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wellington17

wellington17

Amor que não existe

Louco de amor, porém sem amor.
97
sinkommon

sinkommon

Objectividade fantasma

Se não é real,
sossega,
não faz mal.
Porque
nem era
de ninguém.
Quase roubada
ficção inflacionada.
Tem em si
esquecidas
constelações mortas,
constelações vivas,
que brilham longas como rabos de aves
do paraíso.
Magnólias e jacintos.
Perfume a podre.
Disforme e fermentado.
Como um monte de bosta.
Cagado e recagado.
Por quantos cus já nasceram
e quantos cus morreram.

As flores perfumadas
pintadas como o ocaso
de rosado roxo rubicundo.

Como?



Escrito c.25/05/2017
396
natalia nuno

natalia nuno

este fogo que me consome...trovas

nem antes e nem depois
e assim por ti espero
não anda o carro de bois
à frente que eu não quero

não é vergonha nenhuma
dizes tu não me convences
eu não sou como algumas
não me seduzes nem penses

estás tão longe nem te vejo
passa aqui para o meu lado
talvez sim te dê um beijo
mas vê lá bem tem cuidado

este fogo que me consome
não tem tamanho nem medida
vem matar-me a minha fome
que ando por ela consumida.

natalia nuno
263
Madalena_Daltro

Madalena_Daltro

Perdida (do livro: Poesia Chick Lit 2)


Eu me perdi
Em algum lugar
ou momento
espaço
ou vento
levou-me.

Se alguém me encontrar
por favor, avisa-me!

Se alguém achar
o que sobrou
do amor
de mim
Estou aqui

Em pó, em barra
Inteira ou quebrada
O que achar de mim
Entrega-me.

Madalena Daltro Fonseca.

Onde encontrar: https://www.extra.com.br/livros/literaturanacional/livrodepoesia/poesia-chick-lit-2-11655146.html
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Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

(1820)



1820


O mal deste mundo é nem tudo rodar à volta dele,
Por sinal a mim tudo volta excepto o que mais desejo,
Voltar ao mundo segunda, terceira, quarta vez e sempre,
Por isso escrevo detrás pra frente e não de frente pra trás

Mas sempre contra a rotação do planeta pra ser diferente
De toda a gente na Terra e em tod'a roda desta e sempre
Com a lógica de um relógio de água na metafísica de Escher,
Menos arbitrário o pêndulo que Foucault, e o universo

Tão mais próximo quanto o supúnhamos longínquo
Ou tão a Norte, o mal deste mundo é nem tudo rodar
À volta dele, de mim tampouco, sou o que sente,
Cumpro o ritual das cearas, Copérnico das velas

Crescendo, solto no ar o que parece ciência sem ser,
Ninguém me conhece tão mal quanto eu, mesmo
Os meus segredos me metem medo sendo a fingir,
Tomara este mundo possuísse longas pernas

E umas mãos de metro e meio, pra me segurar eu,
O mal deste mundo é nem tudo rodar como roda
Esta pedra redonda, que é meu coração moinho/nora
Por isso escrevo detrás pra frente e de frente pra trás ...

(Joel Matos 1820)

Joel Matos (05/2018)
http://joel-matos.blogspot.com
305
astillasdetinta

astillasdetinta

Como o amor que prende na lingua




Dos "eus" que son eles

un eu que son os outros


Sain de Maside onde nacin por primeira ves

e con dez anos cruceime con él

na rúa do Progreso, atravesando a Praza Maior,

nos vairons da Muralla

camiño da livreria Celta

onde meu pai comproume

a primerira e mais fermosa pluma estilográfica.

E a Lingua continuaba a ser a nosa

Chegamos a Ferrol, e meus irman mais eu,

fumos os pailans, os analfabetos,

acento da aldea e castelan mal falado.

Eu baixaba con once, doce anos, atabanado,

dende o cruceiro de Canido

atravesando aquel Ferrol, onde a chuvia

continuaba a ser de aldea como nos

Un Ferrol, o anverso do ilustrado,

cuadriculado, de compás e cartabón,

un Ferrol misterioso e laberíntico,

que me levaba aos muelles, aos peiraos,

ao mar, mais ainda, a aquelas portas

de luces vermellas, de voces salgadas.

