Múltiplas paisagens

nannaandrade
nannaandrade
1 min min de leitura
se me queixo é em vã hora
sob cacos de denúncias líquidas
e espelhos de catedrais ocultas
não me descrevo nos mínimos detalhes
nem me enlaço em fúteis palavriados

(finge a esfinge paralisada no alto do prédio
de olhar petrificado analisa os humanos)

regozija no silêncio noturno
os meios dias em pico de sol na veia
estremece nas ladeiras o horizonte infinito
o coração de pedra não bate mais a porta

por livre acesso nas horas vagas
e o assobio ensurdecedor da infância na boca do homem feito
desanima no toque dos dedos
as palavras em segredo que saem no vazio em desespero

e as incertas saudades da vida
escondidas na alma
atropelam as janelas abertas nos pátios da cidade
em pleno voo livre das aves

a fita no dedo traz lembranças de amores passados
desamarra as frágeis esperanças de um instante seguro em teus braços
475 Visualizações
Partilhar

Comentários (0)

Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.