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Poemas neste tema

Napoleão Bonaparte

Napoleão Bonaparte

Quem teme ser vencido, tem

Quem teme ser vencido, tem a derrota certa.
3 388
Mark Twain

Mark Twain

Algumas pessoas dizem.me que vou

Algumas pessoas dizem-me que vou para o inferno e elas vão para o céu. De certa forma deixam-me feliz por não irmos para o mesmo lugar.
3 043
Friedrich Nietzsche

Friedrich Nietzsche

A essência da felicidade é

A essência da felicidade é não ter medo.
4 123
Franklin Delano Roosevelt

Franklin Delano Roosevelt

A única coisa da qual

A única coisa da qual devemos ter medo é do próprio medo
2 873
Charlie Chaplin

Charlie Chaplin

Um dia sem rir é

Um dia sem rir é um dia desperdiçado.
4 090
Blaise Pascal

Blaise Pascal

Há duas espécies de homens:

Há duas espécies de homens: os justos, que se julgam pecadores e os pecadores que se crêem justos.
2 871
Benjamin Franklin

Benjamin Franklin

O vinho é a prova

O vinho é a prova que Deus nos ama e deseja ver-nos felizes
3 547
Albert Einstein

Albert Einstein

A Matemática pura é, à

A Matemática pura é, à sua maneira, a poesia das ideias lógicas.
4 032
Albert Camus

Albert Camus

Exageramos sempre as coisas que

Exageramos sempre as coisas que não conhecemos.
2 973
Albert Camus

Albert Camus

Um homem sem memória é

Um homem sem memória é um homem sem passado. Mas um homem que não sabe fantasiar é um homem sem futuro.
4 240
Jerónimo Baía

Jerónimo Baía

Sonhando que via a Márcia

Pintais, sono gentil, com belo ornato
Meu claro sol na vossa sombra escura,
Que posto que da morte sois retrato,
Retrato sabeis ser da fermosura.

Eu, vendo o grato rosto e peito ingrato,
Quando fermosa a sigo a temo dura;
Porém firme no amor, fácil no trato,
Me coroa a esperança, a fé me jura.

Cante pois por tal glória, por tal sorte,
Cante vosso louvor, minha Talia
No Ocaso, no Oriente, Sul e Borte;

Chame-vos clara luz, não sombra fria,
Causa da vida, não irmão da morte,
Filho da noite não, mas pai do dia.
941
Vasco Graça Moura

Vasco Graça Moura

Soneto do amor e da morte

Quando eu morrer murmura esta canção
que escrevo para ti. quando eu morrer
fica junto de mim, não queiras ver
as aves pardas do anoitecer
a revoar na minha solidão. 

quando eu morrer segura a minha mão,
põe os olhos nos meus se puder ser,
se inda neles a luz esmorecer,
e diz do nosso amor como se não 

tivesse de acabar,
sempre a doer, sempre a doer de tanta perfeição
que ao deixar de bater-me o coração
fique por nós o teu inda a bater,
quando eu morrer segura a minha mão. 
4 601
Vasco Graça Moura

Vasco Graça Moura

Auto-retrato com a musa

1.
vejo-me ao espelho: a cara
severa dos sessenta,
alguns cabelos brancos,
os óculos por vezes
já mais embaciados.

sobrancelhas espessas,
nariz nem muito ou pouco,
sinal na face esquerda, 
golpe breve no queixo
(andanças da gilette).

ia a passar fumando 
mais uma cigarrilha
medindo em tempo e cinza 
coisas atrás de mim.
que coisas? tantas coisas,

palavras e objectos,
sentimentos, paisagens.
também pessoas, claro,
e desfocagens, tudo
o que assim se mistUra

e se entrevê no espelho, 
tingindo as suas águas 
de um dúbio maneirismo 
a que hoje cedo. e fico 
feito de tinta e feio.

2
quem amo o que é que pode 
fazer deste retrato?
nem sabê-lo de cor,
nem tê-lo encaixilhado, 
nem guardá-lo num livro,

nem rasgá-lo ou queimá-lo, 
mas pode pôr-se ao lado 
e ter prazer ou pena
por nos achar parecidos 
ou não achar. quem amo

não fica desenhado,
fica dentro de mim
e é quando mais me apago 
e deixo de me ver
e apenas me confundo,

amador transformado 
na própria coisa amada 
por muito imaginar. 
assim nem john ashberry, 
nem o parmegianino,

nem espelho convexo, 
nem mesmo auto-retrato. 
só uma sombra que é 
na sombra de quem amo 
provavelmente a minha.


3
quem amo tem cabelos
castanhos e castanhos
os olhos, o nariz
direito, a boca doce.
em mais ninguém conheço

tal porte do pescoço
nem tão esguias mãos
com aro de safira,
nem tanta luz tão húmida
que sai do seu olhar,

nem riso tão contente,
contido e comovente,
nem tão discretos gestos,
nem corpo tão macio
quem amo tem feições

de uma beleza grave
e música na alma
flutua nas volutas
de um madrigal antigo
em ondas de ternura.

