Poemas neste tema

Corpo

Manuela Amaral

Manuela Amaral

Sexo-cama

Fui ordinária
requintada
tímida
Misturei poesia com vários palavrões
Gritei
Uivei
Gemi
Rasguei almofadas e lençóis

Fui carnaval de amor
no circo de uma cama.

2 628
Leila Mícollis

Leila Mícollis

Confissão

Dizem que o amor é cego,
não nego,
por isso te abro os olhos:
não tenho bens nem alqueires,
eu não sou flor que se cheire,
nem tão boa cozinheira,
(bem capaz que ainda me piches
por só comer sanduíches),
minha poesia é fuleira,
tenho idéias de jerico,
um cio meio impudico
como as cadelase as gatas,
às vezes me torno chata
por me opor ao que comtemplo,
sei que sou péssimo exemplo,
por pouca coisa me grilo,
talvez por mim percas quilos,
eu não sei se valho a pena,
iguais a mim, há centenas,
desejo te ser sincera.
Mas no fundo o amor espera
que grudes qual carrapicho:
são tão grandes meu rabicho
e minha paixão por ti,
que não estão no gibi...
Ao te ver, viro pamonha,
sem ação, e sem vergonha
o meu ser inteiro goza.
Por isso, pra encurtar prosa,
do teu corpo, cada poro
eu adoro adoro adoro...

1 173
Leila Mícollis

Leila Mícollis

Exigência

Meu homem eu quero,
enquanto puder,
molhado e úmido
feito mulher.

1 236
Claudia Roquette-Pinto

Claudia Roquette-Pinto

Luz depois do mergulho

depois de te amar saio refrescada
transparente nascida água
matéria de cisterna
de fosso fundo eterna
na tua profundidade

depois de me encharcar volto cristalina
do escuro à tona respiro
busco a luz que te defina:
água, talvez
água fugaz corpo piscina

991
António Carlos Belchior

António Carlos Belchior

Sensual

Quando eu cantar
quero ficar
molhado de suor
e por favor não vá pensar
que é só a luz do reflector

será minha alma que sua
sou um sol negro de dor
outro corpo a pele nua
carne músculo e suor
como um cão que uiva pra Lua
contra seu dono e feitor
bicho um animal ferido
no dia do caçador
humaníssimo gemido
raro e comum como o amor

Quando eu cantar
quero deixar você
molhado de amor
e por favor não vá pensar
que é só a noite ou o calor

Quero ver você ser
inteiramente tocada
pelo licor da saliva
a língua o beijo a palavra
minha voz quer ser o dedo
na tua chaga sagrada
uma voz feita de espinho
espora em teus membros cansados
sensual como o espírito
ou como o verbo encarnado

1 115
Mônica Banderas

Mônica Banderas

Ricardo

Com meus olhos
invadi sua privacidade.
Abri suas gavetas,
bordei meu nome
nas suas gravatas.
risquei suas cuecas com batom.
Suas pernas de calça
amarrei-as uma a uma
nas alças do meu sutiã.
Minhas calcinhas estão junto com minhas fronhas
Seu umbigo,
escondi com um chumaço de algodão.
Dos seus cinco dedos da mão esquerda
o do meio é meu.
Sou dona do seu sobrenome,
medidas, cardário,
cavidades, orifícios,
suores, odores, manifestações.
Denigro seu caráter frente ao espelho,
respiro seu ar e...
rasgo suas pernas, seus ombros,
para depois colar
parte por parte,
na minha agenda escolar...

913
Fernando Correia Pina

Fernando Correia Pina

Lição de História Pátria

Sabias - disse-me ela fazendo-me a punheta -
que muito valentão entala a costeleta
e que entre os nossos reis, valorosos guerreiros,
muitos houve que foram famosos paneleiros
que entre duras batalhas e esforçados trabalhos
recheavam o cu com túrgidos caralhos.
Sabias por acaso que o primeiro Pedro, o Cru,
mais que a foder gozou indo levar no cu?
E que o primeiro Afonso que à mãe não perdoava
se deixava montar por Fernão Peres de Trava?
E quantos, ah! ó quantos grandes deste país
fizeram do cu vaso para meter a raiz?
Cuidado! gritei eu afagando-lhe o lombo -
faz isso com mais calma que os colhões não são bombo.
Desculpa - disse-me ela. - Depois continuou
revelando-me a rir que o seu próprio avô
que morrera com fama de grande putanheiro
passara toda a vida a levar no traseiro.
E a Igreja? - gritou - Do padre ao cardeal
toda ela se entregou à banana fatal
e a esse mesmo fruto que faz de um cu vulcão
se entrega toda a cáfila que governa a nação :
ministros, secretários e directores-gerais
todos abrigam pichas nos albergues anais...
E safou-se Salazar de ser também rabicho
porque nesse momento gritei e vim-me em esguicho.

