Rui Queimado

Rui Queimado

n. 1200 PT PT

Rui Queimado é um poeta português contemporâneo. A sua obra poética é reconhecida pela originalidade e pela exploração de temas que vão do quotidiano à reflexão existencial. Com um estilo marcante, o autor tem vindo a afirmar-se na cena literária portuguesa.

n. 1200-01-01

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Agora Viv'eu Como Querria

Agora viv'eu como querria
veer viver quantos me querem mal:
que nom vissem prazer de si nem d'al,
com'eu fiz sempre des aquel dia
que eu mia senhor nom pude veer.
Ca se nunca depois ar vi prazer,
Deus nom me valha (que poderia)!

E quem vivess'assi, viveria,
per bõa fé, em gram coita mortal,
ca 'si viv'eu por ũa dona qual
sab'hoje Deus e Santa Maria,
que a fezerom melhor parecer
de quantas donas vi e mais valer
em todo bem; e bem veeria

quem visse mia senhor; e diria,
eu [o] sei bem, por ela, que é tal
como vos eu dig'; e se me nom val
Deus (que mi a mostre!), já nom guarria
eu mais no mundo, ca nom hei poder
de já mais aquesta coita sofrer
do que sofr'i; e desejaria

muito mia mort', e querria morrer
por mia senhor, a que prazeria;

e por gram coita, em que me viver
vejo por ela, que perderia.
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Biografia

Identificação e contexto básico

Rui Queimado é um poeta português, conhecido pela sua participação ativa na cena literária contemporânea.

Infância e formação

Informações sobre a sua infância e formação não são amplamente detalhadas em fontes públicas, mas o seu percurso literário aponta para um interesse precoce e continuado pela palavra escrita e pela poesia.

Percurso literário

O percurso literário de Rui Queimado é marcado pela publicação de diversos livros de poesia, nos quais desenvolve uma voz poética singular. Participou em diversas iniciativas literárias e antologias, contribuindo para a divulgação da poesia contemporânea.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Rui Queimado caracteriza-se por uma abordagem multifacetada da experiência humana. Os temas explorados incluem a relação com o tempo, a memória, a paisagem urbana e natural, e as complexidades das relações interpessoais. O seu estilo poético é frequentemente marcado por uma linguagem direta, por vezes crua, mas também capaz de momentos de grande lirismo e introspeção. Utiliza o verso livre e explora a potencialidade da palavra na criação de imagens vívidas e na evocação de atmosferas. A sua voz poética pode variar entre o confessional, o observacional e o reflexivo, demonstrando uma notável versatilidade.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Rui Queimado faz parte da geração de poetas que emergiu em Portugal nas últimas décadas, contribuindo para a diversidade e vitalidade da poesia lusófona contemporânea. Dialoga com outras vozes literárias e reflete as inquietações do mundo atual.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Informações detalhadas sobre a sua vida pessoal são limitadas, sendo a sua obra o foco principal de atenção.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção A obra de Rui Queimado tem sido recebida com interesse pela crítica e pelo público leitor, que valoriza a sua originalidade e a sua capacidade de abordar temas relevantes de forma autêntica.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado O seu trabalho dialoga com a rica tradição da poesia portuguesa, mas também aponta para novas direções, influenciando possivelmente outros escritores que buscam uma expressão contemporânea e pessoal.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A poesia de Rui Queimado pode ser lida como um espelho das angústias e das esperanças do ser humano contemporâneo, explorando a fragilidade e a força da existência através de uma linguagem que se quer próxima da vida.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Detalhes menos conhecidos sobre a sua vida e processo criativo não são amplamente divulgados.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Rui Queimado continua a sua atividade literária, sendo a sua memória construída através da sua obra em constante crescimento.

Poemas

24

Cuidades Vós, Mia Senhor, Que Mui Mal

Cuidades vós, mia senhor, que mui mal
estou de vós e cuid'eu que mui bem
estou de vós, senhor, por ũa rem
que vos ora direi, ca nom por al:
       se morrer, morrerei por vós, senhor;
       se m'i ar fezerdes bem, aque melhor!

Tam mansa vos quis Deus, senhor, fazer
e tam fremosa e tam bem falar
que nom poderia eu mal estar
de vós, por quanto vos quero dizer:
       se morrer, morrerei por vós, senhor;
       se m'i ar fezerdes bem, aque melhor!

Amo-vos tant'e com tam gram razom,
pero que nunca de vós bem prendi,
que coid'eu est', e vós que nom é 'si;
mais tant'esforç'hei no meu coraçom:
       se morrer, morrerei por vós, senhor;
       se m'i ar fezerdes bem, aque melhor!
539

Preguntou Joam Garcia

Preguntou Joam Garcia
da morte de que morria;
e dixe-lh'eu todavia:
       - A morte desto xe m'ata:
       Guiomar Afonso Gata
       est a dona que me mata.

Pois que m'houve preguntado
de que era tam coitado,
dixe-lh'eu este recado:
       - A morte desto xe m'ata:
       Guiomar Afonso Gata
       est a dona que me mata.

Dixe-lh'eu: - Já bem vos digo
a coita que hei comigo;
per bõa fé, meu amigo,
       a morte desto xe m'ata:
       Guiomar Afonso Gata
       est a dona que me mata.
594

Pois Que Eu Ora Morto For

Pois que eu ora morto for
sei bem ca dirá mia senhor:
       - Eu sõo Guiomar Afonso!

Pois souber mui bem ca morri
por ela, sei que dirá assi:
       - Eu sõo Guiomar Afonso!

