Poemas neste tema

Felicidade e Alegria

Júlio Maria dos Reis Pereira

Júlio Maria dos Reis Pereira

Todos os Dias

Todos os dias
nascem pequeninas nuvens,
róseas umas,
aniladas outras,
nacaradas espumas...

Todos os dias
nascem rosas,
também róseas
ou cor de chá, de veludo...

Todos os dias
nascem violetas,
as eleitas
dos pobres corações...

Todos os dias
nascem risos, canções...

Todos os dias
os pássaros acordam
nos seus ninhos de lãs...

Todos os dias
nascem novos dias,
nascem novas manhãs...
825
Paul von Heyse

Paul von Heyse

SE O AMOR TE ATINGIU

Se o amor te atingiu
tranquila entre buliçosa gente
numa nuvem dourada segues para frente
imune, guiada por Deus.

Parecendo estar sem rumo
deixas teu olhar vagar em volta
e a seus prazeres a distante escolta
–governada por um só desejo.

Em vão negando, contestarias,
assim, timidamente, em si mesma encantada,
que, neste instante, a coroa da vida
resplandecendo, enfeita tua fronte.
665
Fernando Echevarría

Fernando Echevarría

Felizes

Felizes. Porque, ao fundo de si mesmos,
cheios andam de quanto vão pensando.
E, disso cheios,
nada mais sabem. Dão para aquele lado
onde o mundo acabou, mas resta o eco
de o haverem pensado até ao cabo
e irem agora criar o movimento
que subsiste no tempo
de o mundo ainda estar a ser criado.
Por isso são felizes. Foram sendo
até, perdido o tempo, só em memória o estarem habitando.
684
Eucanaã Ferraz

Eucanaã Ferraz

VALSA PARA GRAÇA

Abra-se tudo
em grande-angular:

alas a ela, abra-se tudo
em salas que se abram

em salas abertas, salões,
e o que se fechara

antes desabroche
numa sucessão de estrelas

em pleno dia claro.
Abra-se o teto

do planetário, abra-se
o coração de fogo

e nele toda dor
torne a nada e

nada lhe resista e
por onde passe alastre

sua leveza. Alas a ela,
e que ela me leve.

Porque nela tudo parece
mover-se sobre salto

alto, sobretudo a alma,
a alma que parece calçar

a mesma sandália que
as palavras e os gestos

dela, alas
a ela, que assim

alta,
como que vai

descalça e dançasse
sobre-além dos alarmes

e do medo, largando
na sua valsa

um rasto só de beleza.
Alas a ela.
887
Eucanaã Ferraz

Eucanaã Ferraz

O ATOR

Pensei em mentir, pensei em fingir,
dizer: eu tenho um tipo raro de,
estou à beira,

embora não aparente. Não aparento?
Providências: outra cor na pele,
a mais pálida; outro fundo para a foto:

nada; os braços caídos, um mel
pungente entre os dentes.
Quanto à tristeza

que a distância de você me faz,
está perfeita, fica como está: fria,
espantosa, sete dedos

em cada mão. Tudo para que seus olhos
vissem, para que seu corpo
se apiedasse do meu e, quem sabe,

sua compaixão, por um instante,
transmutasse em boca, a boca em pele,
a pele abrigando-nos da tempestade lá fora.

Daria a isso o nome de felicidade,
e morreria.
Eu tenho um tipo raro.
685
Renier Dias Pereira

Renier Dias Pereira

Muca

Muca

Monstro perdido na noite
da vida eterna sem caos
em sua tradução aprende-se
a viver como um sorriso

Um sonho na alma ingênua
reflete todo significado
que transcende a imaginação
e faz feliz uma multidão.

Uma vida-emoção que atiça
o coração-calor nas entre-
linhas de um sentimento-amor.

Num rebolar gracioso, transmite
paz, que envolve todos num
grandissíssimo soneto.

