Lista de Poemas
Vampiro vegano
Vou ceder aos vampiros
quem sabe assim
vendo algum livro.
Mas imagino uma
entidade diferente:
com sangue quente,
roupas brancas,
resplandescentes,
olhar de cigano.
Amigo das pessoas,
Não cospe na cruz,
Aprecia alho.
Um vampiro vegano!
Ele será o terror dos feirantes e,
na calada da noite,
invadirá quitandas e hortifrutis
em busca de clorofila.
Preferirá os orgânicos
e os sem conservantes.
Sugalos-á com prazer e
sem compaixão,
até que restem somente as fibras.
Esta dieta será o segredo
de seu poder e eternidade.
Nada será mais assutador
e nem mais bizarro
que um vampiro sarado e
com baixo colesteról.
quem sabe assim
vendo algum livro.
Mas imagino uma
entidade diferente:
com sangue quente,
roupas brancas,
resplandescentes,
olhar de cigano.
Amigo das pessoas,
Não cospe na cruz,
Aprecia alho.
Um vampiro vegano!
Ele será o terror dos feirantes e,
na calada da noite,
invadirá quitandas e hortifrutis
em busca de clorofila.
Preferirá os orgânicos
e os sem conservantes.
Sugalos-á com prazer e
sem compaixão,
até que restem somente as fibras.
Esta dieta será o segredo
de seu poder e eternidade.
Nada será mais assutador
e nem mais bizarro
que um vampiro sarado e
com baixo colesteról.
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Fantasmas da Esperança
Dedico este poema aos sindicalistas José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo, covardemente assassinados por defenderem a floresta da ganância dos madeireiros e a outros mártires que a mídia não tem interesse em divulgar.
Deixemos Deus sossegado
e colhamos as vinhas da nossa ira.
Soem trombetas
Acordem liras
Pois não existe céu além deste que
conhecemos e poluímos.
Homens, até quando
a terra será encharcada
com o sangue dos teus irmãos?
Até quando morrerão índios,
negros, mulheres, crianças,
bastardos e desempregados,
e uma leva de outros seres subalternizados?
Por que não conseguimos enxergar
que o rosto desfigurado
do homem e da mulher
sem nome, sem casa e com fome
é o meu e o seu rosto, é o nosso rosto?
Porque não aceitamos que
esse homem e essa mulher são, também,
a flor que arrancamos,
o animal que assassinamos
as árvores que deixamos cair...
Até quando o ferro e o fogo
calarão vozes mais esclarecidas?
E no lugar das árvores
sejam plantadas as sombras
dessas existências perdidas?
Morreu Paulo Cesar Vinha,
Chico Mendes, Maria do Espírito Santo
Dorothy, irmã querida,
morreu José Cláudio Ribeiro da Silva,
defendendo as castanheiras
e a nossa humanidade.
Tantos outros também partiram
traídos pelos seus.
Exército de vencidos
que se levantará um dia
ainda mais forte, pois,
existem coisas que não se pode matar:
a Fé, a Esperança, a Revolta, a Justiça!
Esta é a hora de nos inspirarmos
nos fantasmas da esperança, para que
as gerações futuras possam descansar, ter
ar, água, lugar de existência.
Nós nos perdemos no labirinto
da modernidade ourobórica,
construída com armas tecnológicas.
Não temos, mas, ainda buscamos,
alguém ou algo que nos salve
de nós mesmos.
Deixemos Deus sossegado
e colhamos as vinhas da nossa ira.
Soem trombetas
Acordem liras
Pois não existe céu além deste que
conhecemos e poluímos.
Homens, até quando
a terra será encharcada
com o sangue dos teus irmãos?
Até quando morrerão índios,
negros, mulheres, crianças,
bastardos e desempregados,
e uma leva de outros seres subalternizados?
Por que não conseguimos enxergar
que o rosto desfigurado
do homem e da mulher
sem nome, sem casa e com fome
é o meu e o seu rosto, é o nosso rosto?
Porque não aceitamos que
esse homem e essa mulher são, também,
a flor que arrancamos,
o animal que assassinamos
as árvores que deixamos cair...
Até quando o ferro e o fogo
calarão vozes mais esclarecidas?
E no lugar das árvores
sejam plantadas as sombras
dessas existências perdidas?
Morreu Paulo Cesar Vinha,
Chico Mendes, Maria do Espírito Santo
Dorothy, irmã querida,
morreu José Cláudio Ribeiro da Silva,
defendendo as castanheiras
e a nossa humanidade.
