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Poemas neste tema

Sophia de Mello Breyner Andresen

Sophia de Mello Breyner Andresen

Corpo

Corpo serenamente construído
Para uma vida que depois se perde
Em fúria e em desencontro vivido
Contra a pureza inteira dos teus ombros.

Pudesse eu reter-te no espelho
Ausente e mudo a todo outro convívio
Reter o claro nó dos teus joelhos
Que vão rasgando o vidro dos espelhos.

Pudesse eu reter-te nessas tardes
Que desenhavam a linha dos teus flancos
Rodeados pelo ar agradecido.

Corpo brilhante de nudez intensa
Por sucessivas ondas construído
Em colunas assente como um templo.
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Sophia de Mello Breyner Andresen

Sophia de Mello Breyner Andresen

Luminosos Os Dias Abolidos

Luminosos os dias abolidos
Quando o meio-dia inclinava a sombra das colunas
E o azul do céu tomava em si a terra
Apaziguada no murmúrio
Das folhagens e dos deuses.
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Sophia de Mello Breyner Andresen

Sophia de Mello Breyner Andresen

Jardim Perdido

Jardim perdido, a grande maravilha
Pela qual eternamente em mim
A tua face se ergue e brilha
Foi esse teu poder de não ter fim,
Nem tempo, nem lugar e não ter nome.

Sempre me abandonaste à beira duma fome.
As coisas nas tuas linhas oferecidas
Sempre ao meu encontro vieram já perdidas.

Em cada um dos teus gestos sonhava
Um caminho de estranhas perspectivas,
E cada flor no vento desdobrava
Um tumulto de danças fugitivas.

Os sons, os gestos, os motivos humanos
Passaram em redor sem te tocar,
E só os deuses vieram habitar
No vazio infinito dos teus planos.
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Sophia de Mello Breyner Andresen

Sophia de Mello Breyner Andresen

Nostalgia Sem Nome da Paisagem

Nostalgia sem nome da paisagem,
Secreto murmurar de cada imagem,
Que na escuridão se ergue e caminha.
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Sophia de Mello Breyner Andresen

Sophia de Mello Breyner Andresen

Luar

Toma-me ó noite em teus jardins suspensos
Em teus pátios de luar e de silêncio
Em teus adros de vento e de vazio.

Noite
Bagdad debruçada no teu rio
País dos brilhos e do esquecimento
Com teu rumor de cedros e teu lento
Círculo azul do tempo.
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Nuno Júdice

Nuno Júdice

Variação celeste

Colhi a flor de um relâmpago
de entre os teus seios juntos, e quando
estremeceste foi como se uma estrela
tivesse vacilado nos ombros
da manhã.

Pus essa flor no negro
lago dos teus olhos, e as suas
raízes estenderam-se pelo fundo
da tua memória até esse dia em que
a lava do início te inundou.

E percorri com o tempo
de uma vela de moinho o arco
das tuas sobrancelhas, procurando
na sua margem o pórtico
dos teus lábios.


Nuno Júdice | "A Convergência dos Ventos", pág. 40 | Publicações Dom Quixote, 2015
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Manuel António Pina

Manuel António Pina

As escadas

Toma, este é o meu corpo, o que sobe as escadas
em direcção à tua escuridão, deixando-me,
ou a alguma coisa menos tangível,
no seu lugar.

Também elas envelheceram, as escadas,
também, como eu, desabitadas.
Anoiteceu, ao longe afastam-se passos, provavelmente os meus,
e, à nossa volta, os nossos corpos desvanescem-se como terras estrangeiras.


Manuel António Pina | "Todas as palavras - poesia reunida 1974-2011", pág. 359 | Assirio & Alvim, 2012
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Manuel António Pina

Manuel António Pina

O caminho de casa

Volto de noite para casa.

Tudo é memória fora de mim

ou onde em mim alguém conduz

fisicamente o automóvel.


Como não estarei

nem não estarei

em nenhum sítio, voltando

absolutamente para casa?


Subindo as escadas grave e inocente

como quem volta para casa inteiramente

e adormecendo em mim como em casa.


