Sonhando que via a Márcia

Pintais, sono gentil, com belo ornato
Meu claro sol na vossa sombra escura,
Que posto que da morte sois retrato,
Retrato sabeis ser da fermosura.

Eu, vendo o grato rosto e peito ingrato,
Quando fermosa a sigo a temo dura;
Porém firme no amor, fácil no trato,
Me coroa a esperança, a fé me jura.

Cante pois por tal glória, por tal sorte,
Cante vosso louvor, minha Talia
No Ocaso, no Oriente, Sul e Borte;

Chame-vos clara luz, não sombra fria,
Causa da vida, não irmão da morte,
Filho da noite não, mas pai do dia.
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