Lista de Poemas
Joaninha
No meio a relva seca
a joaninha numa folha
não sabe que a natureza
clama por socorro !
a joaninha numa folha
não sabe que a natureza
clama por socorro !
👁️ 210
RE-CONSTRUIR
Do cáos busco a re-construção
das pedras encontradas em meu caminho
eu transformo as em novas ancoragens!
das pedras encontradas em meu caminho
eu transformo as em novas ancoragens!
👁️ 175
Meu Encontro com Mojica
Era início da década de sessenta.
Meus pais acabavam de retornar para São Paulo depois de quase 10 anos em Minas Gerais.
Era um garoto da roça, conhecia sim o mundo do campo, os rios, as florestas, os pássaros, enfim a natureza! A vida simples e maravilhosa do campo.
Filho de família religiosa, católica, logo minha mãe procurou colocar-me no colégio das freiras, o Externato Nossa Senhora do Sagrado Coração e logo incentivou-me a ingressar no grupo de coroinhas do Santuário do Sagrado Coração, em Vila Formosa, São Paulo.
Meus dias passaram a ser no Externato e na Igreja sobrando pouco tempo para ficar em casa!
Participava ativamente de todas as celebrações de domingo a domingo.
Logo conquistei a confiança e a proteção da Madre Superiora e do Vigário além da atenção especial do Irmão Afonso que era o responsável pelos coroinhas.
Atuava nas apresentações religiosa tendo representado o menino Jesus aos doze anos e outras crianças bíblicas.
Certo dia ao chegar, como de costume, antes da missa das sete, o irmão Afonso destacou-me a ajudar a missa de um visitante que estava hospedado na Casa Paroquial. Lá fui eu. Como a missa era em Latim mal percebi a origem do Padre. Apenas sabia que era de outra Ordem, pois usava hábito de monge e não dos Missionários do Sagrado Coração.
Foi depois de ter me despedido daquele Monge, dias depois que o Irmão Afonso contou-me quem era o ilustre visitante.
Contou-me que ele havia sido um cantor muito famoso na Espanha e que depois do auge de sua carreira ele resolveu abandonar a carreira artística e tornar-se um monge.
E que uma de suas músicas mais conhecidas era o "Jura-me" ... mal pude conter meu espanto!
Jura-me era uma canção que minha mãe falava sempre e quando chegamos em São Paulo ela pediu para o meu pai procurar um disco que tivesse essa música.
Corri para casa e quase sem fôlego... contei para a minha mãe o ocorrido dias atrás.
Mas o Monge já havia partido e até hoje só ficou a lembrança de que "eu conheci Frei Mojica" o autor de Jura-me !
:::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::
"JOSÉ MOJICA pode ser apontado como um dos grandes artistas latinos do século. Através dos discos, filmes e apresentações pessoais, sua arte de cantor e figura de galã foram levadas a todas as partes do mundo. Depois que se tornou sacerdote-cantor, acrescentaria a essa fama e admiração o respeito pelos seus predicados humanos. Nasceu José Mojica, em 14.9.1896, na cidade de San Miguel, Estado de Jalisco, no México, com um nome extenso: Cresenciano Abel Exaltación de la Santa Cruz de Jesus Mojica Montenegro y Chavarín. Só quando se fez adulto, sua mãe, D. Virgínia Montenegro, contou-lhe que seu pai tinha sido um médico que noivara com ela e a abandonara por já ser casado e com dois filhos. De um casamento posterior, D. Virgínia teria outro filho, que faleceria bem pequeno. Não seria feliz no casamento, pois o padrasto de José, de nome Francisco e dono de oficina em que fabricava sapatos, demonstrou ser um homem extremamente violento, por causa disso condenado a alguns anos de prisão, não mais voltando ao convívio da família depois de libertado. Mulher tenaz e muito religiosa, D. Virgínia incutia em José os ensinamentos e a fé católicos. Um dia, sentindo o desprezo da gente do local, decide deixar San Miguel para tentar melhor sorte na capital mexicana. Vende por pouco dinheiro as propriedades que ainda possuía e toma com José o trem para a Cidade do México. Era 1906. Na capital matricula-o no Colégio Santa Maria e a seguir numa escola pública. Vivem os dois uma existência bem modesta com alguns episódios desagradáveis, como aquele em que, em suas ausências, ladrões despojam de tudo a casinha em que habitavam. Para que possam sobreviver, trabalha como costureira e utiliza-se das reservas trazidas. José continuaria seus estudos na Escola