Lista de Poemas
Explore os poemas da nossa coleção
Frederico de Castro
Além do luar
Busquei no infinito de todos os silêncios
A prerrogativa da noite que em nós se confunde
Além do luar e das luminescências que brilham tão
Depurativas pra'lem de todo este mar
Sem mais percalços a manhã desponta agora
Premiando cada hora tecida na fimbria da minha solidão
Deixando memoráveis sílabas a divagar pelas
Colinas férteis de uma incólume e cismada ilusão
Como ficou mais absurdo este silêncio envolvendo
A lúgubre e astuta noite num manto de algozes e
Póstumas memórias maciçamente absolutas...tão fugazes
Pelo olfacto da madrugada inspiro todos os perfumes
Escrupulosamente colectados a um bando de pétalas a
Esvoaçar entre mil sonhos metodicamente cogitados e insanos
Frederico de Castro
564
Honoré DuCasse
Coração empedernido
Quando a lágrima
se substitui ao verbo
e o verbo jaz
em coração empedernido
não há intento onírico
que afague a montanha
nem nuvem
que beije a encosta
857
natalia nuno
poema de amor também...
lanço a rede ao fundo,
para vislumbrar o poema
feito de palavra de nada
ou do que não foi dito ainda,
talvez da palavra calada,
duma porta fechada ou aberta,
alento de minha boca
uma dor que aperta,
memória dum tempo
ou da minha força, já pouca.
será o poema pássaro
que voa para o poente
de asas fatigadas
tocando as águas do mar
rumando à eternidade
docemente,
levando com ele meu olhar?
este poema é cego
e causa-me calafrio!
os seus resignados olhos,
são os meus,
às vezes são rio
que já corria
no ventre de minha mãe,
num sussurro morno
onde não há volta.
mas ainda assim me alegro,
porque este poema
é de amor também.
natalia nuno
para vislumbrar o poema
feito de palavra de nada
ou do que não foi dito ainda,
talvez da palavra calada,
duma porta fechada ou aberta,
alento de minha boca
uma dor que aperta,
memória dum tempo
ou da minha força, já pouca.
será o poema pássaro
que voa para o poente
de asas fatigadas
tocando as águas do mar
rumando à eternidade
docemente,
levando com ele meu olhar?
este poema é cego
e causa-me calafrio!
os seus resignados olhos,
são os meus,
às vezes são rio
que já corria
no ventre de minha mãe,
num sussurro morno
onde não há volta.
mas ainda assim me alegro,
porque este poema
é de amor também.
natalia nuno
216
Cedric Constance
POBRE GAROTO
Pobre garoto, alma terna e sensível,
Jamais fizeste mal a qualquer ser,
Mas é tão só, incompreendido e invisível,
A vida escolheu-o a dedo, para sofrer.
Tens um coração imenso e amoroso,
És ternura do mais sublime amor,
Morada de sentimentos tão primorosos,
Não é capaz de acumulares rancor.
Clama aos céus, a proteção divina,
Suplica aos anjos, um pouco de paz,
Alívio para sua triste e atroz sina,
Pois seu sorriso alegre, agora jaz.
Pela agrura, já és tão fustigado,
Que lhe resta seguir neste calvário,
Em que a dor não se ausenta do lado,
E não há amor, em seu andar solitário.
O sol poente outrora, lhe aprazia,
E a felicidade reluzia diante do olhar,
Mas hoje, só há tristeza na poesia,
Em versos de dor, que fazem sangrar.
Sua esperança se perdeu ao vento,
Levadas sob as asas da ave malévola,
Corvo maldito, a grasnar seu lamento,
Pobre garoto, perdido, sem fé nem bússola.
- Cedric Constance
Jamais fizeste mal a qualquer ser,
Mas é tão só, incompreendido e invisível,
A vida escolheu-o a dedo, para sofrer.
Tens um coração imenso e amoroso,
És ternura do mais sublime amor,
Morada de sentimentos tão primorosos,
Não é capaz de acumulares rancor.
