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fernandogbr

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DESAFOGO


não há covardia,
em fugir do inevitável.
ao fugir do certo, que é certo
em cada momento contado
(e incerto).

não há fraqueza,
em aceitar a dor;
que por muito te consome
e que por pouco te corrói.
que já te fizeste enxergar
o tanto que destrói.

não há prazer,
em ganhar uma luta perdida.
se tua resistência faltar
(se tua existência falhar)
é uma derrota
(garantida).

não há vida,
se cada sopro dado,
não passa de vento gelado
a escorrer na ponta de teus dedos
como teu destino
(lacrado).

só há pensamentos
(amassados)
sobre onde erraste,
sobre onde falhaste;
num brilho obscuro
que busca um contraste.

que tua mente aflita,
(reflita) todas as cores
que te foram roubadas
pelas armadilhas da tua alma.

que teu amor receba,
tudo que habitar
nos teus mais vorazes desejos.
e que sinta em cada um deles
(um beijo?)
um sopro de ar quente
novamente.

402
Iêda Maria Castro

Iêda Maria Castro

PÔR DO SOL

Um tom sobre tom
Vermelho alaranjado
Escuro e verdadeiro
Poeta e sorrateiro
Do amanhecer ao anoitecer
Simples assim
Pôr do sol!!
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j_ellen

j_ellen

Ela era a praia


Ela era a praia
A cada estação que passava
Cada pegada apagada
Tudo a onda levava.
Ela era a areia
Que para o fundo era arrastada
Da praia sempre roubada.
Ela só não era o mar
Que na praia suas ondas jogava
E logo em seguida sua água cobrava.
Ela viu o tempo passar,
Sua areia manchar,
Para então tudo a onda de si levar.
 
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Frederico de Castro

Frederico de Castro

Portas do mar



De frente para as portas do mar ruge uma maré
Alimentada por quânticas ondas tão multicoloridas
A luz coada espreita entre as frinchas de cada hora persuadida

De longe chegam suculentas brisas quase surpreendidas
Gemem provocadoras quais emoções tão descomedidas
Debruçam-se à janela onde passeiam preces mais esclarecidas

Na grandeza da esperança que em palavras esta fé declama
Ajoelha-se a fé mesclada de sonhos e lembranças aplaudidas
Assim se respira um dilúvio de eternas gargalhadas divertidas

Frederico de Castro
212
Tsunamidesaudade63

Tsunamidesaudade63

Mãe branca, Mãe amarela, Mãe preta

Mãe branca, Mãe amarela, Mãe preta,
durante toda a vida se puder nos dará a chupeta.
Mãe loura, morena ou ruiva,
enquanto é viva ela sempre nos cuida.
Mãe caseira ou cigana itinerante,
se puder nos da uma vida radiante.
Mãe de todas as raças, de todas as cores,
ela será para nos o maior dos nossos amores.
Mãe que mendiga, mãe que trabalha,
uma Mãe nunca nos atrapalha.
Mãe que frequenta alta sociedade
ela quer para nos unicamente a felicidade
Mãe que é Mãe a todo momento,
ela da tudo, pra não ver o nosso sofrimento.
Sem importar o carácter ou a condição social,
ela será para nos sempre a Mãe ideal.
Mãe é só uma palavra que soa,
Mãe pode ser mais feroz que uma leoa.
Como favos de mel dentro da boca,
a cada sorriso uma doçura graciosa .
Mãe guerreira, Mãe carinhosa.
Mãe será sempre uma Mãe...
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laertgoulart

laertgoulart

O medo de dormir

O medo de dormir
me impede de sonhar 
Cansado, fecho os olhos
desperto assustado. 
É a sensação 
que algo ruim vai acontecer
e acontece...
Medo, desencanto, apreensão...
Assustado, fecho os olhos
desperto cansado. 

