soniabrandao

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Sônia Brandão publicou Prenúncio, livro de poemas breves. Tem ainda um livro virtual, O muro e a flor, em que casa a poesia com a fotografia: https://issuu.com/jcmbrandao/docs/o_muro_e_a_flor

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Memória

As lembranças crescem no sangue

do sol poente.

O velho poço tira as estrelas lá

do alto.

A terra se mistura com o pó

dos pássaros e

das borboletas

e cega os olhos ressequidos dos velhos.

Todas as canções se

apagaram.

É terrível o silêncio na garganta dos mortos.

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Poemas

17

Memória

As lembranças crescem no sangue

do sol poente.

O velho poço tira as estrelas lá

do alto.

A terra se mistura com o pó

dos pássaros e

das borboletas

e cega os olhos ressequidos dos velhos.

Todas as canções se

apagaram.

É terrível o silêncio na garganta dos mortos.

579

Desejo

Quis voar

mas

faltava uma asa

a meu anjo
394

Solidão





Uma flor boiava na imensidão do mar
364

Mundo seco

O tempo chora nas esquinas da cidade

Cicatrizes se abrem no corpo da rua



Um rato rói o coração das pedras

Um mendigo rumina o sal da solidão



A vida é seca, a morte é seca, o mundo é seco
347

Natal



Meia-noite na favela.

Não se ouve um galo, mas o som de uma Ar-15.

Num barraco onde se espremem pai, mãe e dez irmãos,

mais um menino acaba de nascer.
403

Réquiem



Arranquem meus olhos

a flor está morta
366

Recato



Fechem os olhos dos lírios

não deixem que me vejam nua
415

O silêncio

No rio inquieto

o murmúrio das águas

onde te espelhas



Não te reconheces



Teu sangue

ainda flui nas águas



Existes

como se já não fosses

ou fosses outro



Pouco importa



Basta o silêncio

das pedras no caminho

351

Grito

O grito dos bem-te-vis sangra o silêncio do dia

382

O pássaro impossível

Cortaram-me as asas e a garganta.

Nada esperem de mim.



Sou um pássaro impossível.
363

Comentários (1)

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darlandematoscunha

Leveza e largura de pensamento, foi o que vi e li nestas páginas. Um abraço, Sônia, e obrigado pela visita. Darlan