Tantos outros também partiram
traídos pelos seus.
Exército de vencidos
que se levantará um dia
ainda mais forte, pois,
existem coisas que não se pode matar:
a Fé, a Esperança, a Revolta, a Justiça!
Esta é a hora de nos inspirarmos
nos fantasmas da esperança, para que
as gerações futuras possam descansar, ter
ar, água, lugar de existência.
Nós nos perdemos no labirinto
da modernidade ourobórica,
construída com armas tecnológicas.
Não temos, mas, ainda buscamos,
alguém ou algo que nos salve
de nós mesmos.
👁️ 838
Despertar
Desperta!
Acorda pleno e olha,
És imagem:
Traços, cores, texturas,
Contornos espetaculares.
Tua tribo anseia e canta,
Nasce a música
Brota a dança
Coreografia de milhares.
O alimento é comum:
Miséria, angústia, esperança...
Desperta!
Acorda pleno e sente
És letra!
Símbolos e marcas
Adornam teu corpus,
te abençoam com a imortalidade.
Recorda teu sonho, mito:
Astros em conjunção,
Rituais de vida e de morte.
Pariste fantasia!
A alma existe?
Desperta e ama o saber: filosofia!
Desperta tudo o que dormita:
Emoção, mímica, interjeição...
Transita no rítmo
Explode e goza num grito
Poesia!
Acorda pleno e olha,
És imagem:
Traços, cores, texturas,
Contornos espetaculares.
Tua tribo anseia e canta,
Nasce a música
Brota a dança
Coreografia de milhares.
O alimento é comum:
Miséria, angústia, esperança...
Desperta!
Acorda pleno e sente
És letra!
Símbolos e marcas
Adornam teu corpus,
te abençoam com a imortalidade.
Recorda teu sonho, mito:
Astros em conjunção,
Rituais de vida e de morte.
Pariste fantasia!
A alma existe?
Desperta e ama o saber: filosofia!
Desperta tudo o que dormita:
Emoção, mímica, interjeição...
Transita no rítmo
Explode e goza num grito
Poesia!
👁️ 1 085
Évora
Caminhei por tuas ruas,
Calmamente.
Respirei o frio que vinha de tua charneca.
De tanto amor o meu peito se abriu,
Desabrochou o coração.
Atravessei o portal de tua muralha e,
A cada passo, murmúrios e vozes
se misturavam em cantos claros e brilhantes:
- Bem vinda! Princesa Capixaba.
Calmamente.
Respirei o frio que vinha de tua charneca.
De tanto amor o meu peito se abriu,
Desabrochou o coração.
Atravessei o portal de tua muralha e,
A cada passo, murmúrios e vozes
se misturavam em cantos claros e brilhantes:
- Bem vinda! Princesa Capixaba.
👁️ 648
Ave Paraíso
Amo a minha terra!
Canto de longe as serras plenas
os pássaros e as matas
Meus pés se deliciam e deslizam
na poeira da estrada
Caminho, caminho, errante,
em um nomadismo fascinante
Como é dificil parar!
Amo cada centímetro desse chão
cada fungo, cada inseto.
A sinfonia do tempo convida a meditar.
Esse cantão onde nasci
embriaga de cinza e verde meus olhos
nele estão as pedras mais valiosas
as tábuas dos mandamentos sagrados
que ensinam a amar cada pássaros solitário
e a aprender com outros vários
como é bom estar junto.
Sou um ser aberto e dobravel
uma fagulha angustiada quer fazer fogo e arder
e se multiplicar em brasas
acendendo as luzes de dentro da alma
brilhando até implodir
de felicidade rara.
Canto de longe as serras plenas
os pássaros e as matas
Meus pés se deliciam e deslizam
na poeira da estrada
Caminho, caminho, errante,
em um nomadismo fascinante
Como é dificil parar!
Amo cada centímetro desse chão
cada fungo, cada inseto.
A sinfonia do tempo convida a meditar.
Esse cantão onde nasci
embriaga de cinza e verde meus olhos
nele estão as pedras mais valiosas
as tábuas dos mandamentos sagrados
que ensinam a amar cada pássaros solitário
e a aprender com outros vários
como é bom estar junto.
Sou um ser aberto e dobravel
uma fagulha angustiada quer fazer fogo e arder
e se multiplicar em brasas
acendendo as luzes de dentro da alma
brilhando até implodir
de felicidade rara.
