Silêncio

Poemas neste tema

António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

Sentindo o Liso da Madeira, o Bosque

Sentindo o liso da madeira, o bosque
submerso, tranquilamente acesos,
continuando na corrente verde e côncava
outra forma do silêncio na morada
com o silêncio denso sobre as pálpebras.
1 084
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

É o Lugar. As Cores Rodam

É o lugar. As cores rodam
no silêncio, um leque branco.
Não mais nomes que não se reinventem,
sentindo a delicadeza do ar,
o dorso fascinante tão próximo e longínquo.
986
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

A Mão Silenciosa Percorre o Dorso Cálido

A mão silenciosa percorre o dorso cálido
que é um adormecer contínuo nos limites.
Nada mais que terra e solidão solar.
Nada treme e tudo está suspenso no vazio.
Nada se diz. É o silêncio da palavra.
1 051
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

No Limiar

Uma qualidade nocturna e quase amante
talvez violenta e no entanto branca
desperta uma abóbada de arvoredo
um rumor lento uma nudez de sono
e grandes tufos de contornos negros

É um domínio aqui uma convergência de fluxos
Nenhuma imagem se abre na clareira igual
Uma palavra ou o silêncio a ligeireza do ar.
935
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

O Lugar Onde o Lugar

O lugar onde o lugar
com a face da noite em pleno dia
o lugar onde passa o insecto
e o horizonte

Um pequeno círculo a clareira
onde se respira a luz
dividida em sílabas de seixos
e nas lagartixas que atravessam rápidas

Estamos perto do corpo da ínfima
nudez
Há curvas inesperadas     um atalho secreto
O lugar não é aqui onde o designamos
1 034
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

Até À Pedra Que

Até à pedra que
resvala
na terra e no silêncio

o espaço obscuro     estranho
e algo cintilando lá no fundo
nada se diz
porque se vê
não sei o quê ou só o escuro azul
510
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

Vejo a Altura do Branco

Vejo a altura do branco

o nome é espaço

espaço
1 325
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

Não Compreendo As Palavras Deste Chão Vejo-As No

Não compreendo as palavras deste chão Vejo-as no
limite de ver e já no branco em que se dissipam como
folhas ou papéis Não é comparação mas um avanço
para o cúmplice espaço do silêncio
É necessário um texto com os poros
ao vento e à poeira     opaco
e luminoso
não o lugar aqui
mas o lugar fictício e súbito evidente
994
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

O Brilho da Palavra Igual Ao Brilho do Silêncio

O brilho da palavra     igual ao brilho do silêncio
1 018
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

A Onda

A onda

como se a onda

o ar sem nome

detenho o pulso

sem a palavra
1 144
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

As Palavras Brancas do Ar

As palavras brancas do ar

aqui

no cimo plano
973
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

A Parede Escura E Verde

A parede escura e verde

e os sinais

entre as sombras

entre os ombros

da casa

que não tombam

entre as sombras
1 105
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

A Figura de Espaço E de Silêncio

A figura de espaço e de silêncio

no espaço de um silêncio
1 355
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

Progridem Os Silêncios

Progridem os silêncios

— tudo é oco ou opaco?

a pressão do tempo cai sobre a nuca negra

o mundo da língua é o murmúrio de um barco

e um ritmo subsiste     um perfume de pedra

uma laranja     um copo     um fragmento        a folha

a gravidade cálida nos elementos livres

o negro

transmite

o branco     a intensidade silenciosa
999
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

Como Findar No Intervalo…

Como findar no intervalo quando o incessante é o princípio, quando a palavra desliza no indelével bordo do vazio, obscuro sussurro do silêncio, o branco fogo se ateia no silêncio, branco e quase e já cinzento.
1 090
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

Desejo E Deserto,…

Desejo e deserto, primeira e última sombra suscitando sobre o muro a respiração de um nada, estática sombra de ar, clarão de pedra negra que mal vejo, que retém o nada da sombra, a sombra de um nada quase terra, indelével a para sempre nesse instante perdida, aérea no muro.
1 215
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

No Imediato Descobrir do Ar

No imediato descobrir do ar
como uma estaca vibrante
com a brancura como único suporte
de uma palavra que seja ainda o ar
antes do depois ainda já
num bloco que sabe o não saber de estar
num avanço na folha do silêncio
para estar
como uma estaca vibrando
no ar
960
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

No Abandono Límpido Sem Sinais

No abandono límpido sem sinais
só com o ar no ar
antes ainda que a palavra diga o ar
para olhar de frente essa força branca
de um vasto silêncio na distância
num puro assombro de plenitude alegre
no abrir inteiro do olhar do ar
872
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

Órbita de Verão — 3

Ao rumor longo
o muro
da luz
e a sede seca
do tronco
abrem a garganta
do silêncio.
1 015
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

A Face do Ar

O rosto nu perante o mar.
Uma cortina de árvores corta o vento.
Um abrigo no extremo, a face do ar.
Onde sossega a sede, um pássaro arde.
O corpo encontra o côncavo do grito.
A pedra une-me à sombra do silêncio.
985
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

Se Me Detivesse

Se me detivesse
neste quarto     em pleno dia
o rumor do silêncio branco
poderia encher
um tronco
de silêncio
até à fronte
Assim seria a curva
branca
do dia
do poema
995
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

Órbita de Verão — 2

Oiço a pedra vasta
do calor.
Aceso, à sombra,
ao tronco
igualo
o silêncio
do meu peito.
Insectos surdos
do olhar
fortificam
o instante.
976
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

Ao Rés da Sombra

Je suis au bas des ombres
P.E.

Ao rés da sombra
auscultas o silêncio
os insectos crescem
as estrelas desaparecem

O mar repete-se ao longe
A bondade é uma caverna inútil
A solidão é inenarrável
A terra é grande
1 025
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

Eis Os Instrumentos

Eis os instrumentos
no vagar da terra

A ordem é do mar
com seu repouso manso
Os objectos e os dias
têm as suas pontes
onde a leveza é densa
Há pratos onde o silêncio
salvou o tempo
e faixas de luz
que a mão bebe
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