Lista de Poemas

Lua de marfim

Navio Negreiro

Mar calmo ao longe flutua o veleiro

Brisa leve sopra e o leva ao Brasil,
No convés há um bom marinheiro
Preso como todos nesse plano vil.

Decidiram juntos viajar para África
E riquezas daquela terra trazerem,
Pois seria coisa muito fácil, prática,
Pegar negros e além-mar venderem.

No porão do navio vem amarrados,
Seres humanos pra comercializar.
O capitão e os marujos engajados,
No negócio de escravos transportar.

Prisioneiros olham pelas escotilhas,
Noite clara lua branca como marfim,
Para trás ficaram esposas e filhas,
Sua vida agora está mesmo é ruim.

Liberdade para com eles ficou omissa.
A tripulação pouco está a se importar,
Irão mandar depois rezar uma missa,
Quando chegar ao Brasil vão festejar.

Gratos a Deus, Jesus, Espírito Santo,
Pela boa caça e riqueza que ganharem,
Pela venda dos escravos, é bom tanto
De dinheiro pra entre eles separarem.

Segue a caravela pelo mar indomável,
Céu de lua pálida, a tristeza a aflorar...
Mar imenso, salgada água interminável:
São as lágrimas do povo negro a chorar!


Parcicipação de Nick no 23º POETIZANDO E ENCANTANDO organizado pela Profª Lourdes Duarte, do excelente blog Filosofando na Vida - 2018
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Tio Zé!

Fusca do Tio Zé

Visitar a mamãe, nós viemos bem feliz,

Na chuva, escuro, na neblina, como é,
Que voltaremos de Pitanga com o Zé?
Se não se vê nada a diante do nariz!

Mas a estrada ele já muito conhecia,
E o Fusca voltou bem, quase sozinho,
O Zé acelerou, para virmos rapidinho,
Olhando a janela,o Murilo então dizia:

Tio Zé, olha ali curva da estrada!
Tio Zé, o Tio tá indo na contramão!
Tio Zé, os postes não são de borracha!

Pisa fundo Tio Zé, dá outra boa acelerada!
Essa aquaplanagem emociona o coração!
E o caminho pode deixar o Fusca acha!

Nick - 2017
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Passagem para a terra

Voando para casa

Meus pais desejavam retornar
A seu lar donde outrora saíram,
Nasci, cresci escutando-os falar
Saudosos, do lugar que partiram.

Papai trabalhou a vida inteirinha
Com dinheiro comprou passagens,
Agora a voar tal e qual andorinha
Singramos espaço na longa viagem.

A janela de meu quarto aqui imita
A de uma casa igual há lá na terra,
Papai conta ser muito bela e bonita
O mar calmo a montanha e a serra.

Falta pouco logo vamos chegar
Ao planeta que ali se avizinha,
Estão todos no salão a festejar!
Eu aqui no meu quarto sozinha...

Pela janela enxergo a bela Selene
E o mundo azul, daqui é tão lindo!
Continua o voo rasante e perene,
Pra superfície vamos nos dirigindo,

Na última manobra para arremeter,
Lágrimas vem turvam minha visão:
"Ah! Meu lar..." Nas luas de Júpiter
Onde a saudade leva meu coração...



Participação no 22º POETIZANDO E ENCANTANDO organizado pela Profª Lourdes Duarte, do excelente blog Filosofando na Vida
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Trocando a alma das flores

Flores da alma
Da casa acima, o eucalipto,
A Santa Bárbara e o pinheiro,
Tudo fica ainda mais bonito
Abaixo, tem três abacateiro,
Perto da casa, o pessegueiro.

Eu aqui nesse dia bonito,
Sozinho passando as férias,
Contemplando o céu infinito,
Revendo essas vidas sérias...
Celebrando as minhas sotérias*

Vejo o jardim que plantei,
Muito antes de ir embora,
Toda as flores que cultivei,
Ainda no jardim aqui aflora,
Desde os tempos de outrora.

Tu preferistes as tuas praia,
Onde o sol se põe sem cores,
Bem mais bonito aqui ele raia.
E eu aqui com minhas dores,
Trocando a alma das flores.

Porque só é dado ao poeta...
Mas tente ouvir um segundo,
Apenas sinta mais profundo,
Pra escutar a canção secreta
Que toca no centro do mundo.

Autoria de Nick, dezembro de 1996
*Sotérias = Agradecimento festivo pelo livramento de algum mau, ou males .
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Amara

Amara
Amara buscando a lua
e os mistérios do amar
Não saia mais para a rua
Sempre sozinha a cismar

Amara tinha em seu peito,
Um coração apaixonado,
Mas triste não teve jeito,
Seu amor lhe foi negado.

