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natalia nuno

natalia nuno

meu pé descalço... prosa poética

vamos passando os dias a sonhar, vamo-nos rindo nos momentos de ilusão, e, há momentos em que cismamos que havemos de ser felizes, é que nem sempre a felicidade está presente... então, tomei ao tempo um tempo para sonhar, sem deixar que ele perturbe os meus sentidos...e na poesia quero soltar o que me vai na alma...minha história é tão antiga que algumas coisas já esvaziei da memória, sou então como uma jarra antiga onde as flores foram morrendo enquanto o pó foi crescendo sobre os móveis, agora tenho os cabelos brancos e a solidão me pegou. Mas, neste tempo que tomei ao tempo vou arrumando sentimentos e deixo que a tarde caia sobre meu rosto, tomo o atalho do meu coração que me leva às lembranças, revisito os cantos da minha aldeia e sinto-me uma andorinha acabada de chegar, trazendo nos olhos a primavera, estou descalça para não chegar tarde que o sol está a cair, já avisto o vermelho dos telhados, ouço o eco dos sinos e ao longe o verde dos frondosos salgueiros da beira rio...já ouço o cão ladrar dando sinal que alguém está para chegar, ele que foi testemunha da minha alegria de criança, lá está o portão que ainda chora o meu adeus, não sei se entre! É que as paredes do meu quarto devem ter humidade o tempo não se esquece de fazer danos, mas a saudade obriga-me a entrar, dou volta à chave, lá está a minha cama estreita nela já ninguém se deita, abro a janela espreito por ela o rio que canta a mesma melodia... e ele me olha como se visse ainda a menina esguia que nas águas se banhava e lá em baixo a horta que eu pensava estar morta de sede, e qual não é minha surpresa... meu pai a regar, olhou-me e afagando-me com o olhar deixou-me saudosa no tempo...
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natalia nuno

natalia nuno

o tempo põe e dispõe...

despenha-se a alma no vazio
desprendendo-se inteira
extinguindo-se,
deixando o corpo no calafrio,
como um sol que regressa à sua fonte
sumindo-se no horizonte...
não sou nada neste silêncio arrebatado
neste vazio solitário
onde meu corpo ficou esquecido
e o coração encerrado.

comovido a chegar ao fim meu dia,
caminhei exausta por entre labaredas
de melancolia,
adormeço em vão, nestes dias perdidos
um a um, vivo dum resto de ilusão
o tempo põe e dispõe
enquanto o coração recolhe a dor
duma saudade triste que faz doer

com esperança sempre a irromper
em mais um dia a morrer
rasgo o medo que envelhece
e logo outro dia amanhece....

natalia nuno
rosafogo
288
natalia nuno

natalia nuno

a dúvida...

Dias cheios de nada
a porta aberta de par
em par
anda a vida agastada
gritando suas dores
algumas dúvidas algumas certezas
e eu amando até ao delírio
já esqueci
se me sorriste, se me olhaste
essa interrogação me ponho...
Será que me amaste?
Ou foi apenas sonho?

Neste tempo sério
o silêncio me envolve
já tudo é mistério
eu a vivê-lo porque te amo.

natalia nuno

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natalia nuno

natalia nuno

pensamento...

A saudade fere o peito, quando a madrugada chega vazia...é como se o mundo ruísse...na última sombra da noite!

natalia nuno
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PÉRICLES ALVES DE OLIVEIRA - THOR MENKENT

PÉRICLES ALVES DE OLIVEIRA - THOR MENKENT

EU NÃO ERA ASSIM

Antes eu não era assim,
antes eu vivia melhor,
antes eu brincava e sorria mais,
antes eu amava mais,
antes eu sonhava mais,m
antes eu tinha mais esperanças,
antes eu até acreditava em contos de fadas.
Agora me transfomei nisso,
num monte de razão que se preocupa,
se mede os próprios movimentos,
que pensa demasiado e, que, por conseqwência,
erra demasiado;
portanto,
é indiscutível, triste e dolorido
constatar que, quando mais avançamos no tempo,
mais cegos ficamos quanto
à puerícia e à sublimidade!
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kleitonandrade

kleitonandrade

7 partes da vida

Minha Vida se dividi em 7 parte

1- Ficar sem vc
2-Ficar sem te ver
3-Ficar sem te abraçar
4-Ficar sem te ouvir
5-Ficar sem sentir
6-Ficar sem viver
7-FIcar sem te amar

Nas 7 partes da minha VIda o "Te" E importante pq

TE DESEJO
TE QUERO
TE AMO
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natalia nuno

natalia nuno

memórias de mim...

