Fé Espiritualidade e Religião

Poemas neste tema

Renato Rezende

Renato Rezende

Ensaio

Deitado na cama, sozinho, escrevo
porque escrever
é a única coisa que me dá prazer:

Penso em morrer.
Em acercar-me de ti, Deus, humildemente:
Senhor, já cumpri 32 anos
e a minha vida está completa.
Não quero ser poeta nem santo,
deixa-me partir.

Mas não se morre quando se quer
e sim quando se pode.
Deitado na cama, olhos fechados
ensaio a minha morte.


Nova York, 10 de março 1996
928
Renato Rezende

Renato Rezende

Asas

Como uma borboleta às vezes voa baixo
e acaba
atropelada
nas ruas desta cidade;

luz e azul
estagnados
estampados
no negro do asfalto;

anjo crucificado
entre carros que passam,

minha vida
morna e delicada
beijou a parede e o asfalto, trêmula

nas encostas do precipício.

Sento-me rente
à calçada
na raíz de uma enorme árvore, só

entre a sarjeta e o asfalto,
entre o tempo e a morte.

Ó alta e sábia árvore.
Ó árvore,
eu beijo tua casca--
tua grossa, antiga casca.

Imagino que esta árvore mágica
poderia destruir a cidade

e transformá-la novamente em mata.

Imagino e sou salvo.

No meio da mata Atlântica
no tempo vegetal
como uma larva
eu subo a alta árvore
até o céu.

O céu anil
das asas de uma borboleta livre
sobre o mar terrestre.

Subo e sou
luz e crisálida,

um pouco já raio e êxtase.

Quero vertigens transparentes,
quero o grande salto d'alma.

Deus, será que dava, de onde eu caio
fazer-me santo rápido,
algum tipo de pássaro,

dar-me asas?


Rio de Janeiro, 4 de maio 1997
980
Renato Rezende

Renato Rezende

Os Anjos

Um anjo desce e estende
o pequeno braço branco para mim:
--- Venha comigo
passar dez minutos no paraíso.

--- Não, eu digo,
não sou desses que têm tempo
para passear no paraíso.

Mas o anjo é misericordioso.
Sem perceber cochilo,
e por dez minutos sonho
com todas as cores do paraíso.


Boston, maio 1991
1 025
Renato Rezende

Renato Rezende

À Beira do Mar, Esta Manhã

À beira do mar, esta manhã
eu fui um homem
à beira do mar.

Apenas um homem,
sem nome, sem memória:

Deus
à beira do seu mar.


Rio de Janeiro, 23 de novembro 1994
941
Renato Rezende

Renato Rezende

Concepção

(Como em "Las ruinas circulares"
o sonhador sonha e é sonhado),
O homem criou Deus, da criatura
Sendo criado. Pai e filho
Em um espelho mítico unificado.
Assim, num tempo estático e revertido
Nasceram, escritor- e escrito, da poesia.
(Como misteriosamente é Fátima
mãe e filha do o poeta:
Filho da sua filha.
1 061
Ricardo Aleixo

Ricardo Aleixo

BISPO DO ROSÁRIO

quem fez e refez
cem vezes o

caminho do mundo
até antes

cem vezes na
cabeça o longo

trecho entre o
mar e o

céu
quem re fez o

caminho da perda
com seu manto

de
ver deus filho.
664
Ricardo Aleixo

Ricardo Aleixo

NANÃ

Mãe sem marido,
avó do universo.
Senhora da alvura.
Nanã, a de rosto
sempre coberto.
Ó poderosa
dona dos cauris,
filha do grande pássaro Atioró.
Água.
Lama.
Morte.
Mãe do segredo
do mundo.
O úmido.
O que flui.
Água.
Lama.
Filhos.
Teus gestos
lentos
no fundo
da água escura.
768
Ricardo Aleixo

Ricardo Aleixo

TEOFAGIA

Aqui, eu —
consumada falha
de papai e mamãe:
meia ¾ (acho
que de menina),
uma palma
e uma folha
de papel na mão,
minutos depois
de deglutir
Deus, à guisa
de primeira
comunhão.
613
Ricardo Aleixo

Ricardo Aleixo

CINE-OLHO

Um
menino
não.

