Escritas

Lista de Poemas

A erudição, quando não é

A erudição, quando não é uma chave para a sabedoria, enferruja.
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A alma não cabe na

A alma não cabe na memória dos computadores nem se enquadra no paraíso do consumo. O mistério do Ser escapa às tecnocracias.
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A literatura é o universo

A literatura é o universo paralelo da vida. Em certos casos mais criativa do que ela. O personagem é a antimatéria do leitor.
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Somos vocábulos na literatura dos

Somos vocábulos na literatura dos deuses.
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Neste momento de tanta angústia

Neste momento de tanta angústia o livro torna-se a tábua possível de resistir ao naufrágio e comandar marés. Cabe a ele a missão de povoar solidões.
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Que mania de se falar

Que mania de se falar difícil sobre coisas fáceis.
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Quando através de uma senha

Quando através de uma senha percebemos que um pouco de nós nos espreita no fundo do outro, e que a terra prometida são algumas pessoas que temos a vidência de pressentir, passamos a nos sentir em casa. O verdadeiro encontro é aquele que confirma algo que trazemos em nós. É conhecimento e reconhecimento daqueles que podem livremente fluir uns nos outros.
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Vida e poesia se comunicam

Vida e poesia se comunicam através de túneis de palavras.
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Só amando nos renovamos.

Só amando nos renovamos. O êxtase é a única linguagem comum a todo o infinito. É o alimento do efémero e do eterno. Através do amor o humano se diviniza e o divino se humaniza.
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Redescoberta

Não há idade,
Apenas um rio voluptuoso,
Correndo para trás.
Em suas águas mornas
Ruas antigas deságuam
Com casas, rostos e melodias
Que, no retorno ao tempo,
Se redescobrem.
Nas margens do rio,
Um velho cinema exibe
Um filme sem atores.
As cadeiras estão vazias,
Somente a frisa vive,
Como, se medrosas mãos adolescentes,
Se encontrassem na treva,
Formando molduras douradas.
Na torrente que regressa
O pátio do colégio insula-se
Há frio e solidão
Na merenda infantil.
Além, uma bola bate nos vidros do dia,
E um trem regressa
Com cafezais florindo na fumaça.
Das águas que correm como sangue,
Surge uma casa, e um realejo toca,
E os retratos voltam a viver,
A falar como avós,
A ter os cabelos brancos despenteados
Pelo vento que sopra com mãos de brinquedo.
Depois,
Os lampiões vão-se acendendo
E, em calçadas bruxuleantes,
Os heróis regressam
Com rosas rubras no capacete
E lírios nascendo no caule dos fuzis.
E o rio caminha
Para trás;
Em seu leito
Bolas de vidro colorido
Rolam como seixos;
O menino tacteia-se na noite,
Sente a febre que molda o rosto,
E mergulha no tempo
Para sempre!


Publicado no livro Ramo de Rumos (1961).

In: BOMFIM, Raul. Antologia poética. São Paulo: Martins, 1962. p.152-15
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