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shadowoftheworld

shadowoftheworld

Tristeza

A tristeza me fez assim
Isso é um pouco complicado 
Ela veio atrás de mim
Deixou meu rosto molhado

Ela me mostra que tudo há de ir embora
Ela me faz voltar para dentro
Com ela percebo como voa 
O tempo
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Murilo Porfírio

Murilo Porfírio

I-XXIV Jaezes de vida e morte

[21:31, 29/07/2021] 邪: Sei que não usufruo de alguma importância, acredito vir pela sua. Como está você?

[21:32, 29/07/2021] K: Me falta novidades. Você trouxe alguma?

[21:33, 29/07/2021] 邪: Novas penúrias deixam de ser notícias em vidas de miséria.

[21:35, 29/07/2021] K: É costume do destino nos condenar, não leve para o lado pessoal.

[21:37, 29/07/2021] 邪: Já há alguns anos desde que nos conhecemos, ultimamente pouco temos nos falado.

Conheces esta personalidade melancólica, ameaçando-me sobre um precipício que nunca salto.

Desisto em qualquer instante, afasto-me do fim, e encontro o que de volta me traz. Um dos poucos vícios que prazer algum dá.

[21:39, 29/07/2021] 邪: Dou-me o luxo do egoismo, jogando besteira sobre quem não se importa, porém me conhece.

[21:51, 29/07/2021] K: Sou tal alvo?

[21:51, 29/07/2021] K: Surges por instantes, soltas algo que faz de mim desprezível, então desaparece.

[21:52, 29/07/2021] 邪: Não.

[21:52, 29/07/2021] 邪: És o que és. Consciente do caos que assola, indiferente às vidas que choram.

[21:53, 29/07/2021] 邪: Como sempre digo, se não sou eu quem pensa neste mundo não seria tu quem me explicaria tudo.

[21:53, 29/07/2021] 邪: Esqueces de ti como o deus de quem teme a deus.

[21:54, 29/07/2021] K: Sou sempre eu o dono das últimas palavras. És tu quem sempre se cala.

[21:55, 29/07/2021] 邪: Sim...

[21:55, 29/07/2021] 邪: Bom, já mal sei como explicar-te o óbvio.

[21:56, 29/07/2021] K: Sei de óbvias coisas que são outras, de tu são as coisas que reflito.

[21:56, 29/07/2021] 邪: Pois então pensas a cada par de meses.

[21:57, 29/07/2021] 邪: Pares para mim incontáveis, trazem sempre outros motivos com os mesmos princípios, e disso para tu és graça, largando-me sem tristeza para o fim, sem felicidade para ouvir o que sabes de mim. Queria eu tirar-te a vontade de qualquer coisa.

[21:58, 29/07/2021] 邪: Fique, então, onde quiser, pois esta maldição encontra-te onde estiver.

[21:58, 29/07/2021] K: O oceano que nos separa é inspiração para exageros. Sofrer em dobro é tão comum quanto pessoas que não vivem pelos outros. Queres quem testemunhe esta descida e sirva de guia aos curiosos por ruínas. Continue com o óbvio. Sinto suficiente para genuinamente querer teu bem.

[21:59, 29/07/2021] 邪: O que quero não queres me dar, e não tenho índole para isso te tomar.

[21:59, 29/07/2021] K: Amor? Dinheiro? Ambos ou nenhum?

[21:59, 29/07/2021] 邪: Sinto-me excessivo, transpondo o complicado.

[22:00, 29/07/2021] K: A maioria de quem se diz gente é.

[22:02, 29/07/2021] K: Tens onde dormir?

[22:10, 29/07/2021] 邪: Ninguém pode sentir, de verdade, a dor do outro, e se torna cômico supor e comparar.

[22:12, 29/07/2021] K: Faria-te melhor sabermos exatamente o que vive?

[02:37, 30/07/2021] K: Sou sempre eu o dono das últimas palavras.

[06:24, 04/08/2021] K: Fez disto um fim?

