Lista de Poemas
Primavera
Sedes mansos.
Sede de poder.
Sedes humildes.
Direita volver.
Sedes simples.
Fome de viver.
Escapa-me o dia.
Fogem de mim as horas.
Abandona-me a esperança.
E eis-me aqui sozinho.
Em pranto de criança.
Qual último do ninho.
Sedes perfeitos.
Sede de prazer
Moinhos de vento.
Abismos de solidão.
A devorar proezas.
A fomentar tristezas.
A devastar meu coração.
Sede de poder.
Sedes humildes.
Direita volver.
Sedes simples.
Fome de viver.
Escapa-me o dia.
Fogem de mim as horas.
Abandona-me a esperança.
E eis-me aqui sozinho.
Em pranto de criança.
Qual último do ninho.
Sedes perfeitos.
Sede de prazer
Moinhos de vento.
Abismos de solidão.
A devorar proezas.
A fomentar tristezas.
A devastar meu coração.
👁️ 124
Apostasia.
São eles que com suas “fezes”.
Transformam nossas vidas em um inferno.
Foram sempre eles, a mando de quem.
Sabemos muito bem.
Que sempre detiveram o poder.
E não é o diabo, nisso eu posso crer.
Não é mesmo, posso apostar minha alma.
Tolos em suas trincheiras
Ladinos em suas latrinas.
Lobos famintos esperam as ovelhas preguiçosas.
Um surto de fé.
A preguiça, a má vontade.
Orem por mim, peçam por mim.
Recebam em meu nome.
A cobiça, a vaidade.
Dementes e crentes.
Cretinos em suas oficinas
Do púlpito brada um lobo nervoso.
De súbito, curou-se mais um leproso.
Adoração, combustão de enganos.
Um feche de luz banha o rebanho.
Mais um milagre precário.
Um surto de fé.
A preguiça, a má vontade.
Orem por mim, peçam por mim.
Recebam em meu nome.
A luxúria, a santidade.
À procura do lobo
Bale o ordinário.
Inquilino acorrentado no porão do sicário.
Salve-se se puder
Sem jamais perder a fé.
Transformam nossas vidas em um inferno.
Foram sempre eles, a mando de quem.
Sabemos muito bem.
Que sempre detiveram o poder.
E não é o diabo, nisso eu posso crer.
Não é mesmo, posso apostar minha alma.
Tolos em suas trincheiras
Ladinos em suas latrinas.
Lobos famintos esperam as ovelhas preguiçosas.
Um surto de fé.
A preguiça, a má vontade.
Orem por mim, peçam por mim.
Recebam em meu nome.
A cobiça, a vaidade.
Dementes e crentes.
Cretinos em suas oficinas
Do púlpito brada um lobo nervoso.
De súbito, curou-se mais um leproso.
Adoração, combustão de enganos.
Um feche de luz banha o rebanho.
Mais um milagre precário.
Um surto de fé.
A preguiça, a má vontade.
Orem por mim, peçam por mim.
Recebam em meu nome.
A luxúria, a santidade.
À procura do lobo
Bale o ordinário.
Inquilino acorrentado no porão do sicário.
Salve-se se puder
Sem jamais perder a fé.
👁️ 64
Persona non grata.
Quedados absortos
No abismo, ignotos.
Vacilantes, malfadados.
Maltrapilhos, derrotados.
Espasmos de fome, regurgitos de ódio.
Distopia, pandemônio, profusão de tristeza.
Difamação, ameaça, ojeriza à pobreza.
Os infames emplumados, ascetas devassos
Os demônios sem chifres ou rabos.
Com fardas, togas e ternos bem cortados.
Arautos de deus, escravos do diabo.
Reis de todos os dissabores.
Mestres e senhores.
De servos exilados.
De toda a paz, de toda a beleza.
Sem nenhuma honra.
Parasitas infames.
Jazem agora e para sempre
Livres de toda a riqueza.
Abortos da natureza.
No abismo, ignotos.
Vacilantes, malfadados.
Maltrapilhos, derrotados.
