Poemas neste tema
Amor Romântico
Lya Luft
Canção desse Rumor
Quem - estando
ausente - entra no quarto
Quem deita ao lado meu, quem passa
No meu coração seus lábios quentes, quem
Desperta em mim as feras todas
Quem me rasga e cura
Quem me atrai?
Quem murmura na treva e acende estrelas
Quem me leva em marés de sono e riso
Quem invade meu dia após a noite
Quem vem – estando ausente -
E nunca vai?
ausente - entra no quarto
Quem deita ao lado meu, quem passa
No meu coração seus lábios quentes, quem
Desperta em mim as feras todas
Quem me rasga e cura
Quem me atrai?
Quem murmura na treva e acende estrelas
Quem me leva em marés de sono e riso
Quem invade meu dia após a noite
Quem vem – estando ausente -
E nunca vai?
1 715
Mariazinha Congílio
Totalidade
Seu é meu
canto
Alegre e triste
Agreste e simples
Seu é meu corpo
Carente
Seu é meu pensamento
Consciente
Seus os meus sentimentos
Imprudentes
Minha fidelidade essencial
Meu é o seu sorriso
Que enternece
Minhas são as suas dúvidas
Que me esclarecem
Meu é o seu amor
Que flutua
Sobre meu canto
Sobre mim.
canto
Alegre e triste
Agreste e simples
Seu é meu corpo
Carente
Seu é meu pensamento
Consciente
Seus os meus sentimentos
Imprudentes
Minha fidelidade essencial
Meu é o seu sorriso
Que enternece
Minhas são as suas dúvidas
Que me esclarecem
Meu é o seu amor
Que flutua
Sobre meu canto
Sobre mim.
893
Lya Luft
Tão Sutilmente
Tão subtilmente
em tantos breves anos
Foram se trocando sobre os muros
Mais que desigualdades, semelhanças
que aos poucos dois são um, sem que no entanto
deixem de ser plurais:
talvez as asas de um só anjo, inseparáveis.
Presenças, solidões que vão tecendo a vida,
O filho que se faz, uma arvore plantada,
O tempo gotejando no telhado.
Beleza perseguida a cada hora, para que não baixe
O pó de um cotidiano desencanto..
Tão fielmente adaptam-se as almas destes corpos
Que uma em outra pode se trocar,
Sem que alguém de for a o percebesse nunca.
em tantos breves anos
Foram se trocando sobre os muros
Mais que desigualdades, semelhanças
que aos poucos dois são um, sem que no entanto
deixem de ser plurais:
talvez as asas de um só anjo, inseparáveis.
Presenças, solidões que vão tecendo a vida,
O filho que se faz, uma arvore plantada,
O tempo gotejando no telhado.
Beleza perseguida a cada hora, para que não baixe
O pó de um cotidiano desencanto..
Tão fielmente adaptam-se as almas destes corpos
Que uma em outra pode se trocar,
Sem que alguém de for a o percebesse nunca.
1 514
Mariazinha Congílio
Plantação
Sinto-me
lavrador
Semeando em você
Minha estrada indecisa.
Procuro seus olhos
Em cada ausência sua.
Encontro seu riso
Sempre presente
Em cada despertar
lavrador
Semeando em você
Minha estrada indecisa.
Procuro seus olhos
Em cada ausência sua.
Encontro seu riso
Sempre presente
Em cada despertar
853
Mauricio Segall
Inesperadamente lento
Inesperadamente
lento
um momento
entre um sorriso ameno
e o olhar atento
Franzir do cenho
mordiscar do beiço
sopro no cabelo
regendo o vento
Olho cristal do olho
boca trigo da boca
lábio néctar do lábio
levitar, quase um lamento
Do tormento, do langor
retornas ao tédio do momento
entre um sorriso ameno
e o olhar atento;
Curioso, paciente
mudo indago, contemplo;
neste segundo e século
separa-nos a mesa do tempo.
lento
um momento
entre um sorriso ameno
e o olhar atento
Franzir do cenho
mordiscar do beiço
sopro no cabelo
regendo o vento
Olho cristal do olho
boca trigo da boca
lábio néctar do lábio
levitar, quase um lamento
Do tormento, do langor
retornas ao tédio do momento
entre um sorriso ameno
e o olhar atento;
Curioso, paciente
mudo indago, contemplo;
neste segundo e século
separa-nos a mesa do tempo.
