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Fayola Caucaia

Fayola Caucaia

REENCONTRAR

Sua presença me afaga
Afoga
Nada

Sua ausência afoga
Afaga
O nada

Seu cheiro ainda tá aqui
Seu voltar uma possibilidade
Seu olhar uma realidade

A tona esse anseio
Ansioso preceito
Ansioso

Nada, nada me contempla
Nua e crua
Nada, me abala

Nado, na sua ausência
Busco sua presença
Espero a possibilidade

De te reencontrar
1 123
Luciana

Luciana

Vampira solitaria

Sob a lua azul,
seus olhos hipnotizam
os caninos brilham,
refltem a alma solitaria
daquela que um dia amou.

A solidão e seu desejo
na imensidão inebrida
com anjos caidos 
no sorriso eterno.

labios sangram
liquido divido
a alma o pesadelo
resta apenas o vazio.

sombra obscura
cruel destino
vampira solitaria
segue seu caminho.
305
ArmandoNascimento

ArmandoNascimento

Sedução

Quero misturar o que mais de ti desejo em mim, quero a minha essência se aposando da sua, quero neste momento penetrar na sua mente , lhe tô amar de corpo e alma, da carne até sua alma quero nua, do mais profundos de meus desejos lhe terei por inteira, nada de fantasia frias ou melancólicas, quero nua e crua assim como neste exato momento está pensando em mim, escrito por Armando Nascimento
57
anderson_pereira

anderson_pereira

Dia 36

Bem vindo à modernidade líquida
Amores perdidos, palavras falsas
E uma garrafa de bebida vazia
Como era bom a vida boêmia
As músicas à Guns n' Roses, Pearl Jam e Metallica
Dançava com todas as moças
Saía com todos os rapezes
E como de costume
A carteira se esvaziava ao fim do dia
E hoje é apenas o dia 36
Um dia lindo, mas sem muitas alegrias
Casa bagunçada, roupas sujas
E algumas contas oriundas do bar do Messias
Preciso encontrar alguém
Que construa comigo um sentido à vida
Porque esse estado, viu...
Só dura um curto tempo
Ou até chegar as cobranças no fim do dia...
133
Lucas de Medeiros Hipolito

Lucas de Medeiros Hipolito

Hoje

Hoje… longe d’estes teus abraços,
Vivo solidão - assistindo os pensamentos.
Antes vadiei, esquecendo existencia do amor
E vivi - cego - voado n’aqueles momentos.

Eu amei… eu dei p’ra uma mulher - amor!
Respirei por tempos, anos os perfumes d’ela
Pois, gastei forças, sorrisos e senti dor!…
Desisti, ó deus… desisti da Cinderela.

Dando-se um açoite p’ra muito distante,
O amor foi-se embora da esperança…
Então, por diante, vivi tragédias…
As poesias nao faziam mais diferença.

Eu fui jogado na proa da inconsciência!
Andando em vastas friezas…
Quis viver, foi-me assim impossível…
- Eu só suspirei altezas.

O mundo agarrou-me com sujeira e fedor
E senti sumir de minh’alma a gentileza.
Consciencia? Adeus. A carne tomou-me conta,
E apagou-se do meu coração a nobreza.

Esqueci o romance, cuspi os sentimentos!…
Nada rugiria além mais alto… não não
Apenas um outro amor… tao forte como
… mas cade coragem? Assim que’as coisas são.

Eu gritei mulheres!… fui expor-me másculo! -
Os amigos obrigam o ridículo do homem.
E lá estive - explodindo egos - o palhaço.
Esgotei-me de risos!… mas as piadas somem.

————

Fui impuro por anos no além mundo…
As tochas d’alma se apagaram no olhar.
Eu suspirava sujeira… apenas sujeira…
Mas, e se novamente um dia eu tentar?

E nem passaram tao longe estes pens’mentos…
Então açoitarei p’ra os sopros do amor!…
Para se meu coração teria uma chance
De um dia talvez vir a amar outra flor.

