Lista de Poemas
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Chico Lira
Algures
No breu da escadaria;
E aquelas vozes que soam
Ao longe, como que vem
Para me espantar,
São vozes de gente infame
E que não tem o que fazer,
Que vive bisbilhotando
A vida alheia,
E esquece a sua,
E esquece que vive,
E que pensa que é Deus.
Mas vejo-te ainda, amor,
Toda faceira e nua
Como pétalas no sol das onze e meia;
E se passares outra vez por mim,
Verás que em ti serei sol
Tão quente que te transpassarei
A alma, em chama candente, eternal.
Chico Lira
Céfas
Rocha é firme e firme é Pedro
Que é pedreiro de pedra firme
E que nem é Paulo, nem João:
João é emoção, Paulo é tendeiro,
Mas tenda é tendão, e de Pedro.
E Pedro é Papa e Papa é pedrinha,
E pedrinha é Bento,
Que é cordão umbilical de pedreira.
E pedra é pé de romeiro apaixonado
Peregrinando rumo a Roma
Ah! Roma tu sim fostes a cidade
Eleita para derramar-se em tuas ruas
O sangue dos mártires eternais...
Chico Lira
Ciclo vitalício
A depressão
De ser depressivo;
A alegria
De ser alegre;
A tristeza
De ser triste;
O medo
De ser medroso;
O desânimo
De ser desanimado;
A ira
De ser irado;
A inveja
De ser invejoso;
A ansiedade
De ser ansioso;
O amor
De ser amado;
O estresse
De ser estressado;
O ciúme
De ser ciumento;
A vergonha
De ser vergonhoso;
A loucura
De ser louco, louco, louco...
Eu quero mesmo
É que me acometa um dia
Uma ação viva.
Tchoroco Záfenat
Me queres
Como queres?
É de querer como me queres?
Ou me queres só por querer?
Me queres a sorrir,
Feliz tu me queres,
Amando tu me queres
Sou amado por querer-me.
Do contrário,
Sofreria por te querer
Meu bem querer.
Porém,
Sei que me queres
Pois,
É meu o teu querer
Te quero como me queres
No luar me queres
Entre o coberto me queres
Com beijos e carinhos
Me queres,me queres, me queres.
Na saúde me queres
Me queres na doença
Na vida me queres
Até que a morte nos separe
Chico Lira
Dormitando
Mas não posso dar jeito
Pois a natureza a fez assim:
De alma acanhada e rude
E de mãos embranquecidas e frouxas
Que nem folha seca ao vento...
Será que um dia ela descansará
Em paz? Ou se ainda,
Ela ressuscitará outra vez
Com aspecto mais descente de uma flor?
Com seriedade eu não sei...
Nada que ultrapassa essa vida
Foi me dado a conhecer;
Que pena eu ser
Tão limitado humanamente.
Rezemos, roguemos à Virgem Maria
Para que interceda por ela no céu,
E assim, minha irmã transcenda esta vida...
Ah! Se eu também tivesse
A mesma sorte que ela
Hoje eu dormiria em paz.
Que nem Maria, que dormitou...
Josimar Heureca
Plácido
Plácido é o entardecer, no sol que se despede da jornada.
Plácido é o silêncio, na madrugada que indica o recomeço.
Josimar Heureca
Silenciar!!!
Silenciar simplesmente um dom.
Silenciar é a capacidade que cada um tem de refletir sobre si mesmo.
Silenciar consiste numa viagem do macro para o micro e do micro para o macro.
Silenciar revela nossa autonomia e autoridade.
Silenciar aparentemente nos torna frágil.
Silenciar nos leva a um turbilhão de emoções.
Silenciar exige doação.
Silenciar sempre para amar.
Silenciar apresenta exemplo.
Silenciar mostra o herói ou heroína.
Silenciar sobre tudo e sobre o nada.
Silenciar na dor.
Silenciar no amor.
Silenciar no cheiro.
Silenciar no prazer.
Silenciar na humildade.
Silenciar na cumplicidade.
Silenciar para encontrar a Deus.
Silenciar só silenciar.
Tchoroco Záfenat
Re-lances
Meus olhos nos teus
Uma loucura,
Uma sensação indescritível.