Miña imaxinacion era un universo ardendo

de promesas e de viaxes

Leia baixo a sabanas, á luz dunha linterna

ducias de novelas negras

que encheron a miña insomne cabeza

de oscuros personaxes, de mulleres

mais reais que a que me arrodaban dende neno,

menos aquela que me dou de mamar,

e que non foi miña nai,

enchendo de traficantes de armas,

de extraperlistas, de cadaleitos cheos de tesouros,

ou de aterradores secretos,

de risas como dexesos tatuados,

de noites espesas como carballeiras ameigadas

onde o crimen e a xolda dos malos

ameazaban o soño dos que tiñan fé.

Era naquelas tabernas, naquelas tascas,

cas portas entornadas,

como pálpebras entrepechadas

dunha realidade sacada das novelas

casi tan negras como os invernos da nenez,

daquel rapaz en pecado, soñando esperto

Mais tarde supen, xa lonxe de Ferrol,

Pra sempre co mar nos miolos,

que baixaba empuxado

polas voces que alumeaban

como os meus queridos vagalumes,

arroutado por unha caterva de linguas,

palavras como faiscas

que poñian ante min a Terra,

e os Mares Furiosos,

larpeiros dos soles maduros,

das infinitas beiras, e sobre todo,

o territorio de todas ás naves,

dos trasatlánticos sempre sempre acesos,

e enmalloume unha Rosa dos Ventos na alma,

que ainda hoxe trema na maruxia dos sonhos.

Coñecin que tiña unha aldea na lingua

E era a infancia á que a lingua contia

Un universo en expansión perpetua

que fixo de min o mais humilde cosmopolita ,

o viaxeiro, o nómada, que sempre atopa

o seu lugar ali onde acendese o lume

E tartexando todas as linguas, a lingua,

compartilhar ás adorabeles derrotas,

ás singraduras de abundantes colleitas,

É obriga nosa, contalas,

pois nos vai a vida en elas.


E son nosas falas a ferramente perfecta

pra habitar o presente

sem intermediários e sem administradores do medo.

Volvin a Ferrol, e fun testemunha

de como ás cinzas cubrianno todo

os guindastres compartillaban

a súa extinzón cas grullas e ás garzas

Nos tellados as árvores medraban

e nas cornisas a herba cantaba en silenzo

Mais tamen escomenzou a escoitarse

nas rúas mais vellas, palavras encarnadas,

poemas incondicionais, inconsumibles,

Versos enchendo os vasos, sempre comunicantes,

E todo viña a constatar o que os mais insumisos

sabian sem dubidas, que a vida é inaprazable,

que basta con ver un instante o ceo na terra

pra que elo sexa inesquecible,

como o amor que prende na lingua.

638
tiamat

tiamat

O Golpe

Desnudou minháalma
Procurando coisa alguma.

Escarrou em minha jura
Como quem paga a uma puta.

Transpassou minha armadura,
Lacerou novamente
Cicatrizes que já tinham cura.
1 491
sinkommon

sinkommon

Justiça Poética

água mole em pedra dura
tanto bate até que enche a galinha o papo.
Quem corre por gosto,
não cria limos.
E quem o feio ama,
sabe nadar.

Escrito c. 15/05/2017 (maláfora)
419
erikmodesto783

erikmodesto783

Eu

Não é sobre ser aquele
Porque aqueles são inexistentes
É sobre ser você!
Mas o "você" não é necessariamente real
Porque na vida tudo muda de tempos em tempos.

Felizmente na vida nada é facil por isso ela não nos da um aviso de quando vai ou não mudar
Por isso cabe a nos não termos indecições
Porque indecições assim como "aqueles" são inexistentes.

Por tanto faça com que a vida não lhe prege peças tenha em mente que logo nós seremos inexistentes.
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EDUARDO POETA

EDUARDO POETA

'VERSOS DE AMOR'

LINDA COMO A FLOR
LINDA IGUAL NÃO HÁ
VOCÊ É A MINHA PRINCESA!

