Consciência e autoconhecimento

Poemas neste tema

António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

Sem Desígnios Sem Pedir Transparências

Sem desígnios sem pedir transparências
procurar a estância nula.
Onde a afirmação sem fundo
onde secreta continua a linha
cuja vibração se esvai
até ao princípio onde se respira sem desígnios.
1 005
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

Na Nudez do Labirinto

Na nudez do labirinto
ouvimos
o simples estar aqui.
1 086
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

Já Não Há Desespero Onde Desperta

Já não há desespero onde desperta
o sabor da atenção. A vigília
abre a estância à cabeleira clara.
Suave é a sombra do intacto arcano.
977
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

O Lugar Onde o Lugar

O lugar onde o lugar
com a face da noite em pleno dia
o lugar onde passa o insecto
e o horizonte

Um pequeno círculo a clareira
onde se respira a luz
dividida em sílabas de seixos
e nas lagartixas que atravessam rápidas

Estamos perto do corpo da ínfima
nudez
Há curvas inesperadas     um atalho secreto
O lugar não é aqui onde o designamos
1 035
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

Algo Se Duplica

Algo se duplica
e inclina-se
refracta-se
num novo espaço em que se recompõe
Vertigem densa angústia do não igual de um outro qual?
O acaso decisivo
e o gesto imprevisível
negam ao espaço a multidão de imagens
922
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

O Que Segrega Névoa E Suor Debaixo de Um Sol Escuro Outro Sistema?

O que segrega névoa e suor debaixo de um sol escuro Outro sistema?
Nada mais do que sombras que não flectem nem respiram
Partiu-se o espelho das imagens
múltiplas
Abre-se o arco do sujeito nulo
no inesperado sopro de outras formas
868
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

Mais Raso

Mais raso
onde não é aqui
e o que vibra apenas vibra
ou nada vibra

quase     ou já o limiar
incessante
que requer o limite ou o obstáculo
contra o grito

Aqui quando se diz
aqui
o desejo e o espaço
a palavra     limite e não limite
do vazio
1 085
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

Trazem As Marcas do Suor da Noite

Trazem as marcas do suor da noite
Trazem a noite
E são já a noite
na velocidade branca desta escrita

Nulos impenetráveis (habitáveis lâmpadas?)
perdidos nos seus nomes
perdidos vivos

Não são já eles e são eles que
1 034
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

A Decisão Inteira

A decisão inteira
mas imprevista a cada espaço
Pleno vazio vazio sempre

A coerência de um todo incoerente
entre uma rede opaca
atravessada por uma luz branca e lívida
E algo único sobre o branco
e no branco que respira
nulo e pleno
a trama solta cerrada
na obscura evidência dos vocábulos
933
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

Talvez Cante Um Pássaro E o Céu Talvez Seja Na Aparente

Talvez cante um pássaro e o céu talvez seja na aparente
tranquilidade um liso tecido
Mas não se sabe como nomeá-lo indefinido vago
móvel sem as formas nítidas através do vidro
Talvez seja mais tarde o céu de novo em seus
pedaços ou o que através da palavra se mudou num
tecto imponderável
1 022
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

Interrompendo o Vazio

Interrompendo o vazio
busca os seus limites
negros

Divide-se no sol
cintila ou não no espaço
busca a nudez que é ele próprio
uma dança quase
e estes resíduos
em que se reproduz e se desfaz
915
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

O Duelo de Um Braço

O duelo de um braço
lutando pelo contrário
no seu duplo ou duo
branco ou negro     ou negro e branco
forma do obscuro
e nu
e nulo
1 126
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

Vejo a Altura do Branco

Vejo a altura do branco

o nome é espaço

espaço
1 329
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

A Onda

A onda

como se a onda

o ar sem nome

detenho o pulso

sem a palavra
1 146
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

O Sim do Instante — a Montanha Branca

O sim do instante — a montanha branca

negra
520
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

A Montanha

A montanha

figura

pousada

na língua do olhar
903
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

Vejo a Montanha

Vejo a montanha

idêntica

à palavra

sem o nome
506
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

74. Porque Não o Encontro E Não o Encontro

74
Porque não o encontro e não o encontro
aquém da força de que vive o pulso
aquém da face e da figura o esplendor.

Porquê a árvore oculta sob a árvore
a pedra não soando e sem a cor e sem
a força do sinal de pedra e o fogo

sem a mão do afago e tudo em vão
no vão de tudo ser o encontro aquém do encontro
a presença perdida na presença.
898
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

54. Os Aspectos da Figura Livre

54
Os aspectos da figura livre
nos quartos claros e sombrios
fragmentos flagrantes
da forma — incandescência breve.

Queda de conjuntos e do grito
no espelho — negação no vidro
água de outro copo e negação do copo.

Às apagadas pernas e às pedras
junta-se a terra dos nomes e sem nome
desce-se pela escadaria sobre as nuvens
brancas.
951
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

33. o Pensamento Será o Fruto E a Forma

33
O pensamento será o fruto e a forma
do próprio jeito do ser a imagem nula.
Os dedos dirão terra folha feliz terra.

Não grave nem límpida duplo encontro
na brisa neblina duplicada imagem
na água reflectindo o corpo e sua sombra.

Dupla imagem na simplicidade pura
da casa inabitada, verde espaço
de não pensar de não ser do duplo ser.
473
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

Imergir No Não Saber,…

Imergir no não saber, no sono de água contornando o bordo de uma pedra leve, lisa, prosseguir na facilidade de quem nada no sono, nada, até tocar a pedra, quase, ilegível, e pronunciá-la obscura, na densidade, nova.
1 154
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

Caminho Com a Pobreza Das Pedras,…

Caminho com a pobreza das pedras, soletrando a areia, soletrando um nome e outro nome na estranheza incerta mas rasgada, vasta como o espaço que me falta e se me abre demais numa branca clareira do olhar.
1 192
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

18. Esculpida Pelas Duas Mãos Amigas

18
Esculpida pelas duas mãos amigas
dividida pela sombra ferida
pela aranha de palavra cúmplice.

Palavra e lâmpada do nome
perdido quando
a terra era sem fome
amêndoa esculpida pela lucidez dos olhos.

Nome do não que iniciou o sim
sob o arbusto esculpido
na estrutura do ser antes da forma aberta.
945
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

Não Toco a Viva Fenda Ferida…

Não toco a viva fenda ferida na parede do ar vibrante, não toco, mas estalo a fronte sem olhar, com a parede na fronte, sobre o sol, quase vendo no bordo a esquina do momento que teve, tem, terá a boca breve do ar.
1 107