Clama aos céus, a proteção divina,
Suplica aos anjos, um pouco de paz,
Alívio para sua triste e atroz sina,
Pois seu sorriso alegre, agora jaz.
Pela agrura, já és tão fustigado,
Que lhe resta seguir neste calvário,
Em que a dor não se ausenta do lado,
E não há amor, em seu andar solitário.
O sol poente outrora, lhe aprazia,
E a felicidade reluzia diante do olhar,
Mas hoje, só há tristeza na poesia,
Em versos de dor, que fazem sangrar.
Sua esperança se perdeu ao vento,
Levadas sob as asas da ave malévola,
Corvo maldito, a grasnar seu lamento,
Pobre garoto, perdido, sem fé nem bússola.
- Cedric Constance
282
Escobar Franelas
A CALMA TEMPESTADE
preciso de você
de ficar em silêncio com você
ouvir o frufru da cortina
o vento na cortina
ouvir a canção de sua respiração
sentir o calor de seu corpo
sentir o calor do meu corpo no seu corpo
curtir a paisagem do teto com você
curtindo nuvens imaginárias
curtindo a rosa imaginária na nuvem imaginária
Escobar Franelas
281
danieldocas
Medo
Um escrúpulo dessa sociedade
Que arrancou a candura do menino
Vestiu de maneira uniforme
Para que o mesmo sentisse igual
Porém na verdade parte morria
Um ser é um animal
Mas nunca será uma maquina
Seu sentir seria a culpa da impossibilidade
E arrancar tal capacidade castra sua alma
Ele sente por sensores em seu corpo
Dentre eles sua cabeça que percebe o medo
O medo de não ser quem realmente é
O medo de ser julgado
O medo
Aquele que acorrenta o ser
Sufoca a alegria do ser humano
Distanciando ele de seu destino
Até que não haja mais forças
Para sonhar e amar
O pior de tudo é saber que quando solto
Marcas continuam em seu corpo
Infeliz alma melancólica
Pelo menos diferente de outros
Não usou as correntes que lhe prendiam
Para prender os outros a si....
416
danieldocas
Minhas mentiras...
Entre os piores erros
Existe os devaneios
Que forçam a imaginação
Brincando com a emoção
Gerando o pensamento: e se?
Como se algo existisse
Mas realmente
Sabemos que alguém mente
Brincando com o coração
Alterando a situação
E acabando com a razão
386
sinkommon
838362
Sou um número porque não entendo
sou um número porque não entendi
que de número podia ir escrevendo
um nome qualquer que não escolhi.
(Um número aleatório, sem signifcado
algum!
3 é meio 8, 2 x 3, 6?
Podia até ser
número de prisão, mas não
não é nada, mesmo nada.
Não tem, não tem, não diz nada,
nem conta nada!
Não há profundidade, não há explicação
foi ao calhas mesmo!)
Nomes são mera ilustração
são naves de violenta navegação
vigorosos, viajantes, virulentos
lentos como lesmas, langonhentos
velhos como queixumes do coração.
Ah, mas este número que aqui
neste ecrã vos surge e impessoal
depois também o remendei que escolhi
que tem 3 letras de mim, sim
depois só parece o que sim é
spinxo representado na fé
poesia digital
poeta digital
pseudónimo digital
tal e qual e agora é o que é
e não tem mal.
16/07/2018
sou um número porque não entendi
que de número podia ir escrevendo
um nome qualquer que não escolhi.
(Um número aleatório, sem signifcado
algum!
3 é meio 8, 2 x 3, 6?
Podia até ser
número de prisão, mas não
não é nada, mesmo nada.
Não tem, não tem, não diz nada,
nem conta nada!
Não há profundidade, não há explicação
foi ao calhas mesmo!)
Nomes são mera ilustração
são naves de violenta navegação
vigorosos, viajantes, virulentos
lentos como lesmas, langonhentos
velhos como queixumes do coração.