A memória é um fiel espelho, guarda tudo num cofre profundo e duradoiro e põe o coração no peito a bater melodiosamente com as reminiscências de muitos anos passados, fazendo com que seja abolida a distância quando recordamos...às vezes penso ter tudo perdido, mas num instante volto a reviver tudo de novo e são relíquias as recordações que amo, porque amei outras pessoas, outras coisas, que não passaram por mim em vão, mas que partiram fustigadas pelo vento da vida, são realidade passada, mas duradoiras dentro de mim para sempre.
Ressuscito o passado nas mais pequeninas coisas e aí a imaginação também se liberta e eu fico fora do tempo, descobrindo assim a minha essência e arragando-me às lembranças, às raízes, e tudo isto é como pão com manteiga para mim, saboreio cada instante que a memória me permite com entusiasmo e sinto a inspiração brotar com palavras maleáveis, doces, sem barreiras, como flores abrindo-se ao sol do meio dia e assim escrevo com entusiasmo as vivências de outrora...encarcero-me de livre vontade na solidão, quieta, feliz por dentro, arrepiando caminho ao encontro de cheiros e afectos, puxando forte pela memória.

natália nuno
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Jonatan Carlos Reis

Jonatan Carlos Reis

Apenas mais um conto de amor de um cotidiano violento

Vou apresentar a vocês, a história de um casal, Abel e Maria.
Maria era uma mulher espetacular, pernas grossas, seios fartos, cabelos negros e longos, até a altura da cintura. Olhos penetrantes, apaixonantes, tinha uma boca deliciosamente desenhada. Era uma mulher alta, em torno dos seus um metro e setenta, um espetáculo, porém, era uma mulher muito tímida, não usava uma saia acima do joelho, sentia vergonha.
Estava sempre acompanhado de seu fiel marido, Abel.
Abel era um senhor, 17 anos mais velho que Maria. Abel era daqueles caras a moda antiga, sempre impecável em suas vestes, sempre de social. Usava um bigode volumoso, negro, que contrastava com seus fios de cabelos brancos que restavam nas laterais de sua cabeça. Eles haviam se conhecido em uma festa de casamento, onde ambos foram padrinhos. Na época, Maria com 18 e Abel com 35.
Aos olhos da sociedade, formavam um casal ideal, de dar inveja. Tinham uma filha de 05 anos, Isabelle. Também tinham uma ótima casa, daquelas casas com quintal grande, grama bem aparada, algumas roseiras e outras flores. Eles Tinham um bom carro, cachorros, gatos, pássaros em gaiolas. Uma típica família cafona, dessas de seriado de tv.
Mas o que para a sociedade parecia ser o casamento ideal, para Maria, era um pesadelo. Sempre rodeada de ciúmes, preconceitos, vindo do marido. Abel era um cristão, rígido e autoritário. Ela não podia passar um batom com uma cor um pouco mais forte, ou usar uma roupa um pouco que deixava o seu corpo um pouco mais amostra, que Abel já surtava, e às vezes, chegava a agredir Maria, fisicamente. As agressões psicológicas eram constantes, quase que diariamente. As únicas horas em que Maria se via livre da estupidez e ignorância do marido era enquanto ele trabalhava, na hora de dormir e na Igreja, nos cultos.
Maria tinha um corpo escultural, mesmo debaixo daqueles vestidos longos e folgados, você via uma beleza esplêndida, Sem falar da simpatia que a moça era, uma mulher de uma beleza exterior e interior de dar inveja a muitas outras. Seu marido saia cedo para trabalhar, em tordo das seis da manhã. E chegava tarde, principalmente depois de ter recebido uma promoção, havia subido de cargo, chegava sempre depois das vinte horas. Enquanto isso, Maria ficava em casa, cuidando de sua filha, das roupas pra lavar, a maioria, roupas de Abel, que tinham que estar sempre impecáveis. Maria passava a maior parte do dia lavando e passando as roupas de seu marido. Além disso, também tinha a obrigação de cuidar de seus animais domésticos, de suas flores, de sua casa. Só esquecia-se de cuidar de si mesma
