Lista de Poemas
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João Cotrim
02/12/2007
ignorante pois serei,
e por nada saber
ignorante queria ser,
para desconhecer esta ignorância,
e tudo o que ela me fez perceber...
felizes tempos de infância,
em que o tempo passava a correr,
enquanto aquilo a que dava importância,
acabou por se esquecer
nas vulgares questões do ser,
no constante vai e volta
da minha intermitente consciência,
na palavra que se solta,
de quem vive na indolência,
numa alma que se revolta,
com toda esta displicência.
Jéssica Iancoski
Sobre se fundir | Poema Gráfico
ALGUMAS FUSÕES,
PODEM SER COM:
COM...FUSÕES
COM...PULSÕES
COM...PAIXÕES
COM...PLOSÕES.
marcelobessa
Eae
Eae, você pode dizer se você conseguiu seguir a sua vida, desde a última vez que eu disse tchau?
Eae, me fala, quando eu fui embora,como foi pra você depois?
Eae, você ainda vai naquele restaurante e pede um jantar pra dois?
Eae, aposto que você me esqueceu rápido também, mas teve seus momentos...
Eae, você também foi pro cinema, mas pagou a menos porque não pediu dois assentos?
Eae, depois de algum tempo, você também me esqueceu e viu que não era tão fraca assim?
Eae, você também depois olhou pra trás, coletou os meus erros e começou a nutrir um ódio sobre mim?
Eae, você também botou a culpa em mim por naquele momento estar sem chão?
Eae, você por acaso quis se aproximar dos meus amigos pra machucar meu coração?
Eae, pra parar de ouvir minha voz também procurou uma som alto de balada?
Eae, mesmo você sabendo que não tinha volta, chorou por minha causa na madrugada?
Eae?depois do que foi, como vai ser?
Será que teremos uma oportunidade de se reconhecer?
Eae
Jéssica Iancoski
UM ADEUS KAROL | POESIA BRASILEIRA ATUAL | POEMA SOBRE DESPEDIDAS DO MUNDO
Vi Karol não mais
Que sete vezes
Em uma delas
ela me disse para não ter vergonha
dos meus peitos caídos:
- são marcas da vida!
Mas agora ela se cansou das próprias marcas
se mudou proutro lugar
e lá ninguém mais pode levantá-la.
Não desistiu,
mas cansou de tentar a sorte
e pintou o sete.
Karol não sabe a falta
que fará nessa cidade
ou até sabe:
pra todas as sete artes
há antes sete capitais
ante as virtudes
depois os pecados das partes.
Mas tal pecado semelhante
foi da vida
ao querer obrigar tanto sofrimento
a tanta gente, tanto genesis inocente.
Deus me livre Karol
ter sete vidas nesse imundo:
São sete vezes que o fundo finda,
São sete vezes para todas as idas.
www.jessicaiancoski.com
leyawalken
CÉUS DE OUTONO