Deixei-me ir… recebi a chave d’esperança.
Meu coração procurava luz… um além mar…
Meu coração avistava cores… sorria!
Meu coração queria… talvez… amar?

Senti algo além de meus pulmões…
Senti… eu senti um bater em meu peito.
Foi-me estranho, ó deus… eu não sei…
Pressentimento?… talvez… deus já tinha feito.

————

N’um dia de sol… os raios tinem ao meio.
No Mamede imperial de nossos corações!…
Avistei uma flor… a mais bela das princesas…
Tenis preto, Nike! Calça cinza de lindos rasgões!

Eu suspirei um… perfume?! Entre os ares…
Meus pensamentos nao acreditavam!
A sala enchia-se de paixões!… nós dois.
Meu Deus… meus olhos p’ra ela flutuavam!

Seria um anjo a visitar minha visão?!
Era a princesa procurando sua coroa
Eras tu, óh minh’amada… soubeste de mim!
E ainda hoje esta visão aqui s’escoa…

Saímos do Mamede e perguntastes do Busão…
Joguei-me p’ra Deus e o mau p’ra o estopim!
O dia cantou história, os ventos soaram
E teus olhos brilharam tímidos p’ra mim

Passaram dias até a primeira poesia…
“A Triste Despedida” á vossa paixão.
D’ali p’ra avante os luares da madrugada
Foram as luzes de vossa excitação!

Entrei n’outro mundo, por esta era…
Tu fostes a minha crença, minha guerra.
Fostes o perfume entre as flores belas
E o desejo imenso, que forrou a minha terra.

————

Estás a distancia d’um oceano!…
A dor desmorona todo o meu sincero riso…
Mas por que?… tu eras o meu amor!
Tu eras a minha paixão… o meu sorriso.

… parecem déc’das, séc’los sem o teu tocar.
Hoje… ainda sinto o sabor de teus beijos.
Tudo que p’ra mim tu fostes, és o infinito!
Tu serás sempre o topo de meus desejos!
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Kanienga L. Samuel - José

Kanienga L. Samuel - José

Apocalipse

Oh, Deus nosso, Pai nosso que estás nos céus!
Qual é o Teu maravilhoso plano?
— Pois até hoje homem nenhum o compreendeu.
Ilumina-nos, Senhor, pois o mundo escureceu!
A salvação está somente em Ti. Salva-nos, oh Deus!
Quando virá o Salvador? — Daqui a um ano ou dez?
Que Jesus venha e acabe com tudo de uma vez!

Há tanto sofrimento quanto há tantas almas perdidas!
Tanta vaidade, tanta maldade sem medida!
Quanto mais o tempo passa, menor é a esperança divina.
Pastor, as Tuas ovelhas estão em um beco sem saída!
Quando virá o Pastor? — Daqui a um ano ou dez?
Que Jesus venha e acabe com tudo de uma vez!

Devido à amargura existencial, meu coração está partido.
A melhor coisa que me aconteceu é a pior que poderia ter me acontecido!
Pai, estou incompleto, pois estou dividido
Entre o desejo de ser salvo e o de nunca ter existido!
Quando virá o Senhor? — Daqui a um ano ou dez?
Que Jesus venha e acabe com tudo de uma vez!

África, Angola - Luanda, 2020.

687
Lucas Menezes

Lucas Menezes

Ela pra mim (II)

É o farol pro Gatsby
É o diálogo pro Tarantino
É o chicote pro Indiana
É a viagem pra Chihiro

É o garrafão pro Jordan
É a garrafa pro sambista
É o dedilhar pro Paco de Lucía
É o bêbado pra equilibrista

É a família pro Corleone
É a laranja pro Coppola
É o samba pra Alcione
É a alvorada pro Cartola

É o céu pra NASA
É a lua pra Ismália
É o mar pra Clara
É o cabide pra Mart'nália

É a ciência pro ateu
É o neologismo pro Guimarães
É o gato pro Schrödinger
É a Areia pros Capitães

