Lista de Poemas
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Darlan de Matos Cunha
Silensidão
A mãe morreu em pouco
tempo (mãe de quem
e de quanto tempo se fala ?
Aqui, nada se explicita),
silensidão é a praxe
neste entorno vivalma não há
que se lhe meça os colhões
ou o diâmetro dos seios
(coisas poucas, sim
nada de latim - paucas sed bonas -
menos ainda ir ao tradutor
onde tantos se roem por if of off.
Pois bem, o pai foi de suicídio
mas sobreviveste (aqui, tudo
é breu, calotes ao previsível),
a irmã é da moda, vive o relho
mas o verdadeiro espelho aí está
de nome anamorfose, sempre
deformador, reformador, realista ?
Jorge Santos (namastibet)
Cinza cinza ...

Cinza cinza ...
Extraio coisas tão pequenas,
Que nem ausência possuem,
Quando apenas nuvens, antes
De se integrarem no que devem
Ser e são em mim peculiares,
Assombrosas velhas/vestes, sonho
O Evereste e só de pensar o
Destruo, ao que me parece
Acanhado e estranho, despido
Tal e qual um peixe-triste,
Extraio coisas tão pequenas,
Quantas o mundo me deixe,
Ecos sem qualquer crença,
Ou semelhança no fundo
Ao sentido que se diz "ser tudo",
Meu próprio papel e embrulho,
Me convenço depois de nada ser,
Apenas ausência de claro/escuro
Que tod'a presença em mim possui,
Excepto cinza, cinza e escuro,
Nunca tive a arte da tinta fresca,
a alquimia da cor certa, estimula-me
O cinzento, embora consiga pensar
A preto nos mundos que criei, improviso,
Pinto cinza inclusive a luz do sol,
Inevitávelmente a nudez humana,
Cinza o que não me fizeram ser,
As avessas do meu ver,
Coisas tão pequenas, a repetição
Dos dias sempre iguais, a competição
De um relógio parado, com a parede
Em frente, cinza escuro.
Jorge Santos (04/2018)
http://namastibetpoems.blogspot.com
natalia nuno
olha-me c/ amor... trova
que apontas armas ao peito
olha-me antes docemente
olha amor... mas a preceito.
natalia nuno
rosafogo
natalia nuno
perdida perdi o norte...trovas
a ninguém quero entender
n'venha então quem pretenda
que lhe vá a mão estender...
o pensamento eu mantenho
pois venha lá quem vier
se é de longe que já venho
trago a saudade a crescer
deixem dizer em segredo
que o q' parece nem sempre é
desejo de desejar, traz medo
mas ao amor o peito, bate o pé
as lágrimas que não chorei
libertei-as na escuridão
perdi-me de mim, já nada sei
são rasto em meu coração
dei comigo a sonhar d'alto
com o teu abraço forte...
ai de mim em sobressalto
perdida, perdi o norte
natália nuno
rosafogo
1999
Antonio Aury
Antonianas3
Globolixo é Ofélia fazendo Escola
É sempre deturpação!
Faz por maldade por dinheiro!
Sonega imposto, verdades e informação!
Salve o nosso Presidente!
Amado por toda a gente!
Que merece o nosso amor!
O nosso voto de carinho!
Abaixo Ofélia & FMarinho!
A Casa da Embromação!
Amigos do Presidente Lula
Somos um exército de Lulas!
NOSSOS SONHOS não aprisionarão!
KEL
O MEU VÍCIO POR TI
do meu querido vício,
Mando a mensagem e me deito,
com aquele aperto, dentro do peito,
Apenas para boa noite dizer, e no
meu solitário adormecer, reviver
Nossos momentos e sentimentos,
que com o tempo eu vi crescendo,
Desde seu abraço ao o seu beijo,
que cada vez mais eu almejo,
Assim começa a minha carência,
na companhia da sua ausência.