Ah, mas este número que aqui
neste ecrã vos surge e impessoal
depois também o remendei que escolhi
que tem 3 letras de mim, sim
depois só parece o que sim é
spinxo representado na fé
poesia digital
poeta digital
pseudónimo digital
tal e qual e agora é o que é
e não tem mal.
16/07/2018
404
Heinrick
Vilãonário
Dentre o covarde existente
E o heroi que morreu ao seguir em frente
Prefiro ser um vilão bem sucedido
Vou roubar holofotes, me chamem de bandido
Daonde eu estou, arranha céus estão pequenos
De quanto eu já sofri, doces estão os venenos
Hoje em dia só olho para baixo, para me certificar que estão me vendo
Quando me derrubarem do pódio que eu subi, virão chão o solo tremendo
Aquele ditado lá, você é do tamanho do seu respeito
Trouxe isso desde os princípios do pensamento, e vou levar até o leito
Estou pensando em quando virar entulho
"Pelo menos eu falei o que tinha pra falar", chama orgulho
Se meus olhos falassem, eu seria odiado
Meus olhos não falam mas meus punhos têm chorado
Choram sangue, nada puro, muito menos sagrado
Se esses dai falassem, claro, nunca teriam me perdoado
Sou um vilão, nada mau
Sou um vilão, nada mal
Se sou vilão, qual sou? Duas faces? Nunca, não sou louco
Mas talvez seja, então eu sou o coringa e vou rir um pouco
E o heroi que morreu ao seguir em frente
Prefiro ser um vilão bem sucedido
Vou roubar holofotes, me chamem de bandido
Daonde eu estou, arranha céus estão pequenos
De quanto eu já sofri, doces estão os venenos
Hoje em dia só olho para baixo, para me certificar que estão me vendo
Quando me derrubarem do pódio que eu subi, virão chão o solo tremendo
Aquele ditado lá, você é do tamanho do seu respeito
Trouxe isso desde os princípios do pensamento, e vou levar até o leito
Estou pensando em quando virar entulho
"Pelo menos eu falei o que tinha pra falar", chama orgulho
Se meus olhos falassem, eu seria odiado
Meus olhos não falam mas meus punhos têm chorado
Choram sangue, nada puro, muito menos sagrado
Se esses dai falassem, claro, nunca teriam me perdoado
Sou um vilão, nada mau
Sou um vilão, nada mal
Se sou vilão, qual sou? Duas faces? Nunca, não sou louco
Mas talvez seja, então eu sou o coringa e vou rir um pouco
445
natalia nuno
quando as noites doem....
Estendeu-se o vento sobre as hortas
eu de cabelos soltos junto ao rio...
assim morria o dia, as horas mortas,
os pássaros se aninhavam ao desafio,
nos salgueiros que choravam as mágoas
e o pensamento me fugia, era livre
enquanto a luz da lua se espelhava nas águas.
E um nó me assentava na garganta
enquanto o rio se soltava em declive
açude que ainda agora noite e dia canta.
A solidão da noite é a mais dorida,
mas é à noite que gosto de sonhar
de dia vivo...vivo a vida!
Sonhando com liberdade de voar.
As rugas se soltam no meu rosto,
estou ainda viva nelas,
e trago no olhar o fogo posto
dos raios da tempestade,
páginas amarelas de indiferença
noites de silêncio grávidas de saudades,
diz-me brisa leve
que o tempo dos sonhos não acabou,
ainda que a vida seja breve...
deixa-me adormecer ó vento,
deixa-me neste chão a que me dou
deixa que a noite me cubra o pensamento
com rendas feitas de luar
deixa-me este meu jeito de sonhar.
rosafogo
natalia nuno
eu de cabelos soltos junto ao rio...
assim morria o dia, as horas mortas,
os pássaros se aninhavam ao desafio,
nos salgueiros que choravam as mágoas
e o pensamento me fugia, era livre
enquanto a luz da lua se espelhava nas águas.
E um nó me assentava na garganta
enquanto o rio se soltava em declive
açude que ainda agora noite e dia canta.
A solidão da noite é a mais dorida,
mas é à noite que gosto de sonhar
de dia vivo...vivo a vida!