1 506
José Eduardo Mendes Camargo

José Eduardo Mendes Camargo

Querer

Quero massagear o teu corpo,
Como se te prestasse um tributo de paixão.
E com minhas mãos, como que num ritual,
Percorrer-te todos os caminhos
E dele extrair a chama da combustão.
E cheirá-la por inteiro,
No ardor de farejar o âmago de tua alma fêmea.
E beijá-la voluptuosamente e com meus lábios
Sorver o suor ensandecido de teus poros
Quero, então, corpos unidos,
Dançar ao som de teus gemidos e sussurros
A dança terna e alucinante do amor.

1 705
António Lobo de Carvalho

António Lobo de Carvalho

Soneto IX

A um figurão mui putanheiro, que em prémio de suas laboriosas proezas teve a pica decepada

De foder sujos conos já cansado
De Almeida apodreceu o membro enorme;
Parou enfim a máquina triforme,
Que tinha imensas cricas arrombado:

Soou por toda a parte o grosso brado
Do tremendo marzapo ingente, e informe;
Mas (desgraça cruel!) em cinzas dorme,
Por amolados ferros decotado:

A ver o triste funeral correram
Mais de mil putas, que ao fatal estrago
Cobrindo os olhos com as mãos gemeram:

Temei, casadas, o venal afago:
Olhai que vis michelas concorreram
Para ficar de Nise o cono vago

1 177
José Honório

José Honório

Vi a porteira do mundo

Glosa:

Caindo em sono profundo
de repente eu tive um sonho
e nesse sonho bisonho
VI A PORTEIRA DO MUNDO
e descobri num segundo
que aquilo que o homem quer
tem mistério e tem mister
mas é fácil de se achar
é somente procurar
ENTRE AS PERNAS DA MULHER.
1 020
Millôr Fernandes

Millôr Fernandes

Poeminha de louvor ao strip-tease secular

Eu sou do tempo em que a mulher
Mostrar o tornozelo
Era um apelo!
Depois, já rapazinho, vi as primeiras pernas
De mulher
Sem saia;
Mas foi na praia!

A moda avança
A saia sobe mais
Mostra os joelhos
Infernais!

As fazendas
Com os anos
Se fazem mais leves
E surgem figurinhas
Em roupas transparentes
Pelas ruas:
Quase nuas.
E a mania do esporte
Trouxe o short.
O short amigo
Que trouxe consigo
O maiô de duas peças.
E logo, de audácia em audácia,
A natureza ganhando terreno
Sugeriu o biquíni,
O maiô de pequeno ficando mais pequeno
Não se sabendo mais
Até onde um corpo branco
Pode ficar moreno.

Deus,
A graça é imerecida,
Mas dai-me ainda
Uns aninhos de vida!

1 076
António Lobo de Carvalho

António Lobo de Carvalho

Soneto V

Lamentando a desgraça dos freiráticos

Não há maior asneira neste mundo
Do que um homem comer uma punheta
Duma freira, que tem onde se meta
Um caralho bem grosso, e rubicundo:

De que serve estar vendo o cono imundo,
O pentelho que esconde a torpe greta,
E um dedinho que roça por tal greta,
Que leite faz lançar pouco, e injocundo?

Estar então um basbaque, uma alma bruta
Na pança a dar punhadas com canseira.
Enquanto a porra vê um pouco enxuta:

Ora torno a dizer, é grande asneira;
Pois vale mais foder a mais reles puta,
Do que estar vendo as pernas duma freiral

1 890
Ernesto de Melo e Castro

Ernesto de Melo e Castro

Os erros de Eros

Eros olha o espelho e vê narciso arder
nas tetas insufladas um diabo qualquer
prolonga a se fusão do orgasmo

meus erros são meus erros
aqui presentes todos
nesta escrita de pernas
os penetro de fodas
circulares

que inadequados ais
ou dúvidas se alinham
nas sevícias venais
dos polícias que tinham

