Escritas

Lista de Poemas

Hora da Morte

7

a coisa:a casa,
a luta contra o casoo dobro do pensar
o ocaso:o caso:

cada coisa em seu lugara dobra do penso lar
o acasoa casa
a coisa em sua casao cobro do comprar

o quase:
o qual dobro penso ar
o caso:
o qualquer logro pendurar
o quase:
o modo loquaz a par
o caso:
o quasimodo sem modo.

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Soneto da Amada

vou perdido e achado em ti
em tempo partida do mundo sem tempo
tempo de omissão de todos os cuidados
para o mundo da tua presença

vou achado e perdido em ti
duas vidas solam um só tempo
vida de mãos dadas
de morno amor de seios

vou perdido e achado em ti
dormindo no sem tempo
à sombra do eterno

vou durmo esqueço à sombra em ti a
árvore de natal está linda
perdido e achado caminho e não ando.

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Do Canto V:

Viagem Dentro e ao Redor de um Canteiro/
Seus Pronomes Relativos ou Passeio no Quintal:
Antilhas

tem de seu a vegetal baga,
de gente, essa servilidade
e em todas as prestanças úteis,
o querer-ser e ser o que é.

em forma de glândula e pêlo,
a angústia sai pelas folhas
e a tristeza de coisa estampa
a palidez de suas flores.

na maturidade, enrubece
a agridoce ovóide baga,
na substância de polpa aquosa;
tenção de não-servir contente.

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Elegia do Coentro

o canteiro não o faz mais verde
namoram-lhe as sementes os pássaros
cuidado de mulher o ajeita
do vento que o entortou

vegetal de vida útil e breve
que nasce verde e verde morre
não lhe será longa a vida
as folhas amarelecendo

coentro, tempero de alguns
destempero de si próprio
utilidade verde da vida
brevidade verde de si mesmo.

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Do Canto VII:

Viagem de Retorno e Reencontro de SI, Seu Lenitivo:
A Cilada

o mar ruge assombroso,
o marujo rege o leme
e a estória do caramujo
semelha amor desses mares,

esses mares com seus homens,
esses homens caravelas
dizem desse amor de nada
com arestas sem avenas.

amor desconhece cláusulas
e cláusulas são clausuras,
que acerbam agudas arestas
no nascente amor de tudo.

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Do Canto IV:

A Retirada:
Antimitos Lua e Viagem ao (Im)Possível

gracilianos entre ramos
mortos e rumos épicos
deparar é o que vamos;

fabianos sem vitórias
régias ao mor março tépidos
entre telúricas glórias;

todos seres patagônias
à procura de pasárgadas,
sonhos leves, amazônias.

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Artimanha Calendária

4

quanto mais terno o mês
mais terno o coração do freguês

quanto mais terno o freguês
mais materno é o mês

mais mês menos mês mais materna a vez
e o freguês ao olhar do credor mais temo.

5

o cliente nefelibata:
o crer ente do ter sem ser
a cliência ônus-ciente
e o CRER/SER
da onisciência credora
o conceituário menstrual
e a cada mês
o ovo de Colombo

no lombo do otário
o ovo sobre o biombo
e o vôo de Colombo.

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Do Canto IX:

O Mundo Encontrado:
Inércia Calada e Mudez Falante do Sol

no impacto do cacto intacto,
o olho de intáctil tacto,
viaduto da em sol ação;

no pacto do cacto intacto,
o sol de olho por olho
no tacto incacto da mão.

no pacto, o cacto e o tacto
contrátil do contratante,
chão por chantão malsão.

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Do Canto VI:

Ao Redor do Homem:
A Ilha Busca da Síntese, Sua Dialética

diariamente o homem
caminha para a certeza,
quando eventualidades
não o tomem de surpresa.

homem que faz da vida
o seu surreal panar
não se nutre de ambrosia,
mas de carrapicho e urtiga.

o homem vive a sua viagem,
faz seu sonho desilusão,
melodia suas exéquias
na ânsia busca de pão.

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Poemas dos meus Sapatos Marrons

(Novamente Engraxados)

Um par de sapatos, que vida não leva!

Ontem, o meu cartou alto:
pisou casa de menina lorde
foi acariciado com o mimo
vermelho do tapete.

Inda me lembro como anoitecera
rabugento anteontem.
De manhã, antes de sairmos
lavei-lhe a cara com a escova.

Hoje, foi um dos seus dias mais tristes:
meteu-se numa poça dágua sem querer
pisou uma rã morta
e estalou uma barata.

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