Mar, Rios e Oceanos

Poemas neste tema

Roberto Pontes

Roberto Pontes

Impressão

Havia um lago,
não é que havia?
Não sei se o que brilhava
era o sol.
Seria o mar.
Será que era?
Ou aquilo que rugia
era um bicho?

670
Primo Vieira

Primo Vieira

Haicai

Ao luar, o sapo
tenta engolir uma estrela:
cai fundo no poço!

Marulho de vagas.
Há ecos de eternidade
nos búzios do mar.

1 135
Ona Gaia

Ona Gaia

O barco

O barco
e o nada
entre o ser sendo
sem nem ser o ser
terra ou mar
fogo ou ar
praia, brilho e Sol.

Mas floresta de estrelas
explodindo no céu
é música
não linear
e isto é legal
isto é natural !!!

687
Oldegar Vieira

Oldegar Vieira

Haicai

Revoadas

Revoadas brancas
sobre rochedos escuros:
gaivotas e espumas.

Alvorada

Pouco a pouco vai
canto claro dos galos
clareando o dia

1 615
Myriam Fraga

Myriam Fraga

Barragem

Estrutura de cal
Subitamente o rio
(argila e metal)
Se recompõe
E pára.

Somente a fúria
Calma do gesto
Que se disfarça.

Barragem ou poço
(argamassa)

Simetria de iludidos
Nas linhas duras
Do cais.

Talvez a sombra
íris-pupila
Que se adelgaça.

Recua e passa.

1 013
Manuel J. Reis

Manuel J. Reis

Poema de um náufrago à beira do entendimento

O mar repousa em meus braços, querida!
O mar das coisas que fizemos,
das coisas claras que tantas vezes fomos
e por tão pouco,
das coisas intocáveis,
das coisas líquidas e fatigadas,
e que, no entanto, vivem
no mar que eu e tu fizemos
dos escombros da minha e da tua
memória naufragada.

767
Mário Donizete Massari

Mário Donizete Massari

Mar

As ondas fogem
e chegam à praia,
mas inconstantes que são,
regressam logo
para o refúgio das
águas.

503
Mário Del Rey

Mário Del Rey

Outono

Esboço do mar
nas gotas de orvalho
ondas secretas

Passam as nuvens
o outono suspira
pelos pinheiros

969
Marta Gonçalves

Marta Gonçalves

Somos Poucos no Mar

Estamos apanhando mariscos nas pedras
água verde vai e vem jogando espuma.
Gaivotas voam, bicam peixes.

Somos poucos, quase nada na imensidão
humana.

Nossos corpos vestem roupas diferentes.
Enfeitamos os pêlos e músculos.
O choro sai das unhas

mas temos asas para fugir dos abismos.

912
Marta Gonçalves

Marta Gonçalves

Homens de Lã

Todos os limites planaram
na linha do infinito. Descobrirei
o segredo das sementes, a calma
de suas raízes. O peixe, o barco
no mar. Anjos mergulhando sorrisos
no rosto. Terra orvalhada de chuva.
Montanhas vasando imagens do vento.
Antes da queda do poeta,
carneiros não deixarão os homens
roubar a lã.

706
Manuel Lima

Manuel Lima

São Meus Estes Rios

São meus estes rios
que buscam caminho
rastejando entre luar e silêncio,
sombra e madrugada,
até ao seu fim marítimo.

A minha alma está neles,
líquida e sonora
como a água entre o quissange das pedras,
o anoitecer nas fontes.

Tenho rios vermelhos e quentes
na minha dimensão física,
rios remotos, remotos como eu.

1 583
Mário Hélio

Mário Hélio

23-III(Estático)

uma estrela cai no mar
um silêncio enche o mundo
um pavor se compenetra.
um poema cai no mar
uma gota d’água se misturva
ao mormaço.

1 053
Lêdo Ivo

Lêdo Ivo

Haicai

Noite de Domingo

Acabou-se a festa.
Resta, no silêncio,
o rumor da floresta.

O Lago Habitado

Na água trêmula
freme a pálida
anêmona.

1 846
José Eduardo Mendes Camargo

José Eduardo Mendes Camargo

No Mar

As gaivotas planam
Ao sabor do vácuo de um barco aventureiro.
O sol no horizonte
Penetra as entranhas das águas
E o céu, numa explosão de alegria,
Festeja em cores
Esta cópula divina da natureza.

894
J.Cardia

J.Cardia

Bailarinos

Bailarinos
rodopiam
nus,
à brisa do lago
Nenúfares

923
Jacy Pacheco

Jacy Pacheco

Haicai

O luar no mar.
Um peixe salta, enlevado,
banhado de prata.

Por sobre o banhado
— alvas asas — com que graça
a garça esvoaça!

913
Geir Campos

Geir Campos

Haicai

Vento da manhã
varre as folhas pelo chão
do dia que nasce.

Olhos de afogado:
são de ver coisas terríveis
no fundo do mar.

1 220
Francisco Orban

Francisco Orban

Só o deserto

Só o deserto
meu amor
sabe do meu amor
por você,
nem a cidade
com seus bichos
pousados
nem a decisão
de sonhar
ou morrer

Só o mar
com seu tremor
diário
atrelado à voz
dos que sonham
e os peixes
com as presas
do luar nas guelras
sabem

842
Flávio Sátiro Fernandes

Flávio Sátiro Fernandes

Rei do mar

Mar.
Mar de areia.
Areia do mar.
Sereia do mar.
Dois seres
na areia do mar.
(Ou no mar de areia?)
Sou eu a amar
a sereia do mar.
Serei rei do mar.

1 065
Emílio Moura

Emílio Moura

Marinha

Grito teu nome aos ventos.
Olha: há uma revoada marítima.
O horizonte se afasta, há um ritmo largo
de ondas que se espreguiçam.

Velas esguias,
para onde voam?

Sulcos de prata,
para onde levam?
Amiga, amiga! Ah, dize-me depressa:
Quem grita aos ventos o teu nome?
O mar, ou eu,
o grande mar que o está cantando?

946
Diamond

Diamond

O Mar

Lambendo com gosto a areia,
Nesse amor de vai e vem,
Num gozo de muita espuma,
Molha o meu amor, também.

903
Deborah Brennand

Deborah Brennand

Sempre Algumas Léguas Restam

Em todos os sítios
o vento arranca as folhas secas.

Assim, também é certo
a cerca, mesmo caindo, seguir a terra.

Só o rio desata nós de água
em ramalhetes de pedra.

E sempre algumas léguas restam
para chegar ou partir

na claridade dispersa.

1 094
Carlos Newton Júnior

Carlos Newton Júnior

Peixe

O peixe
e sua inquietação de faca

no rio
vivo corpo frágil
que ele
(já que viver é ferir)
a todo instante
ataca

o rio
banhado de sol
e seus reflexos
minúsculos pontos
de ouro e prata.

952
Cynara Novaes

Cynara Novaes

Meu barquinho

Meu barquinho
saiu para o mar
vela ao vento
vento a levar
verde a água
Meu barquinho
um pingo
no alto mar
Vento vinha
Vento ia
Meu barquinho
sorridente
se atracou
com o porto
Coitadinho...
não sabia nadar.

1 100