Tarde - LVI

Pablo Neruda
Pablo Neruda
1 min min de leitura 1959 Cem Sonetos de Amor
Acostuma-te a ver detrás de mim a sombra
e que tuas mãos saiam do rancor, transparentes,
como se na manhã do mar fossem criadas:
o sal te deu, amor meu, proporção cristalina.


A inveja sofre, morre, se esgota com meu canto.
Um a um agonizam seus tristes capitães.
Eu digo amor, e o mundo se povoa de pombas.
Cada sílaba minha traz a primavera.


Então tu, florescida, coração, bem-amada,
sobre meus olhos como as folhagens do céu
és, e eu te fito recostada na terra.


Vejo o sol transmigrar cachos a teu rosto,
olhando para a altura reconheço teus passos.
Matilde, bem-amada, diadema, bem-vinda!
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