Espasmos de fome, regurgitos de ódio.
Distopia, pandemônio, profusão de tristeza.
Difamação, ameaça, ojeriza à pobreza.
Os infames emplumados, ascetas devassos
Os demônios sem chifres ou rabos.
Com fardas, togas e ternos bem cortados.
Arautos de deus, escravos do diabo.
Reis de todos os dissabores.
Mestres e senhores.
De servos exilados.
De toda a paz, de toda a beleza.
Sem nenhuma honra.
Parasitas infames.
Jazem agora e para sempre
Livres de toda a riqueza.
Abortos da natureza.
👁️ 128
VISH (Very important shit).
VISH (Very important shit).
Tira esse espelho de tua frente para enxergar melhor.
Observa atentamente a sombra que orbita a teu redor.
As luzes que te acompanham e te iluminam intensamente.
Os aplausos e sorrisos que confundem tua mente.
Tira essa máscara que te impede de expressar.
A tua dor, a tua angústia, o teu martírio, o teu pesar.
Arranca essa carranca que esconde o teu sofrer.
Põe fogo nessa fantasia que aprisiona o teu querer.
E o que mais te tortura
É o medo do degredo.
É ser despojado da atenção.
Dos olhares da multidão.
Mas vou te contar um segredo...
Você não passa de só mais um.
Tão somente uma merda muito importante.
Que foi escolhida a dedo.
Para desviar o foco do restante.
De algo muito, muito mais relevante.
Tira esse espelho de tua frente para enxergar melhor.
Observa atentamente a sombra que orbita a teu redor.
As luzes que te acompanham e te iluminam intensamente.
Os aplausos e sorrisos que confundem tua mente.
Tira essa máscara que te impede de expressar.
A tua dor, a tua angústia, o teu martírio, o teu pesar.
Arranca essa carranca que esconde o teu sofrer.
Põe fogo nessa fantasia que aprisiona o teu querer.
E o que mais te tortura
É o medo do degredo.
É ser despojado da atenção.
Dos olhares da multidão.
Mas vou te contar um segredo...
Você não passa de só mais um.
Tão somente uma merda muito importante.
Que foi escolhida a dedo.
Para desviar o foco do restante.
De algo muito, muito mais relevante.
👁️ 234
Gargalhada.
Estou rindo até quase perder os sentidos.
De tanta estupidez, de tamanha repetição.
Rio dos lobos com seus uivos e ganidos.
Mas tenho medo das ovelhas e seus balidos.
Gozo e suspiro com o ruído de um trovão.
Rio dos escravos vaidosos de suas tripas.
Perdidos na luz a procura de escuridão.
Arrotando vaidades após um banquete de carniças.
Empanzinados com a torpeza que alimenta a multidão.
Dos cegos que desvairados fingem o além enxergar.
Profetas de desatinos, abortos da natureza.
Dos moucos alucinados que mentem tudo escutar.
Loucos que iludem os incautos com suas falsas proezas.
E de repente na loucura incontinente.
Brota-me o choro que me afoga inclemente.
Falta-me o ar, me dá vontade de gritar.
Brutal vazio avassala minha mente.
Fruto do riso, frio, torpe e consistente.
Que eu gerei para me auto flagelar.
De tanta estupidez, de tamanha repetição.
Rio dos lobos com seus uivos e ganidos.
Mas tenho medo das ovelhas e seus balidos.
Gozo e suspiro com o ruído de um trovão.
Rio dos escravos vaidosos de suas tripas.
Perdidos na luz a procura de escuridão.
Arrotando vaidades após um banquete de carniças.
Empanzinados com a torpeza que alimenta a multidão.
Dos cegos que desvairados fingem o além enxergar.
Profetas de desatinos, abortos da natureza.
Dos moucos alucinados que mentem tudo escutar.
Loucos que iludem os incautos com suas falsas proezas.
E de repente na loucura incontinente.
Brota-me o choro que me afoga inclemente.
Falta-me o ar, me dá vontade de gritar.