é quando eu sinto a musa
pousando no meu ombro
sua cabeça, assim
me enredo horas a fio
e fico a magicar.
2 522
Juan Gelman

Juan Gelman

Poema XXXIII

Basta
Não quero mais morte
Não quero mais dor ou sombras basta
Meu coração é esplêndido como a palavra
 
Meu coração tornou-se belo como o sol
Que sai voa canta meu coração
De manhã cedo é um passarinho
E depois é teu nome
 
Teu nome sobe todas as manhãs
Aquece o mundo e se põe
Só em meu coração
Sol em meu coração
 
Amor que serena, termina?
1 354
Juan Gelman

Juan Gelman

Os iludidos

a esperança fracassa muitas vezes, a dor jamais, por isso alguns crêem que mais vale dor conhecida que dor por conhecer, crêem que a esperança é ilusão, são os iludidos da dor.
1 873
Vasco Graça Moura

Vasco Graça Moura

Crónica Feminina

estava nua, só um colar lhe dava
horizontes de incêndio sobre o peito,
a transmutar, num halo insatisfeito,
a rosa de rubis em quente lava.
 
estava nua e branca num estreito
lençol que o fim do sono desdobrava
e a noite era mais livre e a lua escrava
e o mais breve pretérito imperfeito
 
só o tempo verbal lhe fugiria,
no alongar dos gestos e requebros,
junto do espelho quando as aves vão.
 
toda a nudez, toda a nudez, toda a melancolia
a dor no mundo, a deslembrança, a febre, os
olhos rasos de água e solidão 
2 585
Luís Anriques

Luís Anriques

Tristeza, dor e cuidado

Tristeza, dor e cuidado,
leixai-me, que me quereis?
Por ventura não sabeis
que sou já desesperado?

Sabei vós que vivo morto
sem esperança de vivo,
nem espero já conforto
de amor cruel, esquivo.
E pois sou já condenado,
vossas forças não mostreis,
ca sabei, se não sabeis,
que sou já desesperado.
813
Vasco Graça Moura

Vasco Graça Moura

As aves migram em Setembro

as aves migram em setembro.
nem vou com elas, nem
guardo delas
a mínima memória.

escurece mais cedo,
o tempo não se rouba,
escoa-se como o frio
por uma camisola

até dentro da pele.
as aves migram
calmamente, eu
permaneço aqui

de guarda à água lisa que viu passar seus bandos
e em que hás-de debruçar-te.
3 259
Luís Filipe Castro Mendes

Luís Filipe Castro Mendes

O Traidor

Tomaste o chá de folhas negras da melancolia?
Porque fugiste às palavras que te deixaram?
Espera-te o mais amargo fruto e depois vão-te sorrir.
E tu? Porque não disseste simplesmente quem eras?
Sabes que é tarde e já nada podemos fazer.
Como um médico na sala de operações, a tua alma encolhe os ombros,
porque tu renunciaste às palavras
e escolheste o silêncio das convicções.


Goa, 22 de Março de 2009
1 492
Herberto Helder

Herberto Helder

As Musas Cegas - I

Bruxelas, um mês. De pé sob as luzes encantadas.
Em noites assim eu extinguiria minha alma
cantando humildemente. Fecharia os olhos
sob os anéis dos astros, e entre os violinos
e os fortes poços da noite descobriria
a ardente ideia da minha vida.
Em noites assim amaria o fogo
da minha idade. Cantaria como um louco este grande
silêncio do mundo, vendo queimarem-se nas trevas
as vísceras tensas e os ossos e as flores dos nervos
e a cândida e ligeira arquitectura
de uma vida.

Bruxelas com as traves da minha cabeça
e uma grinalda de carvões em torno dos testículos
de um homem
bêbado da sua idade. Cantaria com esses testículos
negros, as lágrimas, o coração ao meio do nevoeiro
derramando o seu baixo e aéreo sangue,
a sua dor, o lírico
fervor, o fogo de porta entre os símbolos nocturnos.

Era tão pura a ideia de que o tempo começava
depois do verde e fértil e exaltado
mês da carne. Vergada sobre o livro onde o meu rosto
ardia,
a vida esperava com suas torres
vibrantes, seus grandes lagos
límpidos. E eu adormecia
e sonhava um homem em voz alta, um vidro
i ncandescente, uma fina flor
vermelha colocada sobre a mesa. Era tão violenta
a ideia de cantar sem fim,
até que a voz consumisse esta garganta sombreada
de estreitos vasos puros.
— Cantar fixa e fria e intensamente
sobre a minha rasa
luminosa vida, ou sobre os campos transparentes e sombrios
de bruxelas do mundo.
5 909
Ada Ciocci

Ada Ciocci

Prognóstico

Poeta,
Creia,
Nem tudo está perdido,
Porque,
Felizmente,
Sobretudo o mais,
O seu ideal,
A muitos outros ainda comove,
Demove
e
Predomina
1 057
Juan Gelman

Juan Gelman

Limites

Quem disse alguma vez: até aqui a sede,
até aqui a água?

Quem disse alguma vez: até aqui o ar,
até aqui o fogo?

Quem disse alguma vez: até aqui o amor,
até aqui o ódio?

Quem disse alguma vez: até aqui o homem,
até aqui não?

Somente a esperança tem joelhos nítidos.
Sangram.
1 290
Mário Dionísio

Mário Dionísio

O maior poema

Como os outros
como os outros
sem nada mais que os outros
sentindo como os outros
pensando como os outros
e sofrendo e lutando
e morrendo
como os outros
1 756
José Augusto de Carvalho

José Augusto de Carvalho

A recusa!


Recuso ser, na noite, a sombra que desenha
a angústia indefinida e fria deste cais.
O que tiver de vir, se mais houver, que venha,
Mostrengo, Adamastor e Fim do Nunca Mais!

O leme se quebrou. Ao vento, as rotas velas
ensaiam os sinais das barcas à deriva.
Que velhas perdições?! Na consciência delas,
assombram predições doendo em carne viva.

Que venham os pinhais gritar o desafio
do tempo por haver que acena o amanhecer
além deste torpor indefinido e frio!

Que venha a tentação sortílega tecer,
com arte com engenho, o já lendário fio
da espera que germina um novo acontecer!...


20 de Abril de 2010
Viana do Alentejo


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