Certa noite, ela resolveu fazer uma surpresa para o marido, Maria estava louca de tesão, queria transar, fazer amor. Fazia pelo menos dois anos que o casal não mantinha relações sexuais. Ela já não aguentava mais aquela situação, mas não queria magoar o marido. Então ela teve uma grande ideia. Maria foi às compras, foi até uma loja de lingerie, entre vários modelos, escolheu a peça mais bonita da loja, também a mais cara. Era um Baby Doll, de cor vinho, todo feito em seda. Saiu da loja e foi a perfumaria, comprou perfume, batom, maquiagem, tudo novo, estava ansiosa para a surpresa que faria a Abel. Maria pediu para a sua Mãe cuidar da neta, naquela noite. Para que pudesse ficar a sós com o marido e aproveitar aquela noite.
Maria se arrumou esplendidamente, estava impecável. Seu baton combinando com o Baby doll cor de vinho. Seus seios quase salvavam da peça. A polpa da bunda aparecendo sutilmente debaixo daquele lingerie excitava qualquer marmanjo. Estava linda, cheirosa, gostosa, pronta para se entregar para Abel. Deu oito horas, horário em que Abel costuma a chegar a casa, porem, não chegou. Quarenta minutos se passaram e nada do marido, Maria começou a ficar preocupada, pois Abel era pontual, como um inglês.
Maria resolveu pegar um taxi e dar uma volta pela cidade, atrás do marido. Quando depois de 20 minutos rodando, viu seu marido no portão de uma casa, em um bairro afastado. Eles estavam aos beijos e abraços com outra mulher, pareciam já ter bastante intimidade. Abel bolinava sua amante, pegava em seus peitos, em sua bunda, em plena calçada. Maria não reconhecia mais o marido. Eu um surto de ódio, tristeza, frustração, Maria entrou no Taxi e voltou para a casa.
Chagando em casa, pediu para que o taxista esperasse um pouco, pois precisaria buscar sua filha na casa da mãe.
Ela entrou se olhou no espelho, viu sua maquiagem borrada. Começou a se maquiar, novamente, olhou para o Baby Doll que havia tirado, resolveu colocar, finalizou com um perfume e foi em direção ao taxi.
O taxista, sem reação ao ver aquele mulherão de baby doll vindo em sua direção, perguntou se ela ainda iria buscar a filha ou ele estava dispensado. Maria não respondeu, simplesmente deu um beijo longo e molhado no taxista, do lado de fora da janela, segurou em seu pau e começou a acariciar. Puxou o taxista pra fora e em uma questão de segundos, eles estavam em cima da cama de Maria e de Abel.
Maria trepava com o taxista, pulava em cima dele como se estivesse sem sexo a anos, e estava. O taxista, um rapaz jovem, simples e de boa aparência, começou a dar a Maria àquilo que ela tanto queria. Os dois estavam trepando, loucamente, um chupando o outro, gozando junto o momento. Maria estava de quatro, o taxista, bombando com toda força por traz, quando de repente, um disparo, um estampido.
O taxista cai ao lado de Maria, com seu crânio estourado, Maria vira se e olha, vê seu marido, de pé, com uma arma na mão. Sem chance de defesa, Abe dera 3 tiros em Maria. A Bela Maria morreu na hora.
Abel ficou ali, parado, olhando para os corpos. Aproximou até Maria, deu lhe um beijo na boca e um tapa no rosto e um tirou em sua própria cabeça.