[07:24, 08/08/2021] K: 邪?

[04:05, 12/10/2021] 邪: O que o zodíaco mente sobre ti?

[07:11, 12/10/2021] Y: Que meu tempo passa...
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gbilhalva19

gbilhalva19

Elevador [ Eleve A Dor ]

Me desculpa
por estragar tudo
não tinha noção que iria acontecer
deixei a mão solta e o baque foi enorme

desculpa
desculpa

não sei para onde ir
minhas pernas tremem de pavor
nao consigo descansar
meus pensamentos estão ai

por favor

me deixe ver o que esta acontecendo
essa angústia está matando aos poucos
sei que nao foi algo inacreditável
talvez até, já aconteceu antes
mas por favor, me deixe saber
ainda não consigo imaginar
estou completamente estagnado

minha nossa
estou perdido novamente

essa ansiedade está me consumindo
minhas mãos estão doendo
não consigo nos segurar

socorro
alguém [[ por favor ]]
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Tsunamidesaudade63

Tsunamidesaudade63

Pedi ao vento Fim a guerra



Agora ainda é inverno
e no mundo só uma triste palavra,
"Guerra" inunda a nossa alma de tristeza e dor
Eu pedi ao som do vento pra a levar
pra bem longe de nós.
Tu vento!
Que levas folhas e poeira,
leva as lágrimas que este mundo contém,
de quem sofre mais que ninguém.
Tu vento!
Meu melhor amigo,
peço-te que me abrigues também,
e ao Sol que nasce dia após dia cá na terra,
rogue-lhe que nos livre desta maldita guerra.

Luzern, 13-03-2022, João Neves
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A poesia de JRUnder

A poesia de JRUnder

Estrelas do acaso.


Quando meu vulto desaparecer na distância
E na noite, o vento frio vier lhe sussurrar sobre ausências,
Feche seus olhos para ver seu íntimo.
Respire fundo buscando sentir o perfume
Que estará  apenas em suas lembranças.

Novos caminhos não apagam velhas jornadas,
Assim como cada semente brotará, uma única vez.
Então jamais verás as mesmas flores que deixou para trás,
Senão na tela onde se refletirão suas saudades.

Serás  a mesma pessoa, mas perderás uma parte de si.
E seu igual irá se dissolvendo nas diferenças que virão.

Criarás suas próprias palavras, mas, jamais as dirá.
Entenderás o significado de todos os sentimentos esquecidos.
Aprenderás que o infinito se inicia onde começa o tempo.
Mas saberás que estarei sempre lá, onde o céu  guarda as estrelas que caem.
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MARIA DE FATIMA FERREIRA RODRIGUES

MARIA DE FATIMA FERREIRA RODRIGUES

Correntezas da alma


Oh, correnteza livre!
corres junto ao mar e paralelo à costa
veloz e em desalinho
sem nenhum tempo a cumprir 

Tua voz rima com a luz e o vento 

Rompes fronteiras 
Teces caminhos 
Acolhes em ti as ondas dos rios
e dos mares 

Vozes em ti silenciam 

Em teu ventre prenhe
ondas se acomodam
e vagam da costa ao fundo das águas
das margens às profundezas 

Protegei-me dos teus repentes 

O teu resvalar sorrateiro
em mim torna-se um caos 
É lá onde o meu eu faz-se poesia
e onde prenuncia-se a minha alma 

Não me acorrentes 

Da fluidez líquida 
onde flutuas livre
brota a minha verdade
pura como um diamante 

Sou como és 

correnteza em desalinho
tempestade em copo d'água
tsunami passageiro
Sou brisa que paira além

sou como és.


Expedicionários, João Pessoa, Paraíba , Brasil em 09 de março de 2022

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faixaazul

faixaazul

Conto de um Idiota

Era uma vez, um idiota.
Esse idiota tinha amigos idiotas.
Os idiotas sempre se reuniam para falar de coisas idiotas.
A idiotice é idiota.

