Estações do Ano (Primavera, Verão, Outono, Inverno)

Poemas neste tema

Nelson Norberto Rodrigues

Nelson Norberto Rodrigues

Haicai

Na lagoa azul
à sombra de uma palmeira
brincam alvos gansos

Nas folhas caídas
de uma palmeira real
foi-se a primavera

925
Myriam Fraga

Myriam Fraga

Calendário

Janeiro

Verão

E esta cidade como um sáurio,
Como um réptil,
Emergindo das águas

Verão...

E esta cidade
Como um pássaro
Renascendo das brasas

Verão...

E esta cidade como um signo,
Astrolábio ou mandala,

Esta cidade
Como um dado
Atirado ao acaso

De males nunca dantes
Confessados.

1 172
Maria de Lourdes Hortas

Maria de Lourdes Hortas

Página de Diário

Assim que, aportando, a primavera
trouxe o rastro de rosas e andorinhas
à janela do quarto onde habito
trouxe também a pomba que, noturna
vigilante velou do parapeito
minha saudade da janela antiga
de um quarto onde dormia, bem-amada
enquanto as pombas lá fora iam ruflando
as asas que abriam a madrugada.

973
Sonia Mori

Sonia Mori

Verão

Manhã de sol.
Gaivotas mariscam n’areia
coqueiros farfalham.

Rosto do bebê
pontuado de vermelho
cruel pernilongo!

Verão, mas já vejo
o inverno nas vitrinas
É o natal chegando...

804
Mário Del Rey

Mário Del Rey

Outono

Esboço do mar
nas gotas de orvalho
ondas secretas

Passam as nuvens
o outono suspira
pelos pinheiros

968
Leão Moysés Zagury

Leão Moysés Zagury

Ver-te

Tua face serena
lembra um suave
fluir da primavera.

As flores,
os colibris
vem contigo
cantar.

A primavera desperta
o mundo.

Pássaros, flores, árvores,
purificam o ambiente.

O otimismo espalha-se.
Emfim, tua presença
harmoniza a vida.

954
Jorge Lescano

Jorge Lescano

Outono

Brisa de abril.
No ar se misturam
folhas e pardais.

1 021
Jorge Lescano

Jorge Lescano

Primavera

Estação das flores.
Nem a chuva afasta os gatos
do meu quintal.

915
Fernandes Soares

Fernandes Soares

Haicai

Chuva de verão.
O rio, num desafio,
é um vagalhão.

A velha mangueira.
Apito de trem. Aflito
ranger de porteira.

957
Fernando Cereja

Fernando Cereja

Cheiros de Flores

os cheiros de flores
confundem meu nariz
e boca
queria comer a
primavera
mastigar flor por flor
e ver se o verão
nasceria em mim.

887
Adriano Espínola

Adriano Espínola

Haicai

Tristeza

Uma árvore torta.
Uma ave cantando grave.
A tarde já morta.

Outono

Folhas. Ventania.
Cajus se despencam nus:
apodrece o dia.

2 659
Eleonora Marsiaj

Eleonora Marsiaj

Haicai

agitação da mente

Na água turva
movimento incessante
Limpidez enfim

primavera

Pingos cantantes
Tapete azulado
Flor d’ipê-roxo

1 121
Douglas Eden Brotto

Douglas Eden Brotto

Primavera

No galpão, o ferreiro
descansa ao malho, ao canto,
rival, da araponga!...

Penumbra nos bosques
onde escachoam os riachos...
Ah... a primavera...

983
Bernadete Soares

Bernadete Soares

Haicai

O beija-flor leva
o beijo da primavera
ao pousar na flor.

Silêncio na noite,
cobre-se a árvore de neve:
amor invernou.

1 059
Barroso Gomes

Barroso Gomes

Esperança

Verde hora. Verdura.
Na hera da primavera,
a espera, ânsia pura.

824
Giuseppe Ungaretti

Giuseppe Ungaretti

QUIETUDE

A uva é madura, o campo lavrado,

destaca-se o monte das nuvens

Nos empoeirados espelhos do estio
caída é a sombra.

Entre os dedos incertos
a luz deles é clara
e longínqua.

Com andorinhas foge
o último tormento.

1 716
Jorge Melícias

Jorge Melícias

Empurram-se dos olhos,

dividem-se pela casa.

Como grandes câmaras vazias sonham

ou enloquecem por detrás dos cântaros.

Cantam as mãos que cozem junto ao barro,

o azeite dormindo nas talhas.

Cantam o outono nos olhos húmidos dos cães.

de A Luz nos Pulmões(2000)

858
Paul Verlaine

Paul Verlaine

Chanson dautomne

Chanson dautomne

Les sanglots longs

Des violons

De lautomne

Blessent mon coeur

Dune langueur

Monotone.

Tout suffocant

Et blême, quand

Sonne lheure,

Je me souviens

Des jours anciens

Et je pleure

Et je men vais

Au vent mauvais

Qui memporte

Deçà, delà,

Pareil à la

Feuille morte.

1 348
Abrahão Cost'Andrade

Abrahão Cost'Andrade

Hidrofobia

Lívido olhar
destravava o outono
de brava tristeza.

922
Daniel Faria

Daniel Faria

Como doem as árvores

Como doem as árvores
Quando vem a Primavera
E os amigos que ainda estão de pé

de Explicação das Árvores e de Outros Animais(1998)
1 711
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

No ciclo eterno das mudáveis coisas

No ciclo eterno das mudáveis coisas
Novo Inverno após novo Outono volve
À diferente terra
Com a mesma maneira.
Porém a mim nem me acha diferente
Nem diferente deixa-me, fechado
Na clausura maligna
Da índole indecisa.
Presa da pálida fatalidade
De não mudar-me, me infiel renovo
Aos propósitos mudos
Morituros e infindos.


24/11/1925
2 359
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

A neve pôs uma toalha calada sobre tudo.

A neve pôs uma toalha calada sobre tudo.
Não se sente senão o que se passa dentro de casa.
Embrulho-me num cobertor e não penso sequer em pensar.
Sinto um gozo de animal e vagamente penso,
E adormeço sem menos utilidade que todas as acções do mundo.
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