FIM
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natalia nuno

natalia nuno

quando o sol dorme...

quando o sol dorme
mato um pouco de desespero
falando com a solidão,
vou até à esquina de mim e assim
deixo que o coração
fervilhe de sentimentos, embora saiba de antemão
que a noite arrefece o corpo e os pensamentos.
logo o verde dos meus olhos vai até
onde começa o dia, e brilha deslumbrado
como se fosse um verde prado
onde crescem giestas,
e onde há linguagens em festa.

quando o sol dorme
há pássaros nos meus dedos
que sabem a direcção dos ventos
arautos dos meus pensamentos
e no verde dos meus olhos, vai-se apagando a neblina
logo ouço ao longe os trinados
que trago na recordação de menina

quando o sol se deitar mais cedo
e a vida a beber o ultimo trago, a esvair-se
o verde dos meus olhos fechar-se-á a medo
de não voltar a abrir-se
não voltará a sentir a opalescente luz matutina
nem recordará mais a imagem da menina
ah se o sol não tivesse adormecido
e o verde dos meus olhos empaledecido,
nem as opalinas luzes me entrassem na alma,
causando esta obscuridade
não morreria hoje de saudade!

natalia nuno
rosafogo
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natalia nuno

natalia nuno

se adormeço...

O meu Mundo acaba, quando surge o desalento
Os sonhos deixam de esvoaçar, mas os reenvento.
Cresce em mim uma dúvida e é tal a obscuridade
Que adormeço num sono de morte
Aí imploro imortalidade.
Abandono-me neste sonho, caminhando sem norte.
Ao longe já as estrelas se apagaram.
Restam na minha alma rumores de vento
No seio do sonho, seres que me amaram
Tudo eu carrego para meu tormento.

Entro num rio de margens pouco seguras
Que me atraem na sua direcção
E lá volto às minhas loucuras
E a sofrer de novo, fica o coração.

Quando alguém me acorda para que regresse
Volto ao mundo real de onde minha vida depende.
Por ele passa o tempo a galope e me esquece.
E tampouco, nem ele, nem ninguém me entende.

natalia nuno


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Sirlânio Jorge Dias Gomes (R)

Sirlânio Jorge Dias Gomes (R)

Ludíbrio

Se não tinhas a intenção de me amar,
Não deverias ter batido a minha porta,
Nem tampouco me fazer juras de amor,
Depois ir embora em total desprezo.
Se não me querias,
Não deverias ter açoitado meu corpo,
Com seus galanteios,
A ruborizar minha face fragilizada,
Deleitosa em seus cortejos.
Maldito és ingrato mancebo,
Que as escondidas no limbo da noite,
Arrebatou minha pureza,
Me fez refém dos seus carinhos.
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natalia nuno

natalia nuno

cerca-me a saudade...

cerca-me a memória a saudade
que não me abandona
como brisa que me traz a linguagem das flores
e o harmonioso tempo da felicidade,
e dos amores,
atravessa esta paisagem de estio que é meu corpo
e é como rio que corre,
oscilando entre o silêncio e o rumor
nada cala a dor
nada procura nem espera
diz-me apenas palavras por dizer
cresce com os anos,
com o maduro sentido de viver

é testemunha do meu silêncio
do meu entardecer...

enquanto a tarde se põe no poente
e as rosas desfolham com o vento
escrevo linhas misteriosas com o coração que sente
enquanto da terra escuto o alento.
o eco da infância é ventura
de voltar a sentir e a contemplar
a frescura... da minha origem
e com inocência poder a sede, da saudade saciar.

natália nuno
rosafogo
295
natalia nuno

natalia nuno

amor....soneto

Quem disse ou crê que o amor é só agonia?!
Amor é uma bela rosa com pétalas de emoção
São cândidos os minutos ao amar-se dia a dia
É o madrugar dos olhos, saindo da escuridão.

