frente ao espelho
Como dominar tudo que sou?
Se toda emoção é independente
Meu livro de poemas queimou
Apenas cinzas da minha mente,
Quem sou na frente do espelho?
Seria um estranho ou conhecido?
Preciso de qualquer conselho
Pra este demônio ser contido,
Devaneio esquizofrênico
Com o corpo inquieto
Gritando fico afônico
Sou o próprio antagônico,
Minha mente que mente
Sendo cruel comumente
E é mais pútrido
Com seu sarcasmo prepotente,
Já o matarei com próprio veneno
Creio que não me resta muito tempo.
Dono de nada
Achei que tinha algo nas mãos
Mas sempre estiveram vazias
Orgulho e ego eram órgãos
Dias bons eram utopias,
Para que o fogo me consuma espero
Imperador de cinzas estilo Nero
Nem sei ao menos o que quero
Sempre destruindo meu império,
Os Deuses já não me escutam
Mas o que mais poderia pedir
Meus soldados e povo lutam
Mas nunca chegaram a existir,
Nobreza e riqueza ilusória
Toda história foi inglória
Tudo que tive foi escória
Que vida de escassa vitória.
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