É o domingo pro Lionel Richie
É o Museu da Imagem pro Som
É o negativo nº25 pro Walter Mitty
É o ground control pro Major Tom

É a máscara pra Pandemia
É o efeito pra borboleta
É o cabelo pro Dennis Rodman
É a Rússia pra roleta

É o Brasil pro Policarpo
É a quaresma pro crente
É o pandeiro pro Bira
É a Polícia Federal pro Presidente

É o violão pra voz
É a voz pro violão
É o “V” pro Cruz e Sousa
É, pro poeta, inspiração
379
anderson_pereira

anderson_pereira

Alarme

Quatro e dez da manhã e o alarme assobia

‘Fiu fiu”, dia de abrir as janelas e ver o pôr do sol

Admirar a paisagem, pensar sobre a vida

Mas isso não acontece, confesso

Ando num pragmatismo

Mesclado por um ciclo, confuso e complexo

A cada expressão do alarme é um desafio

A vida, certamente não é difícil, é até simples

Mas fazer o simples que é ser difícil

Mas veja por um lado, veremos todos os nossos amigos

Até aqueles que não gostamos

E depois postaremos no Instagram as fotos

Para os outros verem e pensarem

“Nossa, ‘best’ deve viver bem a vida”

Talvez a expressão do alarme seja o começo

Dessa mesma rotina

Eu sei, mas não devia.
54
Pedro Rodrigues de Menezes

Pedro Rodrigues de Menezes

crisálida indecifrável

uma crisálida indecifrável
que respirasse
na perpendicularidade
das minhas pálpebras
como uma força
vibrante e extraordinária
a desenhar as novas veias
fartas e cálidas
do dogma
filosofia ou religião
paradoxais
um paradoxo forte
imbatível e irrefutável
que fizesse esvoaçar
a inércia do verão
que é na memória póstuma
dos outros
o solstício
permanentemente sombrio
uma silhueta contendo
os risos verdes
lá atrás
onde os braços descansam
nus
no imponente esquecimento
do mundo.

(Pedro Rodrigues de Menezes, "crisálida indecifrável")
489
Lucas Menezes

Lucas Menezes

Cenários (com Clarice Sabino)

I

Se no fim disso tudo
Sobrar só eu
Sobrar só você
Faço do apocalipse um ensejo
Boto em palavras enfim meu desejo
Ajoelho
Peço
E fico contigo
Dou sorte de casar com a mulher mais linda do mundo
(desta vez sendo inevitável e imune de contra argumentação)
E o azar de não poder espalhar para ninguém a notícia….

II

Se no fim disso tudo
Sobrar só a gente
Faço do apocalipse um ensejo
Boto em palavras enfim meu desejo
Ajoelho
Peço
E você diz não
Cai-se a ficha
Do verdadeiro apocalipse

III

Se no fim disso tudo
Sobrar só tu e eu
Faço do apocalipse um ensejo
Boto em palavras enfim meu desejo
Ajoelho
Peço
E você diz
Que precisa pensar
Dou sorte de
A mulher mais linda do mundo estar pensando na possibilidade de casar comigo
(desta vez sendo inevitável e imune de contra argumentação)
E o azar de a resposta poder ser não
Mas
Se for sim
Lua de mel na Pangeia

IV

Se no fim disso tudo
Sobrar só eu e você
O apocalipse será uma festa
Eu e você abrindo as portas do zoológico
Eu e você pilotando um avião
Eu e você e o mar aberto
Eu e você correndo para
Eu e você fazendo um
Eu e você brigando por
Eu e você repovoando o mundo
Você e eu sambando um choro no chão pós-apocalíptico que nos consagrou
Eu e você até o fim depois do fim de tudo