Nacional de Agricultura, fechada durante os acontecimentos da revolução de 1910. Como estudante deixa-se envolver pela política, tendo corrido sério risco de morte no momento em que os revolucionários chegam à capital. Ao mesmo tempo em que cursa agricultura, estuda piano e pintura. Não lhe passa pela cabeça a idéia de cantar. Confessaria mais tarde que "nunca tive e nem tenho paixão pelo canto. Tinha sim, e tenho, paixão e vocação para a pintura. Fui cantor famoso, mas nunca pude encontrar tempo para pintar. O cultivo da arte é absorvente. Em quaisquer de suas manifestações, o homem é limitado e Deus o leva sempre para onde convém mais." De certa feita em que estudava solfejo no Conservatório, os alunos são convidados a participar dos corais de uma nova companhia de ópera que se estava formando no Teatro Ideal. Quando são perguntados se desejam fazer um teste de voz, levanta a mão apenas por levantar. Ao saber que tinha voz de tenor sente uma estranha sensação. Sua mãe fica contra essa ameaça de mudança na direção dos planos traçados para ele, mas José argumenta que era uma oportunidade de ganhar algum dinheiro. A conselho da mãe concorda em tomar lições de canto para ter a certeza de que de fato tinha talento. É o que faz durante certo tempo, até se apresentar na companhia, não mais como pretendente a um lugar no corpo coral, mas como solista de pequenos papéis. Suas qualidade potenciais são reconhecidas pelo célebre maestro mexicano Cuevas, que se oferece para ministrar-lhe aulas. O progresso de Mojica evidencia-se cada vez mais, tanto que passa a primeiro tenor. A escola de Agricultura, que reiniciara as aulas, perdia definitivamente um aluno. Em busca da fama e da fortuna, parte em 1916 para Nova Iorque, integrando um conjunto formado por Carmen Garcia Cornejo, soprano, Angel Esquivel, barítono, e Julio Peimbert, pianista, sendo empresariados por Maria Grever, notável compositora mexicana de futuro renome mundial. O resultado da aventura é desanimador, dada a falta de oportunidades. Mojica termina por lavar pratos durante meses num restaurante. Mesmo assim é ouvido a cantar no trabalho trechos de óperas, com isso vindo a receber aulas de uma senhora chamada Blackman. Quando sua triste e desalentadora situação parecia não ter nenhuma saída, afortunadamente é convidado a se juntar a uma grande companhia de óperas em vias de ser montada em sua pátria. Da noite para o dia vê-se ao lado de nomes célebres da cena lírica mundial. Daí em diante sua ascensão gradativa não teria percalços ou descontinuidade. Terminada a temporada, começa outra com a presença do maior astro do bel-canto mundial, Enrico Caruso, do qual se torna bom companheiro. No final de 1919, volta aos Estados Unidos numa situação bem diferente da primeira vez, pois contratado pela Chicago Opera Company. Além dos rendimentos cada vez maiores no palco, tem a oportunidade de gravar seus primeiros discos na Odeon. Conhece então pessoalmente Thomas Alva Edison, uma das maiores admirações de sua vida, a quem pede uma foto com dedicatória. Edison conta-lhe que todas as noites antes de dormir ouvia sua gravação de Golondrina Mensajera e o imaginara um cantor de meia-idade, não tão jovem. Mojica por sua vez não se refere ao fato de que, em sua primeira estada nos Estados Unidos, tinha sido recusado pela Odeon americana depois de teste de gravação examinado pelo próprio Edison. A partir desse contato, Mojica vai alternando concertos nos Estados Unidos e México. Enquanto sua carreira profissional ia cada vez melhor, dando-lhe condições de proporcionar toda a assistência e conforto à sua amada mãe, com qual sempre morou, sua alma continuava inquieta na busca da verdade. Vinha procurando explicações em novas filosofias e religiões e tinha períodos de agnosticismo. Por fim, volta à fé católica pelo caminho de uma devoção particular a São Francisco de Assis, o santo dos pobres. Tal decisão se dá quando estava com 27 anos, exatamente numa visita à escola franciscana de Quincy, cidade do Illionois. Em 1929 é convidado pela Fox para trabalhar em Hollywood em filmes falados e cantados em espanhol, pois, além de ter voz, encarnava o tipo ideal do galã latino exigido pelos roteiros melodramáticos. Assim é o astro de O