👁️ 591
O Sol
O Sol, ouro ancestral,
Incide sobre o meu rosto
Nesse instante me esqueço de tudo
Do frio, da solidão, de mim mesma.
Sinto o aconchego da vida que pulsa
Despreocupada.
Não importa que dia é e nem que horas são.
Importa saber que os dias e as horas
viajam, como todos nós, na imensa nave azul.
A luminosidade adentra o meu peito
derretendo geleiras seculares.
Os meus filhos e filhas vibram felizes.
Por um instante deixo de ser a mulher que sou
Para me tornar outras mulheres,
e também Homens, crianças, pedras,
árvores e pássaros.
Não quero saber da cobiça
Nem da morte
(sombras que se arrastam atrás de mim)
Importa sim, que num átimo, o Sol e eu
Brilhamos juntos.
Incide sobre o meu rosto
Nesse instante me esqueço de tudo
Do frio, da solidão, de mim mesma.
Sinto o aconchego da vida que pulsa
Despreocupada.
Não importa que dia é e nem que horas são.
Importa saber que os dias e as horas
viajam, como todos nós, na imensa nave azul.
A luminosidade adentra o meu peito
derretendo geleiras seculares.
Os meus filhos e filhas vibram felizes.
Por um instante deixo de ser a mulher que sou
Para me tornar outras mulheres,
e também Homens, crianças, pedras,
árvores e pássaros.
Não quero saber da cobiça
Nem da morte
(sombras que se arrastam atrás de mim)
Importa sim, que num átimo, o Sol e eu
Brilhamos juntos.
👁️ 829
O canto da harpia
Cansei de ser sereia.
Cortei os cabelos,
As unhas cresceram.
No lugar das escamas,
indecentes e fortes plumas,
em tons de branco e cinza.
No alto da cabeça,
a crista erotizada,
eriça ao menor ruído.
Abro imensas asas,
Solto um grito.
Os olhos, de repente,
enxergam além.
Cansei de afogar marinheiros,
de cantar para a morte
dos despenhadeiros
e das rochas frias.
Assim como um bebê
saído do ventre,
saúdo a vida.
Mergulho fundo
no azul salpicado de lilases
do fim do dia e,
renasço de manhãzinha,
embriagada pelo amarelo
Ouro
desse universo
selvagemente novo.
Cortei os cabelos,
As unhas cresceram.
No lugar das escamas,
indecentes e fortes plumas,
em tons de branco e cinza.
No alto da cabeça,
a crista erotizada,
eriça ao menor ruído.
Abro imensas asas,
Solto um grito.
Os olhos, de repente,
enxergam além.
Cansei de afogar marinheiros,
de cantar para a morte
dos despenhadeiros
e das rochas frias.
Assim como um bebê
saído do ventre,
saúdo a vida.
Mergulho fundo
no azul salpicado de lilases
do fim do dia e,
renasço de manhãzinha,
embriagada pelo amarelo
Ouro
desse universo
selvagemente novo.
👁️ 1 081
MEA CULPA
SENTIR CULPA NÃO É PECADO,
É UMA DÁDIVA!
UMA TARA!
PURO TESÃO!
PECAR É GOZAR,
É TER NO ESPÍRITO, LEVEZA,
É TER ASAS NOS PÉS E
AMOR NO CORAÇÃO
PRODUZIR A CULPA É UMA ARTE,
SALVE OS RITOS RELIGIOSOS
SALVE A TODA NOSSA GENTE,
EXÉRCITO FLÁCIDO
DE CULPADOS RIJOS
PERPETUADORES DOS ATOS
QUE ATUALIZAM CULPAS ANTIGAS
QUE NOS CONFUNDEM, FODEM E AFUDAM.
É UMA DÁDIVA!
UMA TARA!
PURO TESÃO!
PECAR É GOZAR,
É TER NO ESPÍRITO, LEVEZA,
É TER ASAS NOS PÉS E
AMOR NO CORAÇÃO
PRODUZIR A CULPA É UMA ARTE,
SALVE OS RITOS RELIGIOSOS
SALVE A TODA NOSSA GENTE,
EXÉRCITO FLÁCIDO
DE CULPADOS RIJOS
PERPETUADORES DOS ATOS
QUE ATUALIZAM CULPAS ANTIGAS
QUE NOS CONFUNDEM, FODEM E AFUDAM.
