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Iago R Carvalho

Iago R Carvalho

Trago a voz

Não vos trago flores
Muito menos os trôpegos amores
Dos quais os meus falam sobre
Não vos trago a alegria e felicidade
Sobre a qual erigiram redômas de ouro
Não vos trago a bondade inexistente
Nas almas humanas
Não vos trago a beleza ideal
Da bela dama que guia a liberdade
Não vos trago alvas tinturas
Que recobriam os desenhos de iluminuras podres
Não vos trago o semblante divino
De um alto ser piedoso
       -Aqui sou meu alto ser, maldito e indecoroso

Trago a vós o desespero
A dor e a agonia
Trago a vós a verdade sobre o mundo
As coisas nojentas da humanidade
Trago a vós maldições
Que não vos contam nas canções de amor
Trago a vós a representação do mal
Do desejo carnal que nos consome
Trago a vós a voz dos oprimidos
Dos servos putrefatos da miséria humana
Trago a vós a sensação de horror
Que simboliza vossa vida
Trago a vós a realidade
Não a estupidez da ignorância
Trago a vós sobretudo a verdade
O fado horrível da humanidade
Trago a vós o sentimento de desespero
A luz fétida do conhecimento
Trago a voz a noção da ignorância
A percepção de nossa inconstância febril
Trago a vós os fatos
A elegia contemporânea
Trago a vós a noção mundana
Sem a idealização do sentimentalismo natural
Trago Voz aos povos
       -Esquecidos pela arte e pela verdade dos mais novos
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Tsunamidesaudade63

Tsunamidesaudade63

Valorizo pequenas coisas


Valorizo pequenas coisas,
como um chocolate ao fim da tarde,
ou mesmo um simples bom dia,
espero que esta pequena lembrança,
te encha o coração de alegria...

Luzern, 19.07.2019, Joao Neves
213
Sândalo de Dandi

Sândalo de Dandi

Meu Céu

Teu beijo leva-me ao céu
Ao céu da tua boca.
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rianribeiro

rianribeiro

Aos amigos distantes

Quanto amor vos guardo;
Quanto amor tem por mim?
Lança a minha fronte, oh amados:
Teu amor é ruim!

Ouço calado e soluço,
Vosso amar precioso,
Mas dá palavra o desuso,
De cunho amoroso.

Amais a quem, e a quê?
Se vosso amor é assim tão breve,
Faz de conta o querer.

Amais os ricos e o dinheiro,
Vossa peleja assim se acerta.
Oh, amigos, desordeiros.
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Sammis Reachers

Sammis Reachers

Carta ao Café

Café aroma de lar
Ritual, despedida de quem vai,
Abraço a quem retorna
Coffea arábica, Coffea canephora,
Coffea liberica, Coffea dewevrei
E as raças secretas de café

Cremes, bolos, infusões
Drinks, balas, canapés
Reversa marihuana
De santos, céticos e sahibs

Aqueduto tônico odoropulsante
Odoropulsar:
Café cuspidor de estrelas,
Regurgitador de luzes
Festim fenomenológico
Reserva moral da literatura

Sol do leite, do creme, do rum
Sol para tantas pressurosas luas
Centro da galáxia

Inimigo do deus do sono Oneiros,
Adversário do deus de gelo Ymir
Multilíngue deus de ébano & trópico

Licor laboral
Elixir de trevas luminosas
Rubro fruto de a noroeste
Do Eufrates e do Tigre
Último pomo a escapar do Paraíso
Antes de seu traslado
De volta ao seio de Deus

Orfeu negro, liquefeita
Cítara
Poema em estado tênsil
Combustível dos Napoleões
Comburente dos Quixotes

Aumente a pressão sanguínea
De nossas ideias,
Aqueça nossa tumultuosa
Solidão campestre ou citadina
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Iago R Carvalho

Iago R Carvalho

Epitáfio de um poeta

Sorrio, embora apodrecido. Temo continuar a ser quem sou: um raio de inconstância em um mundo estático. Abro mão do indivíduo e aceito o acalento vindo do inconcebível. A imaginação, que outrora fora rainha de nossa existência é hoje banida e maltratada, tornando amarga nossa vivência. O último desejo de minh'alma é o terno abraço da terra e o beijo podre dos vermes decompositores, almejo deitar para sempre ao lado da deusa esquecida de um mundo perdido. Aqui, meus amigos, jaz um jovem imaginador vencido.
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rianribeiro

rianribeiro

Em profusa dicção essas palavras miúdas vão soltando-se do limbo...

