Lista de Poemas
Os contendores
tendo na penumbra lêveda do quarto
o campo de batalha e no outro o fim a alcançar.
Entre investidas e recuos, golfes desferidos
no ar com os punhos e sevícia nas palavras,
um adiantou-se a deitar o outro por terra.
Este buscava, furtando-se ao peso do corpo, breve,
um suprimento de ar, mas enlanguescia a demorar
depois essa intimidade no espaço fechado.
O primeiro olhava com faces sanguíneas
do alto, como presa ao seu alcance,
o amigo confinado nesse abraço circunpolar.
Ao reduzir uma antiga distância pronominal,
aproximou-lhe do ouvido a boca a segredar
cantada, como um sentimento, a sua vitória.
Árvore dos corvos
São uma coroa fúnebre
nos ramos da árvore posta.
II
O bater das suas asas é agora
o rumor das folhas que lhe faltam.
III
Nublada pelo círculo das suas vozes
e cativa como moldura para o sono.
IV
O vento estuda-lhe os gestos,
não se sabe se numa dança ébria
V
ou em acenos que ficaram gravados
como serpente enleada até às raízes em pleno ar.
VI
Sabe como demora deixar de ser,
sumir-se a partir de dentro,
VII
cadáver decompondo-se ainda em vida
num outeiro com vista sobre o mar.
Berghain
Dentro, vai-se enchendo o silo de cimento.
Sobe-se por esta realidade arborescente
até à sala parlamentar onde,
sob uma vagina de Wolfgang Tillmans,
os olhos falam com o medo
a constelar as faces de desejo.
O desespero busca exprimir-se
no movimento acelerado dos braços,
no puro dinamismo dos ossos,
a telegrafia sem fios:
a ela se entregam os funâmbulos
sobre altos cubos negros;
para ninguém ensaiam as suas acrobacias
e sortes de prestidigitação.
O ideograma das luzes banha-os
como num palco.
Desatrelados, soltos,
os corpos secos e nervosos
deixam ver o íncubo,
o duplo espectral:
aqui acedem a um breve estatuto icónico,
emaciados cristos de tronco nu
e leather pants.
O WC é logo ali ao lado
e nas guaritas ao fundo do salão
perde-se em manobras de bastidores
quem não arrisca ir mais longe,
descer às fundas minas de estanho,
avançar às apalpadelas por território desconhecido,
o labirinto onde o Minotauro se alimenta
da carne de sete rapazes —
há que habituar os olhos à penumbra,
ao movimento dos corpos a tremeluzir
numa silente inquirição.
A música é um moscardo que zumbe ao longe
e o mundo apenas esse estrondo residual.
No triclínio, sobre um colchão sujo,
ou contra os pilares —
o stalker vigia a solidão
que aqui abriu a sua cerca.
Mulher à janela
a visão como vela armada para a viagem,
tensa como a corda do arco
na suspensão do gesto inocente sobre a seta.
Debruçada, num ofício de corpo presente,
viu passar toda a blandícia na brisa.
Agora recolhe-se ao copo facetado
de que uma só face dá para o mundo
como a alma no azul escuro de um vitral,
o vinho quente no fundo de um cálice:
o quarto onde guarda o estojo da sua vida
com o sombreamento do dia no soalho.
Exasperada pela cintura de gelo da vidraça,
para onde declina lentamente a face,
estenderia o braço se o ser em cada coisa
lhe fosse dado tocar: o mundo
de que ela fosse mais que o alto-relevo
fixo para sempre na moldura da janela.
Auto de fé
e anseia por mais arte que a do poema
o coração é o forno onde ardem palavras.
Nesse dia elas foram, amarradas com barbante,
viúvas precipitando-se dentro da pira.
Fiquei a vê-las abrirem-se como pétalas
para logo definharem a meus olhos
numa florescência não cumprida.
O seu frémito era ainda uma ânsia minha.
Remexi as cinzas, agitei o ar com as mãos.
Vi como um poema se mostra servil ante o fogo.
E pensei: ardessem também os meus dedos!
Para que o poema não deixe crias ao morrer
e não mais confira o direito à vida
do que nele vai escrito.
Porque o amor é a arte que fica além do poema,
no dia em que não escrever mais poemas
sei que o amor resgatará o meu corpo da chama.
Cidade ao nascer da lua
com o seu perfil a velar-se, bizantino,
no poente. Abismada está na própria imagem,
onde o brilho do crisólito lembra,
num relance, o seu esplendor perdido:
invólucro fetal lançado, noite calada,
na água que ressuma, lenta, junto às margens.
O ouro foi todo acrisolado na água
em que ferveram as cinzas e a escória
de metais. A chuva e o vento vão
exfoliando as paredes, moendo as tintas,
até se não reconhecer mais o festo às fachadas.
Entre a solidão hirta das duas torres
a lua, mormosa, insinua-se.
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Como poeta, pertence a uma geração revelada durante a década de 80, afirmando-se rapidamente como uma das suas vozes poéticas mais importantes.
A poesia de Paulo Teixeira caracteriza-se pela ambiência crepuscular em relação a uma história civilizacional utilizada como vasto património de que o fazer poético se alimenta. Entendendo-nos como «herdeiros do mundo», o autor constrói uma poesia que se assume como depositária de uma herança de vários séculos e várias latitudes, num registo discursivo e conceptual que busca no passado histórico, mítico e místico, na tradição artística e literária, imagens onde se reflecte a devastação e a rarefacção do tempo presente.
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