Preço de Um Beijo, em duas versões, um extraordinário sucesso em diversos países de língua espanhola, inclusive a Espanha, embora mais uma vez a crítica de seu país tenha se mostrado contrária, como sempre fazia em relação aos artistas mexicanos que atuavam no cinema americano. No seu caso não aceitavam que, cantor consagrado de óperas, descesse para cantar simples canções populares. Outros filmes se seguiriam, como Príncipe, Rei dos Ciganos, A Cruz e a Espada, As fronteira do Amor, A Canção do Milagre e outros, neste último no papel de um sacerdote católico, numa antecipação do que faria mais tarde. Seus discos então se vendiam como nunca. Muito de seus êxitos são até hoje páginas clássicas. Cada uma de suas apresentações na América Latina, Europa e Norte da África consituia-se em consagração. Nada deste mundo lhe faltava, mas no seu espírito continuava um vazio, que só uma completa dedicação a Deus haveria de preencher. Em 1941 estava filmando na Argentina, em Buenos Aires, Melodias da América, quando recebe a notícia do falecimento de sua mãe. Decide então entrar para o convento franciscano de Recoleta, na cidade de Cuzco, no Peru, que já conhecia. Dá um último concerto e viaja para o México a fim de distribuir sua fortuna. Em 1942 recolhe-se à clausura e no ano seguinte recebe as ordens menores. Em 1946 ;é ordenado padre, adotando o nome de Frei José Francisco de Guadalupe. Sentindo que ainda poderia com sua arte e fama obter recursos para obras de caridade e divulgar a religião, consegue de seus superiores autorização para apresentar-se cantando músicas profanas. É o que passa a fazer em novas excursões pelo mundo e em filmes, sempre porém vestindo o hábito de frei franciscano. Já tinha visitado o Brasil em 1937 e cantado no Cassino da Urca. Volta em 1942 e 1950, quando participa da inauguração da primeira estação de televisão brasileira, a TV-Tupi de São Paulo. Retorna em 1955 - reza uma missa em intenção da alma de Carmen Miranda - 1964 e 1967. Por causa de problemas circulatórios que afetara sua perna direita, vem a falecer na idade de 78 anos, em 20.9.1974, na cidade de Lima, no Peru. Abel Cardoso Junior. O texto acima não representa a biografia completa do artista, mas sim, partes importantes de sua vida e carreira.
Meus pais acabavam de retornar para São Paulo depois de quase 10 anos em Minas Gerais.
Era um garoto da roça, conhecia sim o mundo do campo, os rios, as florestas, os pássaros, enfim a natureza! A vida simples e maravilhosa do campo.
Filho de família religiosa, católica, logo minha mãe procurou colocar-me no colégio das freiras, o Externato Nossa Senhora do Sagrado Coração e logo incentivou-me a ingressar no grupo de coroinhas do Santuário do Sagrado Coração, em Vila Formosa, São Paulo.
Meus dias passaram a ser no Externato e na Igreja sobrando pouco tempo para ficar em casa!
Participava ativamente de todas as celebrações de domingo a domingo.
Logo conquistei a confiança e a proteção da Madre Superiora e do Vigário além da atenção especial do Irmão Afonso que era o responsável pelos coroinhas.
Atuava nas apresentações religiosa tendo representado o menino Jesus aos doze anos e outras crianças bíblicas.
Certo dia ao chegar, como de costume, antes da missa das sete, o irmão Afonso destacou-me a ajudar a missa de um visitante que estava hospedado na Casa Paroquial. Lá fui eu. Como a missa era em Latim mal percebi a origem do Padre. Apenas sabia que era de outra Ordem, pois usava hábito de monge e não dos Missionários do Sagrado Coração.
Foi depois de ter me despedido daquele Monge, dias depois que o Irmão Afonso contou-me quem era o ilustre visitante.
Contou-me que ele havia sido um cantor muito famoso na Espanha e que depois do auge de sua carreira ele resolveu abandonar a carreira artística e tornar-se um monge.
E que uma de suas músicas mais conhecidas era o "Jura-me" ... mal pude conter meu espanto!
Jura-me era uma canção que minha mãe falava sempre e quando chegamos em São Paulo ela pediu para o meu pai procurar um disco que tivesse essa música.
Corri para casa e quase sem fôlego... contei para a minha mãe o ocorrido dias atrás.
Mas o Monge já havia partido e até hoje só ficou a lembrança de que "eu conheci Frei Mojica" o autor de Jura-me !