Em profusa dicção essas palavras miúdas vão soltando-se do limbo,

desmoronando na garganta como enormes folhas secas presas na laringe; engasgando, imediatamente, a boca...

Vai dando voltas na língua, como num festival, como infantes numa ciranda, rodando em éguas e alazões velozes

- dissolve o gosto meio amargo. Diluí o céu em saliva, feito um lavrador preparando a terra para o nome.

De súbito, a pronúncia deste nome, sem timidez surgem na boca rosas, como se ao dize-lo, e de dentro de mim o chamasse minha alma, deitasse em mim mesmo sementes.
181
Maria Antonieta Matos

Maria Antonieta Matos

FANTASIA

Deixa ficar a noite enluarada,
E nós dois a saborear esse deleite,
Venha da escuridão a luz estrelada,
E o aconchego do teu peito, onde me deite.

Deixa sentir o acordar do coração,
Soltar o fôlego da existência,
Vestir teu corpo com minhas mãos,
Beber na taça ébria dessa essência.

Deixa que venham as ondas para nos embalar,
E o vento sereno ao ouvido a cantar,
E nós os dois nesse véu a viver.

Deixa amanhecer o sonho perfeito,
O caloroso beijo da flor no teu peito,
Fantasiar o sonho de bem-querer.

Maria Antonieta Matos 19-07-2020
625
Iago R Carvalho

Iago R Carvalho

Canção do Exílio

I

No vale de árvores mil
Encontro-me na paz feroz
Longe do açoite do algoz
Nesta terra o Brasil

Talvez eu seja um de mil
Que ao alimentar-se dessa noz
Lembre-me que um dia foram nós
Os habitantes de Brasil

É de natureza inverossímil
O som da cana moída por vós
Trabalho incumbido a nós
Pelos ditos senhores de Brasil

O medo faz-me tomar medida vil
Agora separar-me-ei de vós
Pois já escuto ao longe o algoz
Saindo de seu covil

II

O frio reconfortante
Embebeda-me com sua paz nauseabunda
Em meio à natureza profunda
Dessa terra estonteante

Como os fluídos do amante
Escorre pela coluna corcunda
Da cervical até a bunda
O suco de cheiro enfastiante

A dor pujante
Lembra-me da antiga rotunda
De uma tribo moribunda
Agora uma lembrança distante

Por sobre o rosto enfante
Vermes vindos da terra fecunda
Adentram a enclausura moribunda
De um espírito delirante

III

Como sinto falta da floresta!
Que um dia para nós fora
Uma irmã, mãe e protetora
Desta, agora nada resta

Encontro-me agora nesta
Retornando à fauna e à flora
Pela boca do verme que me devora
Para dar vida à Mãe-floresta

Talvez fique indigesta
Com o filho que agora
Sentindo medo de viver lá fora
Retorna de maneira funesta

O corpo que a natureza empresta
Ao nativo que vos fala agora
Nunca calçará a espora
Que deixa a natureza indigesta
323
rianribeiro

rianribeiro

Teu rosto...

Teu rosto - desfigurando a água - de súbito sobe do rio e - ainda escorrendo - entrega-me um beijo frio.

Depois te afasta, descansa o semblante sobre o olhar sossegado, far-te saudade para querer-te ao meu lado.

Esse teu charme, vulgar, e arredio, sempre - depois de um beijo frio - 'inda há de funcionar.
192
Paulo Faria

Paulo Faria

NÃO SOU NADA

Eu não sou nada…
Apenas um apaixonado sonhador…
Desenhando em sonhos
Momentos que não voltam mais…
Recrio todos os dias contigo vividos...
Os teus sorrisos que não esqueço mais
Beijos que outrora te roubei.
De tudo...
Levo um pouco de ti…
Deixando uma parte de mim…
Vou seguindo a nossa estrela
Procurando-te em meus desvairos
Muito além do arco íris.
E quando caí o dia...
De olhos cerrados
Observo o pôr do sol 
E na linha do horizonte imaginário 
Estamos lá tu e eu…
Abraçados em cada fim de dia…
Num momento único...de sol poente