861
Mauricio Segall
O voraz saboreio
O voraz
saboreio de cada milímetro
da tua epiderme cor de centeio
das costas aos seios da fronte aos poros
dispostos nas teias de veios azulados
que tateio com lábios sem peias
e leio com olhos que seguem amorosos
todo meneio ameno e ondular sereno do laceio
dos músculos e do recheio carnudo pleno que mordo com dentes afiados
de permeio aos suspiros dolentes na procura do odor perfumado
nas grutas dispersas que cheiro em todo teu corpo macio e cheio
desejado sofregamente na expressão máxima
do meu inexaurível amor anseio.
saboreio de cada milímetro
da tua epiderme cor de centeio
das costas aos seios da fronte aos poros
dispostos nas teias de veios azulados
que tateio com lábios sem peias
e leio com olhos que seguem amorosos
todo meneio ameno e ondular sereno do laceio
dos músculos e do recheio carnudo pleno que mordo com dentes afiados
de permeio aos suspiros dolentes na procura do odor perfumado
nas grutas dispersas que cheiro em todo teu corpo macio e cheio
desejado sofregamente na expressão máxima
do meu inexaurível amor anseio.
949
Odylo Costa Filho
Soneto da Revisitação
Partamos juntos a rever o rio
onde primeiro o nosso amor nasceu
e acalentando o meu humor sombrio
entre os teus seios amadureceu.
Nasceu tão pleno quanto um sol de estio
mas sobre a dor e a morte ainda cresceu,
embora a prata tenha posto um fio
no teu cabelo, e muitos neste meu.
Vamos em busca de um repouso fundo
que nos envolva de uma leve areia
no banho antigo, em meio aos juçarais.
Que a viagem nos cure deste mundo,
cheia de vozes de teus filhos, cheia
desta alegria de te amar demais.
onde primeiro o nosso amor nasceu
e acalentando o meu humor sombrio
entre os teus seios amadureceu.
Nasceu tão pleno quanto um sol de estio
mas sobre a dor e a morte ainda cresceu,
embora a prata tenha posto um fio
no teu cabelo, e muitos neste meu.
Vamos em busca de um repouso fundo
que nos envolva de uma leve areia
no banho antigo, em meio aos juçarais.
Que a viagem nos cure deste mundo,
cheia de vozes de teus filhos, cheia
desta alegria de te amar demais.
1 052
Hilda Hilst
Venho de Tempos Antigos
Deus
pode ser a grande noite escura
E de sobremesa
O flambante
sorvete de cereja.
Deus? Uma superfície de gelo ancorada no riso.
Venho de tempos antigos. Nomes extensos:
Vaz Cardoso, Almeida Prado
Dubayelle Hilst… eventos.
Venho de tuas raízes, sopros de ti.
E amo-te lassa agora, sangue, vinho
Taças irreais corroídas de tempo.
Amo-te como se houvesse o mais e o descaminho.
Como se pisássemos em avencas
E elas gritassem, vítimas de nós dois:
Intemporais, veementes.
Amo-te mínima como quem quer MAIS
Como quem tudo adivinha:
Lobo, lua, raposa e ancestrais.
Dize de mim: És minha.
pode ser a grande noite escura
E de sobremesa
O flambante
sorvete de cereja.
Deus? Uma superfície de gelo ancorada no riso.
Venho de tempos antigos. Nomes extensos:
Vaz Cardoso, Almeida Prado
Dubayelle Hilst… eventos.
Venho de tuas raízes, sopros de ti.
E amo-te lassa agora, sangue, vinho
Taças irreais corroídas de tempo.
Amo-te como se houvesse o mais e o descaminho.
Como se pisássemos em avencas
E elas gritassem, vítimas de nós dois:
Intemporais, veementes.
Amo-te mínima como quem quer MAIS
Como quem tudo adivinha:
Lobo, lua, raposa e ancestrais.
Dize de mim: És minha.
1 463
Carlos Nejar
Cantata em Rodas Plumas
O amor
armou a clava
da tarde e seu alarme.
Quer, albatroz, levar-me
onde alcançam suas asas.