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"JOSÉ MOJICA pode ser apontado como um dos grandes artistas latinos do século. Através dos discos, filmes e apresentações pessoais, sua arte de cantor e figura de galã foram levadas a todas as partes do mundo. Depois que se tornou sacerdote-cantor, acrescentaria a essa fama e admiração o respeito pelos seus predicados humanos. Nasceu José Mojica, em 14.9.1896, na cidade de San Miguel, Estado de Jalisco, no México, com um nome extenso: Cresenciano Abel Exaltación de la Santa Cruz de Jesus Mojica Montenegro y Chavarín. Só quando se fez adulto, sua mãe, D. Virgínia Montenegro, contou-lhe que seu pai tinha sido um médico que noivara com ela e a abandonara por já ser casado e com dois filhos. De um casamento posterior, D. Virgínia teria outro filho, que faleceria bem pequeno. Não seria feliz no casamento, pois o padrasto de José, de nome Francisco e dono de oficina em que fabricava sapatos, demonstrou ser um homem extremamente violento, por causa disso condenado a alguns anos de prisão, não mais voltando ao convívio da família depois de libertado. Mulher tenaz e muito religiosa, D. Virgínia incutia em José os ensinamentos e a fé católicos. Um dia, sentindo o desprezo da gente do local, decide deixar San Miguel para tentar melhor sorte na capital mexicana. Vende por pouco dinheiro as propriedades que ainda possuía e toma com José o trem para a Cidade do México. Era 1906. Na capital matricula-o no Colégio Santa Maria e a seguir numa escola pública. Vivem os dois uma existência bem modesta com alguns episódios desagradáveis, como aquele em que, em suas ausências, ladrões despojam de tudo a casinha em que habitavam. Para que possam sobreviver, trabalha como costureira e utiliza-se das reservas trazidas. José continuaria seus estudos na Escola Nacional de Agricultura, fechada durante os acontecimentos da revolução de 1910. Como estudante deixa-se envolver pela política, tendo corrido sério risco de morte no momento em que os revolucionários chegam à capital. Ao mesmo tempo em que cursa agricultura, estuda piano e pintura. Não lhe passa pela cabeça a idéia de cantar. Confessaria mais tarde que "nunca tive e nem tenho paixão pelo canto. Tinha sim, e tenho, paixão e vocação para a pintura. Fui cantor famoso, mas nunca pude encontrar tempo para pintar. O cultivo da arte é absorvente. Em quaisquer de suas manifestações, o homem é limitado e Deus o leva sempre para onde convém mais." De certa feita em que estudava solfejo no Conservatório, os alunos são convidados a participar dos corais de uma nova companhia de ópera que se estava formando no Teatro Ideal. Quando são perguntados se desejam fazer um teste de voz, levanta a mão apenas por levantar. Ao saber que tinha voz de tenor sente uma estranha sensação. Sua mãe fica contra essa ameaça de mudança na direção dos planos traçados para ele, mas José argumenta que era uma oportunidade de ganhar algum dinheiro. A conselho da mãe concorda em tomar lições de canto para ter a certeza de que de fato tinha talento. É o que faz durante certo tempo, até se apresentar na companhia, não mais como pretendente a um lugar no corpo coral, mas como solista de pequenos papéis. Suas qualidade potenciais são reconhecidas pelo célebre maestro mexicano Cuevas, que se oferece para ministrar-lhe aulas. O progresso de Mojica evidencia-se cada vez mais, tanto que passa a primeiro tenor. A escola de Agricultura, que reiniciara as aulas, perdia definitivamente um aluno. Em busca da fama e da fortuna, parte em 1916 para Nova Iorque, integrando um conjunto formado por Carmen Garcia Cornejo, soprano, Angel Esquivel, barítono, e Julio Peimbert, pianista, sendo empresariados por Maria Grever, notável compositora mexicana de futuro renome mundial. O resultado da aventura é desanimador, dada a falta de oportunidades. Mojica termina por lavar pratos durante meses num restaurante. Mesmo assim é ouvido a cantar no trabalho trechos de óperas, com isso vindo a receber aulas de uma senhora chamada Blackman. Quando sua triste e desalentadora situação parecia não ter nenhuma saída, afortunadamente é convidado a se juntar a uma grande companhia de óperas em vias de ser montada em sua pátria. Da noite para o dia vê-se ao lado de nomes célebres da cena lírica mundial. Daí em diante sua ascensão gradativa não teria percalços ou descontinuidade. Terminada