Lista de Poemas
Quero, te quero
Eu quero cuidar de você, te fazer rir, te contar o que me assusta, o que eu desejo. Quero ouvir de você todas as suas histórias, fazer uma história ao seu lado, quero ver seu sorriso pela manhã, à noite, de tarde, tanto faz, quero te ver feliz, como amigo, cúmplice, um amante.
Me quero também, quero ter um tempo só meu, pra sonhar, pra me descobrir, quero me fazer feliz, quero saber quem sou, sem pressão, sem plano, só ser, sentir e viver. Quero tanto que o amanhã seja nosso, só de nós dois. E não importa se amanhã será daqui um mês, um ano, uma década, mas, tem que ser nosso. Quero você pra mim.
Me quero também, quero ter um tempo só meu, pra sonhar, pra me descobrir, quero me fazer feliz, quero saber quem sou, sem pressão, sem plano, só ser, sentir e viver. Quero tanto que o amanhã seja nosso, só de nós dois. E não importa se amanhã será daqui um mês, um ano, uma década, mas, tem que ser nosso. Quero você pra mim.
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A morte
A chuva cai sobre o chão lá fora
Sons encantadores eu ouço
De leve a me surpreender sua voz me afaga
De belas palavras a lindos toques
recordados
Saudade, que falta me faz
Três anos já faz e eu por dentro morro pela
ausência
E o abraço que eu ainda espero?
Cadê minha vida? Vejo apenas você
Minha doce ilusão de realidade
Minha doce vida em morte
Como te quero e espero
Cadê você? Cegaram-me
Sinto as lagrimas e não posso para-lás
Oh, querido sangue que de dor escorre do
coração
Mataram-me. E você nem sequer apareceu para
me salvar
Cadê você que há muito a morte o levou
Cadê o amor que nos salvaria
Minha saudade é agora um abraço divino
Nunca te vi tão lindo
Deslumbrante
Abraço-te forte abraça-me ainda mais
Correndo em nuvens
Voando entre estrelas
Imortais nós
Que lindo poder ver-te novamente
Serenamente de perto
Mais e mais penso, quero
Cadê você? Devolveram-me a visão
Posso ver nossas fotos
As mais belas lembranças de amor
Ah, amor, por quê?
Havia de ser você?
Por que eu, eu que queria tanto você e não
ter-te em braços?
Oh, Deus, por que o amaste e o levaste de
mim pra tão perto de ti?
Encontro-me nos melhores lugares de nossas
vidas
Recordando-me daqueles todos momentos
juntos
Por que foram tão rápidos? São tão
silenciosos e tristes, pois, você não está aqui
A lua vem a mim
Posso vê-la do alto da ponte. Aquela ponte
que costumávamos sentar
A água entra em minha garganta, congela
meus sentidos, enfia-se em meus ouvidos
Já não vejo nada.
Antes que possa abrir meus olhos posso
sentir aquela mão que me abraçava nas noites
Sinto e como amo esse afago, só nós sabemos
Posso amar-te enlouquecidamente novamente
Posso ter-te os dias todos, estamos na
eternidade.
Sons encantadores eu ouço
De leve a me surpreender sua voz me afaga
De belas palavras a lindos toques
recordados
Saudade, que falta me faz
Três anos já faz e eu por dentro morro pela
ausência
E o abraço que eu ainda espero?
Cadê minha vida? Vejo apenas você
Minha doce ilusão de realidade
Minha doce vida em morte
Como te quero e espero
Cadê você? Cegaram-me
Sinto as lagrimas e não posso para-lás
Oh, querido sangue que de dor escorre do
coração
Mataram-me. E você nem sequer apareceu para
me salvar
Cadê você que há muito a morte o levou
Cadê o amor que nos salvaria
Minha saudade é agora um abraço divino
Nunca te vi tão lindo
Deslumbrante
Abraço-te forte abraça-me ainda mais
Correndo em nuvens
Voando entre estrelas
Imortais nós
Que lindo poder ver-te novamente
Serenamente de perto
Mais e mais penso, quero
Cadê você? Devolveram-me a visão
Posso ver nossas fotos
As mais belas lembranças de amor
Ah, amor, por quê?
Havia de ser você?
Por que eu, eu que queria tanto você e não
ter-te em braços?
Oh, Deus, por que o amaste e o levaste de
mim pra tão perto de ti?
Encontro-me nos melhores lugares de nossas
vidas
Recordando-me daqueles todos momentos
juntos
Por que foram tão rápidos? São tão
silenciosos e tristes, pois, você não está aqui
A lua vem a mim
Posso vê-la do alto da ponte. Aquela ponte
que costumávamos sentar
A água entra em minha garganta, congela
meus sentidos, enfia-se em meus ouvidos
Já não vejo nada.