Um certo dia, algo idiota apareceu.
Os idiotas se juntaram para fazer algo idiota.
E daí surgiu um novo adjetivo, o divertido.
Aquilo era idiota, mas também divertido.

Porém, desses idiotas, só havia um idiota.
Esse idiota achava que os outros também eram idiotas.
E isso se tornou uma situação idiota.
A idiotice é relativa.

O idiota continuava sendo um idiota.
Enquanto os supostos idiotas o depreciavam.
E daí surgiu um novo adjetivo, o triste.
Aquilo era idiota, e também triste.

Enquanto os supostos idiotas não eram tão amigos do idiota.
O idiota achava que não era idiota, afinal, era idiota.
Assim, os idiotas não falavam mais sobre coisas idiotas.
A idiotice era singular.

Era apenas um idiota.
O que fazia ele ser idiota, era acreditar em coisas idiotas.
Coisas que vinham da sua mente idiota.
E assim surgiu um novo substantivo, a desgraça.

Um certo dia, os supostos idiotas se juntaram.
O idiota achava que estava incluso, afinal, era idiota.
E assim, o idiota chorou, por se tocar que era o único idiota.
A idiotice é uma merda.

O idiota nunca vai deixar de ser idiota.
Os supostos nunca serão idiotas.
E assim todos os adjetivos se vão.
Junto do idiota.

A idiotice é uma desgraça.
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AurelioAquino

AurelioAquino

Do riso em pranto desatado

pranto que se leve
embrulhado na impaciência
deixe-se estar escondido
nos risos que lhe convençam

é que o riso sempre carrega
uma lágrima baldia
que derrama pelas faces
as maravilhas dos dias

o riso é também um jeito
de chorar as alegrias
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A poesia de JRUnder

A poesia de JRUnder

E eu lhe vi em meus sonhos...


Sonhei com sua voz,  
sonhei com seu olhar.
Sonhei com seu sorriso,
Com o seu jeito de andar.

Sonhei com suas carícias.
Com seus abraços, sonhei...
E foram tantos os sonhos,
Que quantos foram... Nem sei.

Nos sonhos, trocamos juras!
Neles falamos de amor.
Nós dois e uma vida juntos,  
Amando-nos com ardor.

Sonhando com nossa vida,
Prevendo um mundo de paz,
Sonhei o sonho mais lindo,
Que pude enfim, ser capaz.

Mas a dor da realidade,
Foi mais forte do que pensei...
Quando ao fim, abri meus olhos
E deste sonho, acordei.
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Tsunamidesaudade63

Tsunamidesaudade63

Poeta não posso ser

Adoraria ser poeta,
mas poeta não posso ser,
Poeta pensa em tudo,
e eu só penso em beber...
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Tsunamidesaudade63

Tsunamidesaudade63

Porque estás tão só ?


E tu porque estás tão só????
Ela então olhou e sorriu.
Foi assim que a conheci,
naquele dia junto ao mar,
onde ondas no seu vai e vem, vinham-nos beijar,
O sol brilhava de emoção.
num rosto mais bonito que o sol de Verão,
um beijo aconteceu,
nos reencontramos pela noite,
aí meu corpo estremeceu,
passeamos de mãos dadas por ali,
num lugar escondido um beijo lhe pedi.
Lua de ouro lá no céu,
o brilho das estrelas no chão,
tenho certeza que não sonhava,
aquela noite lentamente continuava,
e uma voz doce me sussurrava,
o mundo pertence só a nós,
nesta noite onde brilha o luar,
há mais de mil motivos para sonhar.

Alvor, 02.10.2017, João Neves.
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Tsunamidesaudade63

Tsunamidesaudade63

Hablé al mar, poesia em Espanhol

Hoy le hablé al mar,
Le hablé de ti y de mí,
lle ofrecí una flor,
lle hablé de nuestro amor,
le pregunté si alguna vez me amaste,
o si ya dejaste de quererme,
me dijo con tristeza en los ojos
tantas veces la vi sonreír,
yo tambien la vi llorar
en una triste noche sin luna
aquí mismo, en este lugar...
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adailton

adailton

Felicidade é coisa boa

Felicidade é coisa boa.