Brutal vazio avassala minha mente.
Fruto do riso, frio, torpe e consistente.
Que eu gerei para me auto flagelar.
👁️ 119
Cativeiro
Me sequestre.
Me afogue.
Me afague.
Me esmague.
Venha comigo.
Chuva incessante.
Fogo amigo.
Angústia lancinante.
Me torture.
Me devore.
Me despreze.
Me deflore.
Venha comigo.
Chuva incessante.
Nenhum abrigo.
Sonho distante.
Me flagele.
Me mutile.
Me fustigue.
Me humilhe.
Me amordace.
Me beije, me abrace.
Me leve daqui.
Para onde você quiser.
Para junto de ti.
Venha comigo.
Parte de mim.
Chuva incessante.
Gozo sem fim.
Me afogue.
Me afague.
Me esmague.
Venha comigo.
Chuva incessante.
Fogo amigo.
Angústia lancinante.
Me torture.
Me devore.
Me despreze.
Me deflore.
Venha comigo.
Chuva incessante.
Nenhum abrigo.
Sonho distante.
Me flagele.
Me mutile.
Me fustigue.
Me humilhe.
Me amordace.
Me beije, me abrace.
Me leve daqui.
Para onde você quiser.
Para junto de ti.
Venha comigo.
Parte de mim.
Chuva incessante.
Gozo sem fim.
👁️ 211
Confissão
O que me aprazia tempos atrás
Hoje não me apraz.
O que você dizia.
Quando mentia.
Um boa tarde, boa noite, bom dia.
O esperar pelo que não vem.
O lamentar pelo que não se tem.
É tudo fútil, quase inútil.
Gargalho de desdém.
O que dizer sobre o que passou.
O que não aproveitei.
O pouco que sobrou.
Bebi o caldo deletério do que julguei prazer.
Como saber?
O que me aprazia tempos atrás.
Hoje não me apraz.
Onde você estava.
Com quem caminhava.
Ansiava por mim?
Cavei o começo para enterrar o fim.
Hoje não me apraz.
O que você dizia.
Quando mentia.
Um boa tarde, boa noite, bom dia.
O esperar pelo que não vem.
O lamentar pelo que não se tem.
É tudo fútil, quase inútil.
Gargalho de desdém.
O que dizer sobre o que passou.
O que não aproveitei.
O pouco que sobrou.
Bebi o caldo deletério do que julguei prazer.
Como saber?
O que me aprazia tempos atrás.
Hoje não me apraz.
Onde você estava.
Com quem caminhava.
Ansiava por mim?
Cavei o começo para enterrar o fim.
👁️ 94
Bon appétit.
No banquete antropofágico.
Com a carne dos liberais.
Dos ricos, soberbos boçais.
Vai ter carne para todo mundo.
Que necessite celebrar.
Carne de rico na mesa.
Banquete para a pobreza.
Sangue para se embriagar.
Um petisco para os pobres.
Carne fina, corte nobre.
De bucho cheio arrotar.
No bucho da nossa classe.
Temperadas com pistache.
A carne da realeza.
Os banqueiros, os senhores.
Os infames especuladores.
As tripas de vossa alteza.
Costelas das ricas madames.
Até seus cachorrinhos infames.
Poderão em baixo da mesa.
Comer as sobras do banquete.
Correr em volta com deleite.
No banquete da pobreza.
Vamos nos banquetear.
No almoço e no jantar
Vamos confraternizar.
Estão todos convidados.
Que venham de todos os lados.
Venham todos comungar.
Exceto os pobres vassalos
Que serviram de bom grado
Com dolo de servil gado.
Aos senhores de outrora.
Sua sorte está traçada.
E na próxima fornada.
Chegará a sua hora.
Com a carne dos liberais.
Dos ricos, soberbos boçais.
Vai ter carne para todo mundo.
Que necessite celebrar.
Carne de rico na mesa.
Banquete para a pobreza.
Sangue para se embriagar.
Um petisco para os pobres.
Carne fina, corte nobre.
De bucho cheio arrotar.