Manuel António Pina | "Todas as palavras - poesia reunida 1974-2011", pág. 150 (escrito em 9 Fevereiro 1985) | Assirio & Alvim, 2012

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Sophia de Mello Breyner Andresen

Sophia de Mello Breyner Andresen

O Dia

Passa o dia contigo
Não deixes que te desviem
Um poema emerge tão jovem tão antigo
Que nem sabes desde quando em ti vivia
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Manuel António Pina

Manuel António Pina

Voyager

Um instante, um só instante,
do azul ao vermelho, da música ao fogo!
Por que não encontra o sangue o seu lugar
entre os dispersos mundos?

Perde o viajante
o caminho do regresso.
No cristal do coração,
que nenhum sono embacia,
fulgem imagens de imagens
de frios sonhos desfeitos.
Algum país voltado para fora
lhe abrirá as vastas portas
e ele repousará enfim
sem noite e sem memória.


Manuel António Pina | "Todas as palavras - poesia reunida 1974-2011", pág. 131 (escrito a 9 Novembro 1983)| Assirio & Alvim, 2012
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Manuel António Pina

Manuel António Pina

A porta estreita

A porta estreita do regresso
abre-se finalmente para aquele
que perdeu a paciência e também a impaciência
e que pára sobre o coração sem lugar de tudo.

A visão de esse, de o que está de fora,
de aquele que regressa sem ter partido
dançando sobre os destroços da sua imagem,
é o que me vê a mim: falo ainda de mim

embora por um momento só.
Mas já não sou o mesmo nem sou diferente.
O dentro de isto está fora
de mim e de si próprio.



Manuel António Pina | "Todas as palavras - poesia reunida 1974-2011", pág. 80 | Assírio & Alvim, 2012
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Manuel António Pina

Manuel António Pina

Os lugares


Os lugares são
a geografia da solidão.
São lugares comuns a casa a cama.


Manuel António Pina | "Todas as palavras - poesia reunida 1974-2011", pág. 43 | Assírio & Alvim, 2012
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Manuel António Pina

Manuel António Pina

Regresso

Regresso devagar ao teu
sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que
não é nada comigo. Distraído percorro
o caminho familiar da saudade,
pequeninas coisas me prendem,
uma tarde num café, um livro. Devagar
te amo e às vezes depressa,
meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,
regresso devagar a tua casa,
compro um livro, entro no
amor como em casa.
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Sophia de Mello Breyner Andresen

Sophia de Mello Breyner Andresen

Revolução

Como casa limpa
Como chão varrido
Como porta aberta

Como puro início
Como tempo novo
Sem mancha nem vício

Como a voz do mar
Interior de um povo

Como página em branco
Onde o poema emerge

Como arquitectura
Do homem que ergue
Sua habitação
27 de Abril de 1974
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Manuel António Pina

Manuel António Pina

Os olhos

O rosto que olha para trás,
o lado de fora do visível
existe este rosto ou é apenas,
diante da infância, o olhar que se contempla?

Em ti, noite,
reclino a cabeça.
O que eu fui sonha,
e eu sou o sonho:

alguma coisa que pertence
a um desconhecido que morreu
que outro desconhecido (é este o meu nome?)
fora da infância infinitamente pense.


Manuel António Pina | "Todas as palavras - poesia reunida 1974-2011", pág. 106 | Assirio & Alvim, 2012
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Nuno Júdice

Nuno Júdice

Sonhei contigo

Sonhei
contigo embora nenhum sonho
possa ter habitantes, tu a quem chamo
amor, cada ano pudesse trazer
um pouco mais de convicção a
esta palavra. É verdade o sonho
poderá ter feito com que, nesta
rarefação de ambos, a tua presença se
impusesse - como se cada gesto
do poema te restituísse um corpo
que sinto ao dizer o teu nome,
confundindo os teus
lábios com o rebordo desta chávena
de café já frio. Então, bebo-o
de um trago o mesmo se pode fazer
ao amor, quando entre mim e ti
se instalou todo este espaço -
terra, água, nuvens, rios e
o lago obscuro do tempo
que o inverno rouba à transparência
da fontes. É isto, porém, que
faz com que a solidão não seja mais
do que um lugar comum saber
que existes, aí, e estar contigo
mesmo que só o silêncio me
responda quando, uma vez mais
te chamo.
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Nuno Júdice

Nuno Júdice

Confissão

De um e outro lado do que sou,
da luz e da obscuridade,
do ouro e do pó,
ouço pedirem-me que escolha;
e deixe para trás a inquietação,
a dor,
um peso de não sei que ansiedade.