Amara passava os dias,
Sempre sozinha a pensar,
Solitária nas noites frias,
Também de dia a penar.

Esse mundo, não entendeu,
Que sua paixão lhe negou,
Um sentimento, reconheceu,
No outro coração não achou.

Amara sozinha a janela,
Olhando o mistério do mar,
Em sua tristeza era bela,
Tão bela quanto o luar.

A lua contemplava Amara,
E ela finalmente entendeu,
Naquela mansa noite clara,
No mar Amara desapareceu!

Nick - 2018, participação no 21º POETIZANDO E ENCANTANDO organizado pela Profª Lourdes Duarte, do excelente blog Filosofando na Vida
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Sonhos flutuantes

18 Poematizando e Encantando

Na estrada de seus sonhos flutuantes,

Que seja bem vindo um grande amor.
Com alegria em seus passos saltitantes,
Escolha o caminho, para onde for!

Veja a árvore frondosa distante,
Borboletas no Jardim da estrada,
Até as nuvens do céu radiante,
Vem auxiliar sua alma na jornada.

Da paisagem sempre tenha ciência.
Continue indo até a árvore da decisão.
Deixe brilhar forte a sua consciência,
Mude o caminhar! Mandará o coração.

Uma estrada pode ser de alegria,
A outra talvez repleta de dor;
Dê seus passos com sabedoria,
Escolha o caminho para onde for!
Nick - 2018 para o 18º Poetizando e encantando
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A 39 anos

Já faz hoje trinta e nove anos,
Foi bem no dia de São Clemente,
Era noite suave e bem diferente,
Naquela cama coberta de panos;


Minha mamãe, Rosa Clementina:
Em Manoel Ribas, já no hospital,
Coisa maravilhosa sem igual,
Cumpria ela de novo sua sina!


Minha querida mãe vejam o que fez:
Um outro e novo filho, mais uma vez!
Ela com todo seu amor profundo:


A meia noite quando o galo canta,
E toda aquela cidade se espanta:
é o Ivo que vem chegando ao mundo!

Nick - 16/12/2017
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Aromático!

Hoje bem cedo na feira do centro,
Pra comprar algumas ervas eu fui,
Quando algúem passando me obstrui,
E em imenso balaio eu caio dentro,
Não ouvi alguém que me avisava,
Mas então me tiraram, por sorte,
Daquilo com aroma bem forte,
E comprei tudo que precisava,
Assim de lá eu fui me escapando,
Perfumado mas mantendo a fé,
Na rua agora onde vou passando,
Vejam amigos como é que é,
As pessoas vão logo falando:
Olha que cheirinho bom de café!

Nick - 2017
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O sapo

Aroldo era o sapo do Ivo
Queria tomar água um dia,
Pra isso ele entrou no banheiro
E assustou a Luzia.

"Socorro mamãe!" Gritou ela
E a mãe foi lá acudir:
"Escuta sapinho do Ivo,
Ache outro lugar pra dormir"

E o sapinho saiu procurando
Atrás do fogão se instalou.
Mas, apenas dois dias passando,
Foi à Carmen que ele assustou:

"Mãe! Vem cá! Olha isso daqui!
é de verdade esse sapo magrela?"
E a mãe pra mostrar que era mesmo,
Pegou o sapo e correu atrás dela.

"Mamãeinha do céu! ái me joga isso fora!"
"Mas ele já está a dois dias sem comer!"
"Então joga pra cima na grama,
Que muito mosquito lá ele vai ter"

E a mãe vendo a filha assustada,
Amarela, quase desmaiando,
Pegou o sapo em suas mãos bondosas,
E no gramado foi logo jogando.

Quando sete dias já eram passados,
O Guido na grama brincando.
De-repente surge em suas mãos
O couro do sapo que ele ia encontrando;

Eu queria o sapinho empalhar
E deixá-lo pra sempre a dormir
Mas a mãe veio então me falar:
"Empalhar eu não vou permitir!"

O que restou do sapo do Ivo
Hoje é apenas um couro.
Que nós, obedecendo à mamãe,
Jogamos fora pra não dar agouro.

Nick - 2001
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Presente raro

O amor em sua forma mais perfeita,
O amor sentimento sublime,
O amor é mercadoria barata,
Presente raro,
Fácil de se comprar,
E tão difícil de se dar;
O amor, em sua mais perfeita forma,
O amor, mais sublime sentimento,
Se encontra no coração dos homens,
Mas não se entende esse amor.


Nick - 1998

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