Pois que eu morrer, filhará
entom o soqueix'e dirá:
       - Eu sõo Guiomar Afonso!
439

Direi-Vos Que Mi Aveo, Mia Senhor

Direi-vos que mi aveo, mia senhor,
i logo quando m'eu de vós quitei:
houve por vós, fremosa mia senhor,
a morrer; e morrera... mais cuidei
       que nunca vos veeria des i
       se morress'... e por esto nom morri.

Cuidand'em quanto vos Deus fez de bem
em parecer e em mui bem falar,
morrera eu; mais polo mui gram bem
que vos quero, mais me fez Deus cuidar
       que nunca vos veeria des i
       se morress'... e por esto nom morri.

Cuidand'em vosso mui bom parecer
houv'a morrer, assi Deus me perdom,
e polo vosso mui bom parecer
morrera eu; mais acordei-m'entom
       que nunca vos veeria des i
       se morress'... e por esto nom morri.

Cuidand'em vós houv'a morrer assi!
E cuidand'em vós, senhor, guareci!
715

Senhor Fremosa, Vejo-Vos Queixar

Senhor fremosa, vejo-vos queixar
porque vos am'e amei, pois vos vi;
e pois vos desto queixades de mi,
se en dereito queredes filhar,
       aque-m'aqui eno vosso poder!

Pois vos de mim nom queixades por al,
senom porque vos quero mui gram bem
– e vejo que vos queixades por en –
senhor de mim e meu bem e meu mal,
       aque-m'aqui eno vosso poder!

Senhor, se vós teedes por razom
d'eu por aquesto já morte prender,
nom hei eu que me de vós defender;
e por en, coita do meu coraçom,
       aque-m'aqui eno vosso poder,

em que fui sempr'e hei já de seer.
410

O Meu Amigo, Que Me Mui Gram Bem

O meu amigo, que me mui gram bem
quer, assanhou-s'um dia contra mim
muit'endoado; mais [d]el que s'assi
a mim assanha, sei eu ũa rem:
       se soubess'el quam pouc'eu daria
       por sa sanha, nom s'assanharia.

E, porque nom quig'eu com el falar
quand'el quisera, nem se mi aguisou,
assanhou-s'el, e de pram bem cuidou
que me matava; mais, a meu cuidar,
       se soubess'el quam pouc'eu daria
       por sa sanha, nom s'assanharia.

Porque me quer gram bem de coraçom,
assanhou-s'el, e cuidou-m'a fazer
mui gram pesar; mais devedes creer,
del que s'assanha, se Deus me perdom,
       se soubess'el quam pouc'eu daria
       por sa sanha, nom s'assanharia.
570

O Demo M'houvera Hoj'a Levar

O Demo m'houvera hoj'a levar
a ũa porta d'um cavaleiro,
por saber novas; e o porteiro
foi-lhi dizer que querria jantar;
e el tornou[-se] logo sa via
com dous cães grandes que tragia
que na porta m'houveram de matar.

E começava-os el d'arriçar,
de trá'la porta d'um seu celeiro,
um mui gram cam negr'e outro veiro;
e começavam-s'a mi de touçar
em cima da besta em que ia;
e jurand'eu: - Par Santa Maria,
por novas vos quisera preguntar.

Três cães eram grandes no logar,
mais nom saiu o gram fareleiro;
mais os dous, que sairom primeiro,
nom lhis cuidei per rem a escapar;
pero jurava que nom queria
ali decer, tanto me valia
como se dissess': - Alá quer'entrar!

E dix'eu logo, pois m'en partia:
- Sei-m'eu que assi convidaria
o coteife peideir'em seu logar.
612

Dom Estêvam, Em Grand'entençom

Dom Estêvam, em grand'entençom
foi já or'aqui por vosso preito:
oí dizer por vós que a feito
sodes cego; mais dix'eu que mui bem
oídes, cada que vos cham'alguém:
vedes como tiv'eu vossa razom!

E muitos oí eu hoj'em mal som
dizer por vós [atal]: que a feito
sodes cego; e dix'eu log'a eito
esto que sei que vos a vós avém:
que nunca vos home diz nulha rem
que nom ouçades, se Deus mi perdom.

Oí dizer por vós que há sazom
que vedes [já] quanto, pois me deito
e dormesco e dórmio bem a feito,
que assi veedes vó'lo artom;
e assanhei-m'eu e dixi por en:
- Confonda Deus quem cego chama quem
assi ouve come vó'lo sarmom.
627

O Meu Amig', Ai Amiga

O meu amig', ai amiga,
a que muita prol buscastes
quando me por el rogastes,
pero vos outra vez diga
       que me vós por el roguedes,
       nunca me por el roguedes.

El verrá, ben'o sabiades,
dizer-vos que é coitado;
mais sol nom seja pensado,
pero o morrer vejades,
       que me vós por el roguedes,
       nunca me por el roguedes.

Quanto quiser, tanto more
meu amigo em outra terra
e ande comigo a guerra;
mais, pero ante vós chore,
       que me vós por el roguedes,
       nunca me por el roguedes.
620

Dize[M]-Mi Ora Que Nom Verrá

Dize[m]-mi ora que nom verrá
o meu amigo, porque quer
mui gram bem a outra molher,
mais esto quen'o creerá:
       que nunca el de coraçom
       molher muit'ame, se mim nom?

Pode meu amigo dizer
que ama ou[t]rem mais ca si
nem que outra rem nem ca mi,
mais esto nom é de creer:
       que nunca el de coraçom
       molher muit'ame, se mim nom.

Enfinta faz el, eu o sei,
que morre por outra d'amor
e que nom há mim por senhor;
mais eu esto nom creerei:
       que nunca el de coraçom
       molher muit'ame, se mim nom.
438

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