a temporada, começa outra com a presença do maior astro do bel-canto mundial, Enrico Caruso, do qual se torna bom companheiro. No final de 1919, volta aos Estados Unidos numa situação bem diferente da primeira vez, pois contratado pela Chicago Opera Company. Além dos rendimentos cada vez maiores no palco, tem a oportunidade de gravar seus primeiros discos na Odeon. Conhece então pessoalmente Thomas Alva Edison, uma das maiores admirações de sua vida, a quem pede uma foto com dedicatória. Edison conta-lhe que todas as noites antes de dormir ouvia sua gravação de Golondrina Mensajera e o imaginara um cantor de meia-idade, não tão jovem. Mojica por sua vez não se refere ao fato de que, em sua primeira estada nos Estados Unidos, tinha sido recusado pela Odeon americana depois de teste de gravação examinado pelo próprio Edison. A partir desse contato, Mojica vai alternando concertos nos Estados Unidos e México. Enquanto sua carreira profissional ia cada vez melhor, dando-lhe condições de proporcionar toda a assistência e conforto à sua amada mãe, com qual sempre morou, sua alma continuava inquieta na busca da verdade. Vinha procurando explicações em novas filosofias e religiões e tinha períodos de agnosticismo. Por fim, volta à fé católica pelo caminho de uma devoção particular a São Francisco de Assis, o santo dos pobres. Tal decisão se dá quando estava com 27 anos, exatamente numa visita à escola franciscana de Quincy, cidade do Illionois. Em 1929 é convidado pela Fox para trabalhar em Hollywood em filmes falados e cantados em espanhol, pois, além de ter voz, encarnava o tipo ideal do galã latino exigido pelos roteiros melodramáticos. Assim é o astro de O Preço de Um Beijo, em duas versões, um extraordinário sucesso em diversos países de língua espanhola, inclusive a Espanha, embora mais uma vez a crítica de seu país tenha se mostrado contrária, como sempre fazia em relação aos artistas mexicanos que atuavam no cinema americano. No seu caso não aceitavam que, cantor consagrado de óperas, descesse para cantar simples canções populares. Outros filmes se seguiriam, como Príncipe, Rei dos Ciganos, A Cruz e a Espada, As fronteira do Amor, A Canção do Milagre e outros, neste último no papel de um sacerdote católico, numa antecipação do que faria mais tarde. Seus discos então se vendiam como nunca. Muito de seus êxitos são até hoje páginas clássicas. Cada uma de suas apresentações na América Latina, Europa e Norte da África consituia-se em consagração. Nada deste mundo lhe faltava, mas no seu espírito continuava um vazio, que só uma completa dedicação a Deus haveria de preencher. Em 1941 estava filmando na Argentina, em Buenos Aires, Melodias da América, quando recebe a notícia do falecimento de sua mãe. Decide então entrar para o convento franciscano de Recoleta, na cidade de Cuzco, no Peru, que já conhecia. Dá um último concerto e viaja para o México a fim de distribuir sua fortuna. Em 1942 recolhe-se à clausura e no ano seguinte recebe as ordens menores. Em 1946 ;é ordenado padre, adotando o nome de Frei José Francisco de Guadalupe. Sentindo que ainda poderia com sua arte e fama obter recursos para obras de caridade e divulgar a religião, consegue de seus superiores autorização para apresentar-se cantando músicas profanas. É o que passa a fazer em novas excursões pelo mundo e em filmes, sempre porém vestindo o hábito de frei franciscano. Já tinha visitado o Brasil em 1937 e cantado no Cassino da Urca. Volta em 1942 e 1950, quando participa da inauguração da primeira estação de televisão brasileira, a TV-Tupi de São Paulo. Retorna em 1955 - reza uma missa em intenção da alma de Carmen Miranda - 1964 e 1967. Por causa de problemas circulatórios que afetara sua perna direita, vem a falecer na idade de 78 anos, em 20.9.1974, na cidade de Lima, no Peru. Abel Cardoso Junior. O texto acima não representa a biografia completa do artista, mas sim, partes importantes de sua vida e carreira.
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Estação da Luz
Monumental Edifício da Central
Ainda aguardando o trem passar
Através dos séculos a espiar!
👁️ 225
E O TEMPO PASSA
Para não perder de vista
os meus sonhos d´outrora
os meus sonhos d´outrora
Galgo os mais altos galhos da vida!
( Poá-2008)
👁️ 208
Seminário - (IPN. Itajubá)
Parte da adolescência
Nesta casa passei longe
Mas perto de Deus!