Era
mais
um
felino,
um

Exu
afelinado
chispando
entre
os
carros
um
ponto
riscado
a
laser
na
noite
de
rua
cheia
para
os
lados
do
Mercado.
732
Ricardo Aleixo

Ricardo Aleixo

OIÁ

Repito o que
recita o vento:

que as coisas vem
a seu tempo,

que elas sabem
qual tempo é o delas,

que esse tempo
quase nunca

é o dos viventes mas
que, assim sendo,

forca é render-se
á forca delas

movendo-se folha
ao vento, rasgacéus,

deusa ciosa das coisas
que lhe ofertem

e de cada corpo quando
dance na festa

em seu nome ao vento
veja-a: resplendente

aqui, já recontando
ali-epa, Oiá-Ó!
811
Ricardo Aleixo

Ricardo Aleixo

CANTIGA DE CAMINHO

Sou filho de mãe mineira
meu pai é de Minas Gerais
sei rezar latim pro nobis
sou primo do preto Brás

Sou filho de pai mineiro
mamãe é de Minas Gerais
vou vivendo como vivo
faço o que ninguém mais faz

Desde menino eu misturo
o antes, o agora e o depois
sei somar zero com zero
e ainda divido por dois

Desde menino eu misturo
o antes, o agora e o depois
sempre que posso eu passo
o carro à frente dos bois

Sou filho de pai mineiro
mamãe é de Minas Gerais
sou rosa e pedra no caminho
sou capaz de guerra e paz

Sou filho de mãe mineira
meu pai é de Minas Gerais
dou volta e meia no mundo
e o mundo não acaba mais
772
Cida Pedrosa

Cida Pedrosa

ladainha para alberto da cunha melo

para a alma do poeta que se foi
eu rogo ao poema que componha o silêncio

para a alma do sertanejo que se foi
eu rogo ao poema que se empalhe em chuva

para a alma da criança que se foi
eu rogo ao poema que confeite a vida

para a alma da negra que se foi
eu rogo ao poema que se emplume em pássaro

para a alma do pobre que se foi
eu rogo ao poema que petrifique o pão

para a alma do revolucionário que se foi
eu rogo ao poema que ampute o sonho

para a alma do músico que se foi
eu rogo ao poema que dedilhe o chão

para a alma do filho que se foi
eu rogo ao poema que psicografe a falta

para a alma do palhaço que se foi
eu rogo ao poema que reinvente a cor

para alma da mulher que se foi
eu rogo ao poema que alcance as asas

para a alma do poema que se foi
eu rogo à poesia que borde os sentidos

para a alma do verso que se foi
eu rogo à palavra que se parta em várias

para a alma da palavra que se foi
eu rogo ao poeta que se ajoelhe e crie
905
Marco Lucchesi

Marco Lucchesi

Como dizer Villaça

Como dizer Villaça
                os medos
     que devastavam teu coração?  
o mosteiro errante
              ao qual pertencias
    e para o qual não sabias  voltar  
monge sem mosteiro
        saltimbanco de um
   circo místico  
o perene abandono
         de deus
    e dos homens
sob cuja
         sombra inquieto
te guardavas
esse crepúsculo de amores
             não vividos
e tua anfíbia
condição de céu
                  e terra  pecado
e salvação
essa memória
            impenitente
            era teu  inefável luminoso labirinto
a luz
           de que surgiam
           os mortos
para tomar café
          todas as tardes
   na praia do flamengo
teu coração
     feroz
   e compassivo  
e os mortos devastados
          redivivos  pelo deus cruel
          e solitário da memória
das sentenças
           de Abelardo aos livros
           de Gilberto Amado
das cartas de Alceu
        aos poemas
        de Drummond
   um deus que não sabia
         nada de si mesmo
     preso às teias de um fatal esquecimento
a tirania sagrada
       que impuseste  para  esconder
       as formas frágeis de teu  rosto
tuas palavras tendiam
           ao silêncio  transformadas
de há muito  em estrelas  
e um anjo precisaria
             arrancá-las de teus olhos
    antes que se dissolvessem
na luz
    das coisas
fundas que alcançavas
mas ele não veio
    e te salvaste apenas
          das atrocidades do mundo