RicardoC
AURA EXTENSA (sextilhas)
Faz um homem maior do que é --
Quer lança que estica além
O braço e mais longe até;
Ou alavanca que, com fé,
Movesse o mundo também.
Assim, n'aquilo que se usa
Todo ser s'estende todo:
É cheiro que impregna a blusa;
É calor em pleno denodo
A arder em torno, de modo
Que a aura nas armas inclusa!
Como se a pessoal energia
Em vibrações oscilantes
S'expandisse, todavia,
Pelas coisas circunstantes
Para além do que eram antes
Pois pessoais em demasia.
Visto demasiado humanas
As coisas depois de usadas:
Se a princípio mundanas,
Pelo corpo desgastadas
São enfim humanizadas
À luz d'auras soberanas.
É chamado de "aura extensa"
Este estender-se do ser
Nas coisas a que dispensa
Um extremado prazer
Ou as agruras do afazer
Por sobre a matéria densa.
O imaterial na matéria
Como restos da existência,
Sua opulência e miséria
Confessa na permanência
Uma presença na ausência
Durante a ação deletéria.
E a vida que ali resiste
Depois que a vida se deixa
É a memória que insiste,
Indiferente da queixa
Que em meio às flores enfeixa
Lamúrias d'um luto triste.
É a verdade da vida
Que se nega ao vão d'Olvido!
É, talvez, a despedida
N'um detalhe percebido
Pelo coração partido
Diante de sua partida.
É a luz que permanece
Depois que o sol já se pôs.
E, pouco a pouco, anoitece
Nos versos que se compôs
Quando -- filhos, pais, avôs... --
O homem dos homens esquece.
É, enfim, tudo que se haura
Expresso em luz e revolta,
Enquanto a mente desaura
N'um clarão à sua volta
O ser que de si se solta
Quão extensa for sua aura...
Betim - 16 04 2018
natalia nuno
graça divina...
os olhos revelam melancolia
olham todas as coisas
não se fixam em nenhuma,
o riso já não é luminoso nem cristalino
olha as estrelas uma a uma
vai seguindo o destino
as horas vão passando
remexe-se no assento
sonha com serafins e querubins
ai fica suspensa indefinidamente
sonhando ser seara à mercê do vento
reflecte longamente
ai a força do tempo...
e o esforço do coração para se libertar
querendo a vida aprisionar.
as mãos nervosas
vão enchendo folhas
as ideias multiplicam-se no pensamento
apenas o céu azul, o odor das rosas
o espírito e o corpo livres
e por graça divina
volta a ser menina.
natalia nuno
rosafogo
natalia nuno
capricho...
A vida vai-se prolongando
e botões de lírio (sonhos) vão despontando.
natalia nuno
natalia nuno
pequena prosa poética...
natalia nuno
http://flortriste1943.blogspot.pt/
natalia nuno
o jogo do berlinde...trovas
toda de alegria cheia
joga para se entreter
ignora a vida feia...
na aldeia à vontade
na rua brinca contente
ó que bela a liberdade
vai aprendendo a ser gente
rua abaixo, rua acima
dois berlindes na mão
enquanto faço uma rima
sobre o meu belo torrão
nascem como erva danosa
que nasce por entre o trigo
mas são filhos duma rosa
amigos do seu amigo...
jogam berlinde no chão
são todos de grande riso
cai a tarde lá vão então
levam na boca um sorriso
às vezes uma triste queda
na aldeia a choradeira...
é a lágrima que não veda
vem o sono é bebedeira
enxuga os olhos e o rosto
faz à dor mais resistência
vai esquecendo o desgosto
promete a si mais prudência
no adro encontra alegria
lança o berlinde ao chão
a pobreza sobeja e enfastia
brinca e acha consolação...
natalia nuno
rosafogo
1995
fernanda_xerez
MARCAS DO QUE SE FOI - IV
nada é por acaso e tudo
tem uma razão de
ser;
Aquilo que parecia
impossível, germinou, floresceu,
maturou e depois, num
tempo devido(?),
desfolhou...