👁️ 712
Canção para Frida Kahlo
Quero abraçar teu desamparo.
Ser tua gêmea invertida
e ainda Outra.
Quero amparar-te toda,
parte por parte,
emendando
a tua perda irreparável.
Me denuncias
com imagens: dor, fel e docura.
Cai a máscara, livre,
minha alma respira liberdade.
Posso ser simplesmente
essa e outras.
Tocar epifanica e santamente
o manto da santidade,
no azul turqueza de tua paleta sem tinta.
Teus artefatos preciosos:
colares, anéis e sonhos de jade,
teus vestidos longos, rodados,
espalham flores de estampas espetaculares.
Corpo frágil se tranforma
em cor saturada, aquarela inquietante,
de imagens da terra e do céu.
A feminilidade dos traçados
produzem sentidos convertidos,
multiplas imagens
que me refletem ad infinitum.
Nelas, me reconheço e recomponho,
a chorar e a sorrir.
Quero abraçar teu desamparo, sim!
Acolhendo a dor que mora dentro
curando as chagas das saudades
e deixando ir, libertarando,
mágoas e sonhos que não vivi.
Ser tua gêmea invertida
e ainda Outra.
Quero amparar-te toda,
parte por parte,
emendando
a tua perda irreparável.
Me denuncias
com imagens: dor, fel e docura.
Cai a máscara, livre,
minha alma respira liberdade.
Posso ser simplesmente
essa e outras.
Tocar epifanica e santamente
o manto da santidade,
no azul turqueza de tua paleta sem tinta.
Teus artefatos preciosos:
colares, anéis e sonhos de jade,
teus vestidos longos, rodados,
espalham flores de estampas espetaculares.
Corpo frágil se tranforma
em cor saturada, aquarela inquietante,
de imagens da terra e do céu.
A feminilidade dos traçados
produzem sentidos convertidos,
multiplas imagens
que me refletem ad infinitum.
Nelas, me reconheço e recomponho,
a chorar e a sorrir.
Quero abraçar teu desamparo, sim!
Acolhendo a dor que mora dentro
curando as chagas das saudades
e deixando ir, libertarando,
mágoas e sonhos que não vivi.
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Cristo me inquieta
Cristo me inquieta!
A sua luminosidade me invade,
O seu amor me desperta.
Sinto vibrar as cordas do Universo:
Em cada olhar de criança,
Na música,
Em cada poema.
Há 'aleluias' nas mãos que buscam
repetir os seus gestos:
Mãos que curam,
Protegem,
Libertam,
Que resistem à falsa órdem.
A sua voz ressoa nas bocas que
Dizem "não" às injustiças,
Que militam pela humanidade,
Falando por aqueles que não podem.
Bem como, nas bocas daqueles que
se comprometem com a complexidade
Das variadas verdades que existem.
─ Bem-aventurados aqueles
que plantam esperança,
Pois eles beberão
do vinho o contentamento e
comerão o pão da bonança.
─ Igualmente bem-aventurados
aqueles, cujas bocas cheias de amor,
beijam, e cujos corpos, vivificados pelo desejo,
amam como quem apascenta rebanhos.
As suas taças, de cristal e ágata,
jamais se esvaziarão!
Cristo me inquieta!
Suas palavras fazem sentido
dentro das minhas células.
Eis a minha prece:
─ Amado, eu não sou fora de ti,
Vivo e morro por ti,
Com maior volúpia e paixão
que os amantes mais febrís!
Vejo, pelos olhos do Cristo,
Erguer-se em busca de sol,
Por entre os espinheiros da descrença,
Frágeis plantas que serão,
Um dia, árvores de harmonia e de resiliência.
Alimento tudo o que quer crescer!
Vejo também os animais livres:
Os pássaros cantando felizes,
Cães, gatos bois, coelhos,
carneiros, onças, peixes, perdizes...
Tudo o que vive celebra
O fim da era de sangue e violência.
Vejo os homens, com amor,
Semeando a terra que, agradecida,
Oferta a si mesma
por meio dos elementos/alimentos
que a representam.
Não sei bem explicar como é isso,
Mas estou certa de que é o Cristo,
É ele! A Letra Bendita que
escreveu o mundo.
É ele! Comandando ritos,
Despertando no meu abissal
mitos antigos.
Estou pronta para o Juízo,
Que não é o Final, mas,
prelúdio, promessa, (re)início.
Observo a tudo isso sem medo:
Assombro e deslumbramento.