V

E depois disso
Nada vai melhorar
O planeta não respirou melhor
As pessoas não se conscientizaram
Mas eu vou
E depois disso
Tudo vai melhorar
Para você
Para mim
Para o mundo
Descer?
Subir!
Vou lhe ver
Vais sorrir
Escrever?
Até o fim!
Beber?
Gurufim!
378
Lucas Menezes

Lucas Menezes

Eu te amo nunca é suficiente

eu te amo
amo-te
porque amo
se não amasse não amava
simples assim
mas
te amo
e digorepito um nonilhão de vezes
incessantemente
pois “eu te amo” nunca é suficiente
268
Vilma Oliveira

Vilma Oliveira

GENTE DE FATO

São pessoas que se cruzam
Pelas ruas não se olham
Não se tocam nem se falam
Só se calam...
São pessoas iguais a mim
Iguais a você também
Que sonha com o impossível
Que tentam ser mais livres
Mas continuam a ser
Apenas boas atrizes!

São pessoas de todo tipo
Raça, classes diferentes,
Umas moram em mansões,
Em edifícios gigantes...
Outras apenas se escondem
Em pequenos horizontes
Com a marca da solidão
Estampadas no coração!

São pessoas que passam
Umas pelas outras, num vai
E vem que não tem fim...
Num diálogo quase mudo
No corre-corre da vida
Não tem tempo para pensar
Se dividir, se entregar!

São pessoas que passam
Pela vida sem conhecer
O universo do outro
Preso a um mundo só seu
Do egoísmo que assusta
Muitas pessoas nem tentam
Ser mais gente, ser mais justa...
Morrem em completo anonimato
Sem ter vivido ainda
Sem ter nascido de novo
Sem ter sido apenas
Gente de fato!
274
Paulo Faria

Paulo Faria

ADMORO-TE

Ouvi dizer...
O tempo cura tudo.
Eu só queria me embriagar
Neste tempo todo do mundo...
Mas mesmo que o fizesse... 
Não seria eficaz 
Perante este sentimento com raízes sólidas
E se cortasse as raízes ?
-O suco as faria brotar de novo!
Mas...
E se as raízes estivessem secas?
-Pegariam de estaca!
E se as queimássemos?
-Elas formariam uma nuvem...
Brotando lágrimas de saudade,
Rosadas de paixão ardente...
Dando vida a uma flor única
E como se chamaria essa flor?
-ADMORO-TE !

in "Palavras Guardadas"
Paulo Faria
268
ArmandoNascimento

ArmandoNascimento

Ami

Nas profundeza do brilho de seu olhar cai, sem amor sem carinho me vi, onde calado sofrido jogado me vi, perdi a noção fiquei sem razão tentando achar meu chão, tudo por causa desse olhar que no lamaçal da paixão me jogou, me fez vomo escravo em busca de seu coração, não a mais liberdade agora, irei ao fundo onde apenas seu olhar já me deu a sentença, sofro por este olhar que sem querer me invadiu deixando assim minhas vontade me levarem a este fim, apenas por desejar tanto este teus olhos direcionado pra mim, escrito por Armando Nascimento
73
Paulo Faria

Paulo Faria

SEM DIZER ADEUS

Diz-me...
O que me resta ...
Partiste... sem me dizer adeus
Não esperaste por mim...
A raiva, a dor....  
Tomou conta do meu ser
Grito no silêncio da minha solidão,
E sinto que já não estou cá
A noite vem, trazendo a saudade
E a tua ausência doí demais
Quebrando meu coração que desfalece a cada dia.
Na escuridão da noite escrevo a minha raiva
Juntando todos os pedaços que ainda restam de mim.
Soltam-se as lágrimas nas palavras escritas 
E não consigo viver sem ti
Eras a vida dos meus sonhos...
Dando luz aos meus escritos
O meu amor fez-se eterno por ti
Nada mais me resta...
Aguarda...
O destino não nos pode separar

In "Palavras Guardadas"
Paulo Faria
437
Claudio Silva

Claudio Silva

Corona Vírus 1

Lá fora um dia tão lindo,
Eu aqui nesta prisão.
Sem poder sair de casa,
Preso como se fosse um ladrão.