O amor morre?
Na minha opinião não,
o amor não morre, mas em algumas
situações, somos obrigadas a
(sobre)viver longe do
ser amado...
natalia nuno
Era flor da Primavera...trovas
D'outros tempos felizes
Saudades de quando eu era
Arco- íris de mil matizes.
Era flor da Primavera
Abriu num fechar de olhos!
Olho para trás quem dera
Ser essa flor, aos molhos.
Era então moça bem nova
Usava saias... aos folhos
Agora faço uma trova!
Com as lágrimas nos olhos.
natalia nuno
Antonio Aury
O Sampremio Oscar Evvy & Atho!
Covardes alimentam o Sistema Globofélia, se tornam lixo ou excrementos!
Quem acredita em covardes são as antas, as mulas e os jumentos?
São estas estrelas que têm o brilho instantâneo de sangue das baratas!
Que por convicções lunáticas rasgam causas pétreas da Constituição!
Tenho pena destes infelizes que fazem o mal a quem é cidadã ou cidadão!
Fartando-se de toda podridão e que me perdoem as nobres meretrizes:
Covardes não merecem, nem por um momento, em seus braços ser felizes!
Merecem o simbolismo da vulgaridade e o sono eterno da prisão!
Aury - pequeno recado recebido por um colega indignado!
música da escu
Jonatan Carlos Reis
Não gosto dos meus textos
Não gosto dos meus textos
Das minhas poesias, dos meus contos.
Fico imaginando quem é que vai gostar de tudo isso
Aliás, estou pouco me lixando para "eles".
Esse negócio de escrever é do diabo
Todo dia prometo pra mim mesmo
Que vou fazer outra coisa
Caminhar, passear, jantar fora, essas coisas.
Mas não é por falta de tentativas
O problema é que todas as vezes que saio
Eu sinto repugnância por tudo
Por tudo que está a minha volta
Por todos que estão a minha volta
Quando eu me dou conta
Estou voltando para o hotel
Embriagado, melancólico e enlouquecido.
Pronto para escrever
Jorge Santos (namastibet)
O triunfo dos relógios ...

O tempo,
Sempre melhor o que passou
Por mim, todos os sonhos, habituais
Profissões e talentos, familiares
Que nunca vi, pensar que vivi
É realmente um mistério e o tempo,
Sempre melhor o que passou,
Assim como a impressão de claustro
Que sempre existe no fim de cada
Cela, em mim a mesma e igual sombra,
Um mesmo coração cheio de vidros
E dor, o triunfo dos relógios, das
Sensações sem precisão demais...
O despontar de ridículos remorsos,
Um prazer intimo de sermos quem
Não somos tal como é a obediência
A estranhos que passam por nós fazendo
A respiração pela boca, sempre
Melhor quem passou que quem fica
Como que se apaga o que sou sem ser,
Tão vago, magra visão ou modo de olhar
O tempo.
Joel Matos (04/2018)
http://joel-matos.blogspot.com
natalia nuno
pensamento...
nem à geada que não queime...
natalia nuno
https://www.pensador.com/colecao/nataliarosafogo1943/
natalia nuno
pequena prosa poética...
natalianuno
Isabel Pires
Era domingo
o mar liso e plácido a roer a solidão
e o olhar que salta entre a brevidade e a linha do horizonte
da tela negra salpicada a cinza-prata
e a outra cor mais cor
que faz soltar um sorriso
mesmo na tarde imprecisa
era domingo
e pareceu-me o ruído belo e sincopado
dos pássaros.

Herbert List, 1934
fernanda_xerez
LÁGRIMAS DESAGUAM EM MIM
que estou sentindo, gradativamente,
aumentar, dia a dia...!
Vazio de alma,
escassez de perspectivas, desejos
insatisfeitos...!