👁️ 189
Final de Tarde
Pensar que aqui outrora
em meio a natureza pródiga
Muitos sonhos d´amor nasceram
em meio a natureza pródiga
Muitos sonhos d´amor nasceram
no final de uma tarde !
(Margens do Rio Tietê em Itaquaquecetuba)
(Margens do Rio Tietê em Itaquaquecetuba)
👁️ 180
Obstáculos
Obstáculos existem
para serem vencidos
com determinação!
para serem vencidos
com determinação!
👁️ 161
Brinde ao futuro
(À Alessandra e Silvio)
Num momento único
Da taça do amor se fez
um brinde ao amor !
Num momento único
Da taça do amor se fez
um brinde ao amor !
👁️ 209
Mistério na Mata
A Fazenda da Mata, ou Fazenda São João fora do meu bisavô Abílio. Vovô João comprou a pelos idos de 1953 e lá passei os mais doces anos da minha infância.
Ah quantas estripulias, quantas aventuras lá vivenciei !
Nos primeiros dez anos a fazenda era muito freqüentada ainda pelos irmãos de Vovó, o tio Juarez, Tio Neném, Tio Mário, Tio Júlio, Tio Renato e a própria Vovó Dolores, Mãe Vó como a tratávamos. Os primos Nardinho, Diogo freqüentavam mais a casa. O casarão era estilo colonial, havia muitas dependências e por isso era possível receber muitos hóspedes.
Gostava quando minha avó Anita recebia umas amigas do Rio; Era um pessoal da cidade e eu ficava espiando de longe aqueles hábitos diferentes dos que eu conhecia.
Mas sentia mesmo a vontade quando nas férias reuníamos os primos lá Dalmilho, Jane, Raquel, Ariete, Denise, Antonio, entre outros. Mas estes citados eram os da minha época que mais compartilhávamos as aventuras e as brincadeiras. Minha irmã Bernadete era novinha e o Pascoal ainda muito criança nem podia acompanhar-nos em todo lugar.
Quando iam embora ficava aquela monotonia... não restava outra opção de vez em quando compartilhar algumas brincadeiras com os filhos dos camaradas.
No final da tarde chegava da roça acompanhados do pai e de outros funcionários o Carlinhos, o Toninho, e o José, (Zé) mas eram crianças de outro nível, muito simples e chegavam cansados mal podiam brincar.
Na fazenda, quando a tarde caia vovô corria para o lado do rádio, as vezes acompanhados por algum empregado e ficavam ouvindo programação de Música Sertaneja para irritação da minha avó que não gostava. Depois hora da novela no Rádio, minha avó e mamãe iam para o lado do Rádio enquanto meu avô se retirava, de vez em quando indo jogar truco lá na sala com os amigos.
Mal a noite se firmava todos começavam a retirar-se. Dormíamos cedo, pois a lida no campo iniciava-se cedo antes do nascer do sol.
A vida lá na fazenda foi modificando se radicalmente, o movimento, a lida com o cafezal, foi cada vez mais diminuindo. Meu pai levou-nos para um Sítio que herdara lá no Porto dos Mendes, no Morro Grande, meu tio To alba estudava fora, só vinha para a fazenda nas férias. Eu, sempre que podia ia passar uns dias lá e o meu quarto preferido era o do meu tio Toalba, pois ele dava as janelas todas para a frente e para o Curral, podia-se acordar cedo com a movimentação dos retireiros ao trazer as vacas para a ordenha.
Certa noite, estávamos só nós três, meus avós e eu. Como não havia companhia me recolhi cedo, ouvia cada badalado do velho carrilhão lá na sala próximo ao meu quarto. Fora isso e algumas vezes o som de algum pássaro noturno era silêncio total.
Podia-se ver as estrelas pela janela que eu sempre deixava aberta para contrariedade de vovó que ia nas pontas do pé e as fechava e eu da mesma forma as abria depois de algum tempo sem fazer ruído.
Era uma noite tranqüila, meus avós deviam star em sono pesado e eu ainda estava meio acordado pensando e olhando para as estrelas lá no firmamento.
De repente - ouvi a trava de madeira ser retira da porta da sala e ser colocada no canto. Como era piso de assoalho, e com o silêncio da noite ouvia se nitidamente o som. Levantei a cabeça, sem sair de minha cama, procurei ver se era meu avô ou minha avó que fora ver algo. Não podia evitar nada a não ser a porta acabando se abrir por total uma das partes.