Petropolis 2/12/2020
28/10/20
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ERIMAR LOPES

ERIMAR LOPES

A VERDADE MUITAS VEZES NÃO DITA

Sempre haverá inspiração para um coração enamorado
Um coração desprezado sempre procurará consolação
Sempre haverão outros lábios 
Sedentos, famintos, muitas vezes sábios 
Um coração desconsolado procurará auxílio 
Um beijo furtado liberta do exílio
A boca esquecida
Sempre haverão outras vidas
Buscando amor
Quando os corações não encontram guaridas
Quantas vezes lida
Com estas coisas vivida
Quantos mares mortos
Quantas ondas quebradas
Quantos relacionamentos tortos
Um coração magoado se retrai
Mas num carinho apertado se recai
Num carinho apaixonado se esvai
Não se dá conta
Não se explica
Julga-se cabeça não pronta
Mas não se justifica
Um coração desamado sempre vai
Desabafar a quem se indica
Mas a verdade sempre fica
Com o Oráculo que tudo testifica.

Erimar Lopes.
1 400
kronyer

kronyer

Ciclo quaselunar

Em tinta vermelha
Fitando a Lua cheia
Sinto calma saudade
Dos tempos de outrora
Quando os dias ainda
       [não ameaçavam

— Escorrer entre meus dedos
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MARIA DE FATIMA FERREIRA RODRIGUES

MARIA DE FATIMA FERREIRA RODRIGUES

Espelho d' água


A imagem  refletida no riacho é transversa
e as sombras nele projetadas fazem arte
transmudam-se em bichos de toda natureza
Bruxuleiam
Quando calmo o riacho é regato
Nunca é recatado
e não se ata a nada
Segue  toda a vida
Seu barulho arrulha
e embora se contorça não se embaralha
Ao desdobrar-se de si vira reta
e segue plano
Se o relevo se empertiga vira uma queda
Atravessa com força o despenhadeiro
e abraça a moça
despenteia-lhe os cabelos
Faz rodeios para brincar de nada
como criança
Sob a luz é reflexo
espelho fora dos eixos
Tremeluza !
Seus contornos são próprios
e seu chão tem bichos de pedras
gerações inteiras de seixos afogados
sob musgos
em formas surpreendentes
Quando seca vira apoio certo
pedra sobre pedra
Se inverter a rota
me entristece
Sigo é em frente
como diz um parente
Amo o que o compõe e o indefine
Me perco nessa Geografia
E não há lupa que o mostre igual
A sua grandeza é restrita
e sobeja em ser.
Fátima Rodrigues, expedicionários, João Pessoa, Paraíba, Brasil.
355
A poesia de JRUnder

A poesia de JRUnder

Cascatas

Vem meu amor, abra a janela, o dia é lindo, 
Lá em cima o azul nos cobre, como fosse um véu.
E brancas nuvens , qual moldadas no algodão,
Imitando corações, enfeitam o imenso céu.

E passarinhos cortam esta paisagem, 
Para com cores seus olhos presentear...
Espalham o brilho que assim como miragem, 
Nasce bem fundo no fulgor do seu olhar.

Flores dos campos, ouvem dos ventos, murmúrios, 
São mil segredos e juras de paixão sem fim.
Que como eu sob a janela em  sussurros, 
Falo do amor que por você nasceu em mim.

Ao longe as águas de um riacho, em cascatas, 
Cantam a alegria que se esparze pelo ar, 
Meus sentimentos jorram como cachoeiras
E a seus pés meus sonhos vão depositar.

473
Helio Valim

Helio Valim

João um eterno retirante


O sol queimava a fronte de João,
que embevecido pelo tristonho lamento,
a ladainha sofrida da típica rabeca,
dormia o sono dos séculos
em seu berço de pano,
a rede dos tempos...

Enquanto dormia,
timidamente sorria,
ocultando atrás da boca sem dentes,
o seu pobre sorriso ausente;
típico de um eterno retirante.
Um João de “barriga vazia”,
um João decente,
mais um João que sofria...

Sonhando seu sonho de vida,
rezava ao “Padim Ciço”
tentando saldar sua dívida,
cobrando dos céus alguma dádiva,
sem conseguir aliviar as suas dúvidas,
dúvidas de um João sem dentes,
um “João-ninguém”,
um João descrente...