Antes que possa abrir meus olhos posso
sentir aquela mão que me abraçava nas noites
Sinto e como amo esse afago, só nós sabemos
Posso amar-te enlouquecidamente novamente
Posso ter-te os dias todos, estamos na
eternidade.
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Paulo Leminski (Curitiba PR, 1944-1989) publicou seus primeiros poemas em 1964, na revista Invenção, porta-voz da poesia concreta paulista. No período, trabalhava como Professor de História e Redação em cursos pré-vestibulares e professor de judô. Músico e letrista, nos anos de 1970 teve canções gravadas por A Cor do Som, Paulinho Boca de Cantor, Moraes Moreira. Em 1975 publicou o romance experimental Catatau. Na década de 1980, trabalhou como colaborador em periódicos, tradutor e redator de publicidade. Seu primeiro livro de poesia, Não fosse isso e era menos. Não fosse tanto e era quase, saiu em 1980. Seguiram-se Caprichos e Relaxos (1983) e Distraídos Venceremos (1987). Entre suas obras póstumas estão La vie en close (1991) e Winterverno (1994). Leminski fez parte da geração de “poetas marginais” que, nos anos de 1970, publicava em revistas alternativas; a partir dos anos 80, no entanto, tornou-se um dos nomes mais populares da poesia contemporânea brasileira. Sua obra assimilou elementos da primeira fase do modernismo, como o coloquialismo e o bom-humor, do concretismo e também da poesia oriental, que inspirou a criação de seus famosos haicais.
Paulo Leminski (Curitiba PR, 1944-1989) publicou seus primeiros poemas em 1964, na revista Invenção, porta-voz da poesia concreta paulista. No período, trabalhava como Professor de História e Redação em cursos pré-vestibulares e professor de judô. Músico e letrista, nos anos de 1970 teve canções gravadas por A Cor do Som, Paulinho Boca de Cantor, Moraes Moreira. Em 1975 publicou o romance experimental Catatau. Na década de 1980, trabalhou como colaborador em periódicos, tradutor e redator de publicidade. Seu primeiro livro de poesia, Não fosse isso e era menos. Não fosse tanto e era quase, saiu em 1980. Seguiram-se Caprichos e Relaxos (1983) e Distraídos Venceremos (1987). Entre suas obras póstumas estão La vie en close (1991) e Winterverno (1994). Leminski fez parte da geração de “poetas marginais” que, nos anos de 1970, publicava em revistas alternativas; a partir dos anos 80, no entanto, tornou-se um dos nomes mais populares da poesia contemporânea brasileira. Sua obra assimilou elementos da primeira fase do modernismo, como o coloquialismo e o bom-humor, do concretismo e também da poesia oriental, que inspirou a criação de seus famosos haicais.
Paulo Leminski nasceu em Curitiba, como todos já deveriam saber, e aí mesmo morreu, pouco antes de completar 45 anos. É um dos poetas brasileiros, surgidos após a década de 50, de maior influência entre os poetas das décadas seguintes. À época de sua morte, já havia conquistado um lugar de destaque e relevo na poesia brasileira do pós-guerra.
Seus livros mais importantes foram publicados na década de 70, um momento de embate poético dualista, entrincheirado entre noções poéticas que passaram a ser narradas por muito tempo como se numa batalha por hegemonia, tanto por parte de poetas ligados às neovanguardas brasileiras do pós-guerra (baseados em grande parte em São Paulo), como por aqueles que ficaram conhecidos como poetas marginais, que poderíamos chamar de Grupo do Mimeógrafo, baseados no Rio de Janeiro. A insistência nestes rótulos faz cada vez menos sentido, mesmo que alguns poetas ainda dependam deles para manter sua narrativa dualista nos dias de hoje (especialmente em SP). Porém, para os que não estão interessados primordialmente em escolas e grupos, sabendo que uma contextualização crítica e est-É-tica precisa ir além disso, as décadas de 60 e 70 começam a mostrar-se em sua verdadeira complexidade. Como rotular, por exemplo, uma década como a de 60, quando surgiram na poesia brasileira poetas tão diferentes e independentes como Leonardo Fróes, Roberto Piva, Sebastião Nunes, Orides Fontela, Sebastião Uchoa Leite, Oliveira Silveira e Torquato Neto?
