Biografia
Lista de Poemas
Ministério ( Menção Honrosa No Concurso: IV Concurso “José Aparecido Lousada” 2023)
Como dormem os políticos
Ganhando fortunas mensais?
Enquanto os filhos da pátria
Vítimas duma memória fraca
Passam fome nas escolas
Dão à luz nas filas dos hospitais.
Como dormem os políticos
Ganhando fortunas mensais?
Inflando a boca nos comícios,
A barriga nos banqueteais,
Enquanto as crianças
Perdem a infância
Trabalhando com os pais.
Como dormem os políticos
Ganhando fortunas mensais?
Com a educação sucateada,
Os indigentes sem morada,
A coisa pública parada,
O livro dos mortos com nomes demais.
Como dormem os políticos
Ganhando fortunas mensais?
O trabalhador domingo a domingo
O ministério em datas especiais
Legislando de costas pro povo
Indiferentes a casa no morro
Descendo com os temporais.
Como dormem os políticos
Ganhando fortunas mensais?
O país entre os líderes da riqueza
Subdesenvolvido nas listas mundiais,
O brasileiro retirando no lixo
O alimento que não presta mais.
Como dormem os políticos
Ganhando fortunas mensais?
Quando para o salário mínimo
O mês tem dias demais.
Os boletos não deixam a cama,
O eleitor passando pela quitanda
Só a foto nos olhos traz.
Como dormem os políticos
Ganhando fortunas mensais?
Enquanto os guerreiros combalidos,
Vão em transportes oprimidos,
Pra labuta seguindo cedo,
Com eles o medo, presente nos jornais.
Como dormem os políticos
Ganhando fortunas mensais?
Quando falta água no arroz,
Luz para as mesas sem castiçais,
Dinheiro pra compra do gás,
É muito perguntar isso?
Quando a população não dorme em paz.
Como dormem os políticos
Ganhando fortunas mensais?
Quando falta na saúde das coisas básicas às essenciais
Como que conseguem isso,
É uma pergunta que aqui registro,
Mas só quem está acordado se faz?
Como dormem os políticos
Ganhando fortunas mensais?
Recebendo na consciência a data e o registro
Da morte dos ideais.
Um mistério que a pergunta refaz…
Fechar os olhos diante tudo isso
Espanta-me por demais!
Quarentena
Não está respeitando.
Sexto dia,
Continua trabalhando.
Mistura
Adoram
Fazer lambança.
Desbotamento
Acalanto
Ainda não chegou a esperada mudança.
Na chamada da noite faltam estrelas.
Os alarmes reclamam por socorro.
A ampulheta do amanhã figura vazia.
A mentira foi fazer cirurgia das pernas.
Nos fios de cabelo tem pássaros brancos.
Boas mãos colhem plantações de dores.
Tocado, tiro o pulso do dia. Bate fraco,
Mas penso nela. E tudo são flores.
(*poesia vencedora da "Antologia Poesia Agora Outono 2021" da Editora Trevo)
Pirataria
Está transmitindo
O que não sente?
Pelotas
Afogou a serra,
Expulsou a fauna,
Desfez a flora,
Corou de morte a terra.
O rio ficou triste...
Tão triste,
Deixou de lamber as pedras.
Artificiais
Por inveja da claridade que à noite cria,
Apagou as estrelas,
Substituiu-as por uma luz que não brilha.
Floresceu
A única rosa que brotou
Foi aquela que o amor plantou.
Trança
Outras mãos que não são as dele preparou.
É bela por estar feito nela.
É feia porque foi outra mão que a trançou.
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