 

Não se assuste com a felicidade

Insanidade é não viver

Banho de chuva, água gelada

E café quente

São bens de que dispomos para

Sermos felizes

Ah, talvez seja pouco

Muito pouco

Você diga.

Mas se for questão de quantidade

Onde podemos guardar

Tanto sol

Estrelas e flores?

Ah, mas isso não conta.

Hummm, talvez não

Mas que tal continuarmos

A enumerar?

Um solo de guitarra

Um pastel com caldo de cana

E aquela velha música que nos

Fala de saudade?

A voz da pessoa amada

Um abraço

Um beijo talvez.

Aquele cheiro de terra molhada

Talvez você goste de frio

Ou prefira o calor.

Quem sabe um pouco de neve.

Aventuras ?

Tem também

Ah, não podemos esquecer

De um velho poema

Um versículo da Bíblia

Na hora do aperto.

Motivos para sermos felizes

Não nos faltam...

Eu ficaria horas, dias, talvez

Quem sabe até meses

Discorrendo sobre eles.

Você quer falar de família

Que tal sua avó

Seu pai sua mãe.

Você é do tipo emotivo

E aquela música que te faz chorar?

Amigos

Temos também

Mas temos problemas.

Sim, os temos e são muitos...

Mas, ao calcularmos,

Medirmos uns pelos outros

Veremos, se tivermos olhos de ver

Que, ao final,

As bênçãos serão sempre

Mais numerosas que as nossas dores.

E Deus, nosso Pai,

Nos fez para a felicidade

A infelicidade

É coisa nossa

Da nossa criação

Se quisermos, mesmo, sermos felizes,

O roteiro seguro nos foi

Traçado a mais de dois mil anos

Sim, refiro-me a Jesus

Ele disse, simples, claro e direto

Se quiseres serdes felizes

Amai-vos uns aos outros

E o Reino da felicidade estará em ti.

 

Adailton Moura – 11 de fevereiro de 2022

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aunntt

aunntt

Nunca tive paz



Saudades de ter, enfim algum momento de paz
Penso em cada instante vivido e vejo que, entre meus dedos ninguém nunca diz uma única verdade, nada que realmente faça sentido aos meus olhos
Minha vida é algo que machuca e quanto mais sobrevivo, mais pesada é 
O desespero de nunca ser amada da forma que imaginei ser, o inferno de nunca poder ser feliz do jeito que gostaria de ser. 
São decisões tomadas à cada instante, que eu já não queria ter que tomá-las.

Saudades de ter, enfim… Algum momento que nunca tive
Pois meus olhos jamais alcançaram tamanha perfeição, pois minhas mãos não são boas o suficiente para isso acorrer, me perco nos meus próprios sentimentos o tempo todo e ali mesmo descubro que nunca terei paz em minha alma.
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shadowoftheworld

shadowoftheworld

Morrer de novo

A vida em si chora
Já não aguenta mais sofrer 
Ela se encontra e vai embora
Nos deixa morrer
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wendel

wendel

Luxúria pálida

Esta noite a lua será testemunha 

Quero vê - la lumiar e banhar tua pele pálida 

Quero - te assim, nua e cálida

 a saciar desejos que minha mente pressupunha...

Flor do desejo e da obsessão

Semeia no calor do fogo a cor da tua estação

Sublinhaste o sentido da minha vida no contorno do teu quadril

Idolatrar a tua imagem tornou -  se o meu pecado pueril...

Devoro teu corpo, enfraqueço teu sexo, dos pés até as espáduas

Violo teu templo, e tu assistes com exemplo: na plenitude de mil estátuas

Quero infinitas noites mais de culto ao hedonismo

Experimentar na tua silhueta um obsceno algarismo...