Amanhecemos, e este céu não amanhece!
Honoré DuCasse
Aforismo
Mas é isso que nos separa no preconceito
e nos une na mortalidade
Matheus Dantas
CORDIALIDADE FIDEDIGNA
Pois transmite, a sensitividade que precisa ressurgir nesta aglomeração de deveres
Para que não se repita as mesmas balelas de arrependimento,
Que se opõe a posição hodierna da qual as emoções adquirem.
À partir de uma organização faltante de desejos,
No qual se delimita numa característica sem vida.
Exposta as aleatoriedades que o exterior lhe oferece,
Sem ter infelizmente uma convicção direta.
Já que esta motivação louvável na qual era admirada,
Transformou-se numa visão esnobe de orgulhos imprudentes.
Transcrita para engradecer o antro humanístico,
Que aprensenta a inocência da qual fora incumbida de permanecer falecida.
Com a ausência duma ordem de liberdade
Presa nas garras da dubiedade instigante.
Haja vista que se tornaram ineficazes;
Ante a uma composição imediatista,
Que se regulamenta nas hodiernas fisionomias.
Pelo qual se depara, sobre o ódio contido
Pronto a envenenar os conceitos perenes nesta supremacia gananciosa.
Situando-se entre o equívoco,
De se estar vivendo nas interações destruídas num tempo passageiro.
Onde a objetividade deste contexto encontra-se obsoleto,
Enquanto há o flerte com a loucura.
A fim de intitular novas considerações de essencialidade,
Apoiadas na ternura concebidas pela efemeridade.
São Paulo - SP
12/03/2020.
Lucas Menezes
Ela pra mim
É a maquiagem pro Kiss
É a Ipanema pro Tom
É o peixe grande pro Tim
É o amarelo pra faixa
É o azul pro céu
É o preto pra Pérola
É a independência pro Padre Miguel
É o verde pro Marcelo
É o espelho pro João
É a onda pro Cassiano
É a sétima corda pro violão
É a palhetada pro Hendrix
É a margem pro Ferréz
É a cor pro Djavan
É o improviso pro Jazz
É o breque pra bateria
É o Patriarca pro Vantuir
É o templo pra Udaipur
É o tempo pro Dalí
É o cortiço pro Aluísio
É a água pra Dona Celestina
É a viola pro Paulinho
É a cuíca pro China
É a serotonina pro químico
É a anatomia pra Meredith
É a fruta pro Arcimboldo
É o cachimbo pro Magritte
É o morro pro Bezerra
É a ginga pro malandro
É a área pro Romário
É a Pessoa pro Fernando
É o líquido pro Bauman
É o instrumento pra seresta
É o sereno pro boêmio
É a poesia pro poeta
Antonio Danilo Herculles
Poesia de ment-ira
Mentira!
Todos aqueles que diziam ser poeta.
Pois essa mente tem de vir de algum lugar.
Mentira!
Pesca e quando colhe tira d'água,
Uma parte da vida que se dá.
Mentira!
Cá está a poesia, lírica, ética, sensual.
A fonte de virtude humana que se tenha viva
Em tantos a tirar da mente a mentira de sonhar..
Mentira-lá!
Uma tira de lá desse sonho azul, hoje tive de viver na mente
Acordei ciente e estava crente que ia se acabar..
Mentira!
Pensei até numa miragem antiga que viria me a-curar...
Toda a vida fala e sente e de repente tende a se acabar.
Mentira-lá!
Na tira da vida que se dá, apenas deixe se mostrar
A vida repentina do que há, a vida matutina de um gostar...
Mentira!
Poesia na mente é ira, e virá!
Deixe está!
Matheus Dantas
SINAS DO RECOMEÇO
Num encontro do anuviamento incompreensível de se entender
Assemelhando-se aos motivos tênues dessa dor,
A qual, se intitula como um parecer da estultícia constante
Internalizando-se na tu'alma certos contrastes minuciosos.
Possivelmente, a paciência é o principal fator ausente nesse período contínuo e vertiginoso
Durante a existência, sem consciência da tristeza ininterrupta
No qual, foi instaurada numa alma necessitada de afeição com traços álgidos.
Tornando-se a solitude, somente a consequência da exclusão arbitrária da felicidade
Que não pôde obter, mesmo tendo tantas tentativas frustradas
Acarretando a desistência premeditada, sem uma perspectiva a prosseguir.
Mas atente-se aos pássaros, que permeiam esse firmamento omisso a empatias
Veja que elas voam intensamente sem conter a característica ansiosa,
Ao qual essa sensação matiriza à muitos;
Propondo somente a vivência com sagacidade.
Prosseguindo mediante ao passado ou o futuro que as convém,
Transformando-se num ensinamento talvez simplista
Porém reconfortante, aos entusiastas que avistam à paz do porvir.
São Paulo - SP
05/01/2020
Thaís Fontenele
Cartas à Paris
CORASSIS
A morte não absorveu

Não descanso em
Castelo algum após uma vida de plebeu.
Mas quem tem vida sabe,
Que a morte em vida, ainda não o absorveu.
O mundo não contamina
Apesar da expectativa da alcateia.
Podemos modificar a atmosfera ruim do planeta coração.
Mesmo o lobo mestre
Fazendo uma prece ruim
Não desista cordeiro bom
Este triste terá o seu fim
O rebanho sabe ,
Todos continuamos plebeus
Quem tem vida sabe ,
Que a morte não o absorveu.
sebastiao_xirimbimbi
Meu Lugar
Talvez ele esteja em seu olhar
Talvez na brisa do mar
No amor que tens pra me dar
No coração disposto a me amar
Estou tentando encontrar o meu lugar
Talvez ele esteja na luz do luar
Na letra da música que recusei-me a cantar
Nos braços da mulher que neguei amar
Nos lábios molhados que não tive coragem de beijar
Estou tentando encontrar o meu lugar
Talvez ele esteja no corpo da jovem com quem eu neguei me deitar
Nas palavras que deixei de falar
Na música que deixei de escutar
Na beleza encantadora da mulher que deixei de olhar
Talvez eu nunca encontre o meu lugar
Mas ainda assim continuarei a procurar
Pelo meu misterioso lugar.
Por: Sebastião Xirimbimbi
Mônica Leite
(A)temporal
Depressa devagar e não para
O incalculável momento do encontro
Aproveitá-lo por centésimo e não desperdiçá-lo
É o meu desejo maior: ter tempo ao seu lado
O nosso maior tesouro, o tempo
É o q tínhamos, e tu tiraste de mim
Levou-o
E te amando como sempre amei
Não pude negar esse pedido e dei
Foi um presente precioso
Atemporal
Nosso tempo
Vejo o tempo e passa
Depressa devagar e não para
Agora contemplo o nada
Sozinha.
Jéssica Iancoski
Nunca se Mediu Com Choro | Poema sobre Tristeza

