Lista de Poemas

Adeus Atena...



Penso comigo mesmo.

Que quero parar de pensar.

Dá trabalho, custa caro.

Muito peso para aguentar.

Quero parar já com isso.

Não quero mais compromisso.

Pensar ficou para paspalho.

Vou seguir essa manada.

Vou me embrenhar no atalho.

Pois pensar não dá em nada.

Pensar adoece o corpo.

Pensar envelhece a alma.

Prefiro um cérebro oco.

Uma vida vazia e calma.

De que viver no sufoco.

Com a revolta que espalha.

Na alma o padecimento.

No espírito o sofrimento.

Qual tecido de mortalha.

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Ódio escolhido.

O ódio cega quase sempre a nunca enxergou.

Onde o bruto enlouquecido a muito se afogou.

Combustível fóssil da pequenez humana.

Fuligem pavorosa que das almas pobres emana.

 

Ó ódio que alimenta as máquinas moedoras de alma.

Que transforma em confusão o que ontem era calma.

Esse ódio que sustenta a indústria do terror.

Mas o que hoje é ódio, amanhã será mais dor.

 

O ódio que gera fome, medo, caos e escravidão.

Que faz ruir reinos inteiros, que alcança cada rincão.

O ódio que mata, maltrata, fere e que não poupa ninguém.

Que rouba, suga, devora o pouco dos que nada tem.

 

Hoje em dia como sempre o ódio é bem orquestrado.

Os que fomentam esse ódio estão bem organizados.

Distorcendo, manipulando, em embuste ordinário.

Entregaram a nação nas mãos do infame CANCRONARO.
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Tédio cotidiano.


Acordar, sorrir, se espreguiçar.

Levantar, defecar, tomar banho, comer, sair para trabalhar.

Obedecer, ouvir, cumprir, copiar.

Suar, aceitar, assumir, corrigir, acatar.

Comer, dormir, sonhar, fugir, retomar.

Levantar, aplicar, insistir, enfrentar.

Olhar, sentir, desistir, se entregar.

Encerrar, seguir, partir, retornar.

À rotina de sempre, ao desconforto do lar.

Chegar, cuspir, fumar, beber, olvidar.

Urinar, tomar banho, jantar.

Deitar no sofá, assistir as notícias, ser enganado, se deixar enganar.

Para que, por que, sei lá...

Se deitar, não dormir, fornicar, mentir, fumar outro cigarro, se lavar.

Novamente deitar, rezar, tossir, dormir, sonhar...

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Esperança.

Que essa luz não apague, antes que eu acabe, o que tenho para dizer.

Que o céu não desabe, porque um dia, quem sabe, tu virás me socorrer.

Que todo poeta se cale, que todo narrador não narre o que irá suceder.

Que todo o mal se esmigalhe, girando em ziguezague, sem santo pra lhe valer.

 

Que esse navio encalhe, que esse fogo se espalhe, como cinzas de um vulcão.

Que todo esse leite coalhe, que na madeira se entalhe, segredos de uma paixão.

Que todo movimento pare, e que ninguém mais repare, no cisco do seu irmão.

Que todo o perfeito falhe, a empáfia achincalhe, com injurias e maldição.

 

Que todo o inteiro quebre, que queime em ardente febre, em sete anos de azar.

Que corra que nem uma lebre, o mal consigo carregue, pra nunca mais retornar.

Que desista, se entregue, àquele que lhe persegue, é improfícuo lutar.

Reconheça, nunca negue, seja frio com a neve, tudo um dia irá passar.

 

Que tudo que é bom germine, que padeça todo o crime, sem ar para respirar.

Que a tocha do bem ilumine, sepulte tudo o que oprime, nas águas fundas do mar.

Que todo ser abomine, o que a imperfeição exprime, nesse longo caminhar.

Que o bem que a todos redime, perfeição eterna e sublime, seja nosso eterno lar.
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Meio assim, meio assado.



Ando meio assim sem rumo.

Acho que perdi o prumo.

Nessa terra de ninguém.

Pele seca enegrecida.

Boca cheia de feridas.

Bolsos sem nenhum vintém.

 

Ando assim meio tristonho.

Com o horizonte enfadonho.

Que vislumbro à minha frente.

Faz muito tempo não sonho.

Só pesadelos medonhos.

Pululam em minha mente.

 

Ando assim meio absorto.

Meio vivo, meio morto.

Com nojo de tanta gente.

Que fede feito carniça.

Com sua alma de preguiça.

E veneno entre os dentes.

 

Ando assim meio cismado.

Pouco sensibilizado.

Com tanta pobreza moral.

Ostentação de vaidade

Vilania e mediocridade.

Proliferação do mal.

 


Ando assim meio que tonto.

Com tanto discurso pronto.

No velório da verdade.

Que transformada em mentira.

Arde em assombrosa pira.

Triste fim da humanidade.
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Par perfeito.

Pergunte a quem me conheceu.

Vasculhe minha vida vazia.

Procure saber quem fui eu.

Existência suja e fria.

 

Boca amarga de ressaca.

De cada cigarro fumado.

Um olhar soturno e triste.

Um sorriso debochado.

 

Faça força para lembrar.

Se um dia encontrou alguém.

A quem mais odiou fitar.

Por quem mais sentiu desdém.

 

Se concentre para olvidar.

De quem nunca se esforçou.

Em fingir um falso amar.

Ou lucrar com uma falsa dor.

 

Se esmere em confrontar.

Se não se pareces comigo.

Se sou tão pequeno assim.

Lhe pareço repulsivo...

 

E quando menos esperar.

Chegará à conclusão.

Que sou teu perfeito par.

Teu inferno e perdição.
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Exílio

Chega de sofrer.
Nem toda luta acaba em luto.
Chega de chorar
O sofrimento é o suprimento dos fortes.
Para de reclamar
Derrama tuas lágrimas em segredo.
Aos outros não importa teu degredo.
Não és o único nessa terra
A padecer dessa guerra.
Carrega tua alma mutilada para junto de mim.
E vem derramar tuas angústias em minhas entranhas.
Me abraça e dorme comigo até tudo morrer.
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O tombo da fauna cancronarista.

Sai daqui espírito imundo,
Zombeteiro, vagabundo.
Mamador desocupado.
Cancroverme desgraçado.
Miliciano ordinário.
Ou militar doutrinado.
É tudo da mesma corja.
São todos o mesmo gado.
Racista fascista misógino.
Que adora matar mulher.
Covarde encapuzado.
Pregador da falsa fé.
Pusilânime mentiroso.
Entreguista asqueroso.
Catinga do cu do cão.
Arrogante de “Bragança”.
Parasita de herança.
Além de canalha, ladrão.
Tua hora vai chegar.
Tuas contas vais pagar.
Tu que vives a gargalhar.
No abismo mais profundo.
E eu quero de longe escutar.
Teu choro e gemido ecoar.
No além, lá no outro mundo.
E o inferno semear.
Com tantos mil choros assim.
E com o pranto recordar.
Do mal que viveste a praticar.
Sem ter a quem mais apelar.
Tarde demais será o fim.
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