Lista de Poemas
Educação Sentimental
Mariquita fechou o Escrich
e teve vontade dum espanhol
com seu punhal
para matá-la...
In: REVISTA DE ANTROPOFAGIA, São Paulo, ano 1, n.9, p.2, jan. 192
Toadas Pra Meu Irmão
(Mário de Andrade - DESCOBRIMENTO)
Nem eu posso conceder
que esta noite fina assim
seja a mesma noite assu
que assobra Taquarassu!
Que seja a mesma noite densa
soturno enorme abajada
escondendo o sofrimento
dos brasileiros calados!
Mas fosse a noite maior
mais densa, mais abajada
mesmo assim seria fraca
e se deixaria varar
pela ternura que eu mando
voando com a força do vento
— Meu pensamento rasgando
o assombro da noite assu
vai velar sono cansado
dos brasileiros calados...
O sono tão sossegado
de um brasileiro cansado
dormindo na noite assu
que esmaga Taquarassu!
Da cidade outro poeta
quer a distância varar
pra ver o sono do irmão
seu descanso proteger!
Dorme teu sono José...
(...)
Meu pensamento voando
nesta noite fina assim
vai fugindo da cidade
desgarra sertão afora
pra vigiar bem de perto
o doce sono sossegado
dum brasileiro calado!
Te beijo de leve nos olhos
te beijo de leve na face
te beijo o cabelo inteirinho
te beijo no coração...
Brasileiro sossegado
dorme teu sono calado...
Dorme teu sono José...
E me perdoa, meu Mano
se eu não posso cantar
cantos mansos pro teu sono!
Quem me dera, mas não posso!
Pois na noite da cidade
Só de pensar no teu sono,
as veias ficaram doendo
O corpo todo sem jeito
fiquei esquisito, palavra!
Coração no peito calado...
Que dor nos nervos senti
de não ter voz pra falar
(o coração no peito calado)
de não ter choro pra chorar
de palavra não achar,
dor(i)da boa sincera
como aquela comovida
achada por Mário de Andrade
(aquela tão comovida)
que acalantou de São Paulo
o brasileiro do Acre...
Te beijo o cabelo inteirinho
te beijo no coração...
Descansa na noite mansa
descansa, Mano, descansa...
1928
In: Pasta 72: Arquivo de Mário de Andrade. Instituto de Estudos Brasileiros - IEB/USP
NOTA: Mário de Andrade comenta esse poema em carta a Pedro Nava datada de 25 fev. 1928: "Gosto. Talvez um pouco possam ser sintetizadas, a idéia vai repetindo muito. Quanto a ser imitação, não é. É o mesmo ritmo de inspiração porém a citação inicial e o final justificam isso. (...) Quem acusasse você de plágio ou de aluno mostrava bobagem. O que tem de parecido nos dois poemas é consciente, sem pasticho nem plágio". Referência aos "Dois Poemas Acreanos" (I - Descobrimento; II - Acalanto do Seringueiro), do livro CLÃ DO JABUTI (1927), de Mário de Andrad
Noite de São João
São João São João
o sol quebrando em mil pedaços
caiu na terra
mil fogueiras pondo na noite
chios
e chispas
fiáus
e rechinos
Noite de São Joões-balões
noite cheia de fogueiras
e vem-cá-bitus
Noite lanhada de fogo
noite cristã
como sacis unhando panças pretas
cachimbando na barriga dos balões
saltitando no fogo vivo dos tições
Noite de buscapé
(do buscapé-pé-PÉ
que corre tanto
e como tonto
volta
e vira
em viravoltas rentes raspando o chão)
e o vento agudo
e uma navalha zás-trás
recortando bandeiras em tiras
em faixas finas
serpentes serpentinas
(um novelo assanhado de serpentes
acorda nas fogueiras
e elas se espicham tesas
e suas línguas acesas
lambem as folhas frescas
largas langues das bananeiras)
São João São João
e o frio tão frio
que a própria lua nua tem frio
e devagar a vagarosa
escorrega pelos cipós
e se esgueira
na pontinha dos pés
— Psiu!
pra quentar na minha fogueira
São João São João
In: Pasta 72: Arquivo de Mário de Andrade. Instituto de Estudos Brasileiros - IEB/US
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