Amor é uma chama ardendo, é puro incenso
É a dor real que não se vendo está presente!
É chama que ateia em delírio em fogo denso
Brasa que dói que se deseja de tão contente.

Assim quanto mais arde , posto que é chama?!
Mais inflama e não importa de amor morrer-se
Desejo na hora, coração sofrendo, assim se ama.

Ponte do amor à saudade, da saudade à agonia
Mais vale a ferida lenta do que amor perder-se!
Amor, sonho e emoção, entre um dia e outro dia.

rosafogo
natalia nuno
301
natalia nuno

natalia nuno

ah... sei lá eu amor!

sonhos que invento
de fogo e ternura
em atiçado vento

abro-te os braços
e deixo-me amar
teu amor é cura
deixa-me a sonhar.

sou feita de chama
tenho sede de entrega
no linho da cama
meu corpo não se nega
e p'lo teu chama.

com louca vontade
caindo no cansado
quando chega a saudade.

amor eu não sei
se amor imploraste
ou fui eu que to dei,
ou coisa que inventaste,
se é uma canção gasta
que de mim te afasta...

ilusão ingénua
ou encantamento
despertando ardor
os sonhos que invento
ah...sei lá eu amor!

natalia nuno
260
natalia nuno

natalia nuno

pequena prosa poética...

não sei por quanto tempo vou caminhar, da garganta do tempo me vem esta solidão e é com ela que vejo meu mundo a desabar...ecos chegam de alguma voz distante e em lufadas de vento percorrem-me o pensamento, enquanto meus dedos crepitantes continuam a escrever, a agarrar-se à poesia como arpões, aos poucos morrendo de ilusões e nas janelas das minhas insónias procuro ainda o sonho e pequenas sensações que espalho em meu alento, sem que nada nem ninguém as destrua, porque o sonho é meu e nele eu sou tua...há uma sombra que surge denunciando passos e apesar da decadência eu sonho ainda com teus abraços...constante e cega, vivo nessa loucura da qual já não há volta, nesta fria obscuridade abro de par em par o coração deixo nele à solta para sempre a saudade.

natalia nuno
279
natalia nuno

natalia nuno

momento...

Já foi primavera no meu jardim, já brilhou o astro-rei... agora na sua ausência, uma infinita paciência e a saudade a perfumar, o lento colapso deste caminhar...

natalia nuno
306
Antonio Aury

Antonio Aury

Senso

Senso

Hoje, a musa me visitou
Veio falar e em meu ouvido sussurou
Ela me disse que foi por pura tolice
Que o Homem se degradou!

Mas só há uma esperança
Que é investir na criança
Sentimentos de nobreza
Acabar com a pobreza
de espírito destruidor
Amar como Deus nos ensinou!

Ensinar que a liberdade
Se tratar com igualdade
Espalhar felicidade
Sentimentos de bondade
É o Mundo do Redentor!

Vamos acabar com as armas
Quebrar todas as amarras
Construir nosso jardim
Um jardim só de amor
Numa grande construção
Onde a criança é a flor
E todos vivem em comunhão
Como Jesus ensinou!
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Sirlânio Jorge Dias Gomes (R)

Sirlânio Jorge Dias Gomes (R)

Poema sem nome

Este poema não tem nome,
Não tem pátria,
Não tem cheiro e nem cor,
Este poema sangra em seus versos,
Em cada grito não ouvido,
Em cada dor agredida,
Da vida sem vida,
Forma desvalida em frangalhos.
Este poema quer o seu silêncio,
Para escutar o lamento,
Vozes e sussurros ao vento,
Dos miseráveis do outro lado,
Lugares invisíveis aos nossos olhos.
Este poema...
Tem em si tantos outros poemas,
Que ao teu querer seja esperança,
Inspire felicidade, Versos fraternais de bondade.
Talvez este seja só mais um poema,
Entre tantos outros,
Porém mais que um poema,
É o que ele deixa em si,
No amor profundo que desejas,
Que pode doar,
Doando encontrar-se,
Sentir a poesia de ser somente,
Fazendo a parte que lhe cabe.
A métrica desta poesia é sua,
Em cada estrofe do seu coração,
Numa declamação sem julgamentos,
Onde a inspiração é o desprendimento,
Em cada momento vivido.
400
natalia nuno

natalia nuno

o sonho em chama...