Sonhando com liberdade de voar.
As rugas se soltam no meu rosto,
estou ainda viva nelas,
e trago no olhar o fogo posto
dos raios da tempestade,
páginas amarelas de indiferença
noites de silêncio grávidas de saudades,
diz-me brisa leve
que o tempo dos sonhos não acabou,
ainda que a vida seja breve...
deixa-me adormecer ó vento,
deixa-me neste chão a que me dou
deixa que a noite me cubra o pensamento
com rendas feitas de luar
deixa-me este meu jeito de sonhar.
rosafogo
natalia nuno
302
RicardoC
ANTIFASCISTA
De embrutecido apelo aquela união
De fortes se fazendo 'inda mais fortes
Contra uma ordem corrupta de vãs cortes
Mais o Mercado e sua avara mão.
Assim bem se seduz uma nação
Ao atapetar co'o sangue de mais mortes
A estrada do Poder após recortes
Que expurguem d'entre os bons qualquer vilão...
Mas, o que pode a pena contra a espada
Co'a violência corroendo feito cárie
A voz esclarecida ante a barbárie?...
-- Que ela escreva até ser silenciada.
E, a despeito do horror ou do egoísmo,
Jamais se curve em face do fascismo!
Peruíbe - 22 07 2018
De fortes se fazendo 'inda mais fortes
Contra uma ordem corrupta de vãs cortes
Mais o Mercado e sua avara mão.
Assim bem se seduz uma nação
Ao atapetar co'o sangue de mais mortes
A estrada do Poder após recortes
Que expurguem d'entre os bons qualquer vilão...
Mas, o que pode a pena contra a espada
Co'a violência corroendo feito cárie
A voz esclarecida ante a barbárie?...
-- Que ela escreva até ser silenciada.
E, a despeito do horror ou do egoísmo,
Jamais se curve em face do fascismo!
Peruíbe - 22 07 2018
368
nannaandrade
Múltiplas paisagens
se me queixo é em vã hora
sob cacos de denúncias líquidas
e espelhos de catedrais ocultas
não me descrevo nos mínimos detalhes
nem me enlaço em fúteis palavriados
(finge a esfinge paralisada no alto do prédio
de olhar petrificado analisa os humanos)
regozija no silêncio noturno
os meios dias em pico de sol na veia
estremece nas ladeiras o horizonte infinito
o coração de pedra não bate mais a porta
por livre acesso nas horas vagas
e o assobio ensurdecedor da infância na boca do homem feito
desanima no toque dos dedos
as palavras em segredo que saem no vazio em desespero
e as incertas saudades da vida
escondidas na alma
atropelam as janelas abertas nos pátios da cidade
em pleno voo livre das aves
a fita no dedo traz lembranças de amores passados
desamarra as frágeis esperanças de um instante seguro em teus braços
sob cacos de denúncias líquidas
e espelhos de catedrais ocultas
não me descrevo nos mínimos detalhes
nem me enlaço em fúteis palavriados
(finge a esfinge paralisada no alto do prédio
de olhar petrificado analisa os humanos)
regozija no silêncio noturno
os meios dias em pico de sol na veia
estremece nas ladeiras o horizonte infinito
o coração de pedra não bate mais a porta
por livre acesso nas horas vagas
e o assobio ensurdecedor da infância na boca do homem feito
desanima no toque dos dedos
as palavras em segredo que saem no vazio em desespero
e as incertas saudades da vida
escondidas na alma
atropelam as janelas abertas nos pátios da cidade
em pleno voo livre das aves
a fita no dedo traz lembranças de amores passados
desamarra as frágeis esperanças de um instante seguro em teus braços
451
manoelserrao1234
ASSEMELHADOS [Manoel Serrão]

E ei-los ai distraídos!
Anjos belos mais-que-perfeitos,
Ó deixai-os livres, deixai-os...
Vês que às vós e nós se assemelham.
Ó vês, n'almas ocultas, onde a beleza se elabora?