MUSA INSPIRAÇÃO
DOCE SEDUÇÃO
DONA DO MEU CORAÇÃO!

VERSOS DE AMOR
FAÇO PRA VOCÊ!

MEU AMOR,
QUERO SÓ VOCÊ!

O BRILHO DAS ESTRELAS
BRILHAM LÁ NO CÉU!

O BRILHO DOS SEUS OLHOS
BRILHAM AQUI PRA MIM!

VOCÊ É O SONHO
QUE EU SONHEI PRA MIM!

VERSOS DE AMOR
FAÇO PRA VOCÊ!

MEU AMOR
QUERO SÓ VOCÊ!



1 617
cabo36

cabo36

Sincero

Se eu parasse o mundo agora te observaria por horas.
Sua beleza invejada por deuses feita com carinho pra mim,
do reino mais lindo a princesa mais linda, enfim um amor para eternidade,
pouco para quem ama da melhor forma de amar.
122
tiamat

tiamat

O Rei lobo.

Tão bonita és a criança dentro de ti
Reflete a pureza digna dos bons
Nunca a deixe sucumbir.

Correr, caçar, amar
Essa é a sua natureza.
És um canídeo selvagem,
ou um Rei digno da nobreza?

Selvagem, quente e protetor
Sua matilha deixou
E num mundo assustador
Fez do caos seu próprio Lar.

Seja livre como um lobo
Seja amado como um Rei
Sorria até parecer bobo
Sempre assim te lembrarei.
1 532
natalia nuno

natalia nuno

a solidão me enfastia...

trago comigo pedaços de tempo d'outros tempos
que vão alumiando meu chão,
enquanto outros descem na noite trazendo
algo perdido, junto à saudade, a desolação
e é então, que a palavra transborda envelhecida
rasga-me os tendões do pulso
fico vencida.
a solidão me enfastia, a memória fica vazia
esqueçam-me nesta solidão obstinada e fria.

percebam apenas que eu me dei conta
que a vida já me abandona
e todos os sentimentos que trago à tona,
são inúteis fragrâncias de flores
são inúteis lágrimas que amam
tudo é silencioso, e a solidão é dona
dona da minha vontade, da felicidade
que me sobrou e eu cinzenta,
dito palavras duras à vida
sinto-a, a respirar na minha respiração
ouço-lhe a acusação...mas
fico da dor despida
e não me dou por vencida

natália nuno
http://nataliacanais.blogspot.com/
280
RicardoC

RicardoC

CORDEL DA LUA DE SANGUE E DO SOL ENCARNADO/ Primeira Parte: AO POENTE

Foi no tempo dos antigos
Quando dois arqui-inimigos
Viram-se enfim face a face.
Tinham os olhos sangrando
Ao longo de longo impasse,
Soltando, sem que findasse,
Faíscas de quando em quando...

Era o sol em agonia.
Era a lua em pleno dia.
Era ele o sol encarnado.
Era ela a lua de sangue!...
Eram os dois lado a lado:
Ele, rubro e envergonhado;
Ela, 'inda pálida e exangue.

O sol, ferido ao declínio,
Um firmamento sanguíneo
Deixa após si n'Ocidente.
Já a lua, vespertina,
Surgia em quarto crescente,
A luzir quase ao poente
Face ao sol e sua sina.

Como acontece há milênios
Pelos celestes proscênios,
Sucedia a lua ao sol.
D'esta feita, todavia,
Depois do rubro arrebol
Passando à cheia (um farol!)
Diversa se prometia...

Segundo efemeridades,
Estas astrais potestades
Transitam bem regulares
Quando vistas cá da Terra:
Têm das luzes estelares
Certas datas e lugares,
Que cada eclipse encerra.

N'aquela noite, portanto,
Para universal espanto
Mais um eclipse lunar
Estava escrito no quadro:
Havia-de se ocultar
A lua, até s'escutar
Mais alto de cães o ladro.