no rosto a indolência da bruma
o sonho em chama a surpreende
a saudade, já de coisa nenhuma
um vendaval que ninguém entende

do tempo traz nela a voracidade
entre os lábios a quente labareda
os desejos transbordam de saudade
no olhar tristeza que ninguém arreda

natalia nuno
258
natalia nuno

natalia nuno

a Laurinha despede-se da tia... «estorinha para criança»

Olá meninos e meninas, volto já, vou fazer uma visita à minha tia que me aguarda na sala, é irmã do meu pai e eu vou pedir-lhe a benção, e depois delicadamente retiro-me e venho brincar com todos, prometo! Minha tia agarrou-me por um braço e beijou-me afectuosamente, ah...mas eu tinha em mente a brincadeira e de livrar-me dela não havia maneira...perguntou-me pelos estudos pela leitura e eu, dei-lhe um beijo com ternura tranquilizei-a, compus a meia e envolvi-me na cortina da janela, para ver se ela se esquecia de mim, daí a nada esgueirei-me para o jardim, não cheguei muito tarde pois não? Esperaram por mim, são mesmo meus amigos do coração.

Hoje está um nevoeiro muito grande, vindo do mar, e um ar gelado, mas as brincadeiras vão-nos animar, reparei que as árvores também estão a perder as folhas e a terra e o céu desolados, vamos cantar e fazer um coro bem alegre, hoje não precisamos de chapéu na cabeça, ai que emoção, vamos depois também ao jogo da apanhada...
E assim todos os meninos e meninas embriagados com o cheiro a perfume que vinha do jardim sentiam uma profunda alegria, todos juntos era como se vivessem num país desconhecido e maravilhoso ouvindo o canto das aves, cheirando o aroma das flores, e ali mesmo ao cantinho um gatito que se aninhava no canteiro dos crisãntemos espreitava curioso e ficava a tremer sempre que algum menino passava por ele a correr.
O tempo passou, distraídamente e com tanta agitação nem deram por isso, cada um regressou às suas casas, e a Laurinha voltou com toda a docilidade à sala para se despedir da tia prometendo dar-lhe notícias, escrever-lhe uma carta, e um dia quem sabe ir visitá-la à montanha.
- Oxalá a tia faça boa viagem, eu gosto muito dela, mas também gosto muito de brincar!
- Amanhã vou iniciar um diário onde vou contar mil e uma coisas como por exemplo, como é bom ter uma família, muitos e bons amigos, poder ir à escola aprender a ler e a escrever, e lá pela tarde sentar no sofá a ver os desenhos animados ...ai como sou uma criança feliz!

Gostaram da estória, também eu hei-de trazer-vos notícias da Laurinha brevemente, mas desde já vos conto um segredo, é que ela vai aprender a tocar piano...então adeus meninos pode ser que eu volte antes do fim do ano.
natalia nuno
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natalia nuno

natalia nuno

entusiasmo de outrora...memórias de mim...

A memória é um fiel espelho, guarda tudo num cofre profundo e duradoiro e põe o coração no peito a bater melodiosamente com as reminiscências de muitos anos passados, fazendo com que seja abolida a distância quando recordamos...às vezes penso ter tudo perdido, mas num instante volto a reviver tudo de novo e são relíquias as recordações que amo, porque amei outras pessoas, outras coisas, que não passaram por mim em vão, mas que partiram fustigadas pelo vento da vida, são realidade passada, mas duradoiras dentro de mim para sempre.
Ressuscito o passado nas mais pequeninas coisas e aí a imaginação também se liberta e eu fico fora do tempo, descobrindo assim a minha essência e arragando-me às lembranças, às raízes, e tudo isto é como pão com manteiga para mim, saboreio cada instante que a memória me permite com entusiasmo e sinto a inspiração brotar com palavras maleáveis, doces, sem barreiras, como flores abrindo-se ao sol do meio dia e assim escrevo com entusiasmo as vivências de outrora...encarcero-me de livre vontade na solidão, quieta, feliz por dentro, arrepiando caminho ao encontro de cheiros e afectos, puxando forte pela memória.