A corpo a tremer,
O coração a bater
O sangue a ferver nas veias
Os nervos a flor da pele.
Entre o teu e o meu olhar
Vejo o mundo passar
Os anjos a cantar
Canções infalíveis de amor
Vejo também estrelas coroando o céu
A noiva de prata e o astro rei a se beijar
E uma fonte energética cosmolar
A nos rodear.
Em re-lances,
Meu olhar em tua boca
Teu olhar em minha boca
Faz nascer-nos uma vontade louca
De beijar-nos na boca
Em seguida fazer cantar o “ roxinol “
Inspirado nesse beijar teu e meu.
Já o cosmo de nossos corpos
Em metamorfose uni nossos desejos.
E nas plumas celestiais
Nossos corpos entrelaçados
Sob as mais altas dimensões amorosas.
Pouco a pouco
Mão na mão
Aterrisamo-nos na terra
Beijinhos e palavras
Despedimos um do outro
Já na saudade e na espera,
De mais uma vez, ver-nos.
Josimar Heureca
Mãe
Josimar Heureca
Sol
Solto
Solícito
Solfejava
Soltamente
Chico Lira
Mortalha
Em uma mortalha. Espero eu,
Que não seja preta por dentro,
E preta por fora.
Mas que tenha, no mínimo
Uma fresta reluzida,
Que me aplaque os olhos
Em noite de breu!
Que triste seria se eu morresse
Ser ver a luz do dia;
Ou se ainda ficasse a espera
De um pouco de água...
Lembro-me ainda daquelas
Assombrosas histórias
Que meu povo contava:
De que quem morre sedento
E sem uma vela nas mãos,
Ao menos não entra no céu...
Sabe-se lá os exércitos celestiais
Onde se encontra agora toda essa gente!
Queira Deus que não venha eu
Ser um desses moribundos
Que jazem sem esperança de vida;
Porém, venha eu arrepender-me
Primeiro de tudo, antes que a morte
Me passe a fio da espada,
Assim como fizera com todos esses defuntos.
Tchoroco Záfenat
Eternizar
No momento que te ver sorrir
Para eternizar esse sorriso limpo
De quem o faz sem o fingir
É pra te ver vislumbrar,
Repleta de amor e paz,
Eu este jovem rapaz,
Quero o teu tempo parar.
Na hora de uma lágrima cair
Para enxugar o teu rosto
Antes da dor persistir
Aumentando o teu pranto
Ah!como quero em teu sonho gostoso
O tempo também fazer parar
Para que viva o caloroso,
Cada momento desfrutar.
O tempo quero também parar
No momento que me beijar
Pois se o mundo acabar
Este instante no tempo quero deixar.
Josimar Heureca
Nunca mais
Nunca mais diga que não terá outra pessoa;
Nunca mais fale que não é interessante;
Nunca mais pense que você não é feliz;
Nunca mais abandone seus desejos;
Nunca mais escreva sua velhice;
Nunca mais converse sobre dificuldades;
Nunca mais dialogue com o nada;
Nunca mais toque na raiva;
Nunca mais prove do medo;
Nunca mais arranje falsos amigos;
Nunca mais improvise no amor.
Chico Lira
Despojando-se
Visto que,
Não trazem informações precisas...
Minha avó sempre falou
Que se faz necessário arremessar
Pelos buracos das janelas
Algumas coisas
A fim de que possam
Advir as novas.
Comungando essa ideologia,
Eu despojei-me de muitas coisas:
Joguei fora minha primeira bolsa escolar
Que custara os olhos da cara de minha pobre avó
E de que eu gostara tanto;
Desgarrei-me de amizades pérfidas,
Uma vez que é melhor andar só
Que mal acompanhado,
Dizia o velho.
Outrossim, desfiz-me das coisas que me deixavam
Presas ao passado, pois um dia percebi
Que havia repetido sem saber o dia anterior,
E isso atiçou deveras a minha ira;
E ainda, por fim, joguei fora meu grande amor,
Pois descobri que nem era tão grande assim
Como eu acreditava,
Porque desceu pelo ralo e foi-se embora
Junto com as águas e as horas que se passaram...