In "Palavras Guardadas"
Paulo Faria



432
JCDINARDO

JCDINARDO

7ª CAVALARIA

Por estradas imaginárias galopas,
Entre súplicas e rezas prosperas.
Tantos não contam contigo,
Eu sim te espero atento,
Com toda minha esperança.
Em sonhos tensos,
Sempre aguardarei,
Que teu toque mágico de clarim,
Ordenando o ataque destemido,
Quando tudo mais parecer estar perdido,
Me proteja de todo mal
E brotem aplausos e gritos,
Como nas matinês de cinema,
Nas manhãs enflorescidas de domingo.
89
MiCeu Freitas

MiCeu Freitas

HORA DO DIABO

"O PRINCÍPIO DA CIÊNCIA
É SABERMOS QUE IGNORAMOS
O MUNDO, QUE É ONDE ESTAMOS
A CARNE QUE É O QUE SOMOS
O DIABO QUE É O QUE DESEJAMOS
ESSES TRÊS, NA HORA ALTA
NOS MATARAM O MESTRE
QUE ESTIVEMOS PARA SER"

Fernando Pessoa - "A hora do diabo"
117
kennedy Araújo

kennedy Araújo

O HORIZONTE DOS NOSSOS DIAS É VERMELHO

Frente à absoluta indiferença do capital
marcham
ainda perdidos e sem direção
aqueles
a quem chamo de irmãos e camaradas,
e que pela sua força de trabalho,
enquanto classe social,
produzem
a ferro, fogo e sangue
toda possibilidade
real e concreta
de igualdade, liberdade
e poesia.
O horizonte dos nossos dias
é vermelho.
E na boca daqueles que sustentam,
apesar de todas as barbáries cotidianas,
o valor imensurável das utopias,
o medo não é outra coisa
senão
palavra maldita.

Kennedy Araújo
363
MARIA DE FATIMA FERREIRA RODRIGUES

MARIA DE FATIMA FERREIRA RODRIGUES

Carta aos desafetos

Soube por terceiros que me vês de um jeito obtuso. Sobre isso nada tenho a dizer. O olhar é teu. Eu também tenho o meu sobre as pessoas e o mundo.
Sou um ser humano como tantos outros à deriva de olhares generosos, críticos e, por vezes, tolos assim como o teu.
Em mim não há qualquer esforço em parecer a ti nem a ninguém diferente do que sou. O teu jeito de me ver não tem qualquer importância, pois, em razão das nossas incompatibilidades, julgo melhor mantermos o distanciamento. Contudo te asseguro que ao tomar distância de pessoas inconvenientes o faço em respeito ao  que sou, e nesse gesto  existe um egoísmo que é guiado por uma espécie de intuição, que me sopra aos ouvidos, clamando por  precaução e paz.
A vida, como a entendo e aprecio, exige partilha. Desconheces esse valor.  Demanda também respeito, fraternidade e lealdade, e isso não faz parte do teu cabedal de valores.
Não consegues enxergar o essencial, no sentido posto por Saint-Exupéry. Esse atributo é invisível aos olhos das aves de rapina, visto que dirigem o olhar a um só objetivo, a sua satisfação imediata, e para isso guardam toda a sua acuidez visual e auditiva.
O essencial exige uma ausculta  ao coração. Sem ética não é possível ter essa sensibilidade para o essencial.
Sigamos nossas estradas. Elas nos levarão ao nosso próprio encontro, e a constatação do que somos, disso não há como fugirmos. Como bem disse Hamlet: "ser ou não ser, eis a questão".
Ficas com teu fardo que dos meus eu já me livrei.

Fátima Rodrigues
Em julho de 2014
562
Sammis Reachers

Sammis Reachers

Carta ao Livro de Bolso

Adolescido tomo
lanterna dos afogados

paraninfo da literatura
rancho da tropa, democrática
classe econômica
talismã, lítero muiraquitã iniciático

sustentáculo dos sebos, colecionário
de ceitils, centavos e xelins

Ingresso de matinê
na nau de Stevenson, na floresta
de London
na faiscante Paris espachim e amante
dos Dumas

condensário das imensidões
de Moby Dick ao pai Quixote

dramas d’antanho em prosa e papel jornal
poemas seletos lidos com lenta pressa
enquanto sacoleja o bonde ou o busão

lâmpada de celulose que exulta
na cama de solteiro do quartinho dos fundos
tanto te devemos, fiador dos desamparados
bengala dos moços, livro de bolso

338
rianribeiro

rianribeiro

Não impeça o teu coração de chamar o meu nome

Não impeça o teu coração de chamar o meu nome quando sentir saudades, nem os teus olhos quando querer os meus.