natália nuno
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natalia nuno

natalia nuno

prosa poética...

sem saber de mim procurei recordar... e dei com uma tormenta, quebrei a solidão fiquei atenta, o sol brilhava e dizia-me que era ainda primavera, fiquei à espera, a amendoeira floria, mas o que eu mais queria, era encontrar-me, para defender-me do inverno, esquecer o inferno que é o frio na alma, a noite que desce sobre mim, e aquecer meus dias sombrios, por fim, romper a névoa que é forte no meu olhar, esquecer a morte e o tempo que me atraiçoou que fugaz me levou, e me faz procurar...onde estou?! cruzo o olhar com a vida mas até ela duvida...finda o dia com ele me afundo, sou afinal esta hora do entardecer...a morrer.

natalia nuno
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natalia nuno

natalia nuno

nas águas me vou deixando...

As águas correm a um rítmo lento
Em meu rosto regatos, lugares, momentos.
Nelas vivi meus dias ontem e hoje
Lembro e estremeço, já a vida foge.
À volta deste rio tudo flui
Lembrando o que hoje sou e o que ontem fui.
E na paisagem secular?!
Profundo o tempo, tempo singular.

Desço a encosta e agora me sento
Neste fluir, já tanto me esqueço
Meus esquecimentos, águas frias, onde arrefeço.
Correm no meu rosto águas profundas, rugas...
Onde o tempo se inscreve e está presente
E nada consente, daqui já não há fugas!
É isto que o meu coração sente.

Quem se atreve a duvidar do que sinto?
Das coisas tristes, sentidas, afectuosas que digo?
Só mesmo o tempo, mesmo sabendo que não minto.

O silêncio é a medida do tempo vivido
Nesta paisagem à volta do meu rio,
Tudo é melancólico e o tempo recolhido.
E eu já renuncio!
Surgem gotas de esquecimento,
Esqueço até de lembrar,e é tal o emaranhamento,
Que fico sem palavras e o futuro sem sentido.
Perdido lá adiante onde a luz é incolor
Já não domino, vou e afogo-me na dor.

Como confiar na corrente?
Onde havia água transparente?!
Agora me tolho de medo fico sem liberdade.
Me nega até a dignidade.

De súbito, um desejo em mim de acalmia...
Quem sabe?! Amanhã seja outro dia.

natalia nuno
rosafogo



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natalia nuno

meus olhos bailam...

Meus olhos bailam com a beleza de pequeninos pés
Bailam sobre saudades floridas, com ligeireza
E minha poesia borboloteia de lés a lés
E é singela flor do campo, mas tem beleza.
Arranca arrepios deste corpo esquecido
Dona das minhas esperanças, decifra meus segredos
Ateia meu olhar quando anda perdido.
E deixa a saudade escarpar-se por entre os dedos.

Quem nunca sonhou?
Quem nunca desejou?
Minha existência se consome rapidamente
Cada segundo é parcela que se esvai
Pinto meus anseios numa tela lentamente.
E olho a lua sobranceira que do meu céu não sai.
É progressivo meu esquecimento
Às vezes minha solidão aumenta
E as palavras que entoo são recordação e tormento
Quando quero lembrar e a memória não assenta.

Se grito, responde-me apenas o eco
Sinto nos ouvidos a toada
Chego ao cimo do monte, trago meu coração seco.
E uma asa cortada.
E na outra, o sonho a esvaziar!
E minhas horas passam sem as puder parar.
Resta um fio de esperança, qual flor recém aberta,
por gota de orvalho matutina
O tempo não perdoa e eu fico alerta
Mas é Deus quem meu tempo destina.

rosafogo
natalia nuno


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