Nação e Patriotismo

Poemas neste tema

Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Saudades, só portugueses

Saudades, só portugueses
Conseguem senti-las bem,
Porque têm essa palavra
Para dizer que as têm.
3 432
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Arre, que tanto é muito pouco!

Arre, que tanto é muito pouco!
Arre, que tanta besta é muito pouca gente!
Arre, que o Portugal que se vê é só isto!
Deixem ver o Portugal que não deixam ver!
Deixem que se veja, que esse é que é Portugal!
Ponto.

Agora começa o Manifesto:
Arre!
Arre!
Oiçam bem:
ARRRRRE!
1 284
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

MANIFESTO DE ÁLVARO DE CAMPOS

MANIFESTO DE ÁLVARO DE CAMPOS

Ora porra!
Nem o rei chegou, nem o Afonso Costa morreu quando caiu do
carro abaixo!
E ficou tudo na mesma, tendo a mais só os alemães a menos...
E para isto se fundou Portugal!
1 739
Monteiro Santos

Monteiro Santos

Tudo treme

tudo treme
neste poiso de espanto breve.

apresso a palavra e digo país:

e o teu corpo se despenha vertical
aqui entre as cordas desta febre.

digo espaço e as águas demoram.

de que me servem dedos
no contorno estéril da mão?
902
Carlos Felipe Moisés

Carlos Felipe Moisés

Capibaribe

Capibaribe não é um rio,
Capibaribe: enredo musical
Melodia, Manuel Bandeira.
Texto e coreografia, João Cabral.

(Recife 1977)


Poema integrante da série I. Natural.

In: MOISÉS, Carlos Felipe. Círculo imperfeito: poemas. Salvador: Fundação Cultural do Estado da Bahia, 1978. (Coleção Ilha de Maré, 2)
920
Carlos Vogt

Carlos Vogt

Contrato Social

Nessa terra em que se plantando tudo dá
nasce uma fruta árida e harmônica
misto de bom crioulo e palha de pamonha
organização de homens só de bem
com os que estão de mal entre si com os outros.


In: VOGT, Carlos. Metalurgia: poemas. São Paulo: Companhia das Letras, 1991
1 200
Cacaso

Cacaso

O Que É o Que É

Descoberto pelo português
emancipado pelo inglês
educado pelo francês
sócio menor do americano
mas o modelo é japonês...


In: CACASO. Grupo Escolar. Fotos de Maria Elizabeth Ribeiro Carneiro. Rio de Janeiro: Mapa Filmes, 1974. (Frenesi). Poema integrante da série 3a. Lição: Dever de Caça
4 592
Capinan

Capinan

Bandeira de Brasil

Terra
Vê a cana verde,
o nascer do céu, ô.

Verde mar,
Maracanã,
onde há progresso
fica o mato em paz.

Campo
Verde, bananeira,
amarela fruta
do Brasil azul, ô.

Ouro
Vê em cada estrela
brilha a nossa terra,
terra brasileira.


In: RÁ TIM BUM. São Paulo: Estúdio Eldorado, s.d. 1 CD

NOTA: Letra tirada do encarte que acompanha o C
1 339
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Quarta: D. JOÃO, INFANTE DE PORTUGAL

Não fui alguém. Minha alma estava estreita
Entre tão grandes almas minhas pares,
Inutilmente eleita,
Virgemmente parada;

Porque é do português, pai de amplos mares,
Querer, poder só isto:
O inteiro mar, ou a orla vã desfeita —
O todo, ou o seu nada.

5 409
Edgar Allan Poe

Edgar Allan Poe

A Campaign Song

See the White Eagle soaring aloft to the sky,
Wakening the broad welkin with his loud battle cry;
Then here's the White Eagle, full daring is he,
As he sails on his pinions o'er valley and sea.


(probably written early in 1844)

1 215
Oscar Cerruto

Oscar Cerruto

Cantar

Minha pátria tem montanhas,
não mar.

Ondas de trigo e trigais,
não mar.

Espuma azul os pinheirais
não mar.