Guardais o elo, os nós, e sê-lo-emos todos iguais e diversos,
Anjos imperfeitos que dessemelham inda mais belos!
1 090
Sirlânio Jorge Dias Gomes (R)
Reencontro
O seu amor em mim,
Visão fiel do infinito,
A buscar-te nas estrelas,
Imagem da nossa eternidade,
Tantas vezes desenhadas,
Entre beijos e abraços,
Gostos e laços,
Infindos pensamentos,
Condimento da existência,
Nesta alma tão cheia de si,
Beijando a saudade,
Perfume do seu último olhar,
Esta flor da esperança,
Etéreo amor,
A desabrochar no ar,
Meu último suspiro,
Indo ao seu encontro.
Visão fiel do infinito,
A buscar-te nas estrelas,
Imagem da nossa eternidade,
Tantas vezes desenhadas,
Entre beijos e abraços,
Gostos e laços,
Infindos pensamentos,
Condimento da existência,
Nesta alma tão cheia de si,
Beijando a saudade,
Perfume do seu último olhar,
Esta flor da esperança,
Etéreo amor,
A desabrochar no ar,
Meu último suspiro,
Indo ao seu encontro.
311
sinkommon
Aqui no antro da aberração
Quando foi, e quando fui,
quando fomos e que foi, e dói.
Olhaste e triste viste
que não foi o que pediste.
A chaga agora arde, moi,
são grãos de areia,
moídos e em pó.
Podias ter ido
embora
mas não soubeste ver
ou quiseste e não sabes
ver
que era demasiado queer.
Vai, vai.
Vai e não voltes.
Aqui no antro da aberração
onde somos fruto de perdição
não há lugar para mortes
porque dela já nascemos
e nela vivemos
com cortes.
Entre vós e nós
sem voz
embaraçam-nos e fortes
os baraços que nos enrolam
nos pescoços
rolam os olhos para trás
nada os satisfaz.
Faz mais feridas.
E mais, e mais, e mais cortes!
A nossa pele é um labirinto
de meandros e sortes
azarentas e fedorentas
recantos ocultos
e segredos absolutos.
19/07/2018
quando fomos e que foi, e dói.
Olhaste e triste viste
que não foi o que pediste.
A chaga agora arde, moi,
são grãos de areia,
moídos e em pó.
Podias ter ido
embora
mas não soubeste ver
ou quiseste e não sabes
ver
que era demasiado queer.
Vai, vai.
Vai e não voltes.
Aqui no antro da aberração
onde somos fruto de perdição
não há lugar para mortes
porque dela já nascemos
e nela vivemos
com cortes.
Entre vós e nós
sem voz
embaraçam-nos e fortes
os baraços que nos enrolam
nos pescoços
rolam os olhos para trás
nada os satisfaz.
Faz mais feridas.
E mais, e mais, e mais cortes!
A nossa pele é um labirinto
de meandros e sortes
azarentas e fedorentas
recantos ocultos
e segredos absolutos.
19/07/2018
380
mandozinho
Meus olhos na solidão
Nasci na floresta
Como um sedentário perto do mar
é lá sempre que as minhas lágrimas irão cair
Não sei se existe outro mundo
A floresta é toda verde
Eu me vejo como se não existisse eu
O meu objectivo é tornar de mim uma grande pessoa
Os animais são todos eles minha família
Vejo um barco no mar
Como se fosse alguém nadando com tristeza
Eu continuo a não acreditar
Só sei que só aqui existe eu de roupa rasgada
Logo entra um outro ser na floresta
De baixo a cima todo corpo a tremer
é uma riqueza no meu mundo
Pouco a pouco me entrego nas outras pessoas
Cansei de sofrer de frio e fome
Agora vou parar de chorar e olhar o mundo à minha volta
Tudo que ganho é apenas sofrimento
Mas ainda continuo eu de verdade
Nada possa vir a minha frente
Nesta jornada o meu destino será no topo de um monte
Estou reparando esta floresta a ter uma brisa mas tudo isso em cima da montanha
Só sigo em frente
O caminho é tão gigante que nem consigo reparar nos lados
O mar só me traz descargas
Cada passo dado, é razão de continuar a viver
São calejadas que tocam até na pele
Meus olhos na solidão
Poeta___@Mandozinho
114
Cedric Constance
EU PRECISO TE ESQUECER
Eu sei que preciso te esquecer,
Arrancar você do meu coração,
Pois só assim deixarei de sofrer,
E todas as dores, um dia sumirão.