Compreendo que
Não existe morte e nem vida isolados,
Existem apenas momentos:
Em alguns morremos,
Noutros vivemos,
Tudo em fluxos (des)contínuos.
A semente de Deus está em nós,
Prenhe de eternidade,
Buscando metamorfoses
Ad infinitum...
A sua luminosidade me invade,
O seu amor me desperta.
Sinto vibrar as cordas do Universo:
Em cada olhar de criança,
Na música,
Em cada poema.
Há 'aleluias' nas mãos que buscam
repetir os seus gestos:
Mãos que curam,
Protegem,
Libertam,
Que resistem à falsa órdem.
A sua voz ressoa nas bocas que
Dizem "não" às injustiças,
Que militam pela humanidade,
Falando por aqueles que não podem.
Bem como, nas bocas daqueles que
se comprometem com a complexidade
Das variadas verdades que existem.
─ Bem-aventurados aqueles
que plantam esperança,
Pois eles beberão
do vinho o contentamento e
comerão o pão da bonança.
─ Igualmente bem-aventurados
aqueles, cujas bocas cheias de amor,
beijam, e cujos corpos, vivificados pelo desejo,
amam como quem apascenta rebanhos.
As suas taças, de cristal e ágata,
jamais se esvaziarão!
Cristo me inquieta!
Suas palavras fazem sentido
dentro das minhas células.
Eis a minha prece:
─ Amado, eu não sou fora de ti,
Vivo e morro por ti,
Com maior volúpia e paixão
que os amantes mais febrís!
Vejo, pelos olhos do Cristo,
Erguer-se em busca de sol,
Por entre os espinheiros da descrença,
Frágeis plantas que serão,
Um dia, árvores de harmonia e de resiliência.
Alimento tudo o que quer crescer!
Vejo também os animais livres:
Os pássaros cantando felizes,
Cães, gatos bois, coelhos,
carneiros, onças, peixes, perdizes...
Tudo o que vive celebra
O fim da era de sangue e violência.
Vejo os homens, com amor,
Semeando a terra que, agradecida,
Oferta a si mesma
por meio dos elementos/alimentos
que a representam.
Não sei bem explicar como é isso,
Mas estou certa de que é o Cristo,
É ele! A Letra Bendita que
escreveu o mundo.
É ele! Comandando ritos,
Despertando no meu abissal
mitos antigos.
Estou pronta para o Juízo,
Que não é o Final, mas,
prelúdio, promessa, (re)início.
Observo a tudo isso sem medo:
Assombro e deslumbramento.
Compreendo que
Não existe morte e nem vida isolados,
Existem apenas momentos:
Em alguns morremos,
Noutros vivemos,
Tudo em fluxos (des)contínuos.
A semente de Deus está em nós,
Prenhe de eternidade,
Buscando metamorfoses
Ad infinitum...
👁️ 912
Comentários (4)
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Lucri
2026-02-11
O melhor!
Dolores Martins
2024-08-18
Amo! Lindo!
Moisés
2023-12-23
A diferença é que Gonçalves Dias era um poeta de verdade: amava a beleza e a natureza e cantava sobre ela. A preocupação dele não era dinheiro ou fama. Se voce so se preocupa com fama e dinheiro, nunca ira ser lembrado ou chegara aos pes de Gonçalves Dias. Camões, o maior poeta da nossa língua já pediu até esmola, Cruz e Sousa viveu uma vida miserável e tendo seu cadáver numa carroça de estrume, Fernando Pessoa não ganhou um único centavo com a poesia, eles escreviam para a eternidade. Já dizia Goethe: " nasce o que brilha apenas para o já, para o porvir, o que é real viverá!"<br />
Renata Bomfim nasceu no dia 21/11/ 1972 na iIha de Vitória, capital do Espírito Santo, no Brazil. Poeta, ensaista e arteterapeuta e artista plástica, é Membro da AFESL, do IHGES e pesquisadora do CNPq desde 2007. A poeta é ativista socioambiental e trabalha no Mosteiro Zen Morro da Vargem, é militante pelo direito dos animais e pelo abolicionismo animal. Mestre e doutoranda em Letras pela Universidade Federal do Espírito Santo/Ufes. Possui artigos e ensaios publicados no Brasil e no exterior.
Autora do Blog literário Letra e fel (www.letraefel.com)
Autora do Blog literário Letra e fel (www.letraefel.com)
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