Um silêncio profundo se fez até que ouvi a minha avó lá de seu quarto falar:
- menino! O que está fazendo ai ? Por que abriu a porta!?
Eu mal pude responder... balbuciando disse lá da minha cama mesmo;
- não fui eu, não sai da minha cama! E virei-me do lado obrindo-me e ficando quieto sem se mexer até que o sono veio!
Lembro que meu avô se levantou, fechou a porta, colocou aquela trave de madeira e saiu resmungando. Creio que pensara que fora eu fazendo arte.
Pude ouvi-lo a caminho de seu quarto;
_ Ara.. esse menino !...
No dia seguinte, levantei-me, meu avô já havia ido para a roça e encontrei minha vó lá diante do fogão a lenha!
Antes mesmo que ela disse algo perguntei-lhe:
- Vó, o que foi aquilo ontem?
- Não fui eu que abri a porta não!
Calmamente ela respondeu acalmando-me.
- Não se preocupe menino, deve ter sido papai, ele sempre aparece por aqui.
- No final de semana eu vou fazer uma visita lá no "Centro" e ver o que ele queria. ode estar precisando de oração.
E assim passou a semana e quando chegamos a cidade foi ela ao centro e contou-me depois que realmente era o Vô Abílio, ele sente saudades e vem sempre visitar a casa.
Mas está tudo bem sim com ele! - disse com toda a naturalidade. Acho que por isso nunca me assustei com fatos inexplicáveis. Aceito-os e acredito que: - " entre o céu e a terra há muito mais coisa que nossa vâ filosofia possa conhecer! "
Obs.: Vô Abílio faleceu dois anos antes do que eu nascera, eu não cheguei a conhecê-lo. Um porta retrato que vovó possuia dele me chamava muito a atenção, os seus olhos azuis, bem azuis.
Ah quantas estripulias, quantas aventuras lá vivenciei !
Nos primeiros dez anos a fazenda era muito freqüentada ainda pelos irmãos de Vovó, o tio Juarez, Tio Neném, Tio Mário, Tio Júlio, Tio Renato e a própria Vovó Dolores, Mãe Vó como a tratávamos. Os primos Nardinho, Diogo freqüentavam mais a casa. O casarão era estilo colonial, havia muitas dependências e por isso era possível receber muitos hóspedes.
Gostava quando minha avó Anita recebia umas amigas do Rio; Era um pessoal da cidade e eu ficava espiando de longe aqueles hábitos diferentes dos que eu conhecia.
Mas sentia mesmo a vontade quando nas férias reuníamos os primos lá Dalmilho, Jane, Raquel, Ariete, Denise, Antonio, entre outros. Mas estes citados eram os da minha época que mais compartilhávamos as aventuras e as brincadeiras. Minha irmã Bernadete era novinha e o Pascoal ainda muito criança nem podia acompanhar-nos em todo lugar.
Quando iam embora ficava aquela monotonia... não restava outra opção de vez em quando compartilhar algumas brincadeiras com os filhos dos camaradas.
No final da tarde chegava da roça acompanhados do pai e de outros funcionários o Carlinhos, o Toninho, e o José, (Zé) mas eram crianças de outro nível, muito simples e chegavam cansados mal podiam brincar.
Na fazenda, quando a tarde caia vovô corria para o lado do rádio, as vezes acompanhados por algum empregado e ficavam ouvindo programação de Música Sertaneja para irritação da minha avó que não gostava. Depois hora da novela no Rádio, minha avó e mamãe iam para o lado do Rádio enquanto meu avô se retirava, de vez em quando indo jogar truco lá na sala com os amigos.
Mal a noite se firmava todos começavam a retirar-se. Dormíamos cedo, pois a lida no campo iniciava-se cedo antes do nascer do sol.
A vida lá na fazenda foi modificando se radicalmente, o movimento, a lida com o cafezal, foi cada vez mais diminuindo. Meu pai levou-nos para um Sítio que herdara lá no Porto dos Mendes, no Morro Grande, meu tio To alba estudava fora, só vinha para a fazenda nas férias. Eu, sempre que podia ia passar uns dias lá e o meu quarto preferido era o do meu tio Toalba, pois ele dava as janelas todas para a frente e para o Curral, podia-se acordar cedo com a movimentação dos retireiros ao trazer as vacas para a ordenha.
Certa noite, estávamos só nós três, meus avós e eu. Como não havia companhia me recolhi cedo, ouvia cada badalado do velho carrilhão lá na sala próximo ao meu quarto. Fora isso e algumas vezes o som de algum pássaro noturno era silêncio total.