Não é Preciso
Chorar para
estar sofrendo.
Tristeza nunca se
Mediu
com
choro.
CORASSIS
Era incerta II

A peste que investe e silencia
Pedro Paiva
AS ROSAS
Quando soberbas, as rosas são lindas.
Se delicadas, são charmosas.
Belas, as rosas não são vaidosas.
Elas são cheias de ternuras infindas.
Banhadas de orvalhos, abrem as pétalas sorrindo.
Meigas se rendem às blandícies de mãos carinhosas.
Rosas noctívagas, oh, noctívagas rosas!
pelas noites perfumes vão espargindo.
Mesmo sendo lindas, têm espinhos as rosas
e podem ferir os corações incautos, descuidadosos
ao toque mais sutil e indelicado.
Assim como as rosas também me inclino
às carícias amorosas, ao afago divino
das mãos e beijos cálidos da mulher amada.
tiamat
A silenciosa conquista.
Por dentro
Por fora
Consigo ouvir pulsar
Para dentro mergulho
Vim te curar
O vício no silêncio se perdeu
Faz-me aquietar
Maravilhoso mundo meu
Voltei para ficar
CORASSIS
Melancolia

Num mundo de intranquilidades
Muitas ilusões
Sonhos não são realizados
Vida melancolica
Na linha de partida
Ser ou não
Demais solidão
Solidão que também
É nossa inimiga
mundo confinado
E sem rumos
É preciso lacrimejar até
A lágrima não derramada
Para não ser consumado
Na linha de chegada
Pois é necessario continuar
shadowoftheworld
Sozinha
Ficar mais um pouco
Sozinha
Ah, a calmaria!
ngm_liga
Ansiedade
O trauma é amargo, e não sei lidar.
Escrevo por necessidade. Como forma de me fortalecer. Preciso de força. Desse movimento das letras com a ansiedade. Dessa dança catártica. Da desidentificação.
Porque eu não sou ansiedade.
Gabriel Guerra Lobos
Mais um que ninguém vai ler
Gabriel Guerra Lobos
Filipe Malaia
Naufrágio
E não é água nem sangue o que de meu corpo escorre
São memórias que fugindo, correm p’ra nenhum lado
Pelo rio da minha alma que enfim se esgota e que morre
Como um estranho sentimento amargurado
Que lentamente pelo presente me percorre
Que por mim passa…, e o que decorre
Afunda-se, enfim, lívido, cansado
De ser no tempo a solidão que o rio sustenta
Ou quiçá o fantasma atormentado
Pela bruma cega que na escuridão inventa
O espírito que sou, alucinado
Se sou só vento, leve-me a tormenta
Esvaído de mim mesmo, naufragado.
Paulo Sérgio Rosseto
A IRMÃ GÊMEA DE MINHA IMAGEM
Caminha em forma de sombra em mim grudada
E a cada gesto meu transfigura-se tão rara
Que ninguém percebe de tão comum
E se apercebe nem repara
Por vezes retém dedos e traços
Esconde braços, confunde o dorso
Camufla o esqueleto
Deturpa os reféns detalhes da face
Em face ao que de mim se amolda e sobra
Mas ela, a minha sombra, não é meu lado ruim
E sim o retrato oposto à luz que me alumia
Que nem ofusca, enaltece ou contradiz
Por não ser translúcido o frasco
Não significa o desenho que o povoa
Esquivar-se sem forma e beleza
Deixar de ser intenso ou grato
Nem fantasma, opaco, nem ser nada
Diminui ou aumenta o que se preza
A minha sombra vai por mim
A cantos etéreos onde a alma iria sozinha
Mas não se assombra, apenas desalinha
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