Ao final da década de 80 e através da década de 90, tentou-se instituir uma narrativa historiográfica que criava uma rivalidade razoavelmente fictícia na década de 70, numa luta por hegemonia crítica que por muito tempo fez da década o período oficial de um único grupo de poetas, ao qual foi dado o rótulo de "poesia marginal". No entanto, os poetas ativos naquela década e que hoje parecem mostrar a maior vitalidade poética aos olhos dos poetas mais jovens podem apenas com muito esforço, e em um discurso crítico que impede uma compreensão mais ampla de seus trabalhos, ser encaixotados juntos sob qualquer rótulo limitado, que invariavelmente apaga as diferenças que fazem dos poetas seres individuais, ainda que ligados a estéticas coletivas. É ainda hábito em certos setores, por exemplo, referir-se à poesia marginal, no singular, sem qualquer discernimento crítico que compreenda as características particulares de poetas como Ana Cristina César, Chacal, Eudoro Augusto ou Francisco Alvim, tão diferentes uns dos outros.
A obra de um poeta como Paulo Leminski já foi conectada pela crítica tanto aos poetas do pós-concretismo paulista, como aos marginais cariocas. Outros grupos contemporâneos têm reivindicado a candidatura e filiação de Leminski para seus partidos poéticos. Nada disso ajuda-nos a compreender a singularidade de sua poética, que passa por um texto denso e plurilingüista como o Catatau, e ainda por sua poesia conscientemente questionadora das trincheiras entre formalismo e informalidade, em livros como Caprichos e relaxos ou Distraídos venceremos, títulos bastante sugestivos da atitude artística de Leminski, que jamais cedeu a um experimentalismo racionalista estéril e conceitual, e é um dos poetas brasileiros do pós-guerra que melhor compreenderam a lição de Pound - a de que “only emotion endures”.
Se o agrupamento de poetas ajuda sua recepção crítica imediata, a longo prazo tal postura apenas nubla a compreensão crítica de suas obras, lançando às sombras muitas vezes os melhores poetas da manada. Já se passaram mais de 30 anos desde as estreias de alguns destes poetas da década de 70.
Porém, se apenas nos últimos anos começamos a saber separar e discernir entre nossa compreensão da obra de Haroldo de Campos e a de Augusto de Campos, e estas da obra de Décio Pignatari (enquanto as de Ronaldo Azeredo, Pedro Xisto e Edgard Braga, por exemplo, permanecem infelizmente comoapêndices de núcleos), talvez precisemos esperar ainda 20 anos mais para vermos as obras de Paulo Leminski, Ana Cristina César, Francisco Alvim ou Afonso Henriques Neto compreendidas em suas particularidades.
Este discurso por rótulos e trincheiras precisa ser suprimido, pois só assim poderemos compreender e fazer justiça a uma década em que surgiram poetas tão importantes e diversos entre si, como Paulo Leminski, Wally Salomão, Duda Machado, Afonso Henriques Neto, Elisabeth Veiga, Ronaldo Brito, Eudoro Augusto, Ana Cristina César ou Júlio Castañon Guimarães, entre outros. Tal lista tampouco se quer como proposta canônica.
O que nos interessa em Paulo Leminski, o que nos parece útil como jovens poetas, é justamente sua capacidade inigualável de manter uma alta qualidade composicional, sem perder de vista o leitor com quem estabelece a sua poesia, em poemas que caminham na corda bamba e deliciosa como fronteira que ainda se faz sentir entre escrita e oralidade, com Leminski equilibrando-se entre o experimentalismo e o lirismo que remonta à tradição trovadoresca. Também por um motivo importante: Paulo Leminski fazia tudo com fúria e humor.
Não queremos saquear sua aura de autoridade, nem incluí-lo em antologias em que surgiríamos como seus herdeiros, legitimados por sua presença. Temos apenas a grande certeza de que Paulo Leminski é um dos poetas mais úteis e necessários da atualidade.
--- Ricardo Domeneck
Paulo Leminski nasceu em Curitiba, como todos já deveriam saber, e aí mesmo morreu, pouco antes de completar 45 anos. É um dos poetas brasileiros, surgidos após a década de 50, de maior influência entre os poetas das décadas seguintes. À época de sua morte, já havia conquistado um lugar de destaque e relevo na poesia brasileira do pós-guerra.