Mas levo comigo tudo
o que recuso. Sinto
colar-se-me às costas
um resto de noite;
e não sei voltar-me
para a frente, onde
amanhece.

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Bruno Kampel

Bruno Kampel

Poema de amor

Sempre soube terminar os poemas
que falam de saudade, de amores
finitos, mas nunca começá-los,
pois o início tem gosto de ausência,
tem cheiro de perda, tem peso de outrora.

Amores passados, perdidos, partidos,
apenas convidam ao silêncio,
e a confissão, e a solidão, florescem
implacáveis na ponta da língua,
como brados, como adagas,
e então, ao pretender o afago,
apenas desenho um lamento profundo,
e ao tentar esquecer o inesquecível
implanto as lembranças na retina da memória,
que dói como se fosse o dia da partida
e não a hora das reminiscências.

Mas, sim: aprendi a dizer
que não te esqueço; que o eco dos teus pés
- que já foram o meu chão - retumba
a cada passo que caminho
nesta doce amargura escandinava,
escondido entre loiríssimos cabelos
e branquíssimas mentiras.

Revejo os instantes
e vejo que o tempo, a destempo,
ensina a dizer que te amo,
que te lembro quando é tarde,
quando a noite do tempo deitou-se
para sempre entre nós, como água
sem barco, como margens sem rio
como um dia sem horas.

Difícil começar a dizer
da saudade que sofro,
da angústia que vivo,
da dor que me ataca,
da culpa que sinto,
que não é vã, mas justa:
mea culpa, mea máxima culpa.

E os minutos, esses que teimam
em ficar horas a lembrar-te;
e as horas, que ficam dias teimando
em reviver os instantes que não voltam,
apenas desamarram as palavras
que impunes e sem medo
se escrevem letra a letra
lapidando um pedido de socorro,
rabiscando um retorno ao passado,
esculpindo um desejo de futuro,
conquistando uma chance de ventura.

Sim, não nego:
quis construir uma ponte de amor,
um dizer de saudade,
um grito de esperança,
um pedido de clemência.

Nem mais, nem menos,
nem muito ou pouco,
nem tarde ou nunca:
um tudo ou nada.

Sim,
um poema de amor
manchado de saudade,
pintado em cor remorso,
é o que tento iniciar
e não consigo,
pois dizendo que sim,
que te amo
e não te esqueço,
não começo, mas termino.

E isso faço, começo terminando
com um resto de esperança,
que é o fim de todos os princípios,
e repito, como um disco,
que te amo, que te amo,
e que deixar-te foi tão duro
como te saber distante.

E termino começando,
pronunciando o teu nome,
o que até agora apenas me atrevia:
vivendo de amor, e não morrendo,
suando de ternura e não de angústia
gritando de esperança e não de raiva,
é como digo que te amo,
meu Brasil nunca esquecido.
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Nuno Júdice

Nuno Júdice

Arte poética com melancolia

Preocupam-me ainda as coisas do passado. Escrevo

como se o poema fosse uma realidade, ou dele nascessem

as folhas da vida, com o verde esplêndido de uma súbita

primavera. Sobreponho ao mundo a linguagem; tiro

palavras de dentro do que penso e do que faço, como

se elas pudessem viver aí, peixes verbais no

aquário do ser. É verdade que as palavras não nascem

da terra, nem trazem consigo o peso da matéria;

quando muito, descem ao nível dos sentimentos, bebem

o mesmo sangue com que se faz viver as emoções,

e servem de alimento a outros que as lêem como se, nelas,

estivesse toda a verdade do mundo. Vejo-as caírem-me

das mãos como areia; tento apanhar esses restos de tempo,

de vida que se perdeu numa esquina de quem fomos; e

vou atrás deles, entrando nesse charco de fundos movediços

a que se dá o nome de memória. Será isso a poesia? É

então que surges: o teu corpo, que se confunde com o das

palavras que te descrevem, hesita numa das entradas

do verso. Puxo-te para o átrio da estrofe; digo o teu nome

com a voz baixa do medo; e apenas ouço o vento que empurra

portas e janelas, sílabas e frases, por entre as imagens

inúteis que me separaram de ti.


