Lista de Poemas
Recicláveis
Evitem usar descartáveis.
Usem menos copos e corpos.
Evitem gastar papéis e lábias.
Reciclem mais vidros e emoções.
Respeitem a terra e os corações.
Usem menos copos e corpos.
Evitem gastar papéis e lábias.
Reciclem mais vidros e emoções.
Respeitem a terra e os corações.
👁️ 27
Sons das manhãs
Gostaria de ter o ninho refeito,
O vinho na mesa
A cama desfeita.
Gostaria de manhãs de sol,
Beijos de menta, cheiro de cafeína,
E descanso na agenda.
Gostaria de entrelaces descuidados,
Ombros e pernas encaixados,
E musica de dolores no rádio.
Gostaria de ouvir o silêncio das manhas
Os queixumes de janelas que se abrem,
O riso dos pássaros e cães que latem.
Gostaria de ouvir a voz da alvorada,
O barulho da estrada, o sino da igreja
O bafío da madrugada.
Mas você não esta aqui.
Então não ouço nada.
👁️ 67
Uma crônica
uma crônica
S
ou estranho...não suporto clichês e mídias cabrestantes...
Todos em minha volta dançam no compasso do teatro que a mídia impôs a ideia de vida ‘normal’.
Gostar de determinado tipo de música, programa de televisão...
Falar palavras certas para momentos certos, endeusar uns, ignorar outros.
Dizer que uma rapariga da novela é linda, se é feia...um ator é um ‘monstro’ ou um jogador é fenômeno...
Não gosto de clichês...não gosto de seguir gostos...
Não gosto de ser ‘normal’ dentro da normalidade imposta e creditada ao meu círculo social.
Sou pobre, devo ser então esdrúxulo, falar alto e ter pés sujos.
Moro na periferia, devo então gostar de promiscuidade e novelas...
Da mesma forma, se morasse na restinga que antes era um pântano e que chamam hoje de barra da tijuca deveria ter um gosto mais refinado, ouvir Ella Fitzgerald, Nina Simone, discutir Sartre ou Foucault....
Os que moram na periferia aderiram a seu papel...realmente ouvem alto suas ‘musicas’, berram em seus cultos, ficam nas calçadas observando transeuntes.
As mulheres usam lenços ou grampos na cabeça, são chorosas e alcoviteiras, amam a desgraça, mas fingem se condoer e em geral se consideram mártires.
Os homens são estranhos, querem mostrar masculinidade como em uma savana, são vaidosos com suas bíblias ou se fingem corajosos em brigas.
Os emergentes por sua vez não se intimidam em arrotar preciosismo e cupidez, algo bem típico da elite caucasiana...as mulheres usam echarpe e botas no inverno, além de pintarem o cabelo com gostos duvidosos. São elétricas e verborrágicas...
Os homens com nádegas protuberantes, possuem glutonaria e luxúria dignas de Bosco,mas mantém um ar de distância e falsa dignidade.
Os jovens são a pior parte...sem possuir identidade e originalidade são cansativos, presunçosos e previsíveis....
Assim o são os homens e mulheres de meu tempo que como observado pelo hábil leitor...
Foram empacotados por mim em clichês que eu próprio impus aos componentes da chamada sociedade carioca
Cansado de clichês…cansado de clichês bairristas, municipalistas, regionalistas e nacionalistas.Cansado de clichês raciais e sociais, dos currais culturais e de colmeias da chamada moda.
Cansado da mídia roteirista, cansado do face, das redes e selfies, cansado desse grande teatro de cômicos bufões e dessa miríade teatral que se chama, natureza humana…, mas...
Natureza humana...algo tão surpreendente quanto singular.
Sua singularidade está em sua incerteza. Incerteza de surgir, de transmitir, de encantar e de horrorizar. Como pode de algo assim surgir um Rubens ou um Pablo Neruda?
Os genes que abrigam um Milton, (mineiro ou inglês), são os mesmos que estão em Chico Picadinho?
Natureza humana é algo tão singular e surpreendente que...
Entre os moradores da periferia se encontrem presunçosos e arrogantes,
E entre os abastados da elite surjam piedosos e elegantes.
Talvez, eu...pardo, pobre e não acadêmico...colado ao clichê de morador da periferia...
Encante alguém com minhas memorias...e minhas ironias...
les temps nous dira
Autor: daniel silvano
S
Todos em minha volta dançam no compasso do teatro que a mídia impôs a ideia de vida ‘normal’.