não do abismo
                 de tua vasta
       mortal  delicada  inocência
661
Marco Lucchesi

Marco Lucchesi

Santa Cruz

Constança foi ao céu me visitar
           seu vestido era verde
como as pedras
            de Itacoatiara
trazia nos olhos
             um canarinho
um buquê de flores
             e os seios de minha mãe  
soprou em meus pulmões
            como quem salva um

            afogado

nas terras ínvias do coração

inundadas
         de pranto e algaravia  
deitou ali todas as flores
           como se fosse o Éden  
num céu terrivelmente
            azul
(havemos
             todos de  ressuscitar
um dia  sob esse mesmo
     
            azul )
o vento de meus pulmões
    
       canta e silencia  
recua e avança

não escondo minhas lágrimas
       Jesus também chorou
no Jardim das Oliveiras
a vida é um  arquipélago
           de amor atormentado
uma Roma
         
          que se debate em delírios
enquanto espera
         
          a chegada dos bárbaros
ou a vinda
    
        fulminante  do Messias
762
Mailson Furtado Viana

Mailson Furtado Viana

crônica de um homem de fé

não era de frequentar igrejas
mas era crente nalguma coisa

na volta do trabalho
na barraca de cachorro-quente
um senhor discursava
preâmbulos do fim do mundo
o juízo final se aproxima

sentiu medo

ao chegar em casa
perguntou à mulher
como se rezava o pai-nosso
590
Alexandre Guarnieri

Alexandre Guarnieri

cotidianometria

fitter, healthier and more productive
               a pig in a cage on antibiotics
                      Radiohead (OK Computer, 1997)


suje as digitais de tinta /
não sorria na fotografia / cabelo cortado
apare quaisquer outros pelos /
dentifrício, desodorante / e necessário o asseio
remova óculos ou lentes / renove o ânimo
mantenha a cabeça a um determinado ângulo
sopre o bafômetro / prenda o fôlego
língua para fora, barriga para dentro
inspire, expire / (sexo oral à la marilyn manson)
nunca deixe para amanhã, faça hoje mesmo
submeta-se ao exame / não perca mais tempo
preencha corretamente os dados /
sempre recadastre-se no prazo
silicone nos seios / correção de septo
as quatro cópias no cartório / melhor prevenir
do que remediar / beba mais água, evite o álcool
livre-se da gordura hidrogenada
(opte pela salada crua) / não esqueça a data
se confesse com marcelo rossi
ao som do padre fábio de melo
guarde-se para o rapaz certo / sexo
só depois do casamento / não gaste água,
mas escove os dentes sempre
mocinhas vestem-se com decência
respeite a fila / pague em dia
seja condescendente diante da ignorância alheia
tome o remédio / tudo no horário
vá ao cinema (assista a um filme inédito)
em caso de vida ou morte: aperte o botão vermelho
570
Maria Lúcia Dal Farra

Maria Lúcia Dal Farra

Loucura

A órbita da loucura é imensa.

Aviso às incautas criaturas
tanto quanto
aos navegantes sem rumo.
Nela se movem constelações superiores
ilimitadas águas
e as mãos com que Deus nos acena
(segundo a segundo)
com a sua graça.

Consolos prontos a redimir o mundo
palavras ausentes de escrita
ali se asilam
e mais
o risco do iminente abissal.