O ato de possuir - te me evoca um sentimento nobre

Permita - me ser teu candelabro de ouro, retira - me da miséria do cobre

Quero desconcertar - te anjo; esvoaçar teus cabelos, entortar tua auréola

Extrair de ti impuros cânticos, dardejar a lingua úmida na tua roséola...
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Gete Bastante Basílio

Gete Bastante Basílio

Em um coração negro

Minha meiga irmã, meu amor
Formosa, linda e calma
Sereia Em oposição na cor
Amada tanto da minha alma

Mas o que me importa a cor?
Se Meu amor pelo divino Corpo
Não esconde os olhares d'amar
Deste corvo mais negro do negro

Oh! Sua estrela feita d'espuma!
Reluzente, esculpida de diamante
Olha! Este moribundo que te ama!
Num melancólico e sonhar distante.
 Basílio (as lágrimas de AMAR)
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A poesia de JRUnder

A poesia de JRUnder

Dores da alma


São dores que medicamento algum ameniza,

Que o tempo não cura. Constantes... sofridas...

São dores perturbadoras, únicas, interiores

Dores que vem da alma.

Dores dos males não resolvidos.

Dores por viver, por querer, por sonhar, por não ter...

Por não conseguir, enfim,  compreender.
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Tsunamidesaudade63

Tsunamidesaudade63

Abraça-me por favor

Tu que partiste em busca de paz
estás longe dos teus filhos e amigos,
mesmo com o nó na garganta, chorar não és capaz
Deixaste tua terra, tua casa, teu lugar,
Hoje com a tristeza a invadir-te a alma,
e com a noite a chegar, inicias a pensar.
e madrugada dentro não cessas de chorar.
Querida como teu amigo meu coração,
terá sempre um cantinho pra te albergar,
pra isso e pra muito mais, atraca a tua vida no meu caís
nunca quis nem quero que andes à deriva nas ondas da amargura,
não te quero ver abalroar nesse denso mar.
Porque estás sempre de costas voltadas pra mim,
volta-te minha querida amiga, encosta teu peito ao meu
vem ser minha que eu serei teu,
abraça-me por favor, rossa teus lábios nos meus,
e eu te beijarei fogosamente meu amor...

Luzerna, 09.03.2022, João Neves.
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Murilo Porfírio

Murilo Porfírio

I-XXIII Jaezes de vida e morte

Intrigaram quem, um dia, questionou-me sobre minhas armas.
Disseram ter sido eu, um voluntário de devassas jornadas. 
Se colocarem-me a prova, inventarei um problema. 
Se tirarem meu tempo, direi-lhes ofensas. 

Assim, as coisas vão sendo o que são, dando-lhes
o que rir ao caminho do lar, onde ser mais um fez-me enfermar. 
Não me dê nomes piores então, se não os meus que já os são. 
Diga-me menos dessas bestices malditas. 
Mostre o feito, não o que faço,
livre-me de estar nas causas de quem não mato.

E cruzando o limite da alheia liberdade, há quem leve coisas aos outros 
apenas para ter quem o indague.
Se questionados, dirão trovas romanas e algumas de gálatas.
Se violentados, seremos nós os donos da famosa marca.

Assim vai esta vida, quase tão cara quanto os sapatos 
de quem a banaliza.
E orando por quem nos ampare,
sobra-a nós esperarmos que tais dias acabem.
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MARIA DE FATIMA FERREIRA RODRIGUES

MARIA DE FATIMA FERREIRA RODRIGUES

O pacto da palavra

O pacto da palavra 

                                                                      Fátima Rodrigues 

Uma afiada lâmina 
a percorrer os nervos 
e a resvalar a pele
a contra-pêlo 

Um mar de sons, metáforas e de vazios
põem a palavra fustigada 
em desafio 

Confrontos que põem a nu 
metáforas, hipérboles e oxymoros
desvelam os seus 
subterrâneos por inteiro 

E quando o verso cânone
entoa a rima mensageira
a musicalidade no ar vagueia 

Eis que apaziguada 
a palavra faz-se encanto
a espraiar o seu famoso canto 

Nos palcos
Nas catedrais
E nas colheitas 

É assim que ela alimenta a vida
e fortalecida segue as mulheres paridas 
a vicejarem para além dos madrigais 

Alvissareira e ciente ela resiste
regozijada nas mãos dos que a afagam
e que a imortalizam por toda a sua vida.
Expedicionários, João Pessoa, Paraíba, Brasil em 27 de janeiro de 2022.
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Tsunamidesaudade63

Tsunamidesaudade63

Bombas pareciam centenas de pirilampos a cintilar.

Ontem vi as estrelas,
serem eluminadas com o rebentar das explosões 
de bombas saídas de tanques e aviões criminais,
A noite de luar deixou de brilhar,
detonações brilhavam sem cessar,
pareciam centenas de pirilampos a cintilar.
Prédios pareciam fogueiras acesas,
onde morrem inocentes sem defesa
e nós de mãos atadas, sem podermos fazer nada,
ficamos somente a observar com tristesa, numa noite gelada.

Luzerna, 06.03.2022, João Neves
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Celso Ciampi

Celso Ciampi

DURMA BEM, MEU AMOR

Depois do que fizemos,
Com tanto carinho,
Nessa cama acolhedora,
Eu desejo a você
Uma bela noite de sono.

Durma bem, meu amor,
Que esteja muito feliz!
Pois vi em seu rosto
A alegria de uma aprendiz.

Acredite que de minha parte,
Te entreguei o melhor de mim.
Hoje teve muito amor,
Há muito não tenho alguém assim.

Que em teus sonhos dessa noite,
Apareçam-lhe muitos anjos,
Que todos eles te façam bem,
E acariciem carinhosamente a sua alma.

Hoje fomos tão felizes,
Você é tudo que eu sonhei.
Nosso amor foi tão incrível,
De você não mais me separarei.

E quando nos amarmos novamente,
Que seja assim tão belo,
Esse nosso encontro amoroso
Estava já escrito no mais alto do céu.
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Maria Antonieta Matos

Maria Antonieta Matos

JÁ TANTO OS MEUS OLHOS VIRAM…

Já tanto os meus olhos viram…
Contentes a encher a alma
Sorrindo imponentes a doce calma
Da merecida paisagem… a cintilar riram
Já tanto os meus olhos viram…
Entusiasmados, penetrantes
Desejosos que não passem
Esses instantes deslumbrantes 

Já tanto os meus olhos viram…
Amargos, chorosos a reclamar 
Do mundo aflito que desaba 
Num vulcão a mergulhar

Já tanto os meus olhos viram…
Despedaçados sem luz 
Ao ver incandescente rio 
Descer o monte bravio
Carregar o medo e a cruz 

Já tanto os meus olhos viram…
Já tanto os meus olhos viram…

Vi dentar o cume das árvores
Pelas águas revoltas da tormenta 
Arrancarem por onde passam
As casas e a terra sangrenta
Vi veículos desorientados 
Em correria sem tréguas
Galgarem barreiras como fardos 
Tombarem em algares a léguas

Vi muita ansiedade e dor 
Calamidades, suplício 
Um sufoco emaranhado 
Uma vida de sacrifício
Vi mulheres maltratadas 
Como se fosse uma coisa 
Sem direitos… Humilhadas
A um pequeno espaço, confinadas
Vi muita desumanidade 
Sem vergonha… nem compaixão
Matar sem escrúpulos ou piedade
Por mitos de religião 

Vi a natureza revoltosa
Por defesa de extinção
Zangar-se com a humanidade
Vestida de furacão
Vi a terra a estremecer
Cadáveres por toda a parte
Dos escombros, muito sofrer 
Agonia, desespero, desastre 

Vi a terra comer o mar 
Um braseiro imparável
Uma cratera a fulminar
Na vastidão vulnerável

02-10-2021
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