1 153
Vicente Franz Cecim

Vicente Franz Cecim

Àquele que dorme sem sono

Os teus corpos, Um de Carne e Outro de Sombra,

envolve em óleos

pois são dois, e o segundo é mais real

É preciso ver num sonho

a paisagem das verdades

onde insetos vêm pousar em nossas mãos

Há palavras que os homens não dizem

Há águas tão amargas,

filho,

que se recusam a devolver às fontes

as antigas possibilidades musicais da espécie

Mas as luas da febre

estão passando

sobre os lugares onde a sombra humana ainda irá passar

Um longo caminho não é sinal de eternidade

Ninguém ainda foi ouvir o silêncio das estrelas

E não ter colhido o mel,

a um murmúrio de distância dos teus lábios,

salgou ainda mais as colméias eternas

É lenta a economia daqueles que aqui esquecem o sabor do sal

E há uns que temem a queda das unhas no inverno,

e há outros que pararam a vida

numa estação vazia

É preciso ir à paisagem das verdades: Insetos

pousariam

em nossas mãos: Os ouvidos humanos

são cavernas escuras

Agora nascerão raízes,

quando esperavas asas

E quem sabe um dia virão frutos

para te dar ao leite coagulado,

suficiente é ter nascido

Suficiente é ser a sede, pois só por isso se obteve

a dádiva

dos lagos e da gota de veneno

e um oceano de lágrimas

para encher os olhos de ternura

O que tu sabes de ti?

Somente que já vai começando a desaceleração do vento

em teus cabelos

A menos que desças no caminho, para colher as

imagens

que foram caindo da nossa memória,

estás perdido

A menos que subas, ao avistar uma montanha de

homens

que foram virados do avesso, os ossos por fora,

a carne por dentro,

e te prostres em adoração ao pó,
v
em que esses homens se tornarão?

Chama o vento com o ar dos teus pulmões

por amor às cinzas

Estas perdido

Entre a festa para receber,

com festa humana,

e uma esperança de ferrugens

Sob os sons das estrelas,

uma esperança de ferrugens

é o que te fere a sombra

e estás perdido

A melhor coisa que fazes

e a pior, será parar a circulação contínua da máquina

Prova uma gota do nosso sangue,

e aceita, sorrindo,

que isso aconteceu,

que foram caindo da nossa memória

a polpa e a seiva, tingidas de vermelho

Um futuro de rodas que já não rodarão

para as colheitas do destino

Entrega o nosso trem ao delírio de uma floresta

virgem a cada dia

E a voz que te diz isso:

ao menos uma vez

teremos o ferro do nosso dispensável coração

Então, por que não semear de mãos vazias?

1 275
Bocage

Bocage

Arreitada donzela em fofo leito

Arreitada donzela em fofo leito
Deixando erguer a virginal camisa,

Sobre as roliças coxas se divisa
Entre sombras subtis pachocho estreito.

De louro pêlo um círculo imperfeito
Os papudos beicinhos lhe matiza;
E a branda crica nacarada e lisa,
Em pingos verte alvo licor desfeito.

A voraz porra, as guelras encrespando,
Arruma a focinheira, e entre gemidos
A moça treme, os olhos requebrando.

Como é inda boçal, perder os sentidos;
Porém vai com tal ânsia trabalhando,
Que os homens é que vêm a ser fodidos.

3 862
Arnaldo Antunes

Arnaldo Antunes

O tato

O olho enxerga o que deseja e o que não
Ouvido ouve o que deseja e o que não
O pinto duro pulsa forte como um coração
Trepar é o melhor remédio pra tesão
Um terço é muita penitência pra masturbação
A grávida não tem saudades da menstruação
Se não consegue fazer sexo vê televisão
Manteiga não se usa apenas pra passar no pão
Boceta não é cu mas ambos são palavrão
Gozo não significa ejaculação
O tato mais experiente é a palma da mão

O olho enxerga o que deseja e o que não
Ouvido ouve o que deseja e o que não
Depois de ejacular espera por outra ereção
O ânus precisa de mais lubrificação
Por mais que se reprima nunca seca a secreção
O corpo não é templo, casa nem prisão
Uns comem outros fodem uns cometem outros dão
Por graça por esporte ou tara por amor ou não
Velocidade se controla com respiração
O pau se aprofunda mais conforme a posição
O tato mais experiente é a palma da mão

3 698
Pierre de Ronsard

Pierre de Ronsard

Je te salue…

Je te salue, ô vermeillette fente
Qui vivement entre ces flancs reluis;
Je te salue, ô bienheuré pertuis,
Qui rend ma vie heureusement contente!
Cest toi qui fais que plus ne me tourmente
Larcher volant qui causait mes ennuis;
Tayant tenu seulement quatre nuits,
Je sens ma force en moi déjà plus lente.
Ô petit trou, trou mignard, trou velu,
Dun poil follet mollement crêpelu,
Qui à ton gré domptes les plus rebelles:
Tous verts galants devraient, pour thonnorer,
À beaux genoux te venir adorer,
Tenant au poing leurs flambantes chandelles!