É tão amplo o rosto da loucura
que podem caber nele
quaisquer
das nossas muitas faces

– inclusive esta com que agora me empenho
em apreendê-lo.
648
Carlos Soulié do Amaral

Carlos Soulié do Amaral

Tragédia da monja

Incendiou-se a virilha da monja
a santa monja piedosa e pura.
O hábito que usava ela despiu
e do que era sem saber saiu
imaculada, ainda que em fervura.

Então, correndo pela capela
barroca e bela,
a monja atônita esculpiu pavor
na face de todos os santos
que não sentiam sua dor.

Em seu transe transbordado
ganhou o espaço do paço.
Nem mesmo invocou a Virgem,
nem mesmo invocou Jesus.

No ardente e pânico terror
das brasas que jamais imaginara,
a monja foi correndo, quase alada,
tombar, sem lérias e sem leros,
nos braços do poeta que sonhara
o pecado de tê-la como amada.

Deslumbrado, o poeta deslumbrou
a monja com os ímpetos mais feros,
cobrindo-a de calafrios
nas aras do altar de Eros.

Apagou-se então o incêndio
num susto de duplo mistério:
santa e vate se perderam
num embate de virilhas
entre ardores e arrepios
no paço do monastério:
santa e vate se encontraram
na história de maravilhas
de um conto que me contaram.
618
Paulo Teixeira

Paulo Teixeira

Monge na orla do mar

I
Com a santidade de quem se deixou ficar
sobre um chão de cal apagada,
olha a amplidão do espaço à sua frente
num cabo lançado sobre o mar.

Permanece hirto como osso temporal
depois que o tempo passou. Presciência a sua,
imóvel, neste fundo brenhoso da noite.
Pergaminho enrugado onde lesse os sinais,

o mar fumega frases obscuras para o céu.
As gaivotas ouvem-se gritando em roda,
indo, esmoleres do escuro e das horas.
Mas nem o oceano revolto nem o céu baço

espelham verdades que lhe sirvam, hoje,
com o seu rosto de ave nocturna perscrutando
sobre um manto de basalto que lhe pesa
à imposição do Seu dono e Senhor.

Enquanto a brisa lhe cristaliza as faces,
espera que nessa fenda escura do espaço
um astro apareça e brilhe. Apoia a cabeça na mão -
pudesse e desejava para o sono a eternidade.
658
Hélia Correia

Hélia Correia

7.

Nós, os ateus, nós, os monoteístas,
Nós, os que reduzimos a beleza
A pequenas tarefas, nós, os pobres
Adornados, os pobres confortáveis,
Os que a si mesmos se vigarizavam
Olhando para cima, para as torres,
Supondo que as podiam habitar,
Glória das águias que nem águias tem,
Sofremos, sim, de idêntica indigência,
Da ruína da Grécia.
1 101
Golgona Anghel

Golgona Anghel

O mundo é estranho, Sandy

«O mundo é estranho, Sandy!»
O nosso é parecido com a palavra agora.
Das mãos nasce-nos uma espécie de nostalgia trémula
que na versão alemã traduziram por dipsomania.

Quando temos sede abrimos um rio
de esperas na noite dentro
e arregaçamos as calças até aos joelhos.
Não se dê que a madrugada
nos surpreenda com as cheias.

Estou com esta doença agora, but it’s ok.
I close my eyes and drift away;
I softly say a silent pray.
Não ligues nem comentes,
just press play:
 «O mundo é estranho, Sandy! O nosso é parecido.»
990
Karl Adolph Gjellerup

Karl Adolph Gjellerup

El peregrino Kamanita (fragmento)

