Paulo Leminski

Paulo Leminski

1944–1989 · viveu 44 anos BR BR

Paulo Leminski foi um poeta, tradutor, crítico literário e professor brasileiro. Reconhecido por sua obra inovadora e experimental, transitou entre a poesia, a prosa e a crítica, explorando novas linguagens e formas de expressão. Sua produção literária é marcada pela liberdade criativa, pelo humor, pela metalinguagem e pela influência de diversas tradições culturais, incluindo a oriental e a indígena. Leminski deixou um legado significativo na literatura brasileira, com uma obra que continua a ser estudada e celebrada pela sua originalidade e profundidade.

n. 1944-08-24, Curitiba · m. 1989-06-07, Curitiba

374 738 Visualizações

Ali

ali

ali
se


se alice
ali se visse
quanto alice viu
e não disse


se ali
ali se dissesse
quanta palavra
veio e não desce


ali
bem ali
dentro da alice
só alice
com alice
ali se parece

Ler poema completo

Poemas

84

ERRA UMA VEZ

nunca cometo o mesmo erro
duas vezes
já cometo duas três
quatro cinco seis
até esse erro aprender
que só o erro tem vez

8 026

Quem dera eu fosse um músico

Quem dera eu fosse um músico
que só tocasse os clássicos,
a platéia chorando
e eu contando os compassos.
Se eu soubesse agora,
como eu soube antes,
a dança alegórica
entre as vogais e as consoantes!


2 010

o bicho alfabeto

o bicho alfabeto
tem vinte e três patas
ou quase

por onde ele passa
nascem palavras
e frases

com frases
se fazem asas
palavras
o vento leve

o bicho alfabeto
passa
fica o que não se escreve

9 035

LÁPIDE 1

epitáfio para o corpo


Aqui jaz um grande poeta.
Nada deixou escrito.
Este silêncio, acredito,
são suas obras completas.


2 992

Distâncias Mínimas

um texto morcego
se guia por ecos
um texto texto cego
um eco anti anti anti antigo
um grito na parede rede rede
volta verde verde verde
com mim com com consigo
ouvir é ver se se se se se
ou se se me lhe te sigo?

3 349

que tudo se foda

-- que tudo se foda,
disse ela,
e se fodeu toda

3 546

KAI

Mínimo templo
para um deus pequeno,
aqui vos guarda,
em vez da dor que peno,
meu extremo anjo de vanguarda.

De que máscara
se gaba sua lástima,
de que vaga
se vangloria sua história,
saiba quem saiba.

A mim me basta
a sombra que se deixa,
o corpo que se afasta.

1 894

duas folhas na sandália

o outono
também quer andar

2 141

nem toda hora

nem toda hora
é obra
nem toda obra
é prima
algumas são mães
outras irmãs
algumas
clima

4 220

as coisas estão pretas

uma chuva de estrelas
deixa no papel
esta poça de letras

2 432

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.