Passado e Futuro

Poemas neste tema

António Arnaut

António Arnaut

Os Títulos

Rei de Portugal e dos Algarves
e o resto que o mar te deu.

Agora tens o aquém
Porque o além se perdeu.

Agora tens o que é teu!

1 229
Américo Pellegrini Filho

Américo Pellegrini Filho

Haicai

Tão grande árvore
da semente pequenininha
— uma árvore!

Início do ano
futuro que chegou.
Preparado estou?

1 227
Antonio Roberval Miketen

Antonio Roberval Miketen

A Simone

Essas mãos que tens,
pequeninas mãos,
algas no silêncio,
lavadas de luz:
para que encontro,
diz-me, filha minha,
para que destino,
a fonte as conduz?

760
Anderson Braga Horta

Anderson Braga Horta

Poeminha Súbito

Mas que sabemos nós de toda essência?
Do beijo que se foi fica um perfume;
do que não foi, também.
O beijo estava em nós antes do beijo!
Somos o que já éramos? Terrível
o futuro.

1 205
Antonio Roberval Miketen

Antonio Roberval Miketen

For Simone

These hands of yours,
tiny little hands,
seaweeds in the silence,
bathed in light:
to what encounter,
tell me, daughter of mine,
to what fate
the fountain leads them?

922
André Ricardo Aguiar

André Ricardo Aguiar

Futuro

hão de vir
os indenominados
em uma seta ina-
cabada

Narciso será julgado
com mais freqüência
com asas fartas de temor

a cadência virá primeiro
os passos raros no coração

ninguém sabe este tempo
o sonhar do pêndulo

873
Augusto de Campos

Augusto de Campos

Canudos-Iduméia

"Je tapporte lenfant dune nuit dIdumé." Mallarmé
Era uma evocação.
Como se a terra se ataviasse em dados trechos
para idênticos dramas,
tinha-se, ali, o que quer que era
recordando um recanto de Iduméia,
na paragem lendária que perlonga as
ribas meridionais do Asfaltite,
esterilizada para todo o sempre

1 080
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Começa, no ar da antemanhã,

Começa, no ar da antemanhã,
A haver o que vai ser o dia.
É uma sombra entre as sombras vã.
Mais tarde, quanto é a manhã
Agora é nada, noite fria.

É nada, mas é diferente
Da sombra em que a noite está;
E há nela já a nostalgia
Não do passado, mas do dia
Que é afinal o que será.


12/09/1934
3 663
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Nada. Passaram nuvens e eu fiquei...

Nada. Passaram nuvens e eu fiquei...
No ar limpo não há rasto.
Surgiu a lua de onde já não sei,
Num claro luar vasto.

Todo o espaço da noite fica cheio
De um peso sossegado...
Onde porei o meu futuro, e o enleio
Que o liga ao meu passado?


25/10/1933
3 993
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

O que eu fui o que é?

O que eu fui o que é?
Relembro vagamente
O vago não sei quê
Que passei e se sente.

Se o tempo é longe ou perto
Em que isso se passou,
Não sei dizer ao certo.
Que nem sei o que sou.

Sei só que me hoje agrada
Rever essa visão
Sei que não vejo nada
Senão o coração.


05/02/1928
4 132
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Aguardo, equânime, o que não conheço —

Aguardo, equânime, o que não conheço –
Meu futuro e o de tudo.
No fim tudo será silêncio, salvo
Onde o mar banhar nada.


13/12/1933
2 222
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Atrás não torna, nem, como Orfeu, volve

Atrás não torna, nem, como Orfeu, volve
Sua face, Saturno.
Sua severa fronte reconhece
Só o lugar do futuro.
Não temos mais decerto que o instante
Em que o pensamos certo.
Não o pensemos, pois, mas o façamos
Certo sem pensamento.


31/05/1927
2 251
Anterior Página 4