Renata Pallottini

Renata Pallottini

1931–2021 · viveu 90 anos BR BR

Renata Pallottini foi uma poeta, dramaturga, contista e tradutora brasileira, uma das vozes mais significativas da poesia contemporânea. Sua obra é marcada pela intensidade lírica, pela reflexão sobre a condição humana, o amor, a morte e a passagem do tempo, com uma linguagem ora coloquial, ora erudita, mas sempre envolvente. Ela explorou diversas formas poéticas, do verso livre a estruturas mais rígidas, e sua escrita frequentemente transita entre o pessoal e o universal, o íntimo e o social. Pallottini também atuou como tradutora de importantes obras literárias, enriquecendo o panorama cultural brasileiro com seu talento e sensibilidade.

n. 1931-01-20, São Paulo · m. 2021-07-08, São Paulo

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Esta Canção

"aquilo que é, já foi;
e aquilo que há de ser já foi;
Deus fará vir outra vez o que já se passou."
Eclesiastes, 3:15

Esta canção rateia a tarde clara
buscando a minha voz que é sua fonte.
Assim voltam os pássaros ao campo,
assim volta o horizonte ao horizonte.

Sou o doido que canta para si,
cônscio de não saber nem do que inventa;
recriando o criado, ele sorri,
ciente de que não faz nem acrescenta.

Tudo já foi, apenas se repete;
este lugar de amor será pregresso
quando for dor a dor que se promete.

Chegou-me agora o que já foi futuro;
assim Deus me prepara o teu regresso
como se planta um poema nascituro.

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Poemas

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Cerejas, meu amor

Cerejas, meu amor,
mas no teu corpo.
Que elas te percorram
por redondas.

E rolem para onde
possa eu buscá-las
lá onde a vida começa
e onde acaba

e onde todas as fomes
se concentram
no vermelho da carne
das cerejas...

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