Tenho que deixar de te seguir,
Querer saber se tem outro alguém,
Aceitar nosso fim, me permitir,
Talvez um dia, eu estarei bem.
Deixar para trás todo o passado,
Aprender a caminhar sozinho,
Sem ter você ao meu lado,
E nem mais, ter seu carinho.
Preciso de uma nova chance,
Acolher em mim, um novo amor,
Viver um outro romance,
E superar enfim, essa dor.
- Cedric Constance
Arrancar você do meu coração,
Pois só assim deixarei de sofrer,
E todas as dores, um dia sumirão.
Tenho que deixar de te seguir,
Querer saber se tem outro alguém,
Aceitar nosso fim, me permitir,
Talvez um dia, eu estarei bem.
Deixar para trás todo o passado,
Aprender a caminhar sozinho,
Sem ter você ao meu lado,
E nem mais, ter seu carinho.
Preciso de uma nova chance,
Acolher em mim, um novo amor,
Viver um outro romance,
E superar enfim, essa dor.
- Cedric Constance
243
manoelserrao1234
BICHOS-DA-SEDA [Manoel Serrão]
Belo afã, sedosa lã d’um só novelo. Tricô d’fleur que a traça não rói.
Veste amorosa que o tempo não desbota.
Ó deu-nos D'us, teceu-nos a vida na roca.
E deu-nos a roca linha ao amor tecido em ouro na borda.
E deu-nos a roca linha aos fios d’almas afins e beijos à porta.
E deu-nos a roca linha ao elo à dois por um amor eterno que nos conforta.
Inda larvas do bicho-da-seda, ostes no casulo d’ alcova.
Inda infinitos fios pr’os teares e eternos corações pr’os teceres.
Anelo, afã! Lã d'um só novelo num só emaranhado de nós.
Ó não sem dous sãos ciosos amantes? E deu-nos D'us, teceu-nos eternos destinos na roca.
1 300
natalia nuno
meu coração é um baú...
Cada palavra pode desplotar um feitiço
Ou o descontrolo de emoções
Anda o meu coração em derriço
Vivendo de ilusões.
Flutuam em mim acordes musicais
Meu coração é um baú
De onde a saudade não sai mais
Com a vida me apaziguo.
Dormito, alheia ao mundo
Já esmorece a luz do dia
Uma coruja algures piou
Negrume celeste profundo
A cor com que minha alma ficou.
Encostada na solidão...
À memória surgiu a infância
Saboreio em lentidão
Tudo o que para mim tem importância.
E é regalo aos meus sentidos
É então que as palavras me escorrem p'los dedos
E escrevo sobre tudo e sobre nada
Meus pensamentos são veleiros perdidos
por mares onde se escondem segredos
e sempre se solta uma lágrima
p'lo rosto derramada.
Mas volto sempre ao meu sonho de poeta
Com desejo da palavra continuada
Neste caminho a percorrer
É a minha meta,
nascer de novo se tiver que ser!
Para morrer nos teus olhos afogada.
natalia nuno
Ou o descontrolo de emoções
Anda o meu coração em derriço
Vivendo de ilusões.
Flutuam em mim acordes musicais
Meu coração é um baú
De onde a saudade não sai mais
Com a vida me apaziguo.
Dormito, alheia ao mundo
Já esmorece a luz do dia
Uma coruja algures piou
Negrume celeste profundo
A cor com que minha alma ficou.
Encostada na solidão...
À memória surgiu a infância
Saboreio em lentidão
Tudo o que para mim tem importância.
