Citações
Citações para inspirar e refletir
Ora vejam, o conselheiro administrativo da Cretinos S.A. e o diretor da Banalidades Associadas!
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Quão limitada é a perfeição, quão ralo o bosque, quão insípida a poesia! Aula prática para os limitados, os ralos e os insípidos.
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Não há mulheres incompreendidas. Elas são apenas a consequência de um equívoco das feministas, que não querem ser compreendidas, mas apreendidas. Há mulheres incompreendidas, afinal.
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Ele não deixa o seu aborrecimento durante as refeições ser estragado por nenhum apetite.
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Ela começou o casamento com uma mentira. Era virgem e não disse isso a ele!
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A única concessão que poderíamos fazer seria a de nos guiarmos pelos desejos do público a ponto de fazermos o contrário do que ele deseja. Mas não faço isso, pois não faço concessões e escrevo determinadas coisas mesmo quando o público as espera.
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Quem não quiser fazer negócios com a vida, anuncie que pretende diminuir o seu stock de conhecidos e que está a vender as suas experiências abaixo do preço de compra.
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As experiências são economias guardadas por um avarento. A sabedoria é uma herança da qual um esbanjador não dá conta.
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É inegável que sou alguém que escreve muito. Mas, na verdade, isso deve-se a uma compulsão irresistível. É certo que nenhuma máquina de escrever se pode queixar de que a sobrecarreguei. Mas é correto dizer que a minha mão nem sempre consegue acompanhar as ordens da minha cabeça. Como invejo os autores cuja cabeça não consegue acompanhar as necessidades da sua mão! Eles, pelo menos, podem descansar.
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O meu desejo de que os meus textos sejam lidos duas vezes causou grande irritação. Sem razão; o desejo é modesto. Não peço sequer que sejam lidos uma só vez.
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Os touros de todos os partidos são unânimes acerca do facto de que faço propaganda da luxúria. Certamente é verdade que recomendo o reconhecimento da beleza como único remédio contra a estupidez e que atribuo todos os males deste mundo ao cruel soterramento e à malévola poluição, praticados por séculos, da fonte de toda a vida. Mas será que por isso me entusiasmei pela sexualidade dos touros?
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A vaidade é a guardiã imprescindível de um dom divino. É loucura exigir que a mulher abandone a sua beleza sem proteção e que o homem faça o mesmo com o seu espírito só para não ofender a pobreza. É tolice afirmar que um valor não deva referir-se a si mesmo para não revelar a falta de valor de outro. Quem me acusa de ser vaidoso torna-se suspeito de inveja, que nem de longe é uma qualidade tão bela quanto a vaidade. Mas quem se atreve a dizer que não sou vaidoso, torna-me suspeito de pobreza.
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Secularização: a Igreja tem um bom estômago. Apesar disso, deveria ser submetida a uma lavagem estomacal de tempos em tempos.
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Por que tantos me criticam? Porque me elogiam e apesar disso os critico.
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Certo sujeito disse que tentei colocá-lo contra a parede. Isso não é verdade. Eu simplesmente consegui.
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Posso dizer com orgulho que empreguei dias e noites em não ler nada e que com energia férrea aproveitei cada minuto livre para adquirir pouco a pouco uma falta de cultura enciclopédica.
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Um piadista: coceiras na cabeça não são atividade cerebral.
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Será que também podemos pegar uma pitada de rapé da caixa de Pandora? Bom proveito, amigo W.!
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Um pintor inescrupuloso que, sob o pretexto de possuir uma mulher, a atrai ao seu ateliê e lá a retrata.
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O preconceito é um criado indispensável que expulsa impressões indesejáveis da soleira de nossa porta. Só não podemos deixar que nosso criado também nos expulse.
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Subestimam o meu comodismo quando dizem que antipatias pessoais me levaram a declarar que determinado literato é um charlatão. Ora, não vou gastar o meu ódio para liquidar uma mediocridade literária!
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Ninguém acredita como muitas vezes é difícil traduzir uma ação num pensamento!
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A boca transborda daquilo que o coração está vazio.
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A beleza imerecida dessa cidade! Mas aqueles que a animam à chamada seriedade do trabalho são tão tolos quanto seus bajuladores e folhetinistas. Não é lamentável que seus habitantes não trabalhem, mas que não pensem. Chega a ser meritório contar com o facto de que o céu é azul e o prado é verde. Quem diz que não se pode viver disso é um filisteu. Mas quem diz que é triste viver disso quando não se é um artista, diz a verdade.