921
Renier Dias Pereira

Renier Dias Pereira

Êxtase

Êxtase

É mesmo uma coisa mágicavezes em que me perco falandosozinho ( uma arte ninho )

não são palavras imensas, sãolivres e refletem numcaminho gargalhada

o manifesto é para emocionar,uma emoção recíproca uma certa alogicidade ( a calçada do crime )

a priori um surrealismo extasianteuma magia só compreendida pelosfamintos - ousadia

a vida é para sempre ( me diga )o coração não pulsa mais, o soltoma seu lugar. espero a certeza de um golpe feliz.

926
Natalício Barroso

Natalício Barroso

A Pasta

Um dia me surpreendi.
Havia um raio de sol escondido no meu guarda-roupa.
Abriu a janela do meu quarto quando eu a abri,
e se projetou nas minhas roupas com as pontas dos meus dedos.
Era um raio de sol tão claro quanto um jado dágua na
escuridão
e me molhou o semblante de contentamento.
Mas foi passageiro.
Bastou vestir a calça comprida
e pôr a camisa depois dos sapatos
para o dia, entrando na minha pasta preta, se cobrir de luto nas minhas
mãos.

940
Pablo Neruda

Pablo Neruda

Iii - As Espigas

O sem cessar terminou em flores,
em longo tempo que estende seu caminho
em fita, na novidade do ar,
e se por fim achamos sob o pó
o mecanismo do próximo futuro
simplesmente reconheçamos a alegria
tal como se apresenta! Como uma espiga mais,
de maneira assim que o esquecimento contribua
para a claridade verdadeira que sem dúvida não existe.
1 128
Teruko Oda

Teruko Oda

Outono

Volto a ser criança
Em cada trouxinha de palha
Que esconde a pamonha!

No céu cristalino
A lua cheia de outono
parece sorrir.

1 221
Ona Gaia

Ona Gaia

Aos Nubentens

Ao falar agora
não serei breve no sentimento
- de início já vou dizendo -
como é belo e glamouroso este momento !

Pois por abundância de emoções sublimes
atraio um mundo inteiro de visões
e no meio do turbilhão destas atrações
o amor uni-versos e corações.

Que seja terna enquanto dura sua existência.
Que lá do fundo brote o fruto da sua potência.

E por acaso existe erro aqui em alguém ?
Hoje é um dia pra vida suntuoso
dois corpos unidos no mundo é virtuoso
e nada há mais certo pra mim ou pra ninguém !

Na arena solar das sensações
encontram a felicidade entre clarões
os que fazem o futuro além nações.

E muito antes de conhecer o seu lar
de um sonho pouco antes de acordar
você já conhecia o seu par.

Estas palavras pra ele e pra ela
até mesmo numa hora paralela
durante o dia, à noite ou no inverno
serão as cores de um verão eterno.

697
Carla Bianca

Carla Bianca

Ilustre Visitante

Converso com o amor. Ele fala como se fôssemos íntimos. Aperta minha mão e beija-me as faces. Coro o rosto, banhada pela timidez. Não sei se possuo fidalguia para anfitrionar tão distinta personalidade.
Os gestos de amor são elegantes e clássicos, dando a impressão de tratar-se de alguém que nunca se emociona. Um engano que vai se dissipando ao longo de nossa conversa. Quando falo de minhas tristezas, aquele ser distante, muda de figura e começa a verter lágrimas. Ao ver esta cena fico triste e alegre, por perceber-me através de olhos tão ilustres.
Os assuntos que discorre são por demais difíceis à compreensão, mas permaneço atenta, fitando belos segredos.
A prosa continua e ele vai se soltando cada vez mais. Um pouco depois percebo que ele passa a ter ciúmes dos que comigo tentam falar. A felicidade em invade e epnso pertencer a mesma raça do amor.

828
Leal de Souza

Leal de Souza

Noturno

As luzes de ouro da cidade
Vaporam fúlgida neblina...
Esquivo ideal — felicidade,
Qual dessas luzes te ilumina ?

Fria a vontade e o peito ardente,
De bens e males sob os rastros,
O homem aos sonhos ergue a mente
E não levanta o olhar aos astros.

Por essas luzes atraídos,
Filhos do vale e da planura,
De longe vieram, atrevidos,
Bater às portas da ventura ...