Sem ter matado ninguém,
Nenhum roubo cometi.
Olhando pela janela,
Paisagens que nunca ví.

Separado da familia,
Dos amigos dos irmãos.
Sem poder dar um abraço,
Nem dar um aperto de mão.

O tempo que era tão pouco,
Agora está sobrando.
Somente o relógio não para,
A terra continua girando.

A cidade está deserta,
Os velhos das ruas sumiram.
E das brincadeiras na rua,
As crianças desistiram.

Alegre na árvore cantando,
Não ouço o passarinho.
Por certo também está preso,
Com seus filhotes no ninho.

O grande ástro do momento,
Nos meios de comunicação.
É o famoso corona vírus,
Do mundo o grande vilão.

Desafia toda a ciência,
Tirando de muitos a vida.
Parece que é uma guerra,
Por toda a humanidade perdida.

Como tudo tem um fim,
O dele também vai chegar.
E novamente nós todos,
Vamos poder se abraçar.
337
anderson_pereira

anderson_pereira

Outrossim

Outrossim

Flores brancas, girassóis e jasmins

Frugal, Fleumático ou Incólume?

Não, não acho

Os pássaros que hoje cantam aqui

Já não cantavam desde lá

A mocinha que roubou meu coração

Hoje não se encontra mais acá

Como éramos felizes, diria!

Você jamais poderia imaginar!

Éramos como Rony e Hermione

Ela descrevia todas as constelações de noite

Falava sobre um tal de Romeu e Julieta

Enquanto eu, o quanto de peixes vendi nas feiras

Parecíamos tão distintos, com realidades diferentes

Eu era tão pobre que só tinha a imaginação e a melancolia

E ela tão rica, poeta, fazia de tudo para alegrar meus dias

Não sei ao certo, parecia até um deboche do destino dar-mos certos

E..., bem,  depois aconteceu algumas coisas

Jogamos fora os nossos sonhos

E partimos para rumos diferentes

Âmago, Odiento ou Veneta?

Não, não acho

Mas que há a saudade, há!

E você pode até não acreditar

Mas houve um tempo em que tínhamos um tempo

Sim, houve um tempo em que havia tempos.
957
Valter Bitencourt Júnior

Valter Bitencourt Júnior

Nos tornamos um

Sover dos teus lábios o desejo
E a ardência de uma noite
Feito aguardente
Embriago-me em ti.

Soverei dos teus lábios
A vida, e do aguardente
O desejo de saciar-lhe
Mais e mais.
Embriagar-me em seu corpo
Numa noite de lua cheia
Sussurrar em seu ouvido
Canções de amor.
O sereno a farfalhar
As suas madeixas
Exala-me a fragrância
Do começo que mistura-se
Ao meu aroma
Nos tornando um.

Valter Bitencourt Júnior
55
A poesia de JRUnder

A poesia de JRUnder

Personagem


Minha alegria, meu disfarce,
Meu otimismo, minha máscara.
Não é meu este sorriso,
Ele apenas se estampa
Na face deste personagem que assumo.

Não estou triste. Acostumei a ser assim.
Não olho em seus olhos, porque meu olhar está distante...
Perdido na linha do horizonte,
Onde meu mundo se encontra com o infinito.

Quantos olhares lá se perdem?
E o que esperam? O que espero?
Talvez o tempo... Passar, mostrar, falar, calar...
Talvez voltar, para que se possa enfim,
Recomeçar...
546
Claudio Silva

Claudio Silva

Espelho

Hoje o sol brilhou mais forte,
A lua está cheia de amor.
O mar está calmo e sereno,
O vento forte passou.

As estrelas estão dormindo,
As nuvens enfeitam, o céu.
A esperança vem chegando,
Num barquinho de papel.