Vem, ditoso, acordar-me.
Quer nos levar nas rodas
das plumas e avalanches.
Nós chegaremos antes
com jubilosas almas,
que se absorvem, alvas
e salvas, nos redutos.
De céu a céu, conceitos
são cinzas e ferrugem.
E os que se amam, pungem
de amar, e mais amando
em gozo, em gozo, em bombo
ou nos vestígios, nuvens;
nos elos desta lava.
Em mais amor solvemos
o que se faz pequeno.
E humano: abismo, abismo.
armou a clava
da tarde e seu alarme.
Quer, albatroz, levar-me
onde alcançam suas asas.
Vem, ditoso, acordar-me.
Quer nos levar nas rodas
das plumas e avalanches.
Nós chegaremos antes
com jubilosas almas,
que se absorvem, alvas
e salvas, nos redutos.
De céu a céu, conceitos
são cinzas e ferrugem.
E os que se amam, pungem
de amar, e mais amando
em gozo, em gozo, em bombo
ou nos vestígios, nuvens;
nos elos desta lava.
Em mais amor solvemos
o que se faz pequeno.
E humano: abismo, abismo.
1 181
Armindo Trevisan
Amor é Teu
Olhar que Sobe
Amor é
teu olhar que sobe
E desce torna a subir ao ramo
Desce ao poço detém-se
Na água porque a sede avança
E torna a subir em carícia
Pelo braço compraz-se
Em resvalar pelo declive
Do corpo em balanço
Como o movimento de um
Pêndulo e assim nunca
Sabes se o caminho
para ele é ascensão
ou simplesmente espera
sobre um trilho de pedras
mais do que uma ideia
sentimento porque
o subir e o descer crescem
na viagem indiferentes
ao amor até que a ames
como se nunca a tivesses
conhecido somente
fora do teu alcance.
Amor é
teu olhar que sobe
E desce torna a subir ao ramo
Desce ao poço detém-se
Na água porque a sede avança
E torna a subir em carícia
Pelo braço compraz-se
Em resvalar pelo declive
Do corpo em balanço
Como o movimento de um
Pêndulo e assim nunca
Sabes se o caminho
para ele é ascensão
ou simplesmente espera
sobre um trilho de pedras
mais do que uma ideia
sentimento porque
o subir e o descer crescem
na viagem indiferentes
ao amor até que a ames
como se nunca a tivesses
conhecido somente
fora do teu alcance.
1 286
Cruz e Sousa
Flor do Mar
És da origem do mar, vens do secreto,
Do estranho mar espumaroso e frio
Que põe rede de sonhos ao navio
E o deixa balouçar, na vaga, inquieto.
Possuis do mar o deslumbrante afecto
As dormencias nervosas e o sombrio
E torvo aspecto aterrador, bravio
Das ondas no atro e proceloso aspecto.
Num fundo ideal de púrpuras e rosas
Surges das águas mucilaginosas
Como a lua entre a névoa dos espaços...
Trazes na carne o eflorescer das vinhas,
Auroras, virgens musicas marinhas
Acres aromas de algas e sargaços...
Do estranho mar espumaroso e frio
Que põe rede de sonhos ao navio
E o deixa balouçar, na vaga, inquieto.
Possuis do mar o deslumbrante afecto
As dormencias nervosas e o sombrio
E torvo aspecto aterrador, bravio
Das ondas no atro e proceloso aspecto.
Num fundo ideal de púrpuras e rosas
Surges das águas mucilaginosas
Como a lua entre a névoa dos espaços...
Trazes na carne o eflorescer das vinhas,
Auroras, virgens musicas marinhas
Acres aromas de algas e sargaços...
4 978
Hilda Hilst
X
Como se
fosse verdade encantações, poemas
Como se Aquele ouvisse arrebatado
Teus cantares de louca, as cantigas da pena.
Como se a cada noite de ti se despedisse
Com colibris na boca.
E candeias e frutos, como se fosses amante
E estivesses de luto, e Ele, o Pai
Te fizesse porisso adormecer...
(Como se se apiedasse porque humana
És apenas poeira,
E Ele o grande Tecelão da tua morte: a teia).
Como se
fosse vão te amar e por isso perfeito.
Amar o perecível, o nada, o pó, é sempre despedir-se.