Nuno Júdice, in "Teoria geral do sentimento", pág. 9 | Quetzal Editores, 1999

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Nuno Júdice

Nuno Júdice

Paradoxo natural

Na luz indecisa que deixa adivinhar
a manhã, a névoa que impregna o ar
desfaz-se quando os dedos de fogo do sol
a limpam, restituindo ao dia
a sua transparência. Mas a mulher que
ocupa o centro da paisagem não
se apercebe da mudança. O seu corpo
pertence à terra, e entrega-se
ao ritmo subterrâneo das raízes, ouvindo
o canto que regula a passagem
das estações. Um desejo de sombra apodera-se
da sua alma; e conta o tempo que falta
para a noite, para se entregar ao silêncio
do mundo, no lento eclipse
dos sentimentos.
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Nuno Júdice

Nuno Júdice

Acorda. Fala-me

«-Por que me escreves? Que inspiração alheia
te suja os dedos de versos, se os teus lábios
não pronunciam nunca as palavras que esperei,
quando, em tardes de vento, te olhava em
silêncio? Por que interrompes a estrofe no meu nome,
a flor obscura de uma primavera que não
chegou? Deixa-me!, entre
as copas geométricas de um ritmo vegetal,
respirando na efémera duração de vozes que não ouço;
e sob um breve bater de folhas nos arbustos
perenes que o fumo da madrugada escurece: sombra
separada da própria sombra, e eco já vago
de um canto de pássaro já morto! E não deixes que
a minha queixa se dissipe num rumor de águas
estagnadas - charcos da chuva sedentária do outono,
lagoas baças de um choro matinal...» Desperdícios
de vida num fundo amargo de memória.


Nuno Júdice | "A Condescendência do Ser", pág. 39 | Quetzal Editores, 1988
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Nuno Júdice

Nuno Júdice

Poema de amor para uso tópico

Quero-te, como se fosses
a presa indiferente, a mais obscura
das amantes. Quero o teu rosto
de brancos cansaços, as tuas mãos
que hesitam, cada uma das palavras
que sem querer me deste. Quero
que me lembres e esqueças como eu
te lembro e esqueço: num fundo
a preto e branco, despida como
a neve matinal se despe da noite,
fria, luminosa,
voz incerta de rosa.


Nuno Júdice, in "Poesia Reunida"

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Nuno Júdice

Nuno Júdice

Poema (arredores)

A brancura

dos ossos, em contraste com a terra argilosa,

com a erva, com a parede arruinada, faz-me lembrar

leite, papel, cal,

e também as tuas mãos - frias. Bebo o seu brilho

numa nocturna memória. Uma contaminação de corpos

não reduz a minha solidão; nem a música,

nem o riso, nem o vinho. Lágrimas

numa plenitude de idade. O amor era uma paisagem. A voz

fundia-se numa perspectiva de vento. Palavras perdidas

como coisas, a travessia da tua pele num barco de lábios,

o traçado obscuro dos epitáfios da alma. Caminho

para te dizer uma determinação de sentido,

um destino ignorante dos fragmentos passados em que surges,

de pé, contra a janela, recebendo no rosto a luz

da primavera - imagem

póstuma em que te encontro triste,

e o teu sorriso me faz desejar a morte.

Nuno Júdice | "Obra Poética 1972-1985", pag. 252 | Quetzal Editores, 1999

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Al Berto

Al Berto

Incêndio

se conseguires entrar em casa e
alguém estiver em fogo na tua cama
e a sombra duma cidade surgir na cera do soalho
e do tecto cair uma chuva brilhante
continua e miudinha - não te assustes

são os teu antepassados que por um momento
se levantaram da inércia dos séculos e vêm
visitar-te

diz-lhes que vives junto ao mar onde
zarpam navios carregados com medos
do fim do mundo - diz-lhes que se consumiu
a morada de uma vida inteira e pede-lhes
para murmurarem uma última canção para os olhos
e adormece sem lágrimas - com eles no chão
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