Com efeito, a lua cheia
Às imensidões clareia
Enluarando a cordilheira!
Pois, finda a fase crescente,
A lua se mostra inteira
E domina, companheira,
A noite resplandecente.

Pouco a pouco, todavia,
A sombra da Terra havia-
De lhe ocultar toda a face.
E o luar obscurecido
Avermelha-se fugace,
Tornando-se ao desenlace
Rubro qual sangue vertido.

* * *
355
natalia nuno

natalia nuno

descalça pela verdura...

É difusa a luz do meu dia
Suave é hoje meu viver
De amor talvez...de alegria
Ou o prenúncio dum doce morrer.
Contemplo a lua no céu
A noite que se aproxima
Me afaga o rosto e eu?
Revelo-lhe o amor que me anima.

Me despedi da tarde
Terei outras que o futuro me der
Desta já tenho saudade!
É assim este meu coração de mulher.

Há dias que ando triste, sem sentir,
nem presente nem passado.
Mas trago na alma o pressentir
Dum tempo mais sossegado.
A vida é tão inconstante
Nos confunde sem ter dó
É mar sereno e num instante?!
Nos põe na garganta um nó.

Mas hoje deixo minhas penas
Que é suave o meu viver
Na estrada que trilho apenas
Esperança e amor quero ter.

Hoje, sou criança correndo p'la vida
Descalça pela verdura
Sonho com a infância querida...
Quem sonha é como quem procura!

natalia nuno
rosafogo

Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=169633 © Luso-Poemas
331
sinkommon

sinkommon

Na parede

Na parede.
Na parede, dura e fria,

é que agora ia.
Isto já fede.

A tremer, no lixo,
no lixo, a tremer.
As minhas mãos
sempre a tremer.

Só na parede.
Espatifar.
Contra a parede.
Em mil pedaços.
D e s p e d a ç a r.


Escrito a 19/08/2017

387
Antonio Aury

Antonio Aury

Você

Acontece
Que apesar de tudo que está acontecendo!
Mais você fica mudo e olhando apenas a lua!
Lembro do tempo em você saía às ruas
Sem medo, bem mais feliz e caminhando
Buscava o sol apesar das noites cruas!




Acontece
Que aquilo que já passou
Era uma era sombria mas mais clara e nua
Que voltou com traços de onipotência
e que você tem a mesma inocência
e no tempo parada ficou

Mas aquilo é o mesmo que você enfrentou
Mas que com o tempo evoluiu em profusão
voltou como encantos multiforme e incolor
Que fez parar sua evolução
Acontece
Que nem em prece você notou!

Hoje você não sai às ruas
Os seus olhos brilharam por quanto tempo?
A sua vida sempre foi plena de encanto
O seu coração por quantas vezes bateu?
Acontece
Eu sei que você me esqueceu
E aquilo que voltou é permanente
Bem superior a tua força
E voltou muito diferente
Para aniquilar qualquer sonho seu!




aury
236
Michel Gailard

Michel Gailard

ABRAÇOS



Àquela hora da manhã a igreja estava praticamente vazia. Apenas alguns fiéis, lá adiante junto ao altar, silenciosamente faziam suas costumeiras orações.

Sentei-me em um dos últimos bancos e pus-me, à minha maneira, a conversar com Deus.

De repente vi que por uma das portas laterais do templo acabara de entrar uma jovem senhora. Pela aparência, percebi que se tratava de uma mulher de pouco mais de trinta anos. Estranhei quando ela se aproximou de uma pessoa sentada junto à porta e deu-lhe um abraço demorado. Por certo a recém-chegada havia encontrado ali alguém de seu conhecimento, provavelmente uma amiga que não via há muito tempo.

Não dei atenção ao que estava acontecendo. Apenas baixei os olhos e voltei ao meu monólogo com o "Dono da casa".

Entretanto, movido por uma curiosidade quase instintiva, tornei a olhar para a frente e me deparei com a mesma mulher abrindo os braços para abraçar outra pessoa, desta vez um homem já idoso, acompanhado provavelmente pela esposa. Em segundos os dois haviam sido abraçados, e a partir dali outros tantos receberam aquele mesmo gesto de carinho.