E é regalo aos meus sentidos
É então que as palavras me escorrem p'los dedos
E escrevo sobre tudo e sobre nada
Meus pensamentos são veleiros perdidos
por mares onde se escondem segredos
e sempre se solta uma lágrima
p'lo rosto derramada.
Mas volto sempre ao meu sonho de poeta
Com desejo da palavra continuada
Neste caminho a percorrer
É a minha meta,
nascer de novo se tiver que ser!
Para morrer nos teus olhos afogada.
natalia nuno
324
Cedric Constance
FALE-ME DO TEU AMOR
Fale-me de todo amor que sente,
Abre o teu peito e me declare,
Que o meu abraço te ampare,
Em todo meu carinho indolente.
Fale-me de sua paixão sentida,
Sussurre a meus ouvidos poesia,
Que de amar, não canso, noite e dia,
És emoção que faz da vida florida.
Sacie esta vontade infinda e gloriosa,
Que tenho tanto de lhe pertencer,
Como o espinho pertence à rosa.
Não fuja por entre meus dedos,
Como fumaça no céu a desvanecer,
Pois tu desfaz todos meus medos.
- Cedric Constance
Abre o teu peito e me declare,
Que o meu abraço te ampare,
Em todo meu carinho indolente.
Fale-me de sua paixão sentida,
Sussurre a meus ouvidos poesia,
Que de amar, não canso, noite e dia,
És emoção que faz da vida florida.
Sacie esta vontade infinda e gloriosa,
Que tenho tanto de lhe pertencer,
Como o espinho pertence à rosa.
Não fuja por entre meus dedos,
Como fumaça no céu a desvanecer,
Pois tu desfaz todos meus medos.
- Cedric Constance
262
Sonia M.Gonçalves (Son Dos Poemas)
As Fases do Tempo
O tempo é cheio de fases
Em cada fase um sacrifício removido
N'outra fase um sonho edificado
Um risco benefício decidido
E com base nesse exercício se conclua
É um insista todo tempo invista e abrase
Até que a grua te levante e leve à lua
Até que o alicerce esteja pronto e te construa...
Em verdade simplesmente vos depure
Feito prece lhe dê força e lhe estruture
O tempo é inquietante chaveiro
A cada instante inquietude abre
Não tem desculpa, sabe...
A tua conduta é a chave.
Son Dos Poemas
100%SMG
1 235
rubenpais
Sentido proibido
Foges da vida com toda a paixão,
com todo o fogo de quem por ela luta
quando a ponta do último dedo
escorrega ainda agarrado à escarpa.
Temes este duelo cruel de uma ronda,
uma partida à melhor de um, sem handicap,
sem direito a desistir, nem qualquer escape.
Preferes deixar-te morrer
a arriscar que a felicidade
não seja tudo o que foi cantado
neste tempo e nos outros
e não seja em si mesma
diploma de proficiência na vida.
Se te deixas apenas ir morrendo
de braços caidos ao longo do corpo
porque pensas que deixar-se viver
exige mais esforço e dedicação,
ainda não te deste ao trabalho
de humedecer um dedo na boca
e de o erguer alto na tua frente,
para perceber em que sentido
vêm os ventos que empurram
cada um e todos de nós
como bonecas de trapos remendadas.
Tens medo.
Aterroriza-te a ideia de ser
quando podes simplesmente estar.
Não te censuro, não te posso censurar,
porque nem te dignas a existir.
com todo o fogo de quem por ela luta
quando a ponta do último dedo
escorrega ainda agarrado à escarpa.
Temes este duelo cruel de uma ronda,
uma partida à melhor de um, sem handicap,
sem direito a desistir, nem qualquer escape.
Preferes deixar-te morrer
a arriscar que a felicidade
não seja tudo o que foi cantado
neste tempo e nos outros
e não seja em si mesma
diploma de proficiência na vida.
Se te deixas apenas ir morrendo
de braços caidos ao longo do corpo
porque pensas que deixar-se viver
exige mais esforço e dedicação,
ainda não te deste ao trabalho
de humedecer um dedo na boca
e de o erguer alto na tua frente,
para perceber em que sentido
vêm os ventos que empurram
cada um e todos de nós
como bonecas de trapos remendadas.