Tristemente saudando a pobreza,
seguindo sua via-crúcis,
vendo seu Cristo crucificado em cada estação,
cada dia, cada quilometro sofrido
na vida de um pobre João,
carga de um “pirata”, o novo pau de arara...
299
W.Poi

W.Poi

DORES DO AMOR

Desenho uma emoção
De giz na minha imaginação
Onde poderá se apagar
Por qualquer outra razão

Fruto doce
Que amarga a boca
Mais quando sente o sabor
Te deixa louca

Sentimento obscuro
Surgindo em minha carne
Me torna em cima de um muro

Sinto algo estranho
E daí vou apenas sentindo,
Olhando, gritando, amando.

W.Poi
INSTAGRAM @wandersonpoi
165
CORASSIS

CORASSIS

Soldado


O maior dos soldados
O mais desenvolto
Não quer morrer!
Tirem de suas mãos a espada
E ainda sim vai sobreviver
Ó Deus ! é o amor da amada que o faz viver .
275
Poeta  Eduardo  Rodrigues

Poeta Eduardo Rodrigues

QUANDO À NOITE CHEGAVA

Quando à noite chegava
As velas iluminavam
E nas estrelas...
Eu via você

E fazia desenhos
E tentava
Me ver ao seu lado
Mas eu....
Só via você

Durante o dia eu olhava pro céu
E via as nuvens de mel
E ali...
Eu via você

E eu tentava me ver do seu lado
Mas era tarde
As nuvens...
Sumiam com você

Quando eu via as estrelas do céu
Quando eu via as nuvens de Mel
Ali...
Eu via você

E eu achava que estava louco
Como se já não fosse
Louco...
Por você

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Manuela Barroso

Manuela Barroso

Ode à Alegria

 
 
Levanta-te, alegria
e canta as primícias dos caminhos de sol
que te levam aos oásis de luz.
Corre como a gazela, o altar do penedio e enche o corpo das flores
com a seiva do teu olhar.
Dissolve-te nas cores,
perscruta o latejar dos aromas no íntimo abandono do teu corpo.
Veste-te de musgo
e derrama a tua sede de música nos gorjeios dos gaios.
Persegue a penumbra
dos voos velozes das águias no sonho das escarpas.
Deixa-te entrelaçar
com as folhas mornas dos fetos
e abandona-te no imperceptível vazio de outras sílabas
escondidas entre os salgueirais.
Procura a embriaguez do sol da tarde,
lê o respirar dos morcegos e os rumores dos insectos
no seu passeio crepuscular.
 
Sussurra, alegria, com o teu orvalho,
ao veludo perfumado da folhagem,
afaga os corpos transpirados de sonhos
na sua viagem.

  Manuela Barroso

 

 
333
Tsunamidesaudade63

Tsunamidesaudade63

Pequena homenagem a Tony Carreira, paz a tua alma Sara Carreira.


Perder um filho e perder parte de nos,
comparto esta grande tristeza e choro com vos.
Perder um filho faz perder até a razão,
e nos despedaça o coração.
Perder um filho dói tanto, tanto,
que nos inundamos num mar de pranto,
Ao perder um filho, até a nossa alma se abstém,
e de dor morre parte de nos também,


Meus mais sentidos pêsames, Tony Carreira
Abraço deste teu Fan, Joao Manuel Prates Neves..
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Daniel Feijoo e Caldas Almeida Pinto

Daniel Feijoo e Caldas Almeida Pinto

Estrela Polar

uma réstia de esperança

numa noite escura...

uma estrela fixa 

aonde tudo muda...

 

ver o teu olhar iluminado

por estar lado a lado...

saber que no caminho

não se caminha sozinho

 

olhar esta imensidão cadente

metrópole que nunca dorme...

ouvir cantar sereno entre a gente 

essa verdade, sempre forte...

 

sentindo que há um sentido...

dando tudo por vê-lo cumprido...