Por alguns instantes imaginei que por certo aquela mulher seria uma das pessoas responsáveis pelos cuidados da igreja. E por isso mesmo deveria conhecer todos aqueles aos quais dispensava tamanha cortesia e afeição.

Todavia, ao ver que aquele gesto se repetia com quase todos ali presentes, por um momento imaginei tratar-se de uma pessoa com problemas psíquicos. Afinal, somente uma louca se predisporia a abraçar tantos quantos encontrasse pela frente.

Tentei voltar ao que anteriormente fazia, mas não consegui por perceber que a mulher seguia naquele momento em minha direção. Olhei à minha volta tentando encontrar alguém que pudesse ser o seu próximo alvo. Ali, nos últimos bancos da igreja, não havia pessoa alguma além de mim.

Por um momento pensei em deixar aquele lugar, mas não houve tempo. Como num passe de mágica a mulher se postou diante de mim. Tinha já os braços abertos e um sorriso que deitou por terra todas as minhas supostas pretensões de ir embora.

Percebi então que não havia como escapar do que estava por vir. Pus-me de pé e deixei-me também abraçar como tantas outras pessoas assim o fizeram.

Aquele abraço, afetuoso, livre de qualquer interesse, expressão máxima de um amor profundo por outro ser humano, remeteu-me a tantos abraços que não tive oportunidade de dar ou receber.

De imediato lembrei-me do dia da partida de meu amado filho. Ia embora de casa o meu menino.

Abracei-o na porta e fiquei por alguns instantes agarrado a ele. Queria alongar aquele abraço até fazer com que ele perdesse o horário de tomar o ônibus... e não partisse. Claro que no dia seguinte ele seguiria o seu destino.

Entretanto, teria valido a pena. Pelo menos mais um dia eu seria feliz junto dele.

Ainda nos braços daquela mulher, pessoa que por certo nunca mais veria, ouvi as seguintes palavras:

- Para mim esta é a melhor hora do dia.

Mas afinal o que queria dizer ela com aquela frase?

Só depois de ter deixado aquele lugar, pude compreender ao que ela estava se referindo.

A melhor hora do dia será sempre aquela quando abrimos os nossos braços e aproximamos os nossos corações uns dos outros.







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natalia nuno

natalia nuno

silêncios...

há silêncios que dizem tudo
na aspereza da noite, são desabafo d'alma
nos olhos secos, raios
avermelhados a expurgar a solidão,
as veias soltam-se em trepidação
na quietude, não se ouve nada
a não ser, o bater do coração
a vida já se ajoelha
o tempo no rosto se espelha
assim se faz o começo do fim,
sigo o silêncio que se quedou em mim
na memória há um fogo que arde e não
se consome...uma porta larga que abre,
ao passado, estendo a mão
às lembranças,
o sonho impregnado de brandura e,
com ternura, vou criando asas
para sair da solidão.

sempre a mesma sujeição ao tempo
sempre a mesma memória obsessiva
a lembrar cenas que marcaram a vida
deixaram no peito a saudade viva
esta saudade tão minha, que sinto de verdade
e lá me faço asa, que me leva de volta a casa
mas o tempo se arrasta e da vida me afasta
silêncio mudo que em mim se deita
encontra guarida no peito e ali se ajeita
aceita a oferta do abrigo e quer-se ali comigo.
há silêncios que dizem tudo
atravessam m' alma vazia, meu coração mudo
cansaço na viagem, e passa mais um dia.

natalia nuno
rosafogo
240
RicardoC

RicardoC

CORDEL DA LUA DE SANGUE E DO SOL ENCARNADO / Terceira Parte: EM NARRATIVA

Terceira Parte:
EM NARRATIVA

De que servem os artistas
Os poetas, os romancistas
E os contadores de histórias,
Senão a elevar heróis?
Com inventadas memórias
Exaltando as suas glórias
Entre rubros arrebóis!...

Historiar é encontrar
Onde os actos têm lugar
E onde o herói se movimenta
Em plena metamorfose:
Muito sofre, pena, tenta,
Perde, ganha, luta e enfrenta
Até a sua apoteose!...