E não é Ele, o Fazedor, o Artífice, o Cego
O Seguidor disso sem nome? ISSO...
O amor
e sua fome.
fosse verdade encantações, poemas
Como se Aquele ouvisse arrebatado
Teus cantares de louca, as cantigas da pena.
Como se a cada noite de ti se despedisse
Com colibris na boca.
E candeias e frutos, como se fosses amante
E estivesses de luto, e Ele, o Pai
Te fizesse porisso adormecer...
(Como se se apiedasse porque humana
És apenas poeira,
E Ele o grande Tecelão da tua morte: a teia).
Como se
fosse vão te amar e por isso perfeito.
Amar o perecível, o nada, o pó, é sempre despedir-se.
E não é Ele, o Fazedor, o Artífice, o Cego
O Seguidor disso sem nome? ISSO...
O amor
e sua fome.
1 628
Armindo Trevisan
O Círculo
Que ela
estivesse lá e sózinhos
Palpássemos o coração e desaprendêssemos
Como as ancas teriam a natural vacilação
E caminhasse para o ar desabotoando
O perito em silêncio e oferecesse
O corpo à natureza da terra e lhe sentisse
Os lábios mortos e desenrolasse a escuridão
De suas pernas livres e depois fêmea
Reclinasse a cabeça sobre a minha sombra
Ah nem os pássaros devorarão
A inconsciência de frutos como soube
Perdê-la e juntos sairmos para
A carnalidade do dia.
estivesse lá e sózinhos
Palpássemos o coração e desaprendêssemos
Como as ancas teriam a natural vacilação
E caminhasse para o ar desabotoando
O perito em silêncio e oferecesse
O corpo à natureza da terra e lhe sentisse
Os lábios mortos e desenrolasse a escuridão
De suas pernas livres e depois fêmea
Reclinasse a cabeça sobre a minha sombra
Ah nem os pássaros devorarão
A inconsciência de frutos como soube
Perdê-la e juntos sairmos para
A carnalidade do dia.
934
Armindo Trevisan
Repreensão a Uma Lâmpada
O rumor
da boca traria pitangas
O vermelho do bico fora do azul
A gravaria na terra e seríamos dois
Num corpo quieto que avançasse
Para um pôr-de-sol. Ela ocultaria
O pescoço do que a pudesse violar
E domaria entre as mãos
O ar não ferido pelas palavras.
Inclinaria o peito sobre
O que jamais lavrara em si
E pediria um movimento
De vegetal austero. Eu
A abraçaria e cairíamos
no bojo de um fogão tão lento
Que da carne ao seu ofício
não descobriríamos um vão
e sim um rio a cruzar duas vezes
o mesmo leito.
da boca traria pitangas
O vermelho do bico fora do azul
A gravaria na terra e seríamos dois
Num corpo quieto que avançasse
Para um pôr-de-sol. Ela ocultaria
O pescoço do que a pudesse violar
E domaria entre as mãos
O ar não ferido pelas palavras.
Inclinaria o peito sobre
O que jamais lavrara em si
E pediria um movimento
De vegetal austero. Eu
A abraçaria e cairíamos
no bojo de um fogão tão lento
Que da carne ao seu ofício
não descobriríamos um vão
e sim um rio a cruzar duas vezes
o mesmo leito.
1 129
Carlos Nejar
Clara Onda
Este amor em meadas e triciclos
que nunca se divide, confluindo
e torna noite, este sapato findo
e o firmamento, silencioso ciclo.
Este amor em meadas, infinito.
Em meadas de orvalho, desavindo,
em meadas e quedas, rugas, trincos
e rusgas, trinos, pios e sóis contritos.
Este amor me retece e configura.
Tem pressa de crescer, fogo calado.
Apenas queima, quando não se apura.
Parece interminável, quando tomba.
E só se apura, quando despertado.
Dissolvido me solve em clara onda.
que nunca se divide, confluindo
e torna noite, este sapato findo
e o firmamento, silencioso ciclo.
Este amor em meadas, infinito.
Em meadas de orvalho, desavindo,
em meadas e quedas, rugas, trincos
e rusgas, trinos, pios e sóis contritos.
Este amor me retece e configura.
Tem pressa de crescer, fogo calado.