Nao transcreva em dor o silêncio. Não converta tua sede em desertos.

Dá teu corpo ao fogo, os teus braços como sacrifício, tua alma em cinzas, os teus olhos crucificados...

Eu morro mil vezes mais.
153
natalia nuno

natalia nuno

último acto...

Antes do último acto terminar
saio de cena,
com o coração trespassado
o olhar espantado.
E se alguma coisa  quebrar
Vai ser a palavra... tenho pena!
Palavra que me reconfortava
e em mim fecundava.
Ela que se arremessou contra meu peito
Se levantou enlouquecida
E sem me ouvir...assim de qualquer jeito,
se quer fazer ouvida.

Cai o pano de improviso
Há gargalhadas p'lo ar
A balbúrdia é  geral
O terceiro acto correu mal.
Levo o coração quebrado
Muito ficou por dizer,
que escapou entre o esquecimento,
como a frescura da água por beber
Lamento...lamento...lamento!

Neste palco fiquei destruída
Definitivamente quebrada
Que esperança ter
numa nova jornada?
Teatro é a Vida
Nele há esperança de verdade
Mas acaba mal o sonho
Resta a saudade.

Acabou a insólita peça
Houve palmas, apupos, e até gritos!
Agora não há quem meça
os ruídos (do meu coração)
aflitos.
Fui até directora de cena
Declamei de improviso
corajosamente no meio da multidão
Saíu mal, tenho pena!
Por isso saio sem aviso.
Sem esperança, fé, ou resolução.

Largo o traje a rigor
Com que vos saudava então!
Dos aplausos levo o calor
E para o olhar final, levo a peça na mão.
Nestas mãos cansadas, parideiras
de versos tantos!
De saudades, atiradas em prantos,
onde a palavra se faz ouvir
Até no dito que não pronunciei
Nas folhas de outono a cair
Na jovem que não existe,
na dor que calei.

Levo  a interrogação na boca
que em mim não esquece
Por que será a vida tão pouca?
Que já o pano desce.
Saio de cena!

natalia nuno
153
Raquel Ordones

Raquel Ordones

Os Filhos são crianças para sempre



Um dia a mais ou é um dia a menos?
Plenos. Importam são os dias atuais
Tais questionamentos me são venenos.
Pequenos para sempre, para os pais.
 

Sinais de madureza, alvos terrenos.
Frenos se abalizam, racham os ais
Canais; esforços são bem mais amenos.
Fenômenos; transpõem os seus portais.
 

Varais das afeições; razões, cossenos.
Serenos imos; cheiros tão florais.
Cais; extensão de nós e sem empenos.
 

Drenos de nossa dor, especiais.
Desiguais; mundo. Filhos são de Vênus.
Acenos de alma, derme e literais.

 
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
528
natalia nuno

natalia nuno

as paredes da minha casa...

Agora sei do meu lugar
depois de tanta recordação amontoada
dos sonhos que trago do alvorar,
da palavra espantada, exaltada,
do fio do meu pranto
sei do meu lugar.

Este lugar de vã canseira
onde as mãos não param de se agitar
onde surge a palavra desesperada
e os primeiros esquecimentos,
aqui é o meu lugar...
antes que tarde seja
aqui deixo meus pensamentos.

Este é o meu lugar
onde ressuscito memórias
e conto meus dias no mundo
nada, nada depois que a vida acabar
eu posso como agora procurar,
no meu eu mais profundo
aqui, agora é meu lugar

Esta mão que escreve sabe,
que este é o seu tempo e seu lugar
até os olhos terem vida
e enquanto a morte apenas farejar.
Este é o meu lugar
onde me deixarei adormecida.

