Pego, 15 abril 1980
Minha terra não a nego,
num dia triste do mês de Abril,
parti da minha querida aldeia do Pego,
naquele longínquo mês,recordo baixei meu olhar,
estrada fora, não parava de chorar,
alagado em lágrimas disse-lhe adeus,
longe dela, pensava na minha terra adorada,
jamais esqueci as suas ruas apertadas,
naquele tempo eram mal iluminadas,
distante da minha terra, chorei lágrimas amargas,
choradas em silêncio e desgosto,
lembro das nossas ruas enfeitadas no mês de Agosto,
com o passar da nossa Procissão.
ainda hoje tenho essas imagens,
tatuadas na saudade do meu coração,
de tenra idade deixaste-me partir,
sei que também choraste a minha partida,
parti para o caminho, para outra vida,
as ruas ficaram mais tristes e brotaram pranto,
até as pedras da minha calçada mudaram de cor,
de tanta tristeza e dor,
Sou filho da terra, sou imigrante,
vivo noutro país, um país distante,
A Deus eu rogo a cada instante,
pra poder por muitos anos minha mãe abraçar,
Passam os anos e tu esperas o meu regresso,
pede ao tempo, tempo e espera por mim,
tudo o que eu quero só Deus sabe,
e antes que a minha vida acabe,
espero aí voltar a viver, para aí poder morrer...
Luzerna, 15-4-2013, Tsunamidesaudade63, João Neves
Amei uma mulher
Meu amor deita-te a meu lado,
volta-te lentamente pra mim,
deixa teu olhar no meu refletir,
abraça-me pra que possa,
nos teus braços dormir,
beija-me não me digas nada.
espera que o silêncio por nós possa decidir.
Nesta noite à muito sonhada,
deixa-te levar, não fales, não digas nada.
Vamos viver este amor, sem medo de amar
e a nós o que importa?
Lá fora todos nos podem censurar!
Encosta esse corpo ao meu com todo seu calor,
e vamos viver a noite mais bonita de amor.
Por mim este mundo depois pode até acabar,
sabendo que nesta magrugada nos vamos desejar,
posso até mesmo morrer,
mas levo comigo a certeza de que um dia,
amei uma mulher, que fez em mim o amor renascer.
Luzerna, 29.03.2023, Tsunamidesaudade63
Meu peito não suportou
Fulminado pela bonita luz dos teus olhos
Engasguei-me com tanta adrenalina
Meu peito não suportou tanta emoção
Ao ver-se refletido nos lindos olhos daquela menina.
Será que da paixão sou um vago?
Sentado junto ao lago
nem sei mais o que fazer.
Adorava ser como o Saramago
pra como ele lindas poesias poder escrever
Sinto cá dentro de mim o sabor amargo
de não saber bem compor
Será que da paixão sou um vago?
que desprezo o carinho e o amor?
e guardo dentro de mim o rancor
de uma desilusão, um triste desamor.
Luzern, 01.04.2023, João Neves
Aos que adoram criticar...
Eu sou boémio
sou dono de uma vida airada
sei que tenho pouco
tenho uma mão cheia de um nada
vivo a minha existência, distraidamente bem vivida,
posso ser pobre, mas tenho um espirito dourado,
aos que durante anos me tem criticado,
só lhes peço um favor, cuidem da vossa vida,
e deixem a minha de lado.
Luzerna, 29.03.2023 João Neves
Pra ti Rita, Abrantes Abril de 1978
Olá Rita, hoje recordei-me de ti,
Lembras-te meu amor?
Ao menos recordas-te de mim?
E daqueles momentos passados naquele jardim?
Foi naquele longínquo mês de Abril,
onde o sol já queimava,
como diz o provérbio, também mês de águas mil,
Recordo-me tão bem dos teus beijos
que eram mais doces que o próprio mel,
e fogosos como lavras dum vulcão,
onde abraços profundos penetravam a alma
até ao mais profundo do coração,
Recordas-te também daquela mão marota,
que percorria esse teu lindo corpo,
desde os pés até à tua boca,
Que saudades daquela Primavera que foi
a última Primavera quente da nossa paixão.
Aí vei o Verão com ele se serrou do pano,
o palco do nosso amor, tu pra um lado,
e eu do outro estava sozinho perdidamente apaixonado.
Tu de mim levastes-me tudo, lesvastes o meu amor
e eu longe de ti, sofrendo de tristeza e dor.
Luzerna, 04.04.2021, João Neves."Abrantes Abril de 1978"
Tive saudades da saudade
Depois que ela me deixou,
eu parti pra bem longe dela,
o nosso sonho morreu assim, eu desisti,
senti que até as pedras da calçada tem saudades de ti,
os passarinhos nas árvores deixaram de chilrear,
ao pressentirem o nosso amor afundar,
em cada amanhecer vejos os rastros dela,
e ao anoitecer ela grita por mim,
desperto e dou com os olhos nela
já de braço dado com a saudade,
caminho lentamente pela rua fora,
Aí saudade, fizeste-me ter tanta saudade de ti,
hoje matei essa saudade, uma saudade sem fim.
Luzerna, 03.04.2023, João Neves
Deixa que falem mal de nós.
Meu amor deixa que nos acusem,
que sigam falando da gente por aí,
que esta paixão não pode ser,
deixa que falem mal de nós
que nunca nos irão emudecer.
Eles não sabem o que é o amor,
muito menos sabem amar,
lutaremos juntos pelo nosso carinho,
que irá prevalecer a nossa adoração.
Tu não deves jamais chorar,
por aquilo que as pessoas te possam julgar,
elas já mais saberão o que é a paixão
todos tem inveja desta nossa forma de desejar.
e jamais iram ter a nossa paz
ama-me meu amor, como eu te amo a ti
isso eu sei que tu também és capaz.
Luzerna, 25.03.2023, Joao Neves
Meu bebé
Mesmo com esta distância que existe entre nós
todo meu corpo se eriça
ao escutar a tua linda voz,
tu que pra mim fostes sempre meu bébé,
estou aqui a morrer de saudades por você,
Hoje ao pensar em ti, chorei sem querer
imploro-te, volta meu amor
sem ti não consigo mais viver..
Luzerna, 17.03.2023, João Neves...
Tudo é lágrimas
Tudo é lágrimas,
tudo é desespero,
tudo é infelicidade
tudo é tristeza
quem me dera parar o tempo,
e ficar contigo eternamente.
Doí tanto a tua ausência,
mas já não chores mais por mim,
estou num lugar muito bonito
esperando por ti...
Luzerna, 23.08.2020, Joao Neves
Uma melancolia romântica que me interessou bastante, adorei seus poemas, continue publicando aqui, estarei acompanhando seus poemas, pois realmente me identifiquei. Parabéns!