Apenas queima, quando não se apura.
Parece interminável, quando tomba.
E só se apura, quando despertado.
Dissolvido me solve em clara onda.
986
Armindo Trevisan
A Nuca
Tua nuca
atrás assim tua nuca
A simultaneidade de duas bocas para a frente
Outra vez tua nuca
Salgueiro e amêndoa
A respiração apertada contra o muro
O repouso rompido aos pedaços
Tu a experimentá-la nos
Cabelos na água a subir-lhe
Aos olhos
Pálpebras torcidas contra o sol
O trigo a descer-lhe pelas pernas
Tua nuca
A reprimir o espaço fortes asas da necessidade
Provas o sabor de seus ângulos o cipó
De seu pêlo
Tua nuca( no seio dela a refeição)
O corpo que ninguém governa é a primeira
Inclina a cabeça para a relva oh
Se as coisas
Se respondessem umas às outras
E tímida a gengiva
Escorresse mel no galho com o pássaro
Os ninhos o ventre em que a alma
(fêmea) te aguarda para a comunhão
atrás assim tua nuca
A simultaneidade de duas bocas para a frente
Outra vez tua nuca
Salgueiro e amêndoa
A respiração apertada contra o muro
O repouso rompido aos pedaços
Tu a experimentá-la nos
Cabelos na água a subir-lhe
Aos olhos
Pálpebras torcidas contra o sol
O trigo a descer-lhe pelas pernas
Tua nuca
A reprimir o espaço fortes asas da necessidade
Provas o sabor de seus ângulos o cipó
De seu pêlo
Tua nuca( no seio dela a refeição)
O corpo que ninguém governa é a primeira
Inclina a cabeça para a relva oh
Se as coisas
Se respondessem umas às outras
E tímida a gengiva
Escorresse mel no galho com o pássaro
Os ninhos o ventre em que a alma
(fêmea) te aguarda para a comunhão
1 207
Jorge Viegas
Interlúdio
Partículas
de silêncio
Superficialmente emocionado
Florescem na noite das constelações
Ritmos inalteráveis
De fragmentos de luz
Resistem à reconciliação do vazio.
A cor dos significados
Irrompe deliciosamente
Pela fronteira do silêncio
A sede eterna
Venerável e temperamental
Invade a alegria transparente
No infinito lago azul celestial
Emergem gotas ofuscantes
Criando a luz do tempo apagado
Tu dentro de mim
Criaste o vermelho flamejante
Onde as emoções navegam triunfantes
de silêncio
Superficialmente emocionado
Florescem na noite das constelações
Ritmos inalteráveis
De fragmentos de luz
Resistem à reconciliação do vazio.
A cor dos significados
Irrompe deliciosamente
Pela fronteira do silêncio
A sede eterna
Venerável e temperamental
Invade a alegria transparente
No infinito lago azul celestial
Emergem gotas ofuscantes
Criando a luz do tempo apagado
Tu dentro de mim
Criaste o vermelho flamejante
Onde as emoções navegam triunfantes
1 060
Silvio Cruz
Contar
Conta
os teus dias pelas horas felizes vividas,
as nuvens escuras apenas evitam
que o brilho do sol chegue aos teus olhos,
ele continua a existir, a brilhar...
a aquecer o mundo!
Conta as tuas noites pelas estrelas
que vês no firmamento,
esqueça a escuridão, a sombra,
elas apenas separam um dia do outro,
separam o brilho e a claridade
de estarem em todos os lugares!
Conta tua vida pelos sorrisos,
nunca pelas lágrimas derramadas,
elas são eternos ensinamentos,
te ajudam a crescer!
Enfim, conta tua felicidade pelas pessoas
em quem fizeste renascer a esperança,
pelo amor verdadeiro que deste...
recebeste e viveste!!!
os teus dias pelas horas felizes vividas,
as nuvens escuras apenas evitam
que o brilho do sol chegue aos teus olhos,
ele continua a existir, a brilhar...
a aquecer o mundo!
Conta as tuas noites pelas estrelas
que vês no firmamento,
esqueça a escuridão, a sombra,
elas apenas separam um dia do outro,
separam o brilho e a claridade
de estarem em todos os lugares!