Coração perdido,
desconsolado, tristes e constantemente
apreensivo...!
Sonhos desfeitos,
um a um - lágrimas desaguam em mim
como ondas que quebram
na praia...!
jamele
Nãotemdeque
Caso te encotre no vagão,
talvez eu nao te veja,ou
talvez eu nao tire os olhos
de você.
Também posso me aproximar
sorrridente, e delicadamente
te empurrar sobre os trilhos.
Se não resistir, posso te beijar
e depois gritar: Pega Ladrão.
Sem pensar no como eu pude
Próxima estação - Paraíso
Jameland
fernanda_xerez
MARCAS DO QUE SE FOI - III
nas mãos (a felicidade, o amor, o carinho e algo mais?)
então, de repente, tudo vai por
__ água abaixo?...
Mas não é tão ''de repente'' assim;
as coisas saem do lugar de forma sutil e você, sempre
tão confiante, não percebe que
__ o caldo entornou...
Ainda bem que, de tudo que
passamos nesta vida, fica o aprendizado, fica a lição e,
a certeza de que podemos melhorar,
para não incorrer nos mesmos
__ enganos...
Jesus disse:
''Quem comigo não ajunta, espallha"
Esta máxima serve para todos, em especial, para pessoas
__ confiantes e intransigentes demais,
(...) e que não tomem como um castigo,
mas um alerta, para não pensarem que as coisas nunca
mudam de lugar (mudam, sim),
(...) então, cuidado
ao lidar com este sentimento tão puro e gracioso,
__ chamado AMOR!...
Antonio Aury
Geraldo Magela
A chuva cai de forma torrencial
Não para
Estou em meu torrão natal
Eu paro e em seguida me dirijo ao quintal da minha casa e vejo uma poça d'água;
imagino ser uma lagoa e continuo ouvindo uma música de Ataulfo e Mário Lago:Amélia
Penso estar com meu pai na minha longínqua infância.
Lembro que até animais tinham nomes.
Lembro do meu primo Geraldo- um homem alto, muito branco e longilíneo, e de sorriso
fácil com o seu chapéu de couro e vestes de vaqueiro!
Lembro que por muitas vezes, em dias chuvosos como agora,
próximo ao amanhecer e no clarão da barra da aurora,
entre trovôes e relâmpagos, ele falava:" Bom dia compadre João!
- Papai prontamente respondia:"Bom dia compadre Geraldo,
já estou acordado há mais de meia hora conversando com compadre Raimundo, Juvenita e Irony"
Minha querida, jovem e bela mãe ia preparar o café-da-manhã juntamente com tia Irony e
Dona Alcides- uma senhora casada com Seu Cícero,
filha de escravos e que por muitos anos foram moradores ou colonos da minha família!
Eles tomavam café com meu Tios e Padrinhos Raimundo e Tia Irony e conversavam, e eu os interrompia,
tinha quatros anos de idade, e dizia: "Vão vacinar o gado?"
Geraldo muito animado desta forma respondia:
"Vamos vacinar o gado Dr. Chico William?"
Ele sempre trocava o meu nome com o do meu irmão.
Eu vibrava com muita alegria!
Destas pessoas, carrego a essência, sempre lembro destas passagens da vida com muito zelo!
Lembro que Geraldo tratava os animais conversando e fazendo carinho; homem de boa fé que está
em mim como espelho e, hoje, eu sei o porquê de Geraldo não usar relho!!
Geraldo era nobre e sem medo!
aury-lembranças da minha infância-geraldo magela
fernanda_xerez
MARCAS DO QUE SE FOI - V
que você deu totalmente por perdida,
esteja, necessariamente,
perdida...
Talvez uma leitura errada,
uma má interpretação do que está se passando,
fizeram com que (aparentemente),
as coisas tivessem mudado,
(...) assim, quem sabe tudo,
portanto, está mais do que na hora de refletir,
reavaliar e corrigir os erros...
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