Mientras el Sublime pronunciaba estas palabras en casa del alfarero de Rajagaha, el peregrino Kamanita despertaba en el paraíso del Oeste.
Envuelto en una túnica roja que, suave y brillante como el pétalo de una flor, caía en pliegues abundantes, se encontró, sentado en sus piernas, sobre una enorme flor de loto del color de su túnica, que flotaba en un gran estanque. Por dondequiera, en la amplia superficie del agua se veían flores de loto rojas, azules y blancas; unas todavía en brote, aunque bastante desarrolladas, pero incontables, abiertas como la suya. Y casi de todas ellas salía una figura humana, cuya vestimenta parecía haber emergido de los pétalos de las flores.
En los márgenes del estanque, en la hierba verde, reían infinitas flores, como si hubieran renacido allí, en figura de flores, todas las piedras preciosas del mundo, conservando su brillo y sus juegos de color transparente, pero cambiando la dura coraza que habían llevado en su existencia terrenal por algo de planta, blanco, flexible y vivo. El aroma que despedían era más fuerte que el de todas las esencias fragantes que pueden encerrarse en un frasco de cristal; pero tenía la frescura del olor de las flores naturales.
De esta atractiva orla de los márgenes, la mirada encantada seguía deslizándose entre árboles altos y de amplias copas con follaje de esmeralda y refulgencias de piedras preciosas, unos aislados, en grupos otros, y otros formando espesos bosques, hasta las graciosas colinas de roca, que unas veces mostraban desnudas sus formas cristalinas, marmóreas y alabastrinas, y otras se cubrían de espesa maleza o aparecían salpicadas de olorosas flores. A lo lejos se veía una cañada en que rocas y bosques se apartaban para dejar paso a un río hermoso, que silenciosamente, como una corriente de luz de estrellas, se vertía en el estanque.
Por sobre todo este paisaje lucía la bóveda de un cielo de un azul intensísimo, y bajo esta cúpula flotaban blancas nubecillas de caprichosas formas, sobre las que se posaban graciosos geniecillos, cuyos instrumentos llenaban el espacio con los sones encantados de deliciosas armonías.
En este cielo no se veía sol alguno; mas tampoco era necesario, pues de las nubecillas y los genios, de rocas y flores, del agua y de las flores de loto, de las vestiduras de los bienaventurados, y más aún de sus rostros, irradiaba una luz maravillosa y dulcísima. Y así como esta luz era de una claridad resplandeciente, sin ser por eso deslumbradora, el tibio calor, saturado de fragancias, era refrescado por la constante brisa que salía del agua, y sólo respirar este aire era un placer al que no hay nada semejante en el mundo.
772
Ivan Bunin

Ivan Bunin

Mulher de pedra

Grama seca e morta de braseira,
Estepe sem limite, mas ao longe medra o azul.
Há restos cavalares de caveira.
E novamente – a Mulher de Pedra.

Como seu vulto raso é sonolento!
E quão grosseiro é o corpo primordial!
Estou com medo de ti... E tu, timidamente
Me sorris.

Oh! tição selvagem de antiga escuridão!
Foi a ti que adoraram? foi a ti?
– Não Deus nos fez. Não de suas mãos.
Nós fizemos os deuses, servil o coração.
742
Giorgos Seferis

Giorgos Seferis

Comentários

Já escurecera na sacada
junto a nós uma urgência esvoaçava
nos dois corações, bem aninhada,
uma confissão correspondida.

Vã, murchou a voz. Enxame de erros
nossos lábios, e nas profundezas
do corpo, Deus, só estava acesa
nossa espera da benção pedida.

Dentro da casa os sonhos zumbiam
e da luz da tarde até o ímã
dos cabelos teus, tudo trazia
à memória o anjo inalcançável
de para com os anéis subitâneos
de chofre caídos, dos abanos
no pensamento que, o mesmo orando,
líamos, evangelho inefável.

Mulher que na minha alma te hospedas
tua surpresa é o que me resta
formosa mulher amada, nesta
tarde que absurdamente definha,
e os teus olhos de círculos negros
e a noite e seu calafrio ligeiro…

Quimera, espada do meu silêncio,
curva-te e entra outra vez na bainha.
599