As luzes de ouro da cidade
Vaporam fúlgida neblina...
Esquivo ideal — felicidade,
Qual dessas luzes te ilumina?...

938
Carlinhos Brown

Carlinhos Brown

Mares de ti

Só pra curtir
Com ti contente ficar
Cavo caldo de cana
No Canal de Panamá

Se tropeçar meus pés cansados
Nos mares de ti
Cuidar de mim cuidar de ti
As fases e frases
Desfazem nos jeans
Porque que é só você quem sabe
Aonde surfir
O mais bonito do magnífico
Se teu sorriso esculpir

Solidão
A vida nos fez
Apesar de ter
Solidão
Solidão
A vida nos fez
Apesar de ter
Solidão

Não sei pisar no breque
Tomo charrete
Pro lares rubis
Pensando nisso
Pensando em ti
Senti felicidade sem fim
Se for passar preciso sarar
É quase inútil
Ficar de ir
Ficar de vir
Ficar feliz isso sim

Solidão
A vida nos fez
Apesar de ter
Solidão
Solidão
A vida nos fez
Apesar de ter
Solidão

Me abraça bem
Já me sinto bem
Vim chorar
Como guitarra grunge
Como escaramouche
Amor talhador

1 448
Geraldo Carneiro

Geraldo Carneiro

bilacmania

livre espaço a ave aurora
as asas cantando climas céus
nuvens agora o sol o vôo
a vida o olhar (re)volta
tempo alegria de novo

970
Pablo Neruda

Pablo Neruda

Vallejo

Mais tarde na Rua Delambre com Vallejo bebendo calvados
e cerveja nos copos imensos da Rua Alegria,
porque então meu irmão tinha alegria no copo
e levantávamos juntos a felicidade de um minuto que ardia no ar
e que se apagaria em sua morte deixando-me cego.
1 083
Pablo Neruda

Pablo Neruda

Tarde - LVI

Acostuma-te a ver detrás de mim a sombra
e que tuas mãos saiam do rancor, transparentes,
como se na manhã do mar fossem criadas:
o sal te deu, amor meu, proporção cristalina.


A inveja sofre, morre, se esgota com meu canto.
Um a um agonizam seus tristes capitães.
Eu digo amor, e o mundo se povoa de pombas.
Cada sílaba minha traz a primavera.


Então tu, florescida, coração, bem-amada,
sobre meus olhos como as folhagens do céu
és, e eu te fito recostada na terra.


Vejo o sol transmigrar cachos a teu rosto,
olhando para a altura reconheço teus passos.
Matilde, bem-amada, diadema, bem-vinda!
1 103
Pablo Neruda

Pablo Neruda

Manhã - XXIII

Foi luz o fogo e pão a lua rancorosa,
o jasmim duplicou seu estrelado segredo,
e do terrível amor as suaves mãos puras
deram paz a meus olhos e sol a meus sentidos.


Oh amor, como de repente, dos rasgos
fizeste o edifício da doce firmeza,
derrotaste as unhas malignas e zelosas
e hoje diante do mundo somos como uma só vida.


Assim foi, assim é e assim será até quando,
selvagem e doce amor, bem-amada Matilde,
o tempo nos assinale a flor final do dia.


Sem ti, sem mim, sem luz já não seremos:
então mais além da terra e a sombra
o resplendor de nosso amor seguirá vivo.
1 149
Olympia Mahu

Olympia Mahu

Saudades de ti, minha Belém

Uma saudade intensa apoderou-se de mim
Busquei alegrias em todos os recantos
Mas tu estavas a chamar-me, altiva e distante...

Tudo fiz para desvencilhar-me de tua imagem
Das tuas lembranças, hoje, saudades...
Nas coisas mais simples deixavas tua marca
Imagem, tristeza, felicidades...

Ao encontrar-me contigo, tudo mudou
Meus dias foram longos, lindos e vibrantes
Teu semblante nebuloso, teu céu tristonho...tudo era alegria
O sol e a chuva estavam sempre a combinar os encontros, as saídas
Meu suor era um banho de energia, onde eu mergulhava com alegria...