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Lichtenberg cava mais fundo do que qualquer outro, mas não volta à superfície. Fala sob a terra. Só o escuta quem também cava fundo.
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Um agitador toma a palavra. O artista é tomado por ela.
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Uma fábrica de guarda-chuvas expõe ao gosto público um cartaz que mostra Rómulo e Remo com guarda-chuvas abertos. Refleti muitas vezes sobre esse simbolismo. Sempre cheguei a essa mesma e triste explicação: em razão do mau tempo, a fundação de Roma foi suspensa.
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A aglomeração: e depois que o acidente aconteceu, “apareceram muitos curiosos para ver o local”. E então o acidente já estava tão insensível às provocações da curiosidade que se contentou com o desprezo calado.
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Aqueles dois não se casaram: vivem desde então em mútua viuvez.
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O facto de um tema ser artístico não o deve prejudicar necessariamente junto do público. Superestima-se o público ao acreditar que ele leva a mal a excelência da representação. Ele, de forma alguma, dá-lhe atenção, e também tolera com tranquilidade coisas valiosas desde que o objecto, casualmente, corresponda a um interesse vulgar.
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Estou sempre disposto a publicar aquilo que contei a um amigo sob o selo do mais profundo sigilo. Mas ele não o deve espalhar.
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Oh deleite das experiências da língua, devorador da medula! O perigo da palavra é o prazer do pensamento. O que foi que dobrou a esquina ali adiante? Ainda não divisada e já amada! Lança-me nessa aventura.
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A prostituição do corpo partilha com o jornalismo a capacidade de não precisar sentir, mas o supera pela capacidade de poder sentir.
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São raros os livros antigos que, entre coisas incompreensíveis e óbvias, conservaram um conteúdo vivo.
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Desde que maçãs podres serviram certa vez de estímulo no drama alemão, o público receia usá-las como meio de intimidação.
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Prússia: liberdade de ir e vir usando focinheira. Áustria: solitária com permissão para gritar.
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Muitas vezes é difícil escrever um aforismo quando se é capaz de o fazer. Muito mais fácil é escrever um aforismo quando não se é capaz de o fazer.
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Num domingo de inverno à tarde, num café de Viena, encurralados entre pais que jogam cartas, mulheres que berram e crianças que leem revistas humorísticas, podemos ser tomados por tal sentimento de solidão que ansiamos pela vida agitada que deve reinar por essa hora na Baía do Advento.
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O propósito do jovem Jean Paul era “escrever livros para poder comprar livros”. O propósito dos nossos jovens escritores é ganhar livros de presente para poder escrever livros.
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Tal como sempre surgem rostos novos, embora o conteúdo das pessoas pouco se distinga, assim deve haver sempre frases novas para o mesmo material intelectual. Isso dependerá do criador que tiver a capacidade de exprimir a mais ligeira nuance.
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O público não tolera qualquer coisa. Ele repele com indignação uma obra imoral quando percebe as suas intenções culturais.
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Empregar palavras incomuns é um vício literário. Devemos colocar apenas dificuldades de pensamento no caminho do público.
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Que a palavra mais velha seja desconhecida nas redondezas, recém-nascida e inspire dúvidas sobre se vai viver. Então ela viverá. Ouvimos o coração da língua a bater.
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Um bom autor sempre receará que o público perceba quais foram os pensamentos que lhe ocorreram tarde demais. Mas quanto a isso, o público é muito mais indulgente do que se acredita, e também não percebe os pensamentos que aí estão.
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Nem de longe um bom escritor recebe tantas cartas anónimas ofensivas quanto normalmente se supõe. De cem asnos, nem dez admitem sê-lo, e no máximo um coloca isso por escrito.
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Na Alemanha, bastam duas pessoas e temos uma associação. Morre uma delas, a outra levanta de seu lugar em sinal de luto.
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Um cérebro criativo também diz por conta própria aquilo que outro disse antes dele. Em compensação, outro pode imitar pensamentos que apenas mais tarde ocorrerão a um cérebro criativo.
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Por que muitos escrevem? Porque não têm caráter suficiente para não escrever.
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