Tens medo.
Aterroriza-te a ideia de ser
quando podes simplesmente estar.
Não te censuro, não te posso censurar,
porque nem te dignas a existir.
335
Cianeto
tempo - finita ampulheta
me pergunto do tempo que passa por minhas células e as deixam enrugadas
me pergunto do tempo que vivi estando no mundo da lua
me pergunto do tempo que passei pensando em você, que nenhum tempo gastou pensando em mim
me pergunto do tempo que existi calada, sem um ar sair, sem uma palavra entrar
pergunto-me do tic tac do relógio que pulsava sem parar a vida
no tic que fazia quando eu chorava
e no tac que soava quando eu dormia
as batidas do tempo, que nos une e que nos afasta
que faz de mim outro ser que não mais existe
me pergunto do tempo que não compreendia a infinidade das palavras, dos sentimentos, do eu
me pergunto da velha que gastava seus últimos anos tricotando a toalha de mesa pra neta que iria casar-se
me pergunto do tempo que contei esperando você chegar, e do tempo que você não contou para não me ver partir
me pergunto do tempo que leva pra chegar ao outro lado do mundo
pergunto-me o que fazia quando não me perguntava sobre o tempo
e dos segundos que contei até ve-lo passar
invisivelmente por meu corpo, visivelmente na tela do celular
e do tempo que não passou na escola
e do tempo que voou quando aconcheguei-me em seus braços
o tempo que vem, que passa,
que muda, que transforma,
que faz-nos amar e conhecer,
chorar, crescer e principalmente ser
e que por fim, depois da estrada, nos deixa.
me pergunto do tempo que vivi estando no mundo da lua
me pergunto do tempo que passei pensando em você, que nenhum tempo gastou pensando em mim
me pergunto do tempo que existi calada, sem um ar sair, sem uma palavra entrar
pergunto-me do tic tac do relógio que pulsava sem parar a vida
no tic que fazia quando eu chorava
e no tac que soava quando eu dormia
as batidas do tempo, que nos une e que nos afasta
que faz de mim outro ser que não mais existe
me pergunto do tempo que não compreendia a infinidade das palavras, dos sentimentos, do eu
me pergunto da velha que gastava seus últimos anos tricotando a toalha de mesa pra neta que iria casar-se
me pergunto do tempo que contei esperando você chegar, e do tempo que você não contou para não me ver partir
me pergunto do tempo que leva pra chegar ao outro lado do mundo
pergunto-me o que fazia quando não me perguntava sobre o tempo
e dos segundos que contei até ve-lo passar
invisivelmente por meu corpo, visivelmente na tela do celular
e do tempo que não passou na escola
e do tempo que voou quando aconcheguei-me em seus braços
o tempo que vem, que passa,
que muda, que transforma,
que faz-nos amar e conhecer,
chorar, crescer e principalmente ser
e que por fim, depois da estrada, nos deixa.
269
sinkommon
elogios vazios?
Sem tocar, nem cheirar, nem sentir.
Só olhar, devagar, devagar.
No peito o coração a rugir.
Que fazes, que fazes?
É errado, errado e tens
tens de parar e
continuar!
Mas mesmo que de leve,
que me leve a crer
que a fealdade não
é a realidade
apesar de poder
não ser verdade.
Sorrio e rio
obedeço
como um rio ao leito
e assim, leve, me deito
e respiro
fundo
fundo.
21/07/2018
Só olhar, devagar, devagar.
No peito o coração a rugir.
Que fazes, que fazes?
É errado, errado e tens
tens de parar e
continuar!
Mas mesmo que de leve,
que me leve a crer
que a fealdade não
é a realidade
apesar de poder
não ser verdade.
Sorrio e rio
obedeço
como um rio ao leito
e assim, leve, me deito
e respiro
fundo
fundo.
21/07/2018
331
Português
English
Español