natalia nuno
182
gioliveira

gioliveira

A fila do domingo - Conto

Todo domingo era a mesma rotina. Levantava-se ainda de madrugada, preparava a comida, se maquiava, vestia o "uniforme" e ia visitá-lo na cadeia. A rotina já durava quase um ano e apesar do cansaço de uma semana inteira de trabalho duro e mal remunerado, ela se sentia feliz em poder encontrar ainda que semanalmente o amor de sua vida.
Ele estava mudado, não era mais aquele homem grosseiro, intransigente, autoritário e violento de antes. Agora escrevia lindas e longas cartas, dizendo o quanto a amava e como sentia-se arrependido por não ter lhe dado o devido valor enquanto ainda era um homem livre. Ela lia tudo e sonhava com o dia em que seriam felizes novamente. No fundo se sentia culpada, afinal, ele fez o que fez para dar a ela a "vida de rainha" que ela tanto queria.
Chegou o dia de voltar pra casa e ela estava lá, toda arrumada e perfumada para levá-lo pra casa e enfim viverem o sonho que ele a prometeu. Mas no primeiro dia em casa, ele optou por comemorar com os "parceiros" e a deixou sozinha e esperando até amanhecer o dia, com o jantar ainda na mesa, preparado com todo amor e expectativa para uma noite de amor. 
Quando ele entrou em casa, o cheiro de álcool e a péssima aparência denunciou a ela o retorno do marido, tal qual ele sempre foi. 
E ela voltaria à fila aos domingos, era só questão de tempo!

(Gi Oliveira)
610
fragas

fragas

Quero tanto dar-te um abraço!


Sinto-me triste, porque estou tão perto, mas ao mesmo tempo tão distante de ti,
Faço uso de uma máscara, não para fugir, mas para proteger-te,
Nunca senti tanto a falta de um abraço como hoje, será porque o perdi,
hoje somente um, eu peço-te.
Quero tanto dar-te um abraço, porque preciso expressar meu afecto,
nessa fase difícil de confinamento,
sei que posso, mas não devo, mas eu quero.
Quero tanto dar-te um abraço, só para dizer que te amo,
sei que posso fazê-lo a distância, mas o teu abraço é reconfortante, ele é precioso,
teu olhar é silencioso,
mas profundo, ambos estamos afastados, porém unidos.
Quero tanto dar-te um abraço, pois não consigo,
esconder a tristeza de estar e não estar ao teu lado,
dá-me medo.
Só hoje sei o quanto vale um abraço, porque não o tenho.
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Rerismar Lucena

Rerismar Lucena

O Substrato da utopia

São Bernardo do Campo, 12 jul. 2020 às 22hs40.
Poema de: Rerismar Lucena
 
Na base essencial, do ser que repousa
A utopia do normal do instante;
E que, todo o costume [ir]relevante
Torna-se acerba, e a moral obtusa.
 
Como domar o futuro Liquefeito
No suster da inflexão da vida:
Revirar árduas feridas? Ou,
Ressignificar normas e preceitos?
 
Se algo acontece, a partir de fatores
Da realidade positiva, de polos distintos
Na assumida batalha [...] dos instintos,
Nos confins da eclusa de tempos motores.
 
Ainda que, sofisticado seja a usura
Da esfera social que perdura
A singularidade gravitacional do sujeito.
 
Sendo que o altruísmo cultural que prospera,
Nada mais é que o desapontar de uma era
Da infalibilidade de tempos imperfeitos.
 
                                    (Rerismar Lucena, 12 jul. 2020)
698
MARIA DE FATIMA FERREIRA RODRIGUES

MARIA DE FATIMA FERREIRA RODRIGUES

Tropeços de nós


Tropeços com as palavras
nos assustam e nos compõem
O pensamento que nos parece liberto
num lapso freia
Estarrece bruscamente
E eis que aquela eloquência
se embaraça na mente
O chão move-se
As certezas desmoronam
Nos reviramos ao avesso
para dar conta de algo
que nos parece a morte
O pensamento aniquilado
navega em águas turvas
Recolhe-se na escuridão
Como salvá-lo de tantas sandices?
Pensar, pensar, pensar?
Saem faiscas desse hiato
situado entre a fala e o silêncio
Há em nós algo que nos une
e nos separa, em fragmentos
Desde a Grécia Antiga
O pensar se revela
em abstrações e epistemes
O todo e a parte
o ser e o outro
A matéria e as representações
E nós?
Como juntarmos esses pedaços a nós somados em idealizações?
Qual é a verdade? A nossa verdade?
O tempo de cada um trará respostas
Aos que se permitirem
Melhor é não ser !

João pessoa, 22 de maio de 2020.
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