Conta tua vida pelos sorrisos,
nunca pelas lágrimas derramadas,
elas são eternos ensinamentos,
te ajudam a crescer!
Enfim, conta tua felicidade pelas pessoas
em quem fizeste renascer a esperança,
pelo amor verdadeiro que deste...
recebeste e viveste!!!
1 010
Jorge Viegas
Infinitamente Presente
No voo
pela noite dos leves mistérios
Onde as estrelas se transformam em anjos,
O sonho liberta um calor profundo,
Enchendo o infinito de fogo e paixão.
O murmúrio dourado dos teus olhos,
Transforma-se no raio de luz
Que multiplica a estrada da vida
Clarificando a imagem do amanhã.
Os segredos vão voando docemente
Por entre vagas de suspiros,
E as recordações vagueando
Pelos recantos da memória transparente.
Simples histórias quentes,
Remexendo com o passado recente,
Crepúsculo de energia crescente
Paraíso da sereia apaixonada.
No esplendor da viagem
Encontro o brilho da canção
Sorrindo alegremente
E descubro a pureza da tua imagem.
pela noite dos leves mistérios
Onde as estrelas se transformam em anjos,
O sonho liberta um calor profundo,
Enchendo o infinito de fogo e paixão.
O murmúrio dourado dos teus olhos,
Transforma-se no raio de luz
Que multiplica a estrada da vida
Clarificando a imagem do amanhã.
Os segredos vão voando docemente
Por entre vagas de suspiros,
E as recordações vagueando
Pelos recantos da memória transparente.
Simples histórias quentes,
Remexendo com o passado recente,
Crepúsculo de energia crescente
Paraíso da sereia apaixonada.
No esplendor da viagem
Encontro o brilho da canção
Sorrindo alegremente
E descubro a pureza da tua imagem.
1 085
Silvaney Paes
Aquele Olhar
Clamei
por muitos amores,
Concederam-me um ao alvorecer,
Mas ele trouxe tanta luz que me ofuscou
Parecendo demais para meus anseios
Achei que poderia fugir
Furtivamente sem nada dizer,
Como uma sombra que se escoa
Ante a luz que adentra pela janela.
Mas teus olhos viram-me
E perdi o meu recurso derradeiro,
Ilhado pela visão dessa luminosa manhã
Inebriado diante da mulher.
Tentei refazer minha trama,
Mas outra trama trazia desfecho igual
E parecias cantar em silencio
O gozo de ver-me sob o jugo do desejo
E te achegaste parta dar o nó em teu laço.
Na expressão daquele olhar
Pressenti que me perderia
Mergulhando nas suas vagas
Mesmo sabendo que elas ora alçam
Ora destroiem o coração de um homem
por muitos amores,
Concederam-me um ao alvorecer,
Mas ele trouxe tanta luz que me ofuscou
Parecendo demais para meus anseios
Achei que poderia fugir
Furtivamente sem nada dizer,
Como uma sombra que se escoa
Ante a luz que adentra pela janela.
Mas teus olhos viram-me
E perdi o meu recurso derradeiro,
Ilhado pela visão dessa luminosa manhã
Inebriado diante da mulher.
Tentei refazer minha trama,
Mas outra trama trazia desfecho igual
E parecias cantar em silencio
O gozo de ver-me sob o jugo do desejo
E te achegaste parta dar o nó em teu laço.
Na expressão daquele olhar
Pressenti que me perderia
Mergulhando nas suas vagas
Mesmo sabendo que elas ora alçam
Ora destroiem o coração de um homem
836
Jorge Viegas
Silenciosa Felicidade
Acordam
as sombras floridas
Flutuando alegremente
Pela intensidade do intimo desejo.
Brincam os sentidos
Seguindo o voo colorido das aves
E ouvindo o murmúrio azul dos riachos.
Dançam pensamentos cristalinos
Sobre a suavidade deslizante
Das gotas brilhantes das cascatas.
Vibram comovidos carinhos
Aquecendo ardentes fontes seculares
Da alquimia sensual do beijo.
Resplandecem nuvens de sensibilidade
Espalhando misteriosas ternuras
Pelos perfumes infinitos da felicidade
E no emaranhado das lianas espirituais
Abraçamos majestosos segredos da luz da vida
Criando a magia absorvente do amor.
as sombras floridas
Flutuando alegremente
Pela intensidade do intimo desejo.