Há-que pôr em narrativa
Quanto bem ou mal se viva
Por o que, como, quando e onde...
Em tempo e espaço cobertos,
Vastas questões responde
Ao dispor o que s'esconde
Como se livros abertos.

Mas dizem que o bom enredo
Surpreende, quer triste ou ledo,
Até o próprio escritor!...
Que uma história bem contada
É a que do início ao fim
Lê-se a varar madrugada,
Mantendo a mente encantada
Como fosse mesmo assim.

E que cada personagem
Nos traz alguma mensagem
Do que seja estar e ser.
E de tanta humanidade
Se lhe possa perceber,
Em cada lance a vencer
Por fim, a sua verdade.

Quer d'aqui ou de nenhures
Aonde algures e alhures
Nos leva a imaginação,
A história nos transporte
Pelas voltas da ficção
Com razão mais emoção
Para além de vida e morte.

Lua e sol ponho em cordel
Para um eclipse no céu,
Além de nos encantar,
Iluminar nossas vidas.
E 'inda desmistificar
Lendas que tomam lugar
De verdades conhecidas.

Quem quiser manipular
A fé do povo em lugar
De se procurar respostas,
Tenha ao menos a visão
De que a sua opinião
É igual a outras apostas:

Se Deus mesmo ninguém viu
E da morte não se ouviu
Qualquer palavra de volta,
Tudo é especulação!...
Sem mais, fica só revolta
Ou lamento que nos solta
Por angústia o coração.

* * *
123
RafaVtres

RafaVtres

Mundo da Lua

é noite, céu estrelado
Vento frio corta meus lábios
E a lua ilumina minha estrada
A Lua é meu guia nessa jornada
Nossos caminhos estão conectados
Quando ela aparece eu me movo
Quando ela se esconde eu paro
Só então eu reparo
Ao meu redor
E vejo que não sou desse mundo
De ódio, tristeza e dor
Independente do que me faz feliz
Sinto que estou só
Em um planeta de gente que não entende
Que sou diferente...
De pessoas que são tão iguais
Programadas desde sempre
Pra viver como os pais
Mas eu sou diferente
Eu não sou daqui
Vivo para a Lua
é a Lua que vou seguir
Preciso sair, abandonar tudo
Prefiro viver no meu mundo da lua
E ser considerado anormal pro mundo
475
sinkommon

sinkommon

Irrealidade

Se não entendemos
inventamos.
Um significado qualquer,
um babujar qualquer,
um cordão de rabiscos,
que vermelhos usamos,
como uma coroa de hibiscos.

Procuramos
quem mais não entenda.
E pensamos
em conjunto
sempre em conjunto.

No que conhecemos
buscamos
uma ligação da origem
tradição confortável
como uma cama de algodão virgem.

Não podemos confluir
no mar indizível,
onde um dia acordamos,
e nos obrigamos a dizer:
"Isto é real,"
sem o poder ser.



Escrito c. 03/04/2017
366
sinkommon

sinkommon

Poço de confiança



No circulo de luz
em linha recta, 6m
e 42cm.

água seca, lama,
limo, verde, espera,
afasta-te nuvem
sai!

é mesmo verde
o tempo a passar
acima, luz
às 12:00.

Círculo inferior:
4m.
Círculo superior:
a calcular,
quando a luz voltar.

A luz vai voltar.
mãos na parede a tactear
a luz vai voltar.
A luz vai voltar.

No escuro inesperado
os cálculos desfazem-se
o futuro descontrolado.



Escrito a 27/03/2017
362
Cedric Constance

Cedric Constance

MEU PRESENTE

Te regalo esta rosa desabrochada,
Símbolo de meu amor maior.
Não posso te dar mais nada,
Além do meu sincero amor.

Eu espero que tu aceites,
Meu carinho com simplicidade.
E que ao meu lado te deites,
Que complete a minha metade.

Meu corpo em total desatino,
Só deseja a tua terna atenção.
Sentir esse dom tão belo e divino,
De poder doar-te o meu coração.

- Cedric Constance
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