Céus de esmalte fundido
não mar.

E o coro rouco do vento
sem mar.

698
Regina Souza Vieira

Regina Souza Vieira

Que País

Que país
Que história
Que presente
Que futuro
Ou que passado construímos?

Este que destrói primeiro
E depois sepulta em honra
Cada um dos seus heróis
No esquecimento?
669
Renato Castelo Branco

Renato Castelo Branco

Brasil

Não te verei, Brasil,
a grande pátria dos trópicos.

Não te verei, remido,
igualares o sonho
dos teus artistas e dos teus poetas.

Não te verei
abençoado por teus filhos,
Canaã prometida,
terra que mana leite e mel.

Mas estarei presente à tua glória
no sangue dos meus filhos
e dos netos dos meus netos.

995
Edigar de Alencar

Edigar de Alencar

Cidade-Sol

Cidade pequena, lavada de sol,
de ruas que não têm fim,
alinhadas como os versos de um soneto.

Para tua iluminação diurna
devem trabalhar
todas as usinas do universo.

Fortaleza,
espelho fiel de nossa gente:
esbanjas tanta luz durante o dia
que à noite ficas no escuro...

1 018
Ruy Pereira e Alvim

Ruy Pereira e Alvim

Manifesto I - Contra o Vento

Príncipe,
cavaleiro audaz
espada cingida
ao pensamento;
Lança erguida
pelo advento
da Nação que faz.

Nem dúvida nem vento
que afaste o braço
criador do evento.
A História
é vontade
de ser
em movimento.

811
Luiz Ademir Souza

Luiz Ademir Souza

Favilla 2

ASSALTO. Droga de poder?
Nos ministérios
fervilha
a febre de poder
Favilla é o Brasil.
Nobrasil
mágoa de quebranto se instala.
Fervilham o homem
a guerrilha urbana
A DOR
Onde está o homem?
-claro,no Brasil.

954
Jorge Lauten

Jorge Lauten

Não Mais Sob a Árvore de Bô

Não mais a pureza de Ramahyana
o incenso e o sândalo
os pés nus nas pedras do templo

enquanto eles comerem na minha mesa
na velha casa de Dili
não mais me sentarei sob a árvore de Bô

1 107
Eliane Pantoja Vaidya

Eliane Pantoja Vaidya

Ora, ouvi romanos

Ora, ouvi romanos

se quiserdes

mas há muito me defini

sou gaulês.

683
Chico Noronha

Chico Noronha

Brasil

Interrogo um agimo de vista
se é defeito de fábrica
ou estamos mesmo no Brasil

.................................................

dou gargalhadas
e desligo a luz

920
António Arnaut

António Arnaut

Os Títulos

Rei de Portugal e dos Algarves
e o resto que o mar te deu.

Agora tens o aquém
Porque o além se perdeu.

Agora tens o que é teu!

1 229
António Arnaut

António Arnaut

Dia de Portugal

Dia de Portugal. Dia de Camões
e das Comunidade.
O Presidente distribui condecorações
na feira das vaidades.

País de heróis e de santos
à beira mar enterrado.
Nunca outra Pátria teve tantos,
assim, por atacado.

1 189
Ruy Cinatti

Ruy Cinatti

Praia presa

Praia presa, adiantada
no mar, no longe, no círculo
de coral que o mar represa.
Praia futura invocada.
Timor ressurge das águas,
praia futura invocada.

2 608
Ruy Cinatti

Ruy Cinatti

De monte a monta

De monte a monta, o meu grito
soa, soa, como voz
de um eco do infinito
ecoando em todos nós.

Timor cresce como um grito
ecoando em todos nós.

2 318
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Primeiro: O BANDARRA

OS AVISOS


PRIMEIRO

O BANDARRA

Sonhava, anónimo e disperso,
O Império por Deus mesmo visto,
Confuso como o Universo
E plebeu como Jesus Cristo.

Não foi nem santo nem herói,
Mas Deus sagrou com Seu sinal
Este, cujo coração foi
Não português mas Portugal.


28/03/1930
4 766