Gostar de determinado tipo de música, programa de televisão...
Falar palavras certas para momentos certos, endeusar uns, ignorar outros.
Dizer que uma rapariga da novela é linda, se é feia...um ator é um ‘monstro’ ou um jogador é fenômeno...
Não gosto de clichês...não gosto de seguir gostos...
Não gosto de ser ‘normal’ dentro da normalidade imposta e creditada ao meu círculo social.
Sou pobre, devo ser então esdrúxulo, falar alto e ter pés sujos.
Moro na periferia, devo então gostar de promiscuidade e novelas...
Da mesma forma, se morasse na restinga que antes era um pântano e que chamam hoje de barra da tijuca deveria ter um gosto mais refinado, ouvir Ella Fitzgerald, Nina Simone, discutir Sartre ou Foucault....
Os que moram na periferia aderiram a seu papel...realmente ouvem alto suas ‘musicas’, berram em seus cultos, ficam nas calçadas observando transeuntes.
As mulheres usam lenços ou grampos na cabeça, são chorosas e alcoviteiras, amam a desgraça, mas fingem se condoer e em geral se consideram mártires.
Os homens são estranhos, querem mostrar masculinidade como em uma savana, são vaidosos com suas bíblias ou se fingem corajosos em brigas.
Os emergentes por sua vez não se intimidam em arrotar preciosismo e cupidez, algo bem típico da elite caucasiana...as mulheres usam echarpe e botas no inverno, além de pintarem o cabelo com gostos duvidosos. São elétricas e verborrágicas...
Os homens com nádegas protuberantes, possuem glutonaria e luxúria dignas de Bosco,mas mantém um ar de distância e falsa dignidade.
Os jovens são a pior parte...sem possuir identidade e originalidade são cansativos, presunçosos e previsíveis....
Assim o são os homens e mulheres de meu tempo que como observado pelo hábil leitor...
Foram empacotados por mim em clichês que eu próprio impus aos componentes da chamada sociedade carioca
Cansado de clichês…cansado de clichês bairristas, municipalistas, regionalistas e nacionalistas.Cansado de clichês raciais e sociais, dos currais culturais e de colmeias da chamada moda.
Cansado da mídia roteirista, cansado do face, das redes e selfies, cansado desse grande teatro de cômicos bufões e dessa miríade teatral que se chama, natureza humana…, mas...
Natureza humana...algo tão surpreendente quanto singular.
Sua singularidade está em sua incerteza. Incerteza de surgir, de transmitir, de encantar e de horrorizar. Como pode de algo assim surgir um Rubens ou um Pablo Neruda?
Os genes que abrigam um Milton, (mineiro ou inglês), são os mesmos que estão em Chico Picadinho?
Natureza humana é algo tão singular e surpreendente que...
Entre os moradores da periferia se encontrem presunçosos e arrogantes,
E entre os abastados da elite surjam piedosos e elegantes.
Talvez, eu...pardo, pobre e não acadêmico...colado ao clichê de morador da periferia...
Encante alguém com minhas memorias...e minhas ironias...
les temps nous dira
Autor: daniel silvano
👁️ 117
Meu amor (soneto)
Meu amor é singelo, familiar e simples
tem cheiro de terra molhada da chuva,
Da madeira queimando no fogão a lenha,
De ervas de cheiro e perfume dos temperos.
Meu amor tem o ninar da criança,
A cantiga de roda das meninas,
A moda dos seresteiros
E estórias de velhas senhoras.
Meu amor é antigo, arcaico e matriarcal
Esconde, protege e acolhe seu desejado.
Meu amor tem ciúmes e queixumes
Meu amor tem medo, porque não sabe perder.
Meu amor não sabe navegar sozinho.
Meu amor tem ânsia de não perder
Sede de não dividir e fome de esconder,
Meu amor é branco e negro, azedo e doce
Meu amor e fel e mel
Ouro e zinco, disfarça e mascara
Acolhe e escolhe, protege e elege
Recebe e não doa, cobiça e esconde.
Meu amor não real é real mas é o único que conheço.
Não existe para ninguém mas existe aqui dentro.
É uma coisa doída, morrenda, nua e esfaimada.
