Escritas

Lista de Poemas

Semana de espera

Aos domingos
Amo-te
Como te amei
Aos sábados
E hoje
É sábado
Amanhã é domingo
Os outros dias
Colho flores
Nas escarpas
Nos abismos
Nos vulcões
Nos bolsos dos leões
E aguardo
É o acto de amor
Dos amantes parvos
Que vêem o céu azul
De segunda a sexta
E esperam o fim de semana
Para dizer amo-te
À sua amada longínqua.
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Semana de espera

Aos domingos
Amo-te
Como te amei
Aos sábados
E hoje
É sábado
Amanhã é domingo
Os outros dias
Colho flores
Nas escarpas
Nos abismos
Nos vulcões
Nos bolsos dos leões
E aguardo
É o acto de amor
Dos amantes parvos
Que vêem o céu azul
De segunda a sexta
E esperam o fim de semana
Para dizer amo-te
À sua amada longínqua.
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Teatro

Primeiro acto ao acordar.
Beijar-te espiritualmente
Com palavra doce nascida a lua cheia de ontem 
E hoje lírio branco no prado.
 
Segundo acto do dia.
Tomar um café na esplanada
Ao pé de lobos e uma bela paisagem
O teu coração e o meu cheios de sangue
O apetite e saliva dos lobos nos olhos
És glamorosa como o horizonte
e bebemos o café e o sangue a dois no sonho da partilha.
 
Terceiro acto, penúltima cena.
Olhar o mar dos teus olhos
E ver lá os barcos para o Equador
E ilibar a tua boca dos pecadores
Com novo beijo limpo e puro
Até gotejar a paixão nos incisivos
que farão de nós vampiros à noite.
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Malandrice

Num espaço de tempo infindável
No seu regresso a casa
O diabo voava sobre Alcochete,
Já cansado mas ainda maquiavélico.
Por entre as nuvens, onde se escondia,
Vieram eflúvios de amantes puros,
Ele desceu, sentou-se no rosto do rei
Respirou fundo e riu-se na sua dimensão,
Sem que ninguém o ouvisse, da pureza vista.
A maldade tem sempre tanto de curiosidade,
Olhou os corpos, vislumbrou as auras.
Fogo e chamas, ele sabe bem o que é.
Sobre o casal em fusão, acrescentou o seu dom,
Soprou e atiçou. Pôs mais pinhas.
Depois com a faca, ao momento alto,
Separou o fogo en dois, por recipientes,
Que deixou perto um do outro mas intocáveis.
O riso no olhar e contente da experiência,
O peito cheio e alegre da maldição feita
O diabo voltou nas suas asas ao seu crepúsculo habitáculo.
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Décima vida

Os sonhos nasceram todos entre as costelas
os gatos morreram nove vezes e mais uma
Porque ainda não os tinhas acariciado
o limoeiro engrossou limões
Parecido com os teus seios
O dever da árvore não é outro
Senão mostrar o fresco do teu peito e do verão
A bola estudou aeronáutica vários anos
Fez o estágio a partir a jarra da rosa que te ofereci
Os teus desejos de carne tinham a estatura
das costas de Zeus
Algumas bonecas sobreviveram à minha
primeira dívida com o amor
Uma era loira e marcou-me a vida
O resto não te conto senão nos olhos
porque sei que o jogo da fábula escreve-se
Mas a verdade mostra-se na nudez do dia após o sexo comprometido.
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