1 761
Marc Antoine de Papillon

Marc Antoine de Papillon

Ça, je veux fourniller

Ça, je veux fourniller en ton joli fourneau;
Car jai de quoi éteindre et allumer la flamme,
Je vous veux chatouiller jusquau profond de lâme
Et vous faire mourir avec un bon morceau.
Ma petonne, inventons un passe-temps nouveau.
Le chantre ne vaut rien qui ne dit quune gamme,
Faites donc le seigneur et je ferai la dame,
Serrez, poussez, entrez, et retirez tout beau.
Je remuerai à bonds dune vitesse ardente,
Nos pieds entrelacés, notre bouche baisante:
La langue frétillarde ira sentre-moillant.
Jouons assis, debout, à côté, par-derrière, –
Non à litalienne, – et toujours babillant:
Cette diversité est plaisante à Cythère.

974
Ernesto de Melo e Castro

Ernesto de Melo e Castro

Enquanto um dedo esmaga

enquanto um dedo esmaga
uma curva ou um aro
outros dedos distendem
os tendões que entendem

no súbito na água
a luz vértice faro
os membros que se fendem
lábios que dizem rendem

quem diz cu diz a cona
em masculino estilo
as procuradas fendas afluentes

que no homem se excluem
na fêmea se completam
delta logo de lagos mijo nilo

1 061
António Botto

António Botto

Inédito

Nunca te foram ao cu
Nem nas perninhas, aposto!
Mas um homem como tu,
Lavadinho , todo nu, gosto!

Sem ter pentelho nenhum
com certeza, não desgosto,
Até gosto!
Mas... gosto mais de fedelhos.

Vou-lhes ao cu
Dou-lhes conselhos,
Enfim... gosto!

11 603
Ernesto de Melo e Castro

Ernesto de Melo e Castro

Paga e repaga

A paga

eu gostaria muito sim talvez
dar uma enorme foda todo o mês
numa mulher que se chamasse Inês
e que tivesse um gato siamês
que não me chateasse cada vez
que nela me pusesse de viés
porque as mulheres pensam que talvez
no foder se paga tudo de uma vez

mas nunca se lembram que ao invés
o pagar nada tem com as fodas que dês
porque ainda ontem dei ai umas dez
e a paga que tive foi um chato burguês

A repaga

não penses tu proleta fodilhão
que lá por seres caralho
tens razão
nem que todas as fodas que me dês
são a fácil desforra
do tesão

porque a cona é que sabe
do vir ou do não vir
e só no seu sorrir
é que o caralho sobe

mas se és mal pago
não vais morrer de fomes
e se me pagas
não pagas o que comes.

(e o chato talvez
não seja mais
que o teu retrato
português)

1 113
Hilda Hilst

Hilda Hilst

E por que haverias de querer

E por que haverias de querer minha alma
Na tua cama?
Disse palavras líquidas, deleitosas, ásperas
Obscenas, porque era assim que gostávamos.
Mas não menti gozo prazer lascívia
Nem omiti que a alma está além, buscando
Aquele Outro. E te repito: por que haverias
De querer minha alma na tua cama?
Jubila-te da memória de coitos e de acertos.
Ou tenta-me de novo. Obriga-me.

1 905
Ernesto de Melo e Castro

Ernesto de Melo e Castro

Cara lh ama

amam-no todos
uns porque o têm
bem colocado e ereto
outros porque a foda
sem ele não bate certo

e se o nariz não chega
e os dedos se dispersam
só ele é que é capaz
de entrar todo na toda
discreto e bom rapaz

e os tristes que o não têm
amam-no doutra maneira
distantes e macios
não sabem se se vêm
ou se é só caganeira

1 163
Amparo Jimenez

Amparo Jimenez

Obsequio

(A Rosamaría)

Este orgasmo,
tan celosamente
guardado
para tí,
hoy,
amorosa,
lo entregué a mi mano.

1 238