Mexe com minhas entranhas e me faz chorar
Estou cansado. Cansado da cobiça por minha infância,
De desejar o cheiro da casa exalando amor,
De buscar um olhar que sorria ao me ver,
De invejar um amor que não é meu.
Meu amor é singelo, familiar e simples
Meu amor é desejo sem o desejado,
É sonho que não devia ser sonhado,
É um beijo pedido, perdido e nunca encontrado.
Autor: daniel silvano
tem cheiro de terra molhada da chuva,
Da madeira queimando no fogão a lenha,
De ervas de cheiro e perfume dos temperos.
Meu amor tem o ninar da criança,
A cantiga de roda das meninas,
A moda dos seresteiros
E estórias de velhas senhoras.
Meu amor é antigo, arcaico e matriarcal
Esconde, protege e acolhe seu desejado.
Meu amor tem ciúmes e queixumes
Meu amor tem medo, porque não sabe perder.
Meu amor não sabe navegar sozinho.
Meu amor tem ânsia de não perder
Sede de não dividir e fome de esconder,
Meu amor é branco e negro, azedo e doce
Meu amor e fel e mel
Ouro e zinco, disfarça e mascara
Acolhe e escolhe, protege e elege
Recebe e não doa, cobiça e esconde.
Meu amor não real é real mas é o único que conheço.
Não existe para ninguém mas existe aqui dentro.
É uma coisa doída, morrenda, nua e esfaimada.
Mexe com minhas entranhas e me faz chorar
Estou cansado. Cansado da cobiça por minha infância,
De desejar o cheiro da casa exalando amor,
De buscar um olhar que sorria ao me ver,
De invejar um amor que não é meu.
Meu amor é singelo, familiar e simples
Meu amor é desejo sem o desejado,
É sonho que não devia ser sonhado,
É um beijo pedido, perdido e nunca encontrado.
Autor: daniel silvano
👁️ 110
Cordel da Ópera.
Cordel da Ópera.
A lua, bela e cheia, cintilava na nau quebrada,
A areia branca da praia, mancebo desmaio mostrava,
Recobrando-se o jovem vê, a donzela que a seu lado estava,
Velando por ele como anjo, a bela sílfide chorava.
Tomando-a em seus braços teve, certeza que a amava
Não sabia o incauto náufrago, que a jovem era pérfida maga.
O encanto se fez no covil e logo a maga sorriu
O enamorado marujo senil, caíra em seu ardil.
Na ilha de Morgana chega, sua noiva que o procurava,
Disfarçada de efebo viril, também esta, foi procurada,
Pela bela maga Alcina, que a todos enfeitiçava
Com Évora canção antiga, em pedra os transformava.
A bela noiva descobre, a urna que o feitiço guarda,
Quebrando o bojo em pedaços, o poder da maga se escapa,
Perdendo a força da terra, desespero toma a grande dama,
Que vê seus consortes de pedra, fugirem de sua trama.
O enamorado jovem também, do encanto se desenlaça,
Encontrando sua noiva convém, que logo da ilha partam,
A maga agora chora, a perda de seu consorte Airão
Agora virando a sorte, é da maga que temos compaixão.
torname a vagheggiar.
autor: daniel silvano
A lua, bela e cheia, cintilava na nau quebrada,
A areia branca da praia, mancebo desmaio mostrava,
Recobrando-se o jovem vê, a donzela que a seu lado estava,
Velando por ele como anjo, a bela sílfide chorava.
Tomando-a em seus braços teve, certeza que a amava
Não sabia o incauto náufrago, que a jovem era pérfida maga.
O encanto se fez no covil e logo a maga sorriu
O enamorado marujo senil, caíra em seu ardil.
Na ilha de Morgana chega, sua noiva que o procurava,
Disfarçada de efebo viril, também esta, foi procurada,
Pela bela maga Alcina, que a todos enfeitiçava
Com Évora canção antiga, em pedra os transformava.
A bela noiva descobre, a urna que o feitiço guarda,
Quebrando o bojo em pedaços, o poder da maga se escapa,
Perdendo a força da terra, desespero toma a grande dama,
Que vê seus consortes de pedra, fugirem de sua trama.
O enamorado jovem também, do encanto se desenlaça,
Encontrando sua noiva convém, que logo da ilha partam,
A maga agora chora, a perda de seu consorte Airão
Agora virando a sorte, é da maga que temos compaixão.
torname a vagheggiar.
autor: daniel silvano
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