Brincam os sentidos
Seguindo o voo colorido das aves
E ouvindo o murmúrio azul dos riachos.
Dançam pensamentos cristalinos
Sobre a suavidade deslizante
Das gotas brilhantes das cascatas.
Vibram comovidos carinhos
Aquecendo ardentes fontes seculares
Da alquimia sensual do beijo.
Resplandecem nuvens de sensibilidade
Espalhando misteriosas ternuras
Pelos perfumes infinitos da felicidade
E no emaranhado das lianas espirituais
Abraçamos majestosos segredos da luz da vida
Criando a magia absorvente do amor.
1 181
Regina Souza Vieira
Dádiva
Sou mais
forte que o silêncio dos muxitos
mas sou igual ao silêncio dos muxitos
nas noites de luar e sem trovões.
Tenho o segredo dos capinzais
soltando ais
ao fogo das queimadas de setembro
tenho a carícia das folhas novas
cantando novas
que antecedem as chuvadas
tenho a sede das plantas e dos rios
quando frios
crestam o ramos das mulembas.
...e quando chega o canto das perdizes
e nas anharas revive a terra em cor
sinto em cada flor
nos seus matizes
que és tudo o que a vida me ofereceu.
forte que o silêncio dos muxitos
mas sou igual ao silêncio dos muxitos
nas noites de luar e sem trovões.
Tenho o segredo dos capinzais
soltando ais
ao fogo das queimadas de setembro
tenho a carícia das folhas novas
cantando novas
que antecedem as chuvadas
tenho a sede das plantas e dos rios
quando frios
crestam o ramos das mulembas.
...e quando chega o canto das perdizes
e nas anharas revive a terra em cor
sinto em cada flor
nos seus matizes
que és tudo o que a vida me ofereceu.
719
Agostina Akemi Sasaoka
Ligações Cruas
Gemeu
a escuridão...
No abraço silencioso
entre o muro e a noite,
tombaram os corpos.
Sobre as almas,
escorreram a dor e a paixão...
Por todas as esquinas,
esqueceram seus beijos
os amantes nictálopes.
Cada beco
ficou úmido, extático...
Tocaram, trocaram-se.
Um gomo de prazer
fartou o sono.
Assim,
o sexo se ajoelhou
perante as estrelas
e transpirou amor.
a escuridão...
No abraço silencioso
entre o muro e a noite,
tombaram os corpos.
Sobre as almas,
escorreram a dor e a paixão...
Por todas as esquinas,
esqueceram seus beijos
os amantes nictálopes.
Cada beco
ficou úmido, extático...
Tocaram, trocaram-se.
Um gomo de prazer
fartou o sono.
Assim,
o sexo se ajoelhou
perante as estrelas
e transpirou amor.
824
Jorge Viegas
Magia
Quando pela manhã se abrem as janelas
E entra a brisa da felicidade, isto é magia.
Quando se cheira uma rosa encantada
E se sente o perfume de um beijo ardente, isto é magia.
Quando os raios escaldantes do sol
Se transformam em fonte eterna, isto é magia.
Quando se mergulha nas gotas da chuva
E navegamos pela imensidão, isto é magia.
Quando se toca na cores quentes do por do sol
E descobrimos cânticos dourados, isto é magia.
Quando se vê no reflexo do brilho do luar
Os contornos íntimos da sua beleza,
Se sente o perfume ardente do teu beijo,
O calor penetrante da tua ternura,
A imensidão absorvente do teu carinho,
Isto é AMOR.
E entra a brisa da felicidade, isto é magia.
Quando se cheira uma rosa encantada
E se sente o perfume de um beijo ardente, isto é magia.
Quando os raios escaldantes do sol
Se transformam em fonte eterna, isto é magia.
Quando se mergulha nas gotas da chuva
E navegamos pela imensidão, isto é magia.
Quando se toca na cores quentes do por do sol
E descobrimos cânticos dourados, isto é magia.
Quando se vê no reflexo do brilho do luar
Os contornos íntimos da sua beleza,
Se sente o perfume ardente do teu beijo,
O calor penetrante da tua ternura,
A imensidão absorvente do teu carinho,
Isto é AMOR.
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