No bucho da nossa classe.
Temperadas com pistache.
A carne da realeza.
Os banqueiros, os senhores.
Os infames especuladores.
As tripas de vossa alteza.
Costelas das ricas madames.
Até seus cachorrinhos infames.
Poderão em baixo da mesa.
Comer as sobras do banquete.
Correr em volta com deleite.
No banquete da pobreza.
Vamos nos banquetear.
No almoço e no jantar
Vamos confraternizar.
Estão todos convidados.
Que venham de todos os lados.
Venham todos comungar.
Exceto os pobres vassalos
Que serviram de bom grado
Com dolo de servil gado.
Aos senhores de outrora.
Sua sorte está traçada.
E na próxima fornada.
Chegará a sua hora.
👁️ 120
Centúria.
O chamado do abismo não lhes deixa descansar.
A voz em suas cabeças lhes ordena. Vão matar!
Coloquem fogo nos campos, dispersem as multidões.
Deem vazão a todo o ódio que habita em seus corações.
Furem olhos, quebrem ossos, costelas, destruam sonhos.
Com suas botas, cacetetes, balas, coletes medonhos.
Comemorem com orgulho o cumprimento do dever.
Do mais odioso lema, que é servir e proteger.
Servindo a quem tudo pode, sem sentir ou questionar.
O desejo que em si explode, de ferir, de chacinar.
Que orgulho eles ostentam, que desculpa eles alegam?
Instrumentos da violência, que de bom grado carregam?
Só nos dobram pelo medo, não nos inspira respeito.
Esse estandarte infame, esse que lhes adorna o peito.
Sua história lhes faz jus, com seus incontáveis golpes.
Com suas pompas, cerimônias, em seus corceis a galope.
Vergonha, ignomínia, quantos crimes a reparar.
Se a história fosse justa, os poria em seu lugar.
Assassínios, extermínios, roubos, propinas, entreguismo.
Fardas manchadas com a lama do mais falso moralismo.
A voz em suas cabeças lhes ordena. Vão matar!
Coloquem fogo nos campos, dispersem as multidões.
Deem vazão a todo o ódio que habita em seus corações.
Furem olhos, quebrem ossos, costelas, destruam sonhos.
Com suas botas, cacetetes, balas, coletes medonhos.
Comemorem com orgulho o cumprimento do dever.
Do mais odioso lema, que é servir e proteger.
Servindo a quem tudo pode, sem sentir ou questionar.
O desejo que em si explode, de ferir, de chacinar.
Que orgulho eles ostentam, que desculpa eles alegam?
Instrumentos da violência, que de bom grado carregam?
Só nos dobram pelo medo, não nos inspira respeito.
Esse estandarte infame, esse que lhes adorna o peito.
Sua história lhes faz jus, com seus incontáveis golpes.
Com suas pompas, cerimônias, em seus corceis a galope.
Vergonha, ignomínia, quantos crimes a reparar.
Se a história fosse justa, os poria em seu lugar.
Assassínios, extermínios, roubos, propinas, entreguismo.
Fardas manchadas com a lama do mais falso moralismo.
👁️ 154
Baco Dionísio
Esse trago amargo.
Com o qual me embriago.
Não tira a poeira de uma vida inteira.
Desse doce cântaro.
Sorvi todo o encanto.
Me fiz prisioneiro desde a vez primeira.
É o álcool esse demônio impoluto.
Que me persegue e me acompanha por toda parte.
E eu, espírito errante adulto.
Tomei esse demônio como uma obra de arte.
Desde cedo perdi todo o medo.
Achando o fugir da realidade.
Hoje vivo em alegre degredo.
Não sei se por minha ou por sua vontade.
Na aurora, na primeira hora.
Busco tua sombra, teu doce recato.
Na penumbra, tua presença abunda.
Desfruto meu sono, para sempre grato.
Não carrego em nenhum momento.
Arrependimento ou dúvida sequer.
Nos teus braços encontrei alento.
Sem nenhuma culpa, aflição qualquer.
👁️ 182
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