Podia-se ver as estrelas pela janela que eu sempre deixava aberta para contrariedade de vovó que ia nas pontas do pé e as fechava e eu da mesma forma as abria depois de algum tempo sem fazer ruído.
Era uma noite tranqüila, meus avós deviam star em sono pesado e eu ainda estava meio acordado pensando e olhando para as estrelas lá no firmamento.
De repente - ouvi a trava de madeira ser retira da porta da sala e ser colocada no canto. Como era piso de assoalho, e com o silêncio da noite ouvia se nitidamente o som. Levantei a cabeça, sem sair de minha cama, procurei ver se era meu avô ou minha avó que fora ver algo. Não podia evitar nada a não ser a porta acabando se abrir por total uma das partes.
Um silêncio profundo se fez até que ouvi a minha avó lá de seu quarto falar:
- menino! O que está fazendo ai ? Por que abriu a porta!?
Eu mal pude responder... balbuciando disse lá da minha cama mesmo;
- não fui eu, não sai da minha cama! E virei-me do lado obrindo-me e ficando quieto sem se mexer até que o sono veio!
Lembro que meu avô se levantou, fechou a porta, colocou aquela trave de madeira e saiu resmungando. Creio que pensara que fora eu fazendo arte.
Pude ouvi-lo a caminho de seu quarto;
_ Ara.. esse menino !...
No dia seguinte, levantei-me, meu avô já havia ido para a roça e encontrei minha vó lá diante do fogão a lenha!
Antes mesmo que ela disse algo perguntei-lhe:
- Vó, o que foi aquilo ontem?
- Não fui eu que abri a porta não!
Calmamente ela respondeu acalmando-me.
- Não se preocupe menino, deve ter sido papai, ele sempre aparece por aqui.
- No final de semana eu vou fazer uma visita lá no "Centro" e ver o que ele queria. ode estar precisando de oração.
E assim passou a semana e quando chegamos a cidade foi ela ao centro e contou-me depois que realmente era o Vô Abílio, ele sente saudades e vem sempre visitar a casa.
Mas está tudo bem sim com ele! - disse com toda a naturalidade. Acho que por isso nunca me assustei com fatos inexplicáveis. Aceito-os e acredito que: - " entre o céu e a terra há muito mais coisa que nossa vâ filosofia possa conhecer! "
Obs.: Vô Abílio faleceu dois anos antes do que eu nascera, eu não cheguei a conhecê-lo. Um porta retrato que vovó possuia dele me chamava muito a atenção, os seus olhos azuis, bem azuis.
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Comentários (1)
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Diones
2018-11-05
Esse escrito me fez lembrar a minha amada! Gostei muito. Parabéns...
Sou um viajante do tempo, em busca de meus sonhos; na minha caminhada costumo ser alegre... rio, choro, me emociono com o olhar de uma criança, com o brilho do sol, da lua; o cantar dos pássaros. Sou um simples mortal que acredita na imortalidade da essência do Ser, do espírito . . As coisas que eu gosto? ... são as mais simples que existem. Gosto de ver o sol nascer, se por... ver a lua bailar no infinito espaço, e as estrelas enfeitando o manto negro e majestoso da noite... (e só de pensar que viemos e iremos ainda para alguma delas, chega a dar saudade ... !) Ver o rio correr tranqüilo seguindo seu curso sem reclamar, ouvir o sussurro do vento, o som dos pardais ao entardecer, o sorriso de uma criança, a sensualidade feminina, e tantas outras coisas mais que nos rodeiam!Como eu vejo as pessoas? ... Vejo as todas companheiras de viagem, indo em busca de algo; são viajantes das mais diferentes origens, oriundas de algum lugar do Universo e na maioria das vezes perdidas sem saber para onde irão e o que buscam ! Isto é triste! Sonhos ? ... sou um eterno sonhador ! " Sei, que n'algum lugar, muito além dos horizontes... nossos sonhos realmente acontecem! " Vou-me embora para PASARGADA , sonho de todo poeta, ir se embora para Pasárgada,..... Sinto-me privilegiado possuidor das chaves deste lugar, entretanto, sei que nada vale a pena se não for fruto de nosso próprio esforço... Do que adianta ser amigo do rei, ter tudo que se imagina e não ser feliz ? Prefiro seguir meu caminho, colhendo todas as pedras que encontro na estrada e utiliza-las para meu caminhar. Quem quiser ... acompanhe-me e caminhemos juntos!
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