Andanças, corre-corre, encontros e conversas sem-fim
As madrugadas ouviam, silenciosas, enormes confidências...
E eu vivenciei as noites e os dias com sofreguidão
Pois eu queria apossar-me de ti
Para ter-te sempre comigo em meu exílio...

Hoje, aqui estou, de volta. Em casa, feliz...
Cheia de felizes lembranças para acalentar minhas saudades
Que serão muitas... e com tamanha distância
A te impedir de mim...

Olimpya Mahu,, 23/5/96

886
Madi

Madi

Mais que um Passeio

Mais que um Passeio

Amar você não é um passeio
É um parque de diversão inteiro

738
Alphonsus de Guimaraens

Alphonsus de Guimaraens

XXIV - Carnaval! Carnaval!

(Jovelino Gomes)


Chibante, ora a bater numa zabumba,
Ora a tocar uma buzina rouca,
Queira o deus infernal que eu não sucumba
Nesta farra em que estou, bulhenta e louca!

Não sei se tombarei na minha tumba,
Que a minha força para a luta é pouca.
Este bombo de modo tal retumba,
Que até me faz a pobre orelha mouca.

Mas seguirei avante, destemido,
Alerta sempre o desvairado ouvido,
Nos pinchos desta enorme pagodeira...

Berrarei, urrarei, com todo o gosto,
Tendo mais feia máscara no rosto
Do que a cara do Bento de Oliveira!


In: GUIMARAENS, Alphonsus de. Obra completa. Organização de Alphonsus de Guimaraens Filho. Introdução de Eduardo Portella. Notas biográficas de João Alphonsus. Rio de Janeiro: J. Aguilar, 1960. p. 582-583. (Biblioteca luso-brasileira. Série brasileira, 20). Poema integrante da série Em Mariana: Outras Sátiras / Versos Humorísticos
3 086
Mafalda Veiga

Mafalda Veiga

Por Outras Palavras

Ninguém disse que os dias eram nossos
Ninguém prometeu nada
Fui eu que julguei que podia arrancar sempre
Mais uma madrugada
Ninguém disse que o riso nos pertence
Ninguém prometeu nada
Fui eu que julguei que podia arrancar sempre
Mais uma gargalhada
E deixar-me devorar pelos sentidos
E rasgar-me do mais fundo que há em mim
Emaranhar-me no mundo
E morrer por ser preciso
Nunca por chegar ao fim
Ninguém disse que os dias eram nossos
Ninguém prometeu nada
Fui eu que julguei que sabia arrancar sempre
Mais uma gargalhada
E deixar-me devorar pelos sentidos
E rasgar-me do mais fundo que há em mim
Emaranhar-me no mundo
E morrer por ser preciso
Nunca por chegar ao fim
1 219
Perillo Doliveira

Perillo Doliveira

Conselho

Se és triste, ergue para o alto a tua taça
e canta, pois cantando
farás com que o sofrer seja mais brando
e esquecerás, talvez, tua desgraça.

Se és infeliz, não chores. Ao contrário,
deves sorrir, porque, sorrindo,
verás teu sonho se tornar mais lindo,
mais amplo, iluminando o teu Calvário.

Se és só, procura amar sem interesse,
amar a tudo e a todos, sem egoísmo,
e encontrarás neste teu grande altruísmo
o fim da solidão que te entristece.

E, assim, na própria angústia que te invade,
na mesma dor que te crucia,
desvenderás, entre hinos de alegria,
o grande enigma da Felicidade.

895
Ana Martins Marques

Ana Martins Marques

O que nos aconteceu

O que nos aconteceu
o que não nos aconteceu
têm o mesmo peso no poema

Ontem visitamos
nosso amigo doente
era comovente ver seu esforço
para parecer melhor do que estava

Andamos um pouco pela praia
a certa altura me dei conta
de que nunca perguntei onde ele nasceu

Encontramos uma água-viva na areia
alguém disse que ser assim
indistinguível como a areia da areia
o mar do mar
deve ser algo próximo da felicidade

Uma dessas coisas não aconteceu
1 361