A alegria vem correndo,
Sempre vencendo a tristeza.
Pois na corrida da vida ,
Só existe uma certeza.

Que tudo na vida passa,
A juventude também.
Os anos passam velozes,
A velhice logo vem.

As dores no corpo e na alma,
São companheiras constantes.
Os sonhos ficaram presos,
Em um passado distante.

É o espelho que nos mostra,
As marcas que o tempo deixou.
As rugas são testemunhas,
De uma vida de labor.

No final a morte chega,
Nos da um abraço fatal.
Pois na vida tudo passa,
Tudo tem o seu final.
291
silvano75

silvano75

Meu amor (soneto)

Meu amor é singelo, familiar e simples
tem cheiro de terra molhada da chuva,
Da madeira queimando no fogão a lenha,
De ervas de cheiro e perfume dos temperos.

Meu amor tem o ninar da criança,
A cantiga de roda das meninas,
A moda dos seresteiros
E estórias de velhas senhoras.

Meu amor é antigo, arcaico e matriarcal
Esconde, protege e acolhe seu desejado.
Meu amor tem ciúmes e queixumes
Meu amor tem medo, porque não sabe perder.

Meu amor não sabe navegar sozinho.
Meu amor tem ânsia de não perder
Sede de não dividir e fome de esconder,
Meu amor é branco e negro, azedo e doce

Meu amor e fel e mel
Ouro e zinco, disfarça e mascara
Acolhe e escolhe, protege e elege
Recebe e não doa, cobiça e esconde.

Meu amor não real é real mas é o único que conheço.
Não existe para ninguém mas existe aqui dentro.
É uma coisa doída, morrenda, nua e esfaimada.
Mexe com minhas entranhas e me faz chorar

Estou cansado. Cansado da cobiça por minha infância,
De desejar o cheiro da casa exalando amor,
De buscar um olhar que sorria ao me ver,
De invejar um amor que não é meu.

Meu amor é singelo, familiar e simples
Meu amor é desejo sem o desejado,
É sonho que não devia ser sonhado,
É um beijo pedido, perdido e nunca encontrado.

Autor: daniel silvano
105
kauanoliveira__

kauanoliveira__

E por isso ainda estou vivo

Caminho por lugar nenhum
Enxergo através de um óculos sem lente
Alço voo sem sair do chão
Escuto, mas no volume zero

Canto alto, mas sem fazer barulho
Sorrio, mas sem mostrar os dentes
Durmo, mas sem fechar os olhos
Caio, mas continuo em pé

Ainda não parei de sonhar
Ainda não parei de imaginar
Ainda não parei de pensar
E por isso ainda estou vivo

Kawã Oliveira
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adrianoperalta

adrianoperalta

Síndrome de CONCEIÇÃO - vive numa realidade paralela

Tem muita gente com a SÍNDROME DE CONCEIÇÃO – vive no morro a sonhar, com coisas que o morro não tem. Pra ter regalia de OFICIAL, não se presta concurso pra PRAÇA. Não se enche a despensa vazia, acordando ao meio dia; tudo que é bom tem seu preço,  nada é entregue de graça.  A vida do bancário é diferente da do banqueiro, um se mata no trabalho, o outro esbanja dinheiro.  A REALIDADE nem sempre é bela, ainda que muitos prefiram, encará-la de forma paralela.
103
JOAO VITOR LIMA ROCHA

JOAO VITOR LIMA ROCHA

ORDEM E PROGRESSO


 Ele nos contou mentiras
 Disse que não somos capazes
 Moralmente está morto
 Alienado incapaz de pensar

 Somos meros números 
 Representantes de um país sem futuro
 Vamos colher os frutos
 Não dá mais tempo de mudar 

 Do que adiantou o fim da escravidão?
 Do que adiantou a república então?
 Se agora somos governados por um bando de retardados

 Ninguém honra a nossa bandeira
 Ninguém acredita no país da zoeira
 Brasileiro é marmita estragada
 Escravo do mesmo sistema
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