Seus livros mais importantes foram publicados na década de 70, um momento de embate poético dualista, entrincheirado entre noções poéticas que passaram a ser narradas por muito tempo como se numa batalha por hegemonia, tanto por parte de poetas ligados às neovanguardas brasileiras do pós-guerra (baseados em grande parte em São Paulo), como por aqueles que ficaram conhecidos como poetas marginais, que poderíamos chamar de Grupo do Mimeógrafo, baseados no Rio de Janeiro. A insistência nestes rótulos faz cada vez menos sentido, mesmo que alguns poetas ainda dependam deles para manter sua narrativa dualista nos dias de hoje (especialmente em SP). Porém, para os que não estão interessados primordialmente em escolas e grupos, sabendo que uma contextualização crítica e est-É-tica precisa ir além disso, as décadas de 60 e 70 começam a mostrar-se em sua verdadeira complexidade. Como rotular, por exemplo, uma década como a de 60, quando surgiram na poesia brasileira poetas tão diferentes e independentes como Leonardo Fróes, Roberto Piva, Sebastião Nunes, Orides Fontela, Sebastião Uchoa Leite, Oliveira Silveira e Torquato Neto?
Ao final da década de 80 e através da década de 90, tentou-se instituir uma narrativa historiográfica que criava uma rivalidade razoavelmente fictícia na década de 70, numa luta por hegemonia crítica que por muito tempo fez da década o período oficial de um único grupo de poetas, ao qual foi dado o rótulo de "poesia marginal". No entanto, os poetas ativos naquela década e que hoje parecem mostrar a maior vitalidade poética aos olhos dos poetas mais jovens podem apenas com muito esforço, e em um discurso crítico que impede uma compreensão mais ampla de seus trabalhos, ser encaixotados juntos sob qualquer rótulo limitado, que invariavelmente apaga as diferenças que fazem dos poetas seres individuais, ainda que ligados a estéticas coletivas. É ainda hábito em certos setores, por exemplo, referir-se à poesia marginal, no singular, sem qualquer discernimento crítico que compreenda as características particulares de poetas como Ana Cristina César, Chacal, Eudoro Augusto ou Francisco Alvim, tão diferentes uns dos outros.
A obra de um poeta como Paulo Leminski já foi conectada pela crítica tanto aos poetas do pós-concretismo paulista, como aos marginais cariocas. Outros grupos contemporâneos têm reivindicado a candidatura e filiação de Leminski para seus partidos poéticos. Nada disso ajuda-nos a compreender a singularidade de sua poética, que passa por um texto denso e plurilingüista como o Catatau, e ainda por sua poesia conscientemente questionadora das trincheiras entre formalismo e informalidade, em livros como Caprichos e relaxos ou Distraídos venceremos, títulos bastante sugestivos da atitude artística de Leminski, que jamais cedeu a um experimentalismo racionalista estéril e conceitual, e é um dos poetas brasileiros do pós-guerra que melhor compreenderam a lição de Pound - a de que “only emotion endures”.
Se o agrupamento de poetas ajuda sua recepção crítica imediata, a longo prazo tal postura apenas nubla a compreensão crítica de suas obras, lançando às sombras muitas vezes os melhores poetas da manada. Já se passaram mais de 30 anos desde as estreias de alguns destes poetas da década de 70.
Porém, se apenas nos últimos anos começamos a saber separar e discernir entre nossa compreensão da obra de Haroldo de Campos e a de Augusto de Campos, e estas da obra de Décio Pignatari (enquanto as de Ronaldo Azeredo, Pedro Xisto e Edgard Braga, por exemplo, permanecem infelizmente comoapêndices de núcleos), talvez precisemos esperar ainda 20 anos mais para vermos as obras de Paulo Leminski, Ana Cristina César, Francisco Alvim ou Afonso Henriques Neto compreendidas em suas particularidades.
Este discurso por rótulos e trincheiras precisa ser suprimido, pois só assim poderemos compreender e fazer justiça a uma década em que surgiram poetas tão importantes e diversos entre si, como Paulo Leminski, Wally Salomão, Duda Machado, Afonso Henriques Neto, Elisabeth Veiga, Ronaldo Brito, Eudoro Augusto, Ana Cristina César ou Júlio Castañon Guimarães, entre outros. Tal lista tampouco se quer como proposta canônica.
O que nos interessa em Paulo Leminski, o que nos parece útil como jovens poetas, é justamente sua capacidade inigualável de manter uma alta qualidade composicional, sem perder de vista o leitor com quem estabelece a sua poesia, em poemas que caminham na corda bamba e deliciosa como fronteira que ainda se faz sentir entre escrita e oralidade, com Leminski equilibrando-se entre o experimentalismo e o lirismo que remonta à tradição trovadoresca. Também por um motivo importante: Paulo Leminski fazia tudo com fúria e humor.
Não queremos saquear sua aura de autoridade, nem incluí-lo em antologias em que surgiríamos como seus herdeiros, legitimados por sua presença. Temos apenas a grande certeza de que Paulo Leminski é um dos poetas mais úteis e necessários da atualidade.
--- Ricardo Domeneck
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