Passaram... passaram...passaram...
E se foram embora.
Mas nem tudo foi inútil
No final das contas
Descobri que há coisas pequenas
Que não me despojei,
E nem me despojaram,
E que me valerá a eternidade e o cosmo
E o fim do mundo.
Amém!
Tchoroco Záfenat
Quando finar-se
Não quero choros de fim,pois.
Nessa hora prefiro aplausos,
Demostração de agrado a um vencedor,
Que venceu muitos desafios e obstáculos.
Quando por algum motivo,
O criador resolver separar-me
Em “dois” e plantar levando novamente
A terra, a carne, não quero gotículas salgadas
E cristalinas lamentáveis,mas sim,
Lágrimas de graças,por tudo que conseguir.
Quando o inicio chegar ao fim,
Por favor não lamente
É o fim se iniciando.
Então lá na reunião marcada pelo destino
Não quero choro,mas lacrimação de felicidade
É bem vindas, quero muitos sorrisos,
Elogios públicos,aperto de mãos,abraços,lindas canções
Se possível uma boa festa,pois não foi em vão,
A minha estada.
Quando a hora chegar de simplesmente
Na visão de cada um a carne sumir,
Então,sem dor estarei a esperar
Com muito amor, cada rosa
Cada flor que juntos ao lençol
De pó a pó irá me cobrindo
E não quero lamento,
Quero afeto de cada um,
Todos de mãos dadas,
Cantando e agradecendo a Deus por tudo.
Raspa
Descoberta
Taís Silva
A Areia e a Pedrada
Areia rosa
Virei à água em suas mãos
Parei e a desejei...
O tempo corre dentro da ampulheta
A água da torneira não volta mais
A areia rosa presa no vidro
Parei e a desejei...
Seu corpo,meus olhos percorrem;
Por enquanto prefiro ficar assim
Olhando a areia rosa da ampulheta
A mercê das suas indecisões
Virei à água em suas canções
E as pedras?
Isabel Morais Ribeiro Fonseca
AS ROSAS CHORAM
As lágrimas transformam
As palavras em silêncio
Os sonhos ficam quietos
As pétalas perfumam o ambiente
E os amantes vivem momentos
Loucos de euforia apaixonante
Numa linguagem que só elas percebem
E quando as rosas choram
Os beijos são carícias perfumadas
E os abraços são desejos em volúpia
Luis Rodrigues
Esta noite
senti o mar incendiar-se
nas tuas mãos
arderam os olhos
nas tuas mão inteiras
enormes
esta noite no teu peito
inventei estrelas
que não conhecia
Josimar Heureca
O mundo
O mundo pode ser
O mundo pode
O mundo
O
Josimar Alves
António Guerreiro
Épico
Criar a maior sinfonia.
Pintar o entre e a falha
Com sabor a poesia.
António Guerreiro
Bicho
Vós tendes o mundo, o trabalho e a moral...
Pintais com cores mortas a imensidão
Das coisas, dos seres e do que é universal.
Viver convosco cansa sobremaneira
Desgasta qualquer um que só queira
Passar um tempo, beber bom vinho
E não deixar rastro nem caminho.
Isabel Morais Ribeiro Fonseca
NÓS AS MULHERES
Nós as mulheres somos, esposas
E companheiras, amantes, mães e avós
Assumimos tantos papéis na vida
Merecemos ser sempre lembradas
Dia após dia, amamos, cuidamos, renunciamos
Cada uma de nós, merece ser chamada de heroína!
Tchoroco Záfenat
Tempo
Agora as coisas tem menos nitidez e mais contrastes.
Minhas falas,
Enriqueceram,
Agora com os melhores verbos,
Conjugando da melhor forma,
Com adjetivo, pronomes, artigos e muito mais.
Quem diria,
Quem diria mesmo,
Que em um sorriso eu mostraria tudo isso na maior simplicidade,
Ao contrário do cabelo,
Chega diretamente sem pedi licença,
Se pinta de branco
E fica como um artista querendo se exibir,
E todos ao seu redor
Vê-lo de uma forma diferente dos últimos cinco janeiros.