 

ouvir amigos por perto...

um passo que se faça certo

 

frases pequenas para gente grande

palavras apenas para ser gigante...
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Fayola Caucaia

Fayola Caucaia

EU AMO AMAR

Tá tudo se transformando, eu, essa casa, esse mundo. Nada será como antes, nem o hoje será como o amanhã, são várias vidas que se tem no mesmo corpo, na mesma carcaça que se habita aqui. Eu não sou quem eu era nem sou o que serei, talvez nem sou o hoje, o hoje que me seja.  
Estou me transformando, migrando dentro de mim mesma, me deslocando e reinventando. 
Tenho guardado memórias, pra mim. Tenho problema de esquecimento talvez apagamento, acho que isso me impulsiona mudar, não quero esquecer as coisas mais bonitas e importantes da minha vida, quero que elas fiquem aqui, tenho registrado tudo, feito do poema um desabafo, um reflexo de tudo que passo, proponho, faço ou desfaço, registro essas memórias pra mim, não tive elas antes, não sei de onde veio meus avós, não sei das histórias, das aventuras, das paixões, dores e amores que elus passaram, tô tentando buscar tantos significados, outra narrativa, decolonial, buscado caminhos antes que eu não enxergava como possibilidade, hoje faço das minhas escolhas, minha morada.  
Não quero ter medo, tô fugindo dessa sensação, medo do que não existe, do que se foi ou será, tô refletindo sobre tudo, só, passando por uma transição só, a partir das escolhas que eu fiz, sobre onde estou, por que estou, como estou e até onde vou, escolhi em parte está aqui, estou aqui por que devo estar aqui, estou só, inteiramente só, aprendendo a está só e ficando bem só, estou amadurecendo nesse sentido, tentando não pensar em bobagens, apenas em crescimento, maturidade, me reinventando, me descobrindo. São 13m² de pura imersão, dentro de mim e do cerne e do ápice de onde posso chegar comigo. Nesse espaço, nessa casa, nesse contexto.  
Tô buscando me amar ainda mais, fico as vezes 24h pelada, me olho por inteira, repetidas vezes, vejo possibilidades, onde quero chegar com o meu corpo, quero amar ele constantemente, me amar por inteira, me possibilitar, me pintar, buscar possibilidades sem interferências externas, eu comigo e só comigo, me contemplar.  
Eu amo amar.
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olharomar

olharomar

Te amarei

Te amarei 
Sempre e mesmo quando estás ausente
Em cada gesto que em ti permanece
Sempre que o luar nos falta e não se sente
Te amarei 

Te amarei
Em cada dia que amanheça 
E sempre que o luar se despeça
Em cada gesto que em ti permaneça
Te amarei

Te amarei
Com corpo e alma de caminhante
O coração trespassado e errante
Te amarei

Te amarei
Com todas as dúvidas e medos
Com a saudade fugindo dos meus dedos
Com toda a saudade e recordações
Te amarei

Te amarei
Com todo este amor que não desejo
De suor e lágrimas benzido
Te amarei

Te amarei
Com a força que me resta 
E um sopro me empresta
Te amarei

Te amarei
Delirando em sonhos nos campos da vida
Mesmo estando tu perdida
Te amarei
 
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A poesia de JRUnder

A poesia de JRUnder

Pedaços de mim



E foi voltando para “de onde” um dia parti,
Recolhendo pedaços de mim, que deixei espalhados pelo caminho,
Que percebi o porque minha vida é tão vazia.
Fui largando pela estrada o que fui, o que sonhava ser,
O que era o melhor de mim, o que me fazia feliz.

Fui me reduzindo ao pouco que me resta, e me tornei assim, inexpressivo.
Deixei que o pó da estrada recobrisse meus sonhos, minhas expectativas.
Deixei o mato crescer e tomar conta da minha alegria de viver.
Não me dei conta de que cada pedaço de mim, é parte fundamental para a vida.

O que o tempo destruiu, não se pode recuperar.
O que resistiu às intempéries, ao sol escaldante, às chuvas torrenciais,
Talvez sirva como alento, ao futuro que começa agora e é o que me resta.  
Mesmo que termine assim como a noite...  Quando um novo dia nascer...
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kronyer

kronyer

Re-fluxões

Cada palavra medida
Em um ritmo que não
             [me pertence
Já que pela primeira vez
Era eu quem transbordava.

— Sch-sch-sch-sch-sch…
250
Tsunamidesaudade63

Tsunamidesaudade63

Tudo é lágrimas

Tudo é lágrimas tudo é desespero,
tudo pode ser lindo tudo pode ser felicidade,
tudo um dia vai ser sorrisos,
espero poder parar o tempo,
pra estar a teu lado,
mas nunca pensei,
que doía tanto esta separação,
mas já não chores por mim,
que eu estou num lugar,
muito bonito esperando por ti...
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A poesia de JRUnder

A poesia de JRUnder

Essa pequenez.


E por vezes, acontece...
Estarmos em um lugar ermo, isolados do mundo.
Nada ou ninguém à nossa volta.
E não nos sentirmos sós.
Porque sabemos que existe quem se importe,
Quem se incomode, quem sinta saudades.
Existe um abraço à espera do nosso retorno.

E diferente quando por vezes, estamos rodeados de pessoas,
Mas nos sentimos sós.
Sós nos pensamentos, sós nos objetivos, sós no jeito de ser.
Estamos isolados daquilo que realmente interessa às pessoas.
Essa é a verdadeira solidão.

Quando você é uma obrigação, um compromisso.
Quando você pode ser deixado para depois...
Quando você por vezes, incomoda, não faz diferença.
Quando você não merece a atenção que poderia jurar merecer...

E dói muito essa pequenez, mesmo que não seja um abandono.
Dói muito sentir, que você passou...
Talvez um dia, você seja uma saudade. Talvez...
Talvez seja lembrado por algo que disse, de bom ou ruim.
Nesse dia? Será que isso vai realmente importar?
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terezinha_santana

terezinha_santana

MENSAGEM DA VIDA


Eu sou a Vida.

Carrego em meu ventre todas as possibilidades!

Sou a doadora do bem e do belo.

Retiro uma porção de mim mesma, modelo um ser e ele toma forma visível.

A alguns, dou-lhes o poder de modelar o seu próprio modo de ser.

Ofereço-lhes uma parcela de meus poderes e lhes presenteio com os meus melhores dons.

Acompanho-lhes os passos.

Embalo-os em sonhos.

Guio-os por caminhos que os levem até onde possam tornar-se melhores.

Fertilizo-lhes a imaginação.

Dou-lhes o poder de criar.

É o ser humano.

Aquele que pode dar sentido a sua própria vida, independentemente das circunstâncias.

Este é o segredo que cada um carrega no coração: seu destino, a felicidade.

E para alcançá-la dei-lhe o dom de escolher.

Os caminhos são ricos, exuberantes, perigosos, às vezes exigem espírito de aventura.

São compostos de altos e baixos, pedras e relvas, dias e noites, sóis e chuvas, alegrias e tristezas, flores e espinhos, luz e sombra, dor e prazer...

Mas, caminhos são metáforas.

Metáforas da dualidade que ao mesmo tempo revela a unidade, no desejo de plenitude que todos sentem.

Por essa razão, dei a eles o dom de amar.

Ah! O amor! O amor quer realizar o bem, fecundar o belo.

A dor do amor é a inexistência do ser a quem amar,

posto que, aquele que tem a imagem de um coração amado jamais estará só.

Não se contentando em si mesmo, porque freqüentemente transborda, precisa de outras presenças, de outras pessoas, e pede um modo de expressar-se permanentemente.

Por isso, dei-lhe o direito à liberdade de ser o que desejar ser.

Cada vida tem um sentido maior, inalcançável pela limitada visão humana.

Todas as vidas, porém, independentemente dos julgamentos humanos, têm o seu lugar na orquestra dos mundos para a execução da sinfonia da vida.

E, ainda que eu, a Vida, possa retirar-me desse ser tão especial, não tenho o poder de apagar o que ele se tornou.

Não há meios de apagar o passado, que sobrevive na memória e